Livro analisa mecanismos de controle social nos anos do Estado Novo
O período entre 1930 e 1945 foi o mais conturbado do século XX, marcado por um conflito mundial, o advento da “guerra fria” e, no Brasil, pelos longos anos do Estado Novo, dominados pelo governo centralizador de Getúlio Vargas. Em Santa Catarina, o interventor Nereu Ramos se amoldava às regras ditadas pelo poder federal, que se pretendiam modernizadoras mas primavam pelo assistencialismo e pela tentativa de controle social. Nesse contexto, a educação tinha um papel essencial, pela capacidade de estabelecer condutas tidas como ideais pelo regime vigente. E é nesse ambiente que a professora e pesquisadora Cynthia Machado Campos foi procurar elementos para construir o conteúdo do livro Santa Catarina, 1930: da degenerescência à regeneração, que a Editora da UFSC lança às 19h desta terça-feira, dia 18, na livraria Saraiva do Shopping Iguatemi, em Florianópolis.
A autora explica que o termo “regeneração” foi muito usado pelos médicos higienistas da época para designar a necessidade de pôr fim à situação doentia que tomava conta da população pobre. Mais tarde, à medida que o discurso médico afirmou-se como elemento de intervenção na sociedade, a expressão se tornou sinônimo de busca de “civilidade”, de “bons hábitos”, de comportamentos que criassem um “povo saudável”. Por conta disso, diz ela, “a interferência não se limitou a questões de higiene, mas delimitou padrões de conduta que gerenciaram formas de sociabilidade”.
Dito isso, Cynthia Machado informa que seu livro trata a regeneração na sua dimensão de efeito das políticas assistencialistas do governo Nereu Ramos. E mais, “vincula o projeto de regeneração da sociedade ao governo forte e centralizado de Vargas, de difícil convivência com a pluralidade e diversidade cultural catarinense”. No período estudado, investimentos institucionais buscaram consolidar mecanismos de controle e resultaram na eliminação de formas de organização autônomas de grupos sociais. Foi um movimento de homogeneização, que “argumentava sobre a necessidade de afirmação do Estado e consolidação da nação e investia de forma concentrada na padronização de comportamentos”, afirma a autora.
Sob o pano de fundo da industrialização de Santa Catarina e da necessidade de reverter os discursos negativos acerca do caráter da população brasileira, os projetos de educação e assistência de Nereu Ramos visavam à mudança de comportamento dos cidadãos. A homogeneização foi tão perseguida que se desdobrou na construção de penitenciárias, hospitais psiquiátricos e abrigos de menores e se estendeu às comunidades de imigrantes, por meio da Campanha de Nacionalização.
A autora – Professora de História na Universidade Federal de Santa Catarina, Cynthia Machado Campos publicou vários artigos na área da História Cultural. É mestre em História pela PUC/SP e doutora pela Unicamp, com estágio na Universidade Livre de Berlim. Recentemente, concluiu pós-doutoramento na Universidade de Essex, na Inglaterra. É também autora do livro “A política da língua na era Vargas: proibição do falar alemão e resistências no sul do Brasil”, publicado pela editora da Unicamp em 2006.
Santa Catarina, 1930: da degenerescência à regeneração
Cynthia Machado Campos
Editora da UFSC – Série Geral
264 p. – R$ 32,00
Mais informações com a autora, nos fones (48) 3721-9359, 3207-5379 e 9977-5379 e no e-mail cynthia@cfh.ufsc.br.
Por Paulo Clóvis Schmitz/jornalista na Agecom



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