Palestrante aborda problemática do trânsito como doença social

02/05/2007 13:50

Como atividade alusiva à 1a. Semana das Nações Unidas para a Segurança no Trânsito, aconteceu na última quinta-feira (26/04), no auditório do CFH, a palestra “Trânsito: uma questão de cidadania”, proferida por José Roberto de Souza Dias, ex-diretor do Departamento Nacional de Trânsito, Denatran. O evento foi uma atividade integrante do II Seminário Nacional Movimentos Sociais, Participação e Democracia, promovido pelo Núcleo de Pesquisa em Movimentos Sociais da UFSC.

Mostrando dados estatísticos sobre os transtornos provocados pelo trânsito, Dias provocou a platéia afirmando que acidente não é uma fatalidade, mas uma doença social que precisa ser tratada. Procurou demonstrar que os acidentes de trânsito não são causados apenas pelos condutores dos veículos, mas há uma rede de responsabilidades, passando pelos engenheiros que fabricam automóveis, pela mídia e pelas autoridades públicas. Cita como exemplo a duplicação da BR101. Para José Dias, a rodovia necessitaria ser reconstruída e não duplicada: “mantendo-se o traçado original, as curvas ficam mais acentuadas, tendo como resultado o aumento da velocidade que resultam em acidentes mais graves”. Ele defende que a duplicação aumentará o número de acidentes ao invés de diminuí-los, pois a fiscalização também é reduzida com a reforma da rodovia.

Dias adverte que a corrupção também causa acidente, pois as verbas destinadas à educação para o trânsito não são aplicadas. Protesta que somente 5% do valor das multas são destinados às campanhas educativas. Segundo o palestrante, Santa Catarina não recebe o recurso desde 1998. Para ele, a solução está no ensino: “trânsito é cidadania, a educação precisa começar na escola, incorporando o tema no currículo da educação básica”. Dias questionou a omissão da UFSC nesta questão, pois a universidade tem um papel importante na conscientização da sociedade.

José Dias também questionou as estatísticas divulgadas no país, pois os registros sobre mortes em acidentes de trânsito são computados somente para os óbitos no local, enquanto que as vítimas hospitalares ficam à margem dos números.

A seguir alguns dados comparativos apresentados na palestra sobre o trânsito no Brasil:

– 50 mil mortes por ano;

– 300 mil feridos por ano;

– 30 mil mortes em média no local do acidente;

– 20 mil mortes nos hospitais nas primeiras 24 horas;

– uma pessoa morre a cada 11 minutos;

– um atropelamento a cada 7 minutos;

– um acidente de trânsito a cada 31 segundos;

– mais de metade dos acidentes com motos resultam em mortes

– 70% dos acidentes com mortes estão ligados ao consumo de álcool;

– 65% da ocupação dos leitos hospitalares são de acidentes de trânsito;

– as vítimas são na maioria entre 18 e 26 anos;

– custos anuais de R$ 5,3 bilhões (IPEA): 42,8% deste total refere-se ao afastamento temporário ou definitivo do trabalho, 28,8% custo com o veículo e 14,5% com atendimento médico-hospitalar e reabilitação;

– 72,1% das mortes entre jovens são causadas por acidentes de trânsito, homicídios e suicídios;

– Tocantins, Mato Grosso e Santa Catarina lideram o ranking dos maiores óbitos em acidentes de trânsito;

– Veículos acidentados por ano: 640 mil

– Pessoas envolvidas direta ou indiretamente nos acidentes: 1052 milhões;

– Frota nacional: 27 milhões de veículos; em Santa Catarina: 2.513.547

Paulo Liedtke

Agecom/UFSC