Projeto da UFSC resulta em livro ‘Estórias com HIV’

16/03/2026 10:02

O livro Estórias com HIV, organizado pelos pesquisadores do Projeto É só Mais Uma Crônica, será lançado neste sábado, 21 de março, com evento na Galeria Lama, no Centro de Florianópolis, das 18h às 21h. A obra resulta de um projeto financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação (Fapesc) até 2025 e atualmente pelo CNPQ. O coordenador é o professor Atilio Butturi Junior, do Departamento de Línguas e Literatura.

Além do professor, Pedro Paulo Venzon Filho, Nathalia Muller Camozzato e Camila de Almeida Lara são organizadores da obra, disponível no site https://esomaisumacronica.ufsc.br/. Os organizadores e os entrevistados que moram em Florianópolis estarão presentes no evento, dentre elas Laurinha Brelaz e Letícia de Assis, ambas mulheres que vivem com HIV e militantes. Letícia é presidente do Grupo de Apoio à Prevenção da Aids (GAPA).

De acordo com Atilio, o projeto surgiu da pesquisa que ele desenvolve desde 2014, sobre o que seus estudos denominam de “dispositivo intra-ativo crônico da aids”. “A pesquisa é teórica e deu margem para pensarmos, no grupo de pesquisa Campo Discursivo, no que eu e Nathalia Muller Camozzato chamamos de Análise Neomaterialista do Discurso”, completa. Desde 2015 o pesquisador vem orientando trabalhos sobre HIV e um deles, de Camila de Almeida Lara, foi realizado com as mulheres que viviam com HIV no GAPA. “Como Camila terminava a tese, conversamos e resolvemos pensar numa relação com a extensão”.

O professor lembra que o grupo inicial era formado por ele, por Nathalia e Camila, além de João Marcelo Faxina, que ele co-orientava, e Pedro Paulo Venzon, que faz doutorado em Ciências Humanas e foi o idealizador de todo o projeto gráfico. “Quando achamos o edital da FAPESC, nos inscrevemos e fomos contemplados com uma bolsa de pós-doutorado e com um recurso que foi usado para os livros, para traduções e para a produção do site e das redes sociais”.

Depois, a proposta foi pensar em um dispositivo digital que desse conta de informar e de pensar a vida com HIV “de uma maneira inventiva, como futuridade”. O portal É só mais uma crônica e as redes surgiram daí e atraíram colaboradores. “Tudo o que fazemos é voluntário, mas acabamos criando uma rede de colaborações, dentre as quais o GAPA Florianópolis, imprescindível para nós”. Segundo Atilio, ainda este ano será lançado um um livro infantil pensando a diferença como categoria. A obra será distribuída em escolas.

“Na nossa avaliação, temos duas devolutivas importantes: a primeira, numa dimensão de produção de conhecimento atualizado sobre o HIV, não apenas de uma perspectiva médica, mas de uma relação de autogoverno para pessoas que vivem com HIV”, reflete o professor. A outra dimensão é a de impactos sobre as subjetividades, pensando além da “tecnologia fármaco-biomédica de controle”. “Essa segunda forma de impacto pode ser mensurada por acessos ao site e às redes, claro, mas entendemos que é nas relações que estabelecemos que podemos produzir alguma diferença”, observa.

 

 

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