
Fotos: Jones Bastos/Agecom
Cerca de 30 pessoas acompanharam na manhã de hoje, no Laboratório de Ensino à Distância da UFSC (LED), a teleconferência “Brasil e Paris + 5: o futuro da Educação Superior”, com o Ministro da Educação Cristovam Buarque. O LED transmitiu a teleconferência através do sinal enviado do auditório da Embratel em Brasília, onde o encontro foi realizado. A TV Cultura também fez a transmissão do evento. Além do ministro, participaram o secretário de Educação Superior, Carlos Roberto Antunes dos Santos, reitores, professores e entidades representativas das universidades federais públicas.
O objetivo foi apresentar a essas classes o que o MEC defenderá na Conferência Mundial de Educação Superior + 5, que acontece de 23 a 25 de junho, em Paris. No encontro internacional, o ministro Cristovam Buarque fará o discurso de abertura e o secretário Carlos Antunes falará, dentro da comissão Evolução das Estruturas e Sistemas de Ensino Superior, sobre o tema Universidade e inclusão social.
Em sua exposição na teleconferência, Cristovam Buarque falou do papel das universidades, da validade do diploma e do isolamento das instituições de ensino em relação à sociedade. O ministro disse que vai levantar, na conferência francesa, a necessidade de se revitalizar o diploma, de se oferecer reciclagem para os professores e uma formação permanente aos alunos, permitindo que, após formados, eles possam fazer outros cursos com livre acesso. “Temos que aproveitar o momento de mudança pelo qual o país passa para criar um novo modelo de universidade”, declarou. Mais de uma vez o Ministro reafirmou o compromisso do MEC de tratar a educação não como um bem comercial, contrariando o que defende a OMC.
Buarque disse ainda que é fundamental criar um laço entre as universidades e o ensino básico, através de licenciaturas e dos cursos de pedagogia. “Temos que colocar os alunos das universidades dentro das escolas”. Falou também de uma ‘família universitária mundial’, onde os estudantes poderiam fazer parte da graduação em outras instituições através de cursos de teleconferência ou de ensino à distancia via internet.
O ministro encerrou sua exposição afirmando que fará sete apelos diferenciados: às universidades dos países ricos, às universidades dos países pobres, às universidades dos países emergentes, aos professores, aos governos, à Unesco e aos jovens. Explicou que reformas não mudam a situação por elas mesmas, pois é essencial que esses segmentos da educação participem do processo.
Após a exposição do ministro, a teleconferência contou com a interatividade por meio de correio eletrônico e fax. O público de diversos locais do país pôde fazer perguntas e contribuir com sugestões para a participação brasileira na conferência internacional. Os participantes perguntaram sobre autonomia universitária, investimento em áreas prioritárias de pesquisa, ações para viabilizar a internacionalização das universidades de forma não predatória e maneiras de sensibilizar a comunidade que demonstra restrições às mudanças.
O reitor da UFSC, Rodolfo Pinto da Luz, estava no encontro em Brasília e colocou a gratuidade do ensino público como essencial, até porque, como ele mesmo explicou, a expansão das universidades privadas tem limite. O reitor disse ainda que é necessário investir na educação como um todo, desde o ensino fundamental até o ensino superior.
A discussão em Paris volta a ocorrer cinco anos após a primeira conferência, realizada também na capital francesa. O encontro deste ano tem por objetivo avaliar ações implementadas pelos governos e repensar o futuro da Educação Superior.