Capivara já é quarta espécie com maior risco de colisão com aeronaves, aponta guia da UFSC

28/08/2025 09:33

Animais são descritos, bem como medida de mitigações e prevenções de acidentes

Consideradas o maior roedor vivo do mundo animal, as capivaras, cada vez mais populares em áreas urbanas, já são a quarta espécie com maior risco de colisão com aeronaves, segundo o Guia de Espécies para Gerenciamento do Risco de Fauna desenvolvido pelo Laboratório de Transportes e Logísticas (LabTrans) da Universidade Federal de santa Catarina (UFSC) com a Secretaria Nacional de Aviação Civil (SAC/MPor). O urubu-de-cabeça-preta lidera o ranking de severidade, com mais de 600 ocorrências registradas entre 2011 e 2024 em 120 aeródromos.

O ranking da severidade traz uma relação de 68 espécies e é um instrumento criado por pesquisadores para fornecer avaliação baseada em dados e identificar aquelas que representam maior risco à segurança operacional da aviação brasileira. No cálculo, considera-se o volume de colisões com dano, com dano maior e o efeito que provocam no voo.

O material identifica e categoriza 30 espécies de fauna que representam risco de colisão com aeronaves, também conhecido como birdstrike ou wildlife strike. O guia fornece informações detalhadas sobre cada espécie, incluindo características gerais, hábitos, e medidas de mitigação para reduzir sua presença em áreas aeroportuárias e aumentar a segurança operacional. Vinte delas estão entre as que apresentaram a maior severidade relativa e outras dez foram selecionadas por serem identificadas por meio de análises de DNA realizadas no âmbito do projeto SAC Risco de Fauna.

Capivara está em quarto lugar no ranking de severidade

As espécies foram catalogadas com base em um ranking de severidade de colisões entre 2011 e 2024, utilizando dados da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) e análises de DNA. O objetivo principal é ser uma ferramenta prática para equipes de fauna e profissionais da aviação no Brasil.

No caso das capivaras, o guia aponta 33 colisões a partir de 2019, ano em que os acidentes com este animal começaram a ser reportados. Cinco destas colisões geraram danos ou prejuízo, sendo o pouso a fase de maior ocorrência, com registros em 19 episódios. A arremetida foi o efeito mais comum no voo, com quatro reportes. Além disso, há registros em 11 aeródromos, entre eles em Santa Catarina. São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Acre e Pernambuco também tiveram ocorrências.

Entre as medidas de mitigação, estão o monitoramento constante das valas de drenagem para identificar a presença de animais que possam causar risco às operações, a análise de impacto sobre a segurança operacional e a elaboração de sistemas como o cercamento da mata da cabeceira para conter animais e impedir que acessem o sistema de pistas. Cercas devem ser instaladas em áreas operacionais onde grupos de capivaras foram identificados.

A capivara é o animal de maior massa corporal média entre os identificados no guia e pode ter de 27 kg a 91 kg. Em comparação, as outras espécies listadas possuem massas corporais significativamente menores, como o urubu-de-cabeça-preta (1,18 kg a 3,00 kg) e a seriema (1,40 kg a 2,20 kg), respectivamente a primeira e segunda espécie com maior risco conforme o documento.

Aves e morcegos

Urubus, garças, corujas, andorinhas, pombos e quatro espécies de morcegos também estão entre as espécies registradas.

Urubu-cabeça-preta (Reprodução Wiki Aves)

O Urubu-de-cabeça-preta (Coragyps atratus), líder do ranking, apareceu em 617 colisões totais ocorridas em 120 aeródromos espalhados por todo o país. Em 280 colisões foram registrados danos, sendo o pouso de precaução o efeito mais comum.

O guia detalha as características das espécies identificadas, com sua descrição morfológica e hábitos, além das características gregárias, de alimentação e os principais atrativos. A ideia é que o material seja uma ferramenta prática e confiável para apoiar profissionais da aviação, gestores aeroportuários e demais envolvidos no enfrentamento dos desafios relacionados ao risco de fauna. No caso dos urubus, por exemplo, o fato de andarem em bandos pode representar o risco para múltiplos acidentes.

Outro dado importante sobre o guia é que o maior volume de ocorrências não necessariamente vai indicar maior severidade. O “Quero-quero” é um exemplo disso. Foram 5939 ocorrências, mas ele está apenas na posição 37 do ranking da severidade relativa de 2025. A ave é um animal pequeno, que tem entre 277 a 426 gramas e uma probabilidade muito menor de causar danos, danos maiores ou efeitos nas operações de voo quando comparadas a espécies como o Urubu-de-cabeça-preta.

“A presença de fauna em aeródromos e em suas proximidades, seja no solo ou no ar, representa um risco iminente de colisões entre animais e aeronaves, comprometendo a segurança da aviação em escala global. Esse problema é conhecido como risco de fauna”, sintetiza o texto.

Sobre o LabTrans

O Laboratório de Transportes e Logística (LabTrans/UFSC) tem trabalhos de pesquisa e a extensão nos setores de transportes e logística, formando profissionais aptos a executar trabalhos de alta complexidade e relevância técnica de acordo com as necessidades do mercado.

O LabTrans/UFSC desenvolve atividades em áreas como Engenharia de Tráfego, Intermodalidade/Multimodalidade, Logística, Sistemas de Transporte Aéreo,Sistemas de Transporte Ferroviário, Sistemas de, Transporte Aquaviário, Sistemas de Transporte Rodoviário e Sistemas de Transporte Urbano.