Ajuda contra as drogas na UFSC

18/02/2002 10:29

Não tem inscrição, vestibular, seleção nem qualquer tipo de formalidade para freqüentar a UFSC de segunda a sexta. Só que não é para fazer curso de graduação ou pós, mas para se apoiar mutuamente na busca de recuperação para a dependência às drogas e ao álcool. Pessoas de dentro ou fora da comunidade universitária, que enfrentam este tipo de problema, podem contar com o apoio do Grupo de Ajuda Mútua (GAM), que desde 1990 auxilia a recuperação de dependentes. Nesta quarta, dia 20, o grupo celebra a “graduação” de um trabalhador da universidade que pela primeira vez, depois de dez anos de tratamento, consegue ficar seis meses inteiros sem tomar um gole de bebida.

O trabalho faz parte do Serviço de Atendimento às Necessidades Psicossociais da UFSC, que funciona no primeiro andar do Centro de Ciências da Saúde (CCS), ao lado do Hospital Universitário. Um dos facilitadores voluntários, Rudnei Carlos Teixeira – um professor de Matemática que conseguiu se livrar da dependência – garante que qualquer pessoa pode chegar no grupo e ir se enturmando, sem se sentir segregado. O encontro acontece todas as manhãs de segunda, terça, quinta e sexta, a partir das 8h30min. Às quartas-feiras, às 17 horas, na sala 911 do CCS, qualquer pessoa da comunidade é bem-vinda a participar das reuniões do Grupo de Estudos dos Problemas das Drogas, que existe na UFSC desde 1989.

O professor Wilson Kraemer, que criou em 1987 o Serviço de Atendimento às Necessidades Psicossociais, já lidando com o problema da dependência química, diz que a idéia agora é reforçar a participação no grupo de estudos das quartas-feiras, um referencial de todo o trabalho, que é baseado na idéia inserir o dependente no ambiente sadio, livrando-o da segregação comum em alguns tipos de tratamento.

Os participantes do Grupo de Ajuda Mútua almoçam e jantam no Restaurante Universitário. A alimentação faz parte do tratamento, pois evita que a pessoa se drogue, como explica o professor Kraemer. Ele diz que o GAM está no aguardo de ofertas de passes de ônibus para voltar a oferecer o transporte que antes garantia para todas as pessoas em tratamento. As cortesias que a universidade assegurava foram interrompidas por dificuldades burocráticas relacionadas à compra dos passes.

Mais informações e entrevistas com Rudnei Carlos Teixeira (331-9575 e 9111-1907) e Wilson Kraemer ((331-9575, 228-2450 e 222- 0424).