Lançamento EdUFSC: a palavra é essencial para explicar a imagem

14/10/2016 08:30

a-estrada-para-deus-sabe-onde“Uma imagem vale mais que mil palavras”, reza o provérbio do pensador político e filósofo Chiu Kung, mais conhecido como Confúcio. Ou seja, é fácil compreender determinada situação a partir do uso de recursos visuais, ou explicar algo com imagens, ao invés de palavras (sejam escritas ou faladas).  Mas, em “A estrada para Deus sabe onde” (The road to God knows where), publicado pela Editora da UFSC, a palavra é essencial para explicar a imagem.

O livro integra uma série bilíngue (português e inglês) que tem como objetivo apresentar os roteiros de um número selecionado de filmes de reconhecida excelência do cinema irlandês (que já tem Jack eClark Gable). “Por se tratar de uma mídia visual, o filme ganha vida na tela, mas é raramente projetado na ausência de som, de música ou da voz humana. Roteiros impressos ajudam a enfocar a atenção nos dos diálogos, na narração e na escolha de palavras para o efeito final na tela”, explicam os organizadores, Lance Pettit e Beatriz Kopschitz Bastos.

Há uma introdução acadêmica ao roteiro, explicando a posição que ocupa na carreira do autor/diretor, discutindo-o em relação a outras obras produzidas por ele, sua significância histórica para a produção cinematográfica irlandesa e os contextos culturais nos quais foi escrito, produzido e recebido. Em outras palavras, o leitor é encorajado a explorar as variações entre o roteiro e a versão filmada.

No caso de “A estrada…”, que inclui um DVD legendado, o destaque fica por conta do cineasta Alan Gilsenan, diretor do filme que empresta o título ao livro. Durante os anos de 1980 e 1990,  “The road...” era descrito como controverso, rótulo que se aplicava ao diretor, descrito como franco., numa época em que isso significava dar a cara a tapa numa Irlanda ainda marcada pelo paternalismo repressivo que se tornara a regra desde os anos 1930, segundo Harvey O’Obrien.

“Fisicamente, o cineasta foi comparado a James Dean e Matt Damon, em uma amostra de apenas dois de vários artigos jornalísticos que parecem ter uma compulsão por descrever a existência do diretor com elogios totalmente irrelevantes para sua obra – tendência que continua até nos dias de hoje”.

O ensaio sobre Gilsenan busca entender essa aura de celebridade que  envolve o diretor, examinando indícios em seu trabalho cinematográfico e sua recepção ao longo dos anos, assim como a preocupação do cineasta em tornar visível uma gama de imaginários na Irlanda contemporânea.

Artêmio Reinaldo de Souza/jornalista/UFSC