Estudos têm resultados promissores para tratamento do AVC e de queimaduras com células-tronco

28/06/2012 16:30

Uma metodologia que pode melhorar o diagnóstico da neoplasia mieloproliferativa e resultados promissores em modelos animais sobre o uso de células-tronco para recuperação do AVC e de queimaduras foram apresentados nesta quinta-feira, 28 de junho, em seminário de avaliação do Programa de Pesquisa para o SUS (PPSUS).

O encontro foi realizado no auditório do , no ParqTec Alfa. Pela manhã, cinco projetos, todos da UFSC, foram relatados à coordenação geral do PPSUS, ligada ao Ministério da Saúde, representantes da Fapesc, para avaliadores da Secretaria Estadual da Saúde e CNPq. O seminário prossegue nesta sexta-feira, totalizando a avaliação de 28 projetos da UFSC, FURB, Udesc, Unesc e Univali.

Um dos trabalhos da UFSC foi apresentado pela professora Maria Cláudia Santos da Silva, que atua junto ao Laboratório de Oncologia Experimental e Hematologia, ligado ao Centro de Ciências da Saúde e ao Hospital Universitário. A pesquisadora mostrou estudos que comprovam benefícios de investigar a mutação JAK2V617F no diagnóstico das neoplasias mieloproliferativas, anomalias celulares do organismo relacionadas a uma série de doenças e de difícil avaliação.

Em sua opinião, a investigação da mutação poderia ser adotada pelo SUS, pois em laboratórios privados o exame é de alto custo (cerca de R$ 700,00) e muitos pacientes não têm condições de realizá-lo. “Teríamos diagnóstico mais eficiente e rápido, e melhora da qualidade de vida, com início mais rápido do tratamento e redução da evolução para outras complicações”, avaliou a professora.  Segundo ela, atualmente o laboratório ligado à UFSC é o único em Santa Catarina que realiza o exame. Um dos desafios para adoção do teste é criar um código de cobrança para realização gratuitamente via Sistema Único de Saúde.

Tratamento do AVC
Células-tronco foram o foco de outros dois trabalhos apresentados nesta quinta-feira. As pesquisas desenvolvidas junto ao Laboratório de Células-Tronco e Regeneração Tecidual, ligado ao Centro de Ciências Biológicas da UFSC, indicam resultados animadores, em modelos animais, para o tratamento do Acidente Vascular Cerebral (AVC) e de queimaduras.

O professor Márcio Alvarez da Silva relatou pesquisa sobre a obtenção de células-tronco a partir de placentas e seu uso em enxertos na região cerebral de camundongos. Segundo ele, os experimentos mostraram que as células-tronco humanas obtidas em placentas apresentam características muito semelhantes às obtidas na medula óssea. Usadas em enxertos, permitiram a recuperação e a proliferação celular na área afetada pela isquemia, colaborando com a redução da lesão cerebral dos camundongos.

De acordo com o professor, o trabalho mostra a recuperação significativa na área da lesão, não apenas com a proliferação das células enxertadas, mas com regeneração de outras do próprio animal – fenômeno observado por meio de marcadores moleculares e que será investigado pela equipe. O trabalho terá também continuidade com a avaliação motora de animais que recebem as células-tronco provenientes de placenta na região lesada pelo AVC.

Queimaduras
Resultados otimistas para o tratamento de queimaduras a partir da terapia com células-tronco foram demonstrados por outra pesquisadora do mesmo laboratório. A professora Andréa Gonçalves Trentin apresentou estudos que envolvem equipe multidisciplinar na busca da melhoria do atendimento a pacientes com queimaduras. Com o objetivo de usar células-tronco do próprio paciente, a equipe que em outros estudos já trabalhou com células da placenta, crista neural, cordão umbilical e obtidas a partir de dentes agora investiga o potencial de diferenciação de células-tronco da pele do couro cabeludo humano, a partir de fragmentos obtidos em cirurgias plásticas. Segundo ela, os testes demonstraram a diferenciação desse material em diversos tipos celulares. Entre eles, células-tronco mesenquimais, que podem gerar células nervosas, ósseas e de gordura, e não apenas queratinócitos, mais presentes na epiderme, principal foco da pesquisa.

O trabalho possibilitou também a avaliação de duas matrizes de regeneração dérmica já disponibilizadas pelo mercado para tratamento de queimados em hospitais, e sua performance em associação com células-tronco. Avaliada em modelos animais, essa combinação acentuou a vascularização e acelerou o processo de regeneração da pele dos animais. “Estamos em análises finais, mas os resultados são muito bons e fornecem bases para outros estudos ”, destacou a professora.

Pesquisas sobre a AIDS
O professor Aguinaldo Roberto Pinto, do Departamento de Microbiologia e Parasitologia da UFSC, detalhou estudo sobre a diversidade genética do vírus HIV e resistência primária a antirretrovirais em pacientes soropositivos. Segundo ele, além de uma distribuição desigual de infectados pela Aids, com maior número em países africanos, há também uma diferenciação em relação aos subtipos de vírus prevalentes em diferentes regiões.

A pesquisa financiada pelo PPSUS confirmou que o tipo de vírus prevalente na região da Grande Florianópolis é o subtipo C – enquanto no país 70 a 90% é do subtipo B, o mesmo que prevalece na maioria dos países da América Latina, América do Norte e Europa Ocidental.

O trabalho envolveu também a avaliação da resistência primária – já presente no vírus no momento que o paciente se infecta. A partir de 82 amostras de sangue de soropositivos nunca tratados, foi identificado um índice de 8,3% pacientes com vírus que possuem mutações capazes de gerar resistência a diferentes fármacos. Segundo Aguinaldo, os dados poderão ser ampliados para outras cidades em novos projetos e oferecer subsídios para a escolha de tratamentos mais adequados.

O último trabalho da manhã abordou o desenvolvimento de estratégias para melhoria das características do saquinavir, um antiviral usado na terapia anti-HIV. As pesquisas permitiram novas formulações do fármaco a partir de processos simplificados, sem exigência de equipamentos sofisticados, matéria-prima nacional e de baixo custo. Uma das metas do trabalho é reduzir os cursos de produção e melhorar a biodisponibilidade, relacionada à quantidade do fármaco que é absorvida e utilizada pelo organismo.

“As pesquisas comprovam a melhoria da absorção intestinal e reforçam o papel do Brasil no desenvolvimento de antirretrovirais”, salientou o doutorando em Farmácia Thiago Caon, responsável pela apresentação do trabalho.

O PPSUS é coordenado nacionalmente pelo Ministério da Saúde, via Departamento de Ciência e Tecnologia (Decit). Nos estados, os recursos são repassados aos projetos selecionados regionalmente por meio do CNPq e das Fundações de Apoio à Pesquisa – em Santa Catarina, via Fapesc.

Por Arley Reis / Jornalista da Agecom

Informações sobre o Seminário de Avaliação do Programa de Pesquisa para o SUS: Fernanda Beduschi Antoniolli / (48) 3215-1218 /

Mais informações na UFSC:

– Diagnóstico da neoplasia mieloproliferativa: Maria Cláudia Santos Silva / / (48) 3721-9712
– Células0-tronco: www.lacert.ufsc.br  / / (48) 3721-6905
– Diversidade genética do vírus HIV: Aguinaldo Roberto Pinto /  / (48) 3721-5206
– Melhoria das características do saquinavir: Thiago Caon / (48) 3721-5207

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Trabalhos que serão apresentados nesta sexta-feira:

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Pesquisa da UFSC sobre melhoria de ossos sintéticos é apresentada em congresso na China

22/06/2012 08:45

Segundo José, foi muito importante apresentar o trabalho para uma plateia onde estavam autores que são referências mundiais na área de biomateriais

A UFSC deixou sua assinatura em um dos principais congressos do mundo na área de biomateriais. Trabalho desenvolvido junto ao Grupo de Pesquisa em Biomateriais, ligado ao Núcleo de Pesquisa em Materiais Cerâmicos e Vidros (Cermat), do Departamento de Engenharia Mecânica, foi apresentado durante o 9th  World Biomaterials Congress, realizado na China no início de junho.

O Grupo de Biomateriais desenvolve produtos voltados ao corpo humano e o estudo apresentado na China é parte do doutorado de José da Silva Rabelo Neto. Físico, com investigações sobre a produção de ossos em laboratório desde sua graduação, José estuda agora a adição de estrôncio e de magnésio em um pó sintético semelhante à composição do osso humano. O pó é constituído por hidroxiapatita, um fosfato de cálcio que forma 70% dos ossos. Para a síntese em laboratório são usadas soluções químicas sob parâmetros específicos e controlados.

De acordo com o pesquisador, estimular a densificação de ossos e colaborar com a redução da rejeição são algumas das vantagens do novo material. “Ele pode estimular a formação do osso natural na região em que for usado”, destaca José. Ele explica que compostos do gênero já são usados em outros países, mas no Brasil o desenvolvimento do osso sintético com adição de elementos químicos é pioneiro. “Foi muito importante apresentar o trabalho para uma plateia onde estavam autores de artigos que leio há anos e que são referências mundiais na área”, comemora José.

Ortopedia e odontologia
“Chama-se de dopar o material”, explica o sergipano que fez seu mestrado na USP, em Ciências do Material, e desenvolve seu doutorado junto ao Programa de Pós-Graduação em Ciencias e Engenharia de Materiais da UFSC, com orientação do professor Márcio Celso Fredel. Segundo ele, o novo material tem potencial para uso na ortopedia e odontologia (o esmalte que cobre os dentes também é formado pela hidroxiapatita).

Uma das aplicações do osso sintético em pó com adição das substâncias poderia ser, por exemplo, recobrir próteses metálicas usadas em articulações, prevenindo a rejeição no corpo e melhorando a integração implante-osso. Como o novo material melhora a densidade óssea, também tem potencial para auxiliar no controle da osteoporose.

José explica que a incorporação do estrôncio aumenta a massa óssea, estimula a formação dos ossos e melhora as propriedades mecânicas do material. O magnésio provoca mudanças no cristal do pó, deixando mais semelhante ao osso natural e diminuindo sua dissolução e fragilidade. As aplicações dependem de pesquisas futuras, voltadas a transformar o material pesquisado por José em um produto.

Mercado
Novas fases do trabalho terão suporte do Projeto PRONEX-BioEng, um dos núcleos de excelencia em pesquisa contemplados na Chamada Pública 004/2010 da Fapesc. Para chegar ao mercado, o novo osso sintético poderá também ter apoio do programa Sinapse da Inovação, promovido pela Fapesc e realizado pela Fundação Certi com o objetivo de prospectar e transformar boas ideias do meio acadêmico em negócios de sucesso.

O Sinapse está dando suporte à criação da empresa Innovacura Biomateriais, há menos de um ano encubada no Parque Celta – Pedra Branca, e que tem José Rabelo como um dos diretores. Segundo ele, dois pedidos de registro de patentes de futuros produtos já estão sendo encaminhados. Além disso, durante sua viagem para a China, o físico fez contatos com empresas de biomateriais com interesse no mercado brasileiro e também com o Centro Nacional de Pesquisas de Engenharia em Biomateriais, sediado na Universidade de Sichuan, buscando oportunidades de colaboração com o Brasil.

Mais informações: José da Silva Rabelo / / (48) 3721-7702

Por Arley Reis / Jornalista da Agecom
Fotos da Galeria: Wagner Behr / Agecom

 

Saiba Mais:

Projeto PRONEX-BioEng
O Núcleo de Excelência em Engenharia Biomecânica e Biomateriais, integrante do Instituto BioSanta-UFSC, reúne grupos e laboratórios da UFSC, Fundação Certi, Univille e Udesc, nas áreas de medicina, engenharia mecânica, engenharia de materiais, engenharia química, matemática, física, química e biologia.

O objetivo é o desenvolvimento e a disseminação de conhecimentos relacionados ao projeto, fabricação, testes de validação, desempenho mecânico e bioquímico, estudos citológicos e clínicos de implantes e dispositivos para o setor da saúde. O PRONEX-BioEng é financiado pela Fundação de Pesquisa de Santa Catarina (Fapesc) e pelo CNPq.

Principais objetivos:
 – Desenvolvimento de produtos e implantes biomédicos, além de apoio à industrialização, visando reforçar a indústria catarinense e brasileira neste setor.

– Formação de pessoal especializado no desenvolvimento, validação e industrialização de produtos biomédicos.

– Geração e transferência de conhecimentos sobre a produção e industrialização de produtos biomédicos por meio da divulgação em revistas especializadas, conferências, seminários e cursos para a comunidade.

– Apoio à implantação de novas empresas oriundas de pesquisas desenvolvidas (spin off) no setor de fabricação de produtos e implantes biomédicos.

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Tags: biomateriaisEngenharia Mecânicanovos materiaisUFSC

Semana da Pós-Graduação em Química traz reflexões sobre universidade e pesquisa

19/06/2012 16:32

“Precisamos pensar como julgamos nosso impacto como cientistas”, instigou o palestrante

Bioquímico, educador, professor do Instituto de Química da Universidade de São Paulo e vice-presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), o professor Hernan Chaimovich Guralnik foi um dos convidados da manhã desta terça-feira, 19 de junho, da 1ª Semana da Pós-Graduação em Química da UFSC. O encontro que traz à Universidade palestrantes de destaque na área científica prossegue até sexta-feira, com minicursos, palestras e apresentações de trabalhos desenvolvidos junto à Pós-Graduação em Química – um dos programas de excelência da UFSC, conceito 7 na Capes.

“Ele sempre esteve ativamente envolvido em política científica e administração, e mesmo assim continuou publicando”, destacou na apresentação do palestrante o professor do Departamento de Química e da Pós-Graduação em Química, Faruk Nome, representante da UFSC na ABC.

Integrante das comissões que criaram o Curso Interdisciplinar de Pós-Graduação em Biotecnologia e a graduação em Ciências Moleculares da USP, Guralnik organizou sua fala na temática Universidade, Ciência e Desenvolvimento. Partiu de definições, lembrando que a ciência é uma forma especializada de estudo – mas também um agente prático e um fator cultural.

“Como forma de estudo é uma procura por conhecimento com metodologia específica, mas não se pode deixar de lado também o princípio do prazer. Se não for assim, é melhor mudar de carreira”, salientou o professor, pesquisador 1A do CNPq desde 1979, com registro em seu Currículo Lattes de 3.600 citações. Ele defendeu também a necessidade de que o pesquisador cultive um “ceticismo responsável e liberdade de questionamento”.

“Essa é uma liberdade que se conquista, não vem como mágica”, ressaltou o palestrante. Segundo o vice-presidente da ABC, como agente prático a ciência é uma fonte de poder, que permite modificar a natureza e influenciar a sociedade – e como agente cultural uma forma de pensar, avaliar e decidir.

Com relação à integridade do processo científico, Guralnik lembrou que este requer publicação e análise dos pares  – caso contrário passa às “ciências ocultas”. Enfatizou também: “O cientista hoje não pode mais se dedicar exclusivamente à procura do conhecimento sem reconhecer sua responsabilidade social”.

Tocando em questionamentos e dilemas da ciência, citou a contradição entre “melhor ciência” e o olhar para a realidade local. “Precisamos pensar como julgamos nosso impacto como cientistas”, instigou o palestrante.

O professor lembrou que o Brasil integra um seleto grupo composto por Rússia, Estados Unidos e China (nações com área maior do que 4 milhões de k2 ,  com população superior a 100 milhões de habitantes e PIB superior a 5 bilhões de dólares). “Por isso é importante saber onde se quer ir”, enfatizou, citando a USP como uma universidade que publica mais do que países como Chile e Colômbia – mas em termos de país o Brasil tem ainda um longo caminho a percorrer na ciência, com um número pequeno de citações por trabalhos científicos, complementou.

A má distribuição da pesquisa por áreas geográficas, a produção extremamente concentrada em algumas universidades e em algumas áreas do conhecimento foram outros problemas lembrados pelo palestrante sobre a ciência brasileira. “Sobre patentes nem vou falar”, disse, em seguida, defendendo a necessidade de aumento do número de cientistas nas empresas, “ou não teremos inovação”.

“O papel social do cientista exige a melhor ciência”, defendeu o vice-presidente da Academia Brasileira de Ciências, que fez também duras críticas às universidades (em sua opinião, instituições ortodoxas, conservadoras e ineficientes diante dos recursos que recebem). É necessário pensar que estrutura universitária queremos, disse o professor, que trabalhou na parte final de sua palestra a necessidade de diferenciação do ensino superior e o conceito de Universidades de Classe Mundial. Segundo ele, entre as características desejáveis para estas universidades estão o desenvolvimento da ciência, tecnologia, cultura e a capacidade de integrar o que ocorre no país e no mundo.

Por: Arley Reis / Jornalista da Agecom
Fotos: Brenda Thomé/Bolsista de Jornalismo na Agecom

Saiba Mais:
1º Semana da Pós-Graduação em Química
Tem o objetivo de divulgar os avanços da Química, as pesquisas desenvolvidas no Programa da UFSC e no Brasil, além de incentivar a troca de conhecimentos e o estabelecimento de parcerias entre os participantes.

Próximas conferências e programação

Data: quarta-feira (20/06)
Horário: 10h

– Nanopartículas metálicas suportadas para aplicações em catálise
Profa. Liane Marcia Rossi (USP)

– Métodos de decomposição da energia como instrumento para a compreensão de processos químicos
Prof. José Walkimar de Mesquita Carneiro  (UFF/RJ)

Data: quinta-feira (21/06)
Horário: 10h

– Métodos de decomposição da energia como instrumento para a compreensão de processos químicos
Prof. Dr. José Walkimar de Mesquita Carneiro /Departamento de Química / Universidade Federal Fluminense (UFF/RJ)
Apresentador: Prof. Dr. Giovanni Finoto Caramori – UFSC

Data: sexta-feira (22/06)
Horário: 9h30min
Conferência de Encerramento:

Avaliação CAPES na área de Química – Perspectivas
Prof. Luiz Carlos Dias (UNICAMP)

 

Tags: pós-graduação em químicam químicaUFSC

Dia Mundial do Meio Ambiente: projeto busca uso sustentável de bromélia da Mata Atlântica

06/06/2012 08:45

Expectativa é de que a espécie com potencial econômico possa ser usada em programas de diversificação ou de incremento de renda para comunidades rurais e semi-urbanas

“Seus frutos são ingeridos tanto in natura como em preparados, como remédio contra a tosse, com ação expectorante nas infecções respiratórias, recomendados para o tratamento de asma e de bronquite. Os mesmos frutos são considerados antihelmínticos, sendo que seu sumo tem ainda efeito sobre tecidos decompostos, deixando feridas completamente limpas”. A descrição do potencial da Bromelia antiacantha, publicada pelo padre pesquisador Raulino Reitz no fascículo da Flora Ilustrada Catarinense “Bromeliáceas e a malária – bromélia endêmica” permanece como estímulo a novos estudos.

O pensamento do padre botânico de que “Todas as plantas são potencialmente úteis” está presente na tese ´Uso e manejo de Caraguatá (Bromelia antiacantha) no Planalto Norte Catarinense: está em curso um processo de domesticação?`, em desenvolvimento junto ao Programa de Pós-Graduação em Recursos Genéticos Vegetais da UFSC.

O trabalho da bióloga Samantha Filippon com a bromélia nativa da Mata Atlântica é uma continuidade dos estudos iniciados em seu mestrado, orientado no mesmo programa pelo professor Maurício Sedrez dos Reis (e agora com coorientação do professor Nivaldo Peroni). “Esperamos que com o aprofundamento dos estudos etnobotânicos se possa resgatar e caracterizar junto à comunidade local as formas de manejo da espécie”, explica Samantha.

Conservabio
A pesquisa é realizada em áreas da Floresta Nacional de Três Barras, administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão ambiental do governo brasileiro. A floresta é localizada no planalto norte de Santa Catarina, entre os municípios de Três Barras e Canoinhas. O trabalho envolve a comunidade de Campininha, que participa do projeto “Rede para geração do conhecimento na conservação e utilização sustentável dos recursos florestais não madeiráveis da Floresta Ombrófila Mista”, sigla Conservabio. A iniciativa é financiada e coordenada pela Embrapa.

Os estudos de Samantha são executados em uma área de floresta secundária, utilizada como mangueirão para animais cerca de 60 anos atrás, e onde atualmente existe uma grande densidade da Bromelia antiacantha. Se estendem também a uma área caracterizada como mata nativa, em que há décadas foi realizada exploração madeireira, e a algumas propriedades rurais na comunidade.

A meta é esclarecer aspectos sobre o manejo do caraguatá nas paisagens com maior interferência humana, principalmente na confecção das cercas vivas. O projeto vai buscar informações sobre a seleção das plantas, de onde vêm as mudas, quem faz as cercas e porque – pois ainda que não sejam mais utilizados os antigos mangueirões, ainda são feitas cercas com a bromélia. Estas estruturas de gravatá são utilizadas há décadas, o que foi comprovado por Samantha ao visitar as propriedades e em relatos de agricultores de que algumas existem há cerca de 70 anos.

Domesticação
Em sua dissertação, a bióloga já havia observado que vários agricultores praticaram ou praticam algum tipo de manejo sobre o caraguatá. “Pelo fato de existir manejo e seleção de plantas, principalmente para as cercas vivas, seja por vigor, facilidade de manuseio ou crescimento rápido, pode estar em curso um processo de domesticação dessa espécie pela comunidade local”, considera Samantha, que tem como desafio em sua tese elucidar aspectos culturais envolvidos no uso e manejo da bromélia. Sua investigação associa   estudos demográficos (para documentação de padrões de propagação, brotação, frutificação e crescimento, entre outros) a pesquisas genéticas e etnobotânicas.

“Essa espécie mostra potencial econômico e seu uso pode ser estimulado com a utilização em programas de diversificação ou de incremento de renda para comunidades rurais e semi-urbanas”, considera a bióloga. “Mas são necessários mais estudos para avaliar o impacto da extração sobre a diversidade genética e a regeneração natural, assim como sobre sua disponibilidade para a fauna, o que pode auxiliar o estabelecimento de estratégias sustentáveis de manejo”, complementa.

Segundo ela, ainda que a Bromelia antiacantha reúna características medicinais, alimentícias, ornamentais e industriais, é uma espécie pouco estudada quanto a seu uso. Em pesquisa na literatura, Samantha não encontrou estudos sobre a domesticação do caraguatá, apesar da expressiva utilização em comunidades rurais do Planalto Norte Catarinense e também no Rio Grande do Sul.

Ecologia da espécie
Outros pesquisadores já descreveram características medicinais, alimentícias, ornamentais e industriais (para fabricação de fibras para tecidos, cordoaria e de sabão) do caraguatá. Sua utilização na medicina popular é descrita desde a década de 1940.

No trabalho de mestrado desenvolvido entre o final de 2007 e o início de 2009, Samantha observou que na comunidade de Campininha, em Três Barras (SC), o caraguatá tem três usos principais: xarope expectorante (feito com frutos maduros), palmito (retirado da base das folhas da bromélia) e em cercas vivas. A pesquisa também possibilitou um maior conhecimento sobre a ecologia da planta, sua reprodução, período de floração e predadores.

Segundo Samantha, um levantamento preliminar indica o início da construção de um mercado para o caraguatá. Há comercialização em bancas medicinais em mercados públicos, feiras e eventos relacionados à biodiversidade ou a plantas medicinais. A comercialização acontece tanto em cacho como em pacotinhos contendo cerca de 100g. Há também comercialização de mudas,  licores e geleias. A defesa da tese está prevista para o inicio de 2013.

Mais informações: / Fone: 48 3721-5322

Por Arley Reis / Jornalista da Agecom

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Tags: caraguatáPós-Graduação em Recursos Genéticos VegetaisUFSC

Pesquisador defende que acesso aberto ao conhecimento científico depende de visão política

05/06/2012 14:11

Chan: “A Wikipedia é um instrumento que nos ajuda a pensar como trabalhar com a sabedoria”

“Acesso aberto não é apenas reduzir preços. É um modelo mais equitativo de troca do conhecimento. É uma dimensão filosófica”, defendeu na UFSC na manhã dessa terça-feira, 5 de junho, o professor Leslie Chan, do Departamento de Ciências Sociais da Universidade de Toronto (Canadá). Doutor em Antropologia, pioneiro no uso da web para troca de conhecimento e aprendizagem, Chan é um dos convidados do 3º Simpósio Brasileiro de Comunicação Científica, que prossegue até esta quarta-feira no auditório da Reitoria. O objetivo é debater a disponibilização livre, gratuita e sem barreiras ou restrições financeiras e técnicas à literatura científica, assim como a preservação digital do conhecimento científico.

Falando em favor da ciência global e pública, o professor lembrou que diversos desafios da humanidade não respeitam fronteiras e dependem da pesquisa colaborativa e em rede. “Como vamos reduzir a pobreza, combater doenças, se não temos acesso aberto?”, questionou, enfatizando que a questão da produção científica é tão importante como outras que desafiam a humanidade, como o acesso à água.

Citando diferentes iniciativas de acesso livre ao conhecimento científico, Chan considerou também desafios e dilemas, como a necessidade de mais educação e maior consciência sobre como trabalhar com um conceito que leva em conta a troca global de conhecimentos. Em uma visão de futuro, disse que o periódico científico nos modelos atuais deve se tornar obsoleto. Segundo ele, as discussões avançam, países da Europa, os Estados Unidos e entidades como a Unesco discutem diretrizes para o acesso livre ao conhecimento científico – assim como o Brasil, que, destacou o professor, tem papel importante nessa discussão, na produção e disponibilização de estudos em áreas estratégicas, como a biodiversidade.

“Anos atrás essa era uma discussão ridícula”, lembrou Chan, complementando que atualmente o debate está além da vida acadêmica, é divulgado pela mídia e chega ao público geral. Em sua opinião, a sociedade que paga impostos e tem seus recursos usados para a pesquisa deve também ter acesso aos resultados que são obtidos e publicados pela comunidade científica.

“A Wikipedia é um instrumento que nos ajuda a pensar como trabalhar com a sabedoria”, considera o professor. “Deveríamos tirar vantagens desses ambientes colaborativos”, ressaltou, abordando também a necessidade de reflexões sobre critérios de uso de conteúdo, de que a comunidade científica repense suas métricas (que envolvem critérios como o número de citações de um artigo por outros estudiosos) e até sobre o impacto que mídias sociais podem ter na divulgação da pesquisa. “Os fatores de impacto da ciência estão cada vez mais sendo desafiados. Precisamos abrir nossas cabeças para mudar métodos tradicionais”, continuou o palestrante.

O 3º Simpósio Brasileiro de Comunicação Científica  é uma  promoção é do Departamento de Ciência da Informação (CIN) e do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação (PGCIN) da UFSC. Na tarde desta terça-feira será realizada mesa-redonda com a participação do professor Leslie Chan e da professora Elena Maceviciute, que leciona na Universidade de Boras, Suécia, e na Universidade da Lituânia, e tem entre suas áreas de pesquisa bibliotecas digitais, preservação digital e gestão da informação. A partir de 17h está prevista conferência sobre a Revista Encontros Bibli, periódico digital do Departamento de Ciência da Informação da UFSC, e a partir de 18h participação da Associação Catarinense de Bibliotecários (ACB). Amanhã, a partir de 9h, o encontro segue com o debate sobre acesso livre à informação, contando com o professor  Hélio Kuramoto (IBICT), Solange Maria dos Santos (SciELO) e Nelson Pretto (UFBA/SBPC). A tarde será dedica à apresentação de trabalhos, no auditório da Reitoria e no auditório Elke Hering, na Biblioteca Universitária.

Por Arley Reis / Jornalista da Agecom
Fotos: Dayane Ros / Bolsista de Jornalismo na Agecom

Mais informações:
– Departamento de Ciência da Informação: (48) 3721-9304
– Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação: (48) 3721-8516

 

 

Tags: acesso livreCiência da Informaçãocomunicação científicaUFSC

Livro aponta que práticas ambientais provocam mudança de valores no Brasil

04/06/2012 08:40

O autor: “Não existe mais fronteira artificial entre preservação e desenvolvimento econômico”

As práticas ambientais ou práticas de vida que consideram a relação ética do homem com a natureza estão provocando transformações na sociedade brasileira. Essa conclusão otimista, às vésperas da realização da Conferência das Nações Unidas sobre desenvolvimento Sustentável (RIO+20) e da Cúpula dos Povos, desmente a visão clássica de que a sociedade brasileira, inautêntica por excelência, é incapaz de entender uma lógica da sustentabilidade e da preservação da natureza. Resultado de uma longa pesquisa do sociólogo político e professor de ciências ambientais da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) Agripa Alexandre, essa tese sustenta que há um aprendizado político para a incorporação crescente de valores ecológicos. “Mostra disso é a expressiva votação da candidata Marina Silva nas últimas eleições presidenciais”.

O assunto é tema do livro Práticas ambientais no Brasildefinições e trajetórias, publicado pela Editora da UFSC, que será lançado em junho no Rio de Janeiro, onde o autor leciona, e no final de julho, em Florianópolis, ainda sem data definida. Por práticas ambientais a obra entende as atitudes de vida implicadas diretamente com conflitos socioambientais, a participação em movimentos ecológicos, atitudes em defesa de direitos dos animais ou contra o desmatamento, o consumo de produtos sustentáveis, a educação dos filhos para a consciência ecológica, entre outros exemplos.

Em vez de apenas reafirmar o antagonismo excludente entre ecologia e desenvolvimento econômico, que pode resultar em um efeito paralisante, Agripa enfatiza como as práticas ambientais mantêm relações com o modo de vida do brasileiro. Mostra o envolvimento dos verdes com as comunidades onde atuam, com o mercado e com o Estado, capaz de fazê-los  incorporar os valores ambientalistas. O aprendizado político que essa articulação gera resultaria, segundo o livro, na inserção efetiva desses valores pela legislação e pelas normas. Não há aqui nenhum rastro de ingenuidade: o autor deixa claro que as mudanças só ocorrem em grande parte porque os ambientalistas se valem da relação entre ecologia, cultura e economia para legitimar processos de intervenção social com o apoio financeiro do mercado e dos órgãos do governo.

Os dados apresentados são fruto de uma investigação do autor sobre mudanças no comportamento político relacionadas com a definição de papéis sociais motivada pela reorientação da política brasileira nacional e internacional. Apoiam-se, em grande medida, na pesquisa junto aos professores do Programa Interdisciplinar de Pós-Graduação de Ciências Humanas da UFSC, que deu origem a sua tese de doutoramento em 2003, intitulada “Ambientalismo político, seletivo e diferencial no Brasil”.

Na tese, Agripa mostra que em sua ligação com o modo de vida dos brasileiros, as práticas ambientais estão articuladas em espaços sociais diferentes culturalmente e são também seletivas, no sentido de que encontram sustentação no mercado e nas políticas de financiamento do governo. “Infelizmente ainda é o mercado que tem o maior controle de definir o que é e o que não é sustentável”, pontua o teórico e ativista, envolvido em movimentos sociais que vão participar de forma paralela do evento oficial da Rio + 20.

A abordagem privilegia a explicação sobre o caráter social e antropológico das práticas ambientais brasileiras, desde o início da redemocratização, a partir da normatização de uma política ambiental. Discute as mudanças da vida democrática brasileira a partir da incorporação da ideia de sustentabilidade. Mostra como se articulam os ambientalistas na cena política, quais os principais projetos que defendem e como se posicionam ideologicamente, embora nem sempre de forma clara e direta.

Sobre o autor
Natural de Florianópolis, Agripa Alexandre doutorou-se no Programa Interdisciplinar em Ciências Humanas da UFSC em 2003. Foi professor da UFSC, Furb e Udesc. Desde 2010 é professor do Departamento de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio). Suas pesquisas e publicações discutem temas relacionados às teorias e práticas do ambientalismo, às teorias da democracia, à epistemologia das Ciências Sociais e ambientais e à educação. Publicou inúmeros artigos em revistas científicas. Atualmente está também vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Memória Social da Unirio, e é responsável pela pesquisa A constituição da memória social da ecologia política no Brasil: empoderamento, democratização cultural e mudança das concepções de esfera pública. Sobre a questão ambiental publicou: A perda da radicalidade do movimento ambientalista brasileiro (2000) e Políticas de resolução de conflitos socioambientais no Brasil (2004), ambos pela Editora da UFSC.

Leia também:

ENTREVISTA:

“Não existe mais fronteira artificial entre preservação e desenvolvimento econômico”

Raquel Wandelli – Que repercussão o senhor espera para essa obra, publicada nas vésperas da Rio+20 junho (13 a 24 de junho,  Rio de Janeiro)?
Agripa – Fui convidado para uma entrevista ao vivo no Canal Futura, nos dias 13 e 14 de junho, no período da tarde. Além disso, ambientalistas do Rio estão divulgando o livro, em sites como o da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, Academia Brasileira de Ciências, jornais como O Globo. A Rio+20 é um evento muito plural, com redes de discussão interessadas na problematização do discurso da sustentabilidade e sobre a repercussão social e cultural das práticas ambientais, que são temas do livro.

R.W. – Sua pesquisa aponta que as práticas ambientais no Brasil têm um potencial transformador e ilustram mudanças de valores na sociedade brasileira. Mas na sua avaliação há uma mudança efetiva na política brasileira, tradicionalmente conservadora e antropocêntrica do ponto de vista dos direitos ambientais?
Agripa – Sim, há mudanças em curso, todavia devemos ter cuidado em avaliá-las. A tese central de meu livro é a de que existe um ambientalismo político, seletivo e diferencial no Brasil. Essas características são perceptíveis em termos bem práticos, basta ver o resultado político de Marina Silva na última eleição, com 20 milhões de votos. Isso indica mais do que uma simpatia por ela, carisma ou aceitação de sua plataforma política. Por detrás, há a incorporação de valores, assimilados seletivamente, com o mercado definindo, é claro, o que é sustentável, o que é questionável. Isso ocorre de diferentes formas, dependendo das regiões geográficas do apoio estruturante das políticas de governo e de empresas, fatores que o livro discute profundamente.

R.W. – Em 2000 o senhor publicou a obra A perda da radicalidade do movimento ambientalista brasileiro, em que aponta justamente um processo de cooptação desses movimentos pelo capital. Como avalia hoje o movimento ambientalista
Agripa – A atuação dos verdes é menos independente hoje, o que não quer dizer que abandonou a lógica de denúncia e protesto, pois ambientalismo compreende a tensão dos conflitos socioambientais – agronegócio versus agroecologia; desflorestamento para ocupação de pastagem versus defesa de terras indígenas, quilombolas e sociedades tradicionais etc. Todavia, a articulação que os ecologistas têm com as agências de governo, com o mercado e com comunidades precisa ser entendida de forma particular, caso a caso, pois não existe um único discurso ambiental, mas vários: preservacionistas, ecossocialistas, ecocapitalistas, econarquistas, ecoconservacionistas, definindo um universo de práticas ambientais com um potencial de interferência muito grande. Ou seja, não existe mais uma fronteira artificial entre preservação da natureza e desenvolvimento econômico a qualquer custo.

Existem sim vários aspectos diferenciais da política ambiental: para as cidades, saúde alimentar, preservação de áreas verdes, agricultura familiar, todas elas com aspectos locais, regionais e globais distintivos e complexos, mais ou menos utópicos, mais ou menos ideológicos (no sentido marxista desses termos).

R.W. E os responsáveis por essa transformação são os movimentos ecológicos?
Agripa – Sim, no sentido de que abalaram essa oposição entre preservação e desenvolvimento, os verdes mudaram realmente a forma de definir políticas públicas no país desde que estabeleceram marcos normativos na constituinte, fizeram-se representar politicamente, passaram a implementar políticas e ações estruturantes. O fato é que há, sim, uma clivagem política profunda na forma de conceber a vida no planeta, antes e depois dos verdes, e esse fato não deixa de ser um propósito articulador de práticas de vida também no Brasil.

Serviço:
Livro: Práticas ambientais no Brasil; definições e trajetórias
Autor: Agripa Faria Alexandre
Editora UFSC
105 páginas

Por: Raquel Wandelli / Jornalista da UFSC / 9911-0524 / 3721-9459  / / www.editora.ufsc.br

Contatos com o autor:

 

Tags: EdUFSCmeio ambienteUFSC

Processo que gera 11% a mais de álcool combustível durante fermentação será premiado nesta quarta-feira

30/05/2012 07:55

Artigo publicado na revista Metabolic Engineering e assinado por pesquisadores da UFSC, Universidade de São Paulo (USP) e Delft University of Technology (Holanda) será reconhecido nesta quarta-feira, 30 de maio, com o 3º Prêmio TOP Etanol – Projeto Agora, na categoria Trabalhos Acadêmicos Publicados. A premiação será entregue em Brasília.

O trabalho (Engineering topology and kinetics of sucrose metabolism in Saccharomyces cerevisiae for improved ethanol yield), por alguns meses entre os mais acessados do periódico científico, foi inscrito no concurso por Thiago Olitta Basso. Formado em Farmácia Bioquímica pela Universidade de São Paulo, Basso desenvolveu seu doutorado em Biotecnologia na USP, sob orientação do professor Andreas K. Gombert, trabalhando em um projeto do professor Boris Ugarte Stambuk, do Departamento de Bioquímica da UFSC e orientador do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia da USP.

O projeto contou com a participação de alunos da USP e da Pós-Graduação em Bioquímica da UFSC, sob coordenação do professor Stambuk,  também orientador do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia e Biociências da universidade catarinense.

Mais álcool combustível
A pesquisa possibilitou o desenvolvimento de leveduras mais eficientes para a fermentação da sacarose da cana de açúcar e melhoria da produção de etanol. O processo de modificação genética faz parte de um pedido de patente já depositado pela UFSC no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

As leveduras modificadas, testadas em condições laboratoriais controladas, possibilitaram a produção de 11% a mais do álcool combustível. O etanol é produzido a partir do açúcar presente no caldo e no melaço da cana, por meio da ação de fungos microscópicos, as leveduras, responsáveis pelo processo de fermentação.

Uma preocupação relacionada à produção de álcool para substituir os combustíveis fósseis é o avanço das áreas de cultivo da cana-de-açúcar, e qualquer incremento na produção de etanol sem implicar no aumento na área plantada é muito bem vista pelo setor.

Modificação genética
Stambuk explica que a modificação genética da levedura para melhor fermentação da sacarose faz parte do que atualmente a ciência chama de engenharia metabólica. Em testes iniciais, desenvolvidos na UFSC e USP, o estudo já havia resultado em 5 a 6% a mais de etanol usando as leveduras modificadas.

Na sequencia dos trabalhos, Thiago Basso, em colaboração com pesquisadores da Holanda, realizou experimentos de engenharia evolutiva visando melhorar ainda mais o processo. O professor explica que, simplificadamente, a engenharia evolutiva consiste em cultivar as leveduras em biorreatores extremamente controlados (equipamentos chamados de quemostatos), por inúmeras gerações, o que geralmente permite selecionar leveduras melhor adaptadas que tendem a dominar o fermentador.

Basso foi capaz de isolar uma levedura melhorada após aproximadamente 50 gerações. Ele estudou a fisiologia destes microorganismos e observou que um dos genes envolvidos na utilização da sacarose tinha sofrido uma duplicação, o que alterou a capacidade da célula de captar, processar e fermentar este açúcar.

Atualmente, graças a um auxílio financeiro da Finep, as leveduras modificadas estão sendo testadas pela Usina Cerradinho Açúcar e Álcool, de São Paulo. Os resultados obtidos com as leveduras industriais engenheradas têm sido promissores.

Mais informações:
– Thiago Olitta Basso / / (41) 9165-0867
– Boris Ugarte Stambuk / / (48) 3721-6919

Por Arley Reis / Jornalista da Agecom

Saiba Mais: Prêmio Top Etanol

– Tem como objetivo distinguir trabalhos e seus autores em temas relativos à agroenergia, bem como personalidades que tenham contribuído de forma acentuada para o setor.

– Nas modalidades de Jornalismo e Trabalhos Acadêmicos destaca matérias, estudos e pesquisas que abordem a importância da agroenergia e/ou a interação desta com questões relativas ao meio ambiente, sustentabilidade e proteção ambiental.

– De acordo com os organizadores, concorreram ao todo 110 trabalhos de jornalismo (impresso, televisivo, rádio, agências e internet); 143 fotografias; 87 trabalhos acadêmicos e nove projetos de inovação tecnológica sobre o tema “Agroenergia e Meio Ambiente.”

Leia também:

Professores da UFSC lançam publicação sobre mudanças climáticas
Tese produz subsídios para aproveitamento sustentável de bromélia nativa da Mata Atlântica
Rede Nacional de Pesquisa em Biodiversidade Marinha comprova redução de peixes no litoral
– Monografia sobre digestores anaeróbios para tratamento do lixo urbano é premiada
UFSC desenvolve sistema para monitorar alimentação e atividades físicas entre crianças de 7 a 10 anos
Pesquisa reforça indícios de que condições na infância afetam obesidade em adultos
UFSC abre inscrições para curso sobre células-tronco
Laboratórios do CDS avaliam atleta da patinação de velocidade
Presidente da Petrobras Biocombustível visita Laboratório de Remediação de Águas Subterrâneas
Prevenção do câncer é tema iniciação científica entre “pesquisadores mirins”
Universidade testa capsulas de erva-mate

 

Tags: 11% a mais de álcool3º Prêmio TOP Etanol -Projeto AgoraBoris Ugarte Stambukmodificação genética

Pesquisa sobre engenharia metabólica e evolutiva de leveduras conquista Prêmio Top Etanol

28/05/2012 12:15

Artigo publicado na revista Metabolic Engineering e assinado por pesquisadores da UFSC, Universidade de São Paulo (USP) e Delft University of Technology (Holanda) será reconhecido nesta quarta-feira, dia 30 de maio, com o 3º Prêmio TOP Etanol – Projeto Agora, na categoria Trabalhos Acadêmicos Publicados. A premiação será entregue em Brasília.

O trabalho (Engineering topology and kinetics of sucrose metabolism in Saccharomyces cerevisiae for improved ethanol yield), por alguns meses entre os mais acessados do periódico científico, foi inscrito no concurso por Thiago Olitta Basso. Formado em Farmácia Bioquímica pela Universidade de São Paulo, Basso desenvolveu seu doutorado em Biotecnologia na USP, sob orientação do professor Andreas K. Gombert, trabalhando em um projeto do professor Boris Ugarte Stambuk, do Departamento de Bioquímica da UFSC e orientador do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia da USP.

O projeto contou com a participação de alunos da USP e da Pós-Graduação em Bioquímica da UFSC, sob coordenação do professor Stambuk,  também orientador do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia e Biociências da universidade catarinense.

Mais álcool combustível
A pesquisa possibilitou o desenvolvimento de leveduras mais eficientes para a fermentação da sacarose da cana de açúcar e melhoria da produção de etanol. O processo de modificação genética faz parte de um pedido de patente já depositado pela UFSC no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

As leveduras modificadas, testadas em condições laboratoriais controladas, possibilitaram a produção de 11% a mais do álcool combustível. O etanol é produzido a partir do açúcar presente no caldo e no melaço da cana, por meio da ação de fungos microscópicos, as leveduras, responsáveis pelo processo de fermentação.

Uma preocupação relacionada à produção de álcool para substituir os combustíveis fósseis é o avanço das áreas de cultivo da cana-de-açúcar, e qualquer incremento na produção de etanol sem implicar no aumento na área plantada é muito bem vista pelo setor.

Modificação genética
Stambuk explica que a modificação genética da levedura para melhor fermentação da sacarose faz parte do que atualmente a ciência chama de engenharia metabólica. Em testes iniciais, desenvolvidos na UFSC e USP, o estudo já havia resultado em 5 a 6% a mais de etanol usando as leveduras modificadas.

Na sequencia dos trabalhos, Thiago Basso, em colaboração com pesquisadores da Holanda, realizou experimentos de engenharia evolutiva visando melhorar ainda mais o processo. O professor explica que, simplificadamente, a engenharia evolutiva consiste em cultivar as leveduras em bioreatores extremamente controlados (equipamentos chamados de quemostatos), por inúmeras gerações, o que geralmente permite selecionar leveduras melhor adaptadas que tendem a dominar o fermentador.

Basso foi capaz de isolar uma levedura melhorada após aproximadamente 50 gerações. Ele estudou a fisiologia destes microorganismos e observou que um dos genes envolvidos na utilização da sacarose tinha sofrido uma duplicação, o que alterou a capacidade da célula de captar, processar e fermentar este açúcar.

Atualmente, graças a um auxílio financeiro da Finep, as leveduras modificadas estão sendo testadas pela Usina Cerradinho Açúcar e Álcool, de São Paulo. Os resultados obtidos com as leveduras industriais engenheradas têm sido promissores.

Mais informações:
– Thiago Olitta Basso / / (41) 9165-0867
– Boris Ugarte Stambuk / / (48) 3721-6919

Por Arley Reis / Jornalista da Agecom

Saiba Mais: Prêmio Top Etanol

– Tem como objetivo distinguir trabalhos e seus autores em temas relativos à agroenergia, bem como personalidades que tenham contribuído de forma acentuada para o setor.

– Nas modalidades de Jornalismo e Trabalhos Acadêmicos destaca matérias, estudos e pesquisas que abordem a importância da agroenergia e/ou a interação desta com questões relativas ao meio ambiente, sustentabilidade e proteção ambiental.

– De acordo com os organizadores, concorreram ao todo 110 trabalhos de jornalismo (impresso, televisivo, rádio, agências e internet); 143 fotografias; 87 trabalhos acadêmicos e nove projetos de inovação tecnológica sobre o tema “Agroenergia e Meio Ambiente.”

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Conferência discute como evolui um dos mais antigos sistemas construtivos usados pela humanidade

28/05/2012 08:32

Usada há milênios, a alvenaria estrutural atingiu níveis de cálculo, execução e controle de uma tecnologia versátil e racionalizada. Inicialmente construída com tijolos de argila ou pedra, era uma técnica baseada em métodos empíricos. Dava origem a construções pesadas, de grandes espessuras e rígidas, que têm entre seus exemplos mais expressivos a pirâmide de Queóps (citada como uma das criações mais espetaculares e geniais da história da arquitetura) e o Farol de Alexandria (erguido na Ilha de Faros, no Egito, com 150 metros de altura, considerado uma das sete maravilhas do mundo antigo).

“Nos últimos 30 anos, a partir de extensos trabalhos de pesquisa, da imaginação de projetistas e da grande melhoria da qualidade dos materiais, a alvenaria estrutural conquistou maiores e mais visíveis avanços do que qualquer outra forma de estrutura usada na construção civil”, contextualiza o professor Humberto Roman, do Departamento de Engenharia Civil da UFSC, um dos coordenadores da 15ª Conferência Internacional de Alvenaria Estrutural, que será realizada de 3 a 6 de junho, em Florianópolis (SC).

Terremotos e explosões
Segundo Guilherme Aris Parsekian, do Centro de Ciências Exatas e de Tecnologia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), que compartilha a coordenação com a UFSC, o encontro acontece em países de expressão no desenvolvimento internacional da engenharia civil. Para obter o direito de ser sede, o Brasil competiu com Inglaterra, Alemanha e Portugal.

Barry Haseltnine, um dos responsáveis pela norma de alvenaria estrutural do Mercado Comum Europeu, está entre os conferencistas. Seu currículo destaca papel fundamental na retomada do uso de estruturas de alvenaria pela indústria da construção ao propor testes com explosões induzidas de gás, depois do acidente do edifício Ronan Point. A torre de 22 andares, localizada em Newham, leste de Londres (Inglaterra), sofreu um colapso parcial a partir de uma explosão desse tipo. A partir dos resultados, Barry Haseltnine participou da formulação de regras para evitar o colapso progressivo de edifícios, e de comitês para elaboração de normas para uso da alvenaria estrutural.

Outro conferencista, o professor Richard Klingner, da University of Texas (EUA), tem estudos para investigação analítica e experimental da resposta de estruturas à prova de terremotos. Ele participa de comissões técnicas dos Estados Unidos e outros países, incluindo o American Concrete Institute e a Sociedade Americana de Testes e Materiais.

Racionalização, produtividade e qualidade
De acordo com Humberto Roman, com o avanço tecnológico a alvenaria estrutural aliou vantagens como flexibilidade, economia, valor estético e velocidade. O aumento da oferta de blocos estruturais de qualidade, a melhoria dos cálculos, capacidade de execução e controle,  empresas investindo em equipamentos e capacitação de mão de obra e o maior número de profissionais habilitados em decorrência de ofertas de cursos ao mercado são alguns avanços.

 

Entre os desafios que devem ser discutidos no encontro estão a dificuldade de adoção de normas técnicas, o melhor entendimento estrutural de prédios de grande altura e a pequena oferta de disciplinas específicas nos cursos de Engenharia.

Salto tecnológico
“Uma das grandes vantagens da alvenaria estrutural é a possibilidade de incorporar conceitos de racionalização, produtividade e qualidade, produzindo construções com bom desempenho tecnológico aliado a baixo custo”, explica Humberto Roman.


Segundo ele, a visão no ambiente de acadêmico e de pesquisa é de que a construção civil (e não só a alvenaria estrutural, ressalta) dará mais um salto de qualidade quando for encarada de forma sistêmica. “Desde a etapa do projeto a construção deve ser encarada como um todo e o que se deve buscar é criar uma linha de montagem no canteiro de obras, à semelhança das linhas de montagem que existem em outros segmentos da indústria, como a de eletrodomésticos”, exemplifica.

Um dos requisitos, complementa, é o projeto de prédios modulados de acordo com a norma brasileira de coordenação modular, com componentes da construção também coordenados modularmente, projetados como partes de um sistema. “Isto proporcionaria que a construção fosse montada como um jogo de legos e as improvisações seriam eliminadas do canteiro de obras”, destaca o professor.

Agenda científica e técnica
Foram recebidos para a 15ª Conferência Internacional de Alvenaria Estrutural mais de 160 artigos técnicos de cerca de 30 países, que terão apresentações entre os dias 4 e 6 de junho. Além de conferências e apresentação de trabalhos, a agenda prevê palestras técnicas e minicursos internacionais sobre tópicos especiais em alvenaria.

Dia do Construtor
Para o domingo 3 de junho, está sendo organizado o Dia do Construtor. O pré-evento tem a finalidade de discutir de maneira prática a construção em alvenaria estrutural no Brasil e no mundo. Serão sessões técnico-científicas de pesquisadores e membros da indústria da construção. Durante todo o dia, palestrantes falarão sobre o uso de alvenaria estrutural no Brasil e no mundo, suas vantagens em relação a outros sistemas, custos e o que o setor produtivo deve levar em conta passar a utilizar alvenaria estrutural.

Organização
Estão à frente da organização a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e a Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR), com apoio da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade de São Paulo (USP) e das instituições internacionais Universidade do Minho (Portugal), University of Calgary (Canadá) e University of Newcastle (Austrália). Entre outras instituições, o evento tem apoio da Finep, CNPq e Fapesc, com gerenciamento financeiro da Fundação de Ensino e Engenharia de Santa Catarina (FEESC).

Mais informação no site http://www.15ibmac.com/home/, com os coordenadores do evento Humberto Roman ( / 3721-7094) e Guilherme Aris Parsekian ( / (16) 3351-8262 Ramal: 241)

Por Arley Reis / Jornalista na Agecom

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Dia Nacional da Mata Atlântica: game facilita ensino sobre bioma catarinense

24/05/2012 15:12
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Três desafios: quebra-cabeças, sudoku e procure-ache: educação com diversão

Aprender os diferentes cantos de 36 aves sem sair de casa pode ser uma forma de conhecer um pouco mais do bioma catarinense neste domingo, 27 de maio, quando se comemora o Dia Nacional da Mata Atlântica.

Para ouvir os vários trinados e saber distingui-los, o jogo eletrônico educativo Mata Atlântica – o bioma onde eu moro é uma boa ferramenta: direcionado a estudantes do ensino fundamental, o game é gratuito com download a partir do site www.mata-atlantica.educacaocerebral.org. Vem acompanhado de um guia para o professor e a escola pode solicitar capacitação para uso pelo e-mail .

Criado pela equipe do Laboratório de Educação Cerebral, ligado ao Departamento de Psicologia da UFSC, o jogo foi lançado em março. De acordo com o coordenador do laboratório, o professor Emilio Takase, o desenvolvimento levou em conta a ideia de edutenimento (educação com entretenimento, diversão). Os jogadores não são adversários, mas integrantes de uma equipe e assim o game promove a relação colaborativa entre os alunos-jogadores.

Para motivar a relação colaborativa, há uma missão a ser realizada e um personagem (avatar, papagaio-de-peito-roxo) que acompanha os jogadores, dando feedbacks motivacionais (orientando o jogar e lembrando a importância do trabalho em equipe) e construtivos (acerca do conteúdo científico do game).

Takase explica que o jogo propicia aos estudantes conhecer 36 espécies de fauna associados aos ecossistemas do Bioma Mata Atlântica presentes em Santa Catarina. Traz também características marcantes das paisagens desses ecossistemas e sua localização no mapa do Estado.

A tecnologia educacional foi desenvolvida para oferecer qualidade ao Ensino de Ciências, já que o conteúdo Bioma Mata Atlântica é previsto para ser trabalhado no ensino fundamental, de acordo com os Parâmetros Curriculares do Ministério da Educação.

O desenvolvimento foi financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc), depois que o projeto do Laboratório de Educação Cerebral foi selecionado em uma chamada pública voltada a estimular a inovação para valorizar a biodiversidade. Teve também apoio do estúdio Casthalia, ligado ao polo de desenvolvedores de jogos eletrônicos de Santa Catarina (SC-Game).

Mais informações: www.educacaocerebral.com e com o professor Emílio Takase, pelos telefones (48) 3721-8245.

Por Arley Reis/Jornalista da Agecom, com apoio da Assessoria de Comunicação da Fapesc

Tags: Departamento de Psicologia da UFSCLaboratório de Educação Cerebral

Mecanismo para semeadura de precisão desenvolvido na UFSC conquista patente

21/05/2012 10:01

O mecanismo dosador patenteado tem princípio mecânico e é pensado para ser acoplado aos tratores

O projeto de um mecanismo para semeadura de precisão de sementes miúdas conquistou a terceira patente da UFSC junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). A proposta teve como suporte a tese “Desenvolvimento de Concepções para a Dosagem e Deposição de Precisão para Sementes Miúdas”, desenvolvida junto ao Programa de Pós-Graduação em Engenharia Mecânica. Os autores do invento são Ângelo Vieira dos Reis, que defendeu sua tese em 2003, e o professor Fernando Antônio Forcellini, orientador do estudo. O processo de patenteamento, que teve apoio do Departamento de Inovação Tecnológica (DIT) da UFSC,  levou sete anos.

A cultura de arroz, trigo, sorgo, cevada, aveia e centeio, todos considerados grãos miúdos, representa aproximadamente 17% da produção nacional . O mecanismo dosador patenteado tem princípio mecânico e é pensado para ser acoplado aos tratores. Foi concebido para garantir a colocação das sementes dentro da linha de semeadura com distâncias pré-definidas, tornando possível quantificar o número de grãos distribuídos por metro linear. Essas máquinas possuem mecanismos dosadores que permitem a colocação de sementes espaçadas umas das outras, dentro da linha de semeadura, com distâncias definidas, gerando assim um potencial para a redução da quantidade utilizada por hectare.

“Ficou claro que com a tecnologia atual há uma limitação na quantidade mínima de sementes que pode ser utilizada numa área, um obstáculo à redução dos custos de produção, principalmente quando se considera o preço das sementes de qualidade”, destaca Ângelo, que observou no mercado brasileiro e mundial a inexistência de semeadoras de precisão para grãos miúdos. Para sementes grandes, como o milho, há equipamentos do gênero.

A tese, base para o processo de patenteamento, descreve o estudo, o projeto, a construção de protótipos e os testes de soluções para a dosagem e a deposição, com atenção especial ao arroz. Ângelo utilizou a metodologia de projeto desenvolvida pelo Núcleo de Desenvolvimento Integrado de Produtos, que trata o processo de projeto de forma sistemática. Os estudos serviram de base para duas concepções de produto ─ um mecanismo de dosagem e de posição de semente miúdas com funcionamento mecânico e outro com princípio mecânico-pneumático. A construção de protótipos e a realização dos testes teve apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), por meio da Rede Engenharia Agroindustrial de Alimentos.

“É uma invenção, não se tornou um produto, mas ficamos contentes, pois foi reconhecido pelo INPI que não há algo assim no mundo. É um exemplo que pode ser estímulo a outros projetos”, avalia o professor Fernando Forcellini, consciente de que a transferência do conhecimento para o setor produtivo é ainda um desafio para as universidades. “A universidade está cumprindo seu papel de gerar conhecimento e formar pessoas”, complementa, lembrando que além de possibilitar um doutorado, a pesquisa envolveu estudantes de graduação, que atuaram como bolsistas de iniciação científica.

“Muitos produtos esbarram na cultura, na falta de uma visão de cadeia”, lamenta o professor sobre a visão imediatista, a lógica de ganhar sem muito esforço e a dificuldade do mercado em assumir riscos. Integrante do Instituto Fábrica do Milênio e do Grupo de Engenharia de Produto e Processo, o professor participou do desenvolvimento de vários protótipos de equipamentos para agricultores. Entre eles, um Sistema Modular para o Preparo de Solos em Pequenas Propriedades; um Picador de Cobertura Vegetal Acoplável a Tratores de Rabiças; um Separador de Sólidos de Dejetos Suínos; uma Semeadora Adubadora por Covas Acoplável a Tratores de Rabiças; um  Rolo Facas para Manejo de Cobertura Vegetal e um Implemento para a Abertura e Adubação de Sulcos no Plantio Direto.

Saiba Mais:

Patentes conquistadas pela UFSC no Brasil
– Neutralizador dinâmico viscoelástico de vibrações para cabos e linhas aéreas. Inventores: José João de Espíndola, Carlos Alberto Bavastri, Paulo Henrique Teixeira, Eduardo Márcio de Oliveira Lopes. Titulares: UFSC/ Wetzel (PI9905252-0).
– Processo de soldagem MIG/MAG pulsado com pulsação térmica ou duplamente pulsado. Inventores: Jair Carlos Dutra, Raul Gohr Junior, Larry Fiori Ollé. Titular: UFSC (PI0004698-1).
– Mecanismo dosador mecânico para dosagem de precisão de sementes. Inventores: Ângelo Vieira dos Reis, Fernando Antônio Forcellini. Titular: UFSC (PI0406293-0).

Novos pedidos de patente
Atualmente o Departamento de Inovação Tecnológica gerencia os processos de 85 pedidos de patentes, de 50 registros de programa de computador, 23 registros de marca e seis registros de desenho industrial, além de acompanhar junto com a Epagri o depósito de quatro cultivares.

O DIT presta assistência na elaboração de convênios, contratos e acordos de parcerias de projetos desenvolvidos conjuntamente com empresas e outras instituições. Também auxilia em outros assuntos, como o Direito Autoral.

Mais informações:
– Fernando Forcellini / / (48) 3721-7041
– Ângelo Vieira dos Reis / / (53) 3275-7260
Departamento de Inovação Tecnológica / / (48) 3721-9628

Por Arley Reis / Jornalista na Agecom

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Professores da UFSC lançam publicação sobre mudanças climáticas

17/05/2012 09:06

As alterações do clima podem representar riscos para alguns e oportunidades para outros. O alerta faz parte da publicação ´Mudanças Climáticas – Clima de Mudanças`, lançada no âmbito do projeto Rede Europeia Sul-Americana para Avaliação da Mudança Climática e Estudos de Impacto na Bacia do Prata (Projeto Claris).
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CIT aponta agrotóxico como principal causa de morte por intoxicação em SC

11/05/2012 13:22

Contaminação por agrotóxicos, ingestão de medicamentos e picadas de animais peçonhentos estão entre as principais causas de acidentes tóxicos em Santa Catarina. O estado registrou 150 mil ocorrências nos últimos 28 anos. Os registros apontam também para 60 mortes somente no ano passado. Esses dados, divulgados hoje pelo Centro de Informações Toxicológicas (CIT/SC), servem para chamar atenção para esse problema e prevenir acidentes, como parte da programação do Dia Estadual de Prevenção de Acidentes Tóxicos, que acontece em 14 de maio.

A intoxicação é o conjunto de sinais e sintomas que são provocados quando se inala, injeta, ingere ou se entra em contato com uma substância química em uma dose tóxica. É o caso de ingerir por engano um produto de limpeza armazenado em uma garrafa de refrigerante, por exemplo. Ou levar uma picada de abelha. A gravidade da intoxicação depende tanto da substância, sua composição e dose, quanto do paciente, seu estado de nutrição, idade e condições de saúde.

Agrotóxico – O Brasil é apontado como um dos maiores consumidores de agrotóxicos do mundo, tanto aqueles de uso agrícola como os domésticos e mesmo de produtos utilizados em campanhas de Saúde Pública. Devido à falta de controle no uso destas substâncias químicas tóxicas e o desconhecimento da população em geral sobre os riscos e perigos à saúde, estima-se que as taxas de intoxicações humanas no país sejam altas, causando a morte de 5 mil trabalhadores por ano, vítimas de agrotóxicos. Em Santa Catarina, entre todas as causas de intoxicação, o agrotóxico foi o maior responsável pelo número de óbitos no ano passado: dos 444 pacientes intoxicados, 22 morreram. Em comparação, a segunda causa de morte foi por medicamentos: 16 casos, para 2675 ocorrências.

Embora atinja a população em todas as idades, os acidentes tóxicos têm como vítimas mais vulneráveis as crianças na faixa de 1 a 4 anos. As últimas estatísticas apontam que quase seis em cada dez casos envolvendo menores de 18 anos foram acidentes com crianças na faixa etária de 1 a 4 anos. Os acidentes foram por ingestão de medicamentos, picadas de animais peçonhentos e ingestão de produtos de limpeza. “A disponibilidade dos produtos, o acesso fácil, a falta de cuidado e a falta de informações sobre riscos tóxicos são a causa de muitos acidentes tóxicos”, informa a Supervisora do CIT/SC, Marlene Zannin.

Subnotificação – Desde que o CIT/SC começou seus trabalhos em 1984, observa-se um crescimento no número de notificações. As estatísticas começaram com 162 casos em 1984 e nos últimos anos os registros estão na casa de 10 mil ocorrências por ano. “Não significa que aumentou o número de acidentes, e sim que o problema agora está mais visível, com os dados reunidos pelo serviço do CIT/SC”, afirma a supervisora clínica do centro, a médica Adriana Mello Barotto. O maior número reflete também o aumento da população e da quantidade de substâncias químicas no mercado.

“Acreditamos que devam existir muito mais casos de intoxicação, mas que não são diagnosticados por falta de conhecimento do que as substâncias causam nos seres humanos”, explica a médica Adriana. “É o caso do agricultor que utiliza muitos anos um produto e que mais tarde procura um médico falando com tem sintomas de depressão”, afirma.  Quando os sintomas não são facilmente identificados, a intoxicação acaba não sendo reconhecida. Se não é reconhecida, acaba havendo o subdiagnóstico do problema.

Atendimento do CIT/SC de 1984 a 2010.


População rural é a mais exposta ao risco de contaminação por agrotóxicos

Dos 4213 registros de intoxicações ocupacionais registrados no CIT/SC no período de2003 a2009, 1112 casos (26%) foram em decorrência de acidentes com agrotóxicos; destes, 1052 casos (25%) ocorreram com agrotóxicos de uso agrícola, e apenas 64 casos (1%) de acidentes com agrotóxicos de uso doméstico. Dos 1112 registros selecionados para estudo, houve 836 registros (75%) oriundos da zona rural contra 251 casos (23%) na zona urbana.

A análise dos números para as variáveis agente e zona é conclusiva ao afirmar que os trabalhadores rurais constituem a população mais exposta ao risco de intoxicação por agrotóxicos, seguidos pelos outros profissionais que lidam com essas substâncias, destacando-se os desinsetizadores e trabalhadores expostos em locais recentemente desinsetizados.

A análise das principais vias de exposição, com 950 casos (85,4%) incluindo a via respiratória e 537 casos (48,2%) com exposição cutânea deixa claro que o uso de equipamentos de proteção individual (EPI) é fato raro no manejo dessas substâncias, principalmente no âmbito da agricultura familiar. Pesquisa realizada na serra gaúcha, com trabalhadores agrícolas de pequenas e médias propriedades demonstrou que 35% da população do estudo nunca utilizavam máscara, luvas ou roupa de proteção51.

O mesmo trabalho mostrou ainda que a maioria da população exposta pertencia ao sexo masculino (86%) e à faixa etária dos 30-49 anos, dados muito semelhantes aos encontrados no presente estudo, com 872 casos (84%) de intoxicações em indivíduos masculinos e 721 casos (70%) ocorrendo na faixa etária dos 20-49 anos.

Dentre os subgrupos de agrotóxicos com maior número de intoxicações, os inibidores de colinesterase (organofosforados e carbamatos) perfazem a maioria das intoxicações com 343 casos (30,8%), seguidos pelos compostos de glifosato (glicina substituída) com 327 casos (29,4%) e pelos piretróides, contabilizando 186 (16,7%) registros. Os três principais subgrupos de agrotóxicos estão presentes em 76,9% dos registros de intoxicações ocupacionais por agrotóxicos. Vale ressaltar que os compostos de glifosato ultrapassariam em número os registros por inibidores de colinesterase se fossem contabilizados apenas os registros de agrotóxicos de uso agrícola.

As intoxicações ocupacionais agudas completam a maioria dos registros com 925 casos (83%) do total de 1112 atendimentos. Possuem uma ampla variabilidade clínica de apresentações, dependendo principalmente da dose e do princípio ativo envolvido em cada acidente. Entretanto, observa-se que as manifestações sistêmicas inespecíficas são referidas quase invariavelmente, sendo a náusea com 349 referências (31,3% do total; 37,7% dos agudos), os vômitos com 290 registros (26,0% do total; 31,3% dos agudos) e cefaléia com 274 registros (24,6% do total; 29,6% dos agudos), os principais sintomas.

 

Sobre o CIT

Localizado junto ao Hospital Universitário, o Centro de Informações Toxicológicas de Santa mantém um serviço de plantão 24 horas, 365 dias por ano, no qual presta informações específicas em caráter de urgência a profissionais de saúde, principalmente médicos dos centros de saúde e das emergências hospitalares. Também fornece informações educativas e preventivas à população em geral, diretamente ou por telefone. O CIT/SC é um órgão público da Secretaria de Estado da Saúde vinculado à Superintendência de Serviços Especializados e Regulação. Funciona em parceria com a UFSC e é referência no Estado na área de Toxicologia Clínica.

Contatos do CIT/SC:

Site: http://www.cit.sc.gov.br/
Telefones:
0800-646-5253
(48) 3721-8085
(48) 3721-9083
E-mail: cit@hu.ufsc.br

 

Por Artêmio Souza e Laura Tuyama, jornalistas na Agecom.

Tags: centro de informações toxicológicasUFSC

Tese produz subsídios para aproveitamento sustentável de bromélia nativa da Mata Atlântica

10/05/2012 13:39

Expectativa é de que a espécie com potencial econômico possa ser usada em programas de diversificação ou de incremento de renda para comunidades rurais e semi-urbanas

“Seus frutos são ingeridos tanto in natura como em preparados, como remédio contra a tosse, com ação expectorante nas infecções respiratórias, recomendados para o tratamento de asma e de bronquite. Os mesmos frutos são considerados antihelmínticos, sendo que seu sumo tem ainda efeito sobre tecidos decompostos, deixando feridas completamente limpas”. A descrição do potencial da Bromelia antiacantha, publicada pelo padre pesquisador Raulino Reitz no fascículo da Flora Ilustrada Catarinense “Bromeliáceas e a malária – bromélia endêmica” permanece como estímulo a novos estudos.

O pensamento do padre botânico de que “Todas as plantas são potencialmente úteis” está presente na tese ´Uso e manejo de Caraguatá (Bromelia antiacantha) no Planalto Norte Catarinense: está em curso um processo de domesticação?`, em desenvolvimento junto ao Programa de Pós-Graduação em Recursos Genéticos Vegetais da UFSC.

O trabalho da bióloga Samantha Filippon com a bromélia nativa da Mata Atlântica é uma continuidade dos estudos iniciados em seu mestrado, orientado no mesmo programa pelo professor Maurício Sedrez dos Reis (e agora com coorientação do professor Nivaldo Peroni). “Esperamos que com o aprofundamento dos estudos etnobotânicos se possa resgatar e caracterizar junto à comunidade local as formas de manejo da espécie”, explica Samantha.

Conservabio
A pesquisa é realizada em áreas da Floresta Nacional de Três Barras, administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão ambiental do governo brasileiro. A floresta é localizada no planalto norte de Santa Catarina, entre os municípios de Três Barras e Canoinhas. O trabalho envolve a comunidade de Campininha, que participa do projeto “Rede para geração do conhecimento na conservação e utilização sustentável dos recursos florestais não madeiráveis da Floresta Ombrófila Mista”, sigla Conservabio. A iniciativa é financiada e coordenada pela Embrapa.

Os estudos de Samantha são executados em uma área de floresta secundária, utilizada como mangueirão para animais cerca de 60 anos atrás, e onde atualmente existe uma grande densidade da Bromelia antiacantha. Se estendem também a uma área caracterizada como mata nativa, em que há décadas foi realizada exploração madeireira, e a algumas propriedades rurais na comunidade.

A meta é esclarecer aspectos sobre o manejo do caraguatá nas paisagens com maior interferência humana, principalmente na confecção das cercas vivas. O projeto vai buscar informações sobre a seleção das plantas, de onde vêm as mudas, quem faz as cercas e porque – pois ainda que não sejam mais utilizados os antigos mangueirões, ainda são feitas cercas com a bromélia. Estas estruturas de gravatá são utilizadas há décadas, o que foi comprovado por Samantha ao visitar as propriedades e em relatos de agricultores de que algumas existem há cerca de 70 anos.

Domesticação
Em sua dissertação, a bióloga já havia observado que vários agricultores praticaram ou praticam algum tipo de manejo sobre o caraguatá. “Pelo fato de existir manejo e seleção de plantas, principalmente para as cercas vivas, seja por vigor, facilidade de manuseio ou crescimento rápido, pode estar em curso um processo de domesticação dessa espécie pela comunidade local”, considera Samantha, que tem como desafio em sua tese elucidar aspectos culturais envolvidos no uso e manejo da bromélia. Sua investigação associa   estudos demográficos (para documentação de padrões de propagação, brotação, frutificação e crescimento, entre outros) a pesquisas genéticas e etnobotânicas.

“Essa espécie mostra potencial econômico e seu uso pode ser estimulado com a utilização em programas de diversificação ou de incremento de renda para comunidades rurais e semi-urbanas”, considera a bióloga. “Mas são necessários mais estudos para avaliar o impacto da extração sobre a diversidade genética e a regeneração natural, assim como sobre sua disponibilidade para a fauna, o que pode auxiliar o estabelecimento de estratégias sustentáveis de manejo”, complementa.

Segundo ela, ainda que a Bromelia antiacantha reúna características medicinais, alimentícias, ornamentais e industriais, é uma espécie pouco estudada quanto a seu uso. Em pesquisa na literatura, Samantha não encontrou estudos sobre a domesticação do caraguatá, apesar da expressiva utilização em comunidades rurais do Planalto Norte Catarinense e também no Rio Grande do Sul.

Ecologia da espécie
Outros pesquisadores já descreveram características medicinais, alimentícias, ornamentais e industriais (para fabricação de fibras para tecidos, cordoaria e de sabão) do caraguatá. Sua utilização na medicina popular é descrita desde a década de 1940.

No trabalho de mestrado desenvolvido entre o final de 2007 e o início de 2009, Samantha observou que na comunidade de Campininha, em Três Barras (SC), o caraguatá tem três usos principais: xarope expectorante (feito com frutos maduros), palmito (retirado da base das folhas da bromélia) e em cercas vivas. A pesquisa também possibilitou um maior conhecimento sobre a ecologia da planta, sua reprodução, período de floração e predadores.

Segundo Samantha, um levantamento preliminar indica o início da construção de um mercado para o caraguatá. Há comercialização em bancas medicinais em mercados públicos, feiras e eventos relacionados à biodiversidade ou a plantas medicinais. A comercialização acontece tanto em cacho como em pacotinhos contendo cerca de 100g. Há também comercialização de mudas,  licores e geleias. A defesa da tese está prevista para o inicio de 2013.

Mais informações: / Fone: 48 3721-5322

Por Arley Reis / Jornalista da Agecom

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Tags: caraguatáMata Atlânticarecursos genéticos vegetaisUFSC

Comunicação e divulgação científica também são desafios para pesquisa e pós-graduação

04/05/2012 10:01

A quinta sessão do fórum de planejamento para a nova administração da UFSC foi direcionada ao tema Políticas para Pesquisa e Pós-Graduação. O diagnóstico para a área foi organizado em quatro eixos e apresentado pelos professores Jamil Assreuy (pesquisa) e Juarez Vieira do Nascimento (pós-graduação). Em seguida a palavra foi aberta à plateia. Cerca de 40 pessoas participaram do encontro realizado na tarde desta quinta-feira, no auditório do Centro de Cultura e Eventos da UFSC, e também transmitido pela internet. Nesta sexta-feira serão debatidos os temas Políticas para a Extensão e Políticas para o Hospital Universitário (manhã); Políticas para Relações Institucionais e Interinstitucionais (tarde) e Políticas para a Graduação (noite).

Discussão e criação de uma política institucional para a pós-graduação, pesquisa e inovação; estímulo à implantação de projetos cooperativos com pesquisadores do hemisfério sul e articulação com autoridades para colocar o conhecimento a serviço de políticas públicas foram algumas das necessidades elencadas pela equipe de transição, que elabora relatórios a partir de entrevistas junto à Pró-Reitoria de Pesquisa e Extensão (PRPE) e leitura de documentos.

Ampliar o papel das câmaras, buscar a integração de bases de dados para registro de atividades de ensino, pesquisa e extensão, assim como melhoria da comunicação organizacional para facilitar o fluxo de informações foram citados como desafios para a administração das professoras Roselane Neckel e Lúcia Pacheco, que tomam posse como reitora e vice-reitora na próxima quinta-feira, 10 de maio.

De acordo com a equipe responsável pela área, há também necessidade de ampliação do número de bolsas PIBIC e de pós-graduação, de melhor identificação das estruturas financiadas pelos programas CT-Infra e Pró-Equipamentos e implantação de estatuto e regras de uso de laboratórios multiusuários  entre diversos outros temas apresentados, e que de acordo com o grupo, são síntese de uma série de pontos que estão sendo sistematizados em relatórios a serem entregues para a nova administração da UFSC.

Temas como produtivismo, regras mais claras para seleção nos programas de pós-graduação e distribuição de bolsas, sobrecarga dos docentes e necessidade de divulgação da produção científica da Universidade se repetiram nas falas da plateia.

Professores, estudantes e servidores técnico-administrativos também levantaram questionamentos sobre a tabela de progressão funcional, a falta de técnicos para os laboratórios, a necessidade de maior articulação entre graduação e pós-graduação. Entre sugestões, houve depoimentos sobre a importância de que a instituição crie veículos próprios para divulgar sua produção de conhecimento (como é o caso de eventos), a necessidade de busca de recursos via ministérios, a organização de banco de competências e a oferta de assessoria contábil e econômica como suporte ao pesquisador.

Por Arley Reis / Jornalista da Agecom

Mais informações: www.foruns.ufsc.br, ;  (48) 9944-9414;  ; (48) 9915-3653.

Transmissão ao vivo pelo site  formaturas.paginas.ufsc.br . Acompanhe também no twitter: @foruns_ufsc.

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Saiba Mais:

Equipe de Transição – Gestão 2012-2016

Coordenação Geral:
Roselane Neckel (CFH)
Lúcia Helena Pacheco (CTC)
Edison da Rosa (CTC)
Sônia Gonçalves Carobrez (CCB)
Irineu Manoel de Souza (CSE)
Carlos Righi (CCE)
Juarez Vieira do Nascimento (CDS)
Roselane Fatima Campos (CED)
Eugênio Luiz Gonçalves (CTC)
Neiva Aparecida Gasparetto Cornélio (CTC)
Sergio Luis Schlatter Junior (CFH)

Comissões

PRPG:
Alcilene Rodrigues Monteiro Fritz (CTC)
Joana Maria Pedro (CFH)
Jouhanna do Carmo Menegaz (CCS)
Juarez Vieira do Nascimento (CDS) – Coordenador

PRPE:
Claudio Luiz de Freitas (CSE)
Cristina Scheibe Wollf (CFH)
Elias Machado Gonçalves (CCE)
Jamil Assereuy Filho (CCB) – Coordenador

PREG:
Adir Valdemar Garcia (CED)
Gabriel Bedin Slevinski (CFH)
Igor de Barros Ferreira Dias (CFH)
Renato Lucas Pacheco (CTC)
Roselane Fatima Campos (CED) – Coordenadora

PROINFRA/SEPLAN:
Américo Ishida (CTC)
Antônio Carlos Montezuma Brito (PROINFRA)
Edison da Rosa (CTC) – Coordenador
Eugênio Luiz Gonçalves (CTC)
Irineu Manoel de Souza (CSE)
Juan Altamirano Flores (CFH)
Mirian Ghizoni (CFH)
Vitor Hugo Tonin (CFH)
Waldoir Valentim Gomes Junior (CTC)

PRHDS:
Edite Krawulski (CFH) – Coordenador
Neiva Aparecida Gasparetto Cornélio (CTC)
Suzana da Rosa Tolfo (CFH)

PRAE
Domitila Souza Santos (CCA)
Luiz Fernando Scheibe (CFH)
Sálvio Roberto Oliveira (CFH)
Sergio Luis Schlatter Junior (CFH) – Coordenador

FUNDAÇÕES E RELAÇÕES INTER-INSTITUCIONAIS
Carlos Alberto Vieira (CFH) – Coordenador
Nestor Roqueiro (CTC)

HU
Irineu Manoel de Souza (CSE) – Coordenador
Luiz Henrique Gonçalves (HU)
Neiva Aparecida Gasparetto Cornélio (CTC)

SINTER
Luiz Carlos Pinheiro Machado Filho (CCA) – Coordenador
Bruno Locks Floriani (CTC)

COMUNICAÇÃO
Carlos Righi (CCE) – Coordenador
Carlida Emerim Jacinto Pereira (CCE)
Itamar Aguiar (CFH)
Paulo Fermando Liedtke (Agecom)
Tattiana Gonçalves Teixeira (CCE)

SECARTE E EXTENSÃO
Clarilton Edzard Davoine Cardoso Ribas (CCA)
Fausto Breda (CTC)
Maristela Helena Zinner Bortolini (PRPE)
Marcos Freire Montysumma (CFH) – Coordenador

 

Tags: FórunsUFSC

Indústria da Construção Civil e instituições de pesquisa debatem alvenaria estrutural

27/04/2012 15:56

O aumento da oferta de blocos estruturais de qualidade, o desenvolvimento de novos materiais e técnicas e a industrialização do processo de construção estão entre os avanços na indústria. Mas o reduzido número de profissionais habilitados, mesmo que a demanda seja alta, a dificuldade de adoção de normas técnicas, o melhor entendimento estrutural de prédios de grande altura e a pequena oferta de disciplinas específicas nos cursos de Engenharia são desafios na adoção de um dos métodos mais utilizados na Construção Civil: a alvenaria estrutural.

A tecnologia adotada há milênios e que continua sendo estudada e aprimorada será o foco da XV Conferência Internacional de Alvenaria Estrutural, pela primeira vez sediada pelo Brasil. O evento será realizado de 3 a 6 de junho, em Florianópolis (SC). “É uma oportunidade para que profissionais da construção e acadêmicos possam interagir com autoridades do mundo em alvenaria estrutural e tirar partido da experiência que podem transmitir sobre projetos, as construções e as pesquisas nesta área tão importante”, destaca o professor do Departamento de Engenharia Civil da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Humberto Roman, que compartilha a coordenação do evento com o professor do Centro de Ciências Exatas e de Tecnologia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR) Guilherme Aris Parsekian.

“Nos últimos 30 anos, com extensos trabalhos de pesquisa, a imaginação de projetistas e melhoria da qualidade dos materiais, a alvenaria estrutural tem apresentado mais visíveis avanços do que qualquer outra forma de estrutura usada na construção civil. Como consequência, é um dos mais econômicos e modernos métodos de construção. Em países como Inglaterra, Austrália, Alemanha e Estados Unidos, é o mais utilizado e de maior aceitação pelo usuário”, lembra Roman. Segundo ele, o encontro vem sendo realizado em países de expressão no desenvolvimento internacional da engenharia civil, e para obter o direito de ser sede, o Brasil competiu com Inglaterra, Alemanha e Portugal.

Barry Haseltnine (um dos responsáveis pela norma de alvenaria estrutural do Mercado Comum Europeu), Adrian Page (da University of Newcastle, Australia), Robert Drysdale (McMaster University, Canada); Richard

Klingner (University of Texas, Estados Unidos); Jason Ingham (The University of Auckland, Nova Zelândia); Gregg Borchelt (presidente do Brick Industry Association, EUA [ Associação de Indústria de Tijolos dos Estados Unidos]), Nigel Shrive (University of Calgary, Canada) e Paulo Lourenço (Universidade do Minho, Portugal) estão entre os conferencistas.

A programação prevê conferências, apresentação de artigos, cursos de curta duração e o Dia do Construtor, um pré-evento que tem a finalidade de discutir de maneira prática a construção em alvenaria estrutural no Brasil e no mundo. Serão sessões técnico-científicas de pesquisadores e empresários da indústria da construção. Essa agenda é direcionada a projetistas, produtores de materiais e componentes para a construção e construtores.

Estão à frente da organização a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e a Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR), com apoio da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade de São Paulo (USP) e das instituições internacionais Universidade do Minho (Portugal), University of Calgary (Canadá) e University of Newcastle (Austrália).

Mais informação no site www.15ibmac.com/home /ou com os coordenadores do evento Guilherme Aris Parsekian () e Humberto Roman ()

Por Arley Reis / Jornalista na Agecom

Tags: alvenaria EstruturalEngenharia CivilUFSC

Rede Nacional de Pesquisa em Biodiversidade Marinha comprova redução de peixes no litoral

16/04/2012 08:30

Nos censos visuais os pesquisadores estimam a quantidade e o tamanho dos peixes em áreas demarcadas. Fotos: Rede Sisbiota-Mar

Resultados preliminares da Rede Nacional de Pesquisa em Biodiversidade Marinha (Sisbiota Mar) confirmam cientificamente cenário conhecido na prática por pescadores e comunidades litorâneas brasileiras: a quantidade de peixes na costa está muito menor do que em ambientes mais protegidos, como as ilhas oceânicas. Nestas ilhas, a biomassa marinha chega a ser quatro vezes maior do que nas localizadas próximo ao litoral.

Os dados que resultam de censos visuais subaquáticos realizados em expedições marinhas serão apresentados na Austrália, no mês de julho, em um dos mais importantes eventos científicos na área de pesquisa marinha, o 12th International Coral Reef Symposium (ICRS 2012).

“As ilhas oceânicas estão muito mais preservadas do que as da costa, pois no litoral a pressão é muito maior. Era um dado já esperado e agora documentado”, informa o professor do Departamento de Ecologia e Zoologia da UFSC, Sergio Floeter, coordenador da Rede Nacional.

O apoio financeiro direcionado ao Sisbiota-Mar pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc) e CNPq já permitiu a realização de expedições ao Atol das Rocas, Barreirinhas e Maracajaú (no estado do Rio Grande do Norte); a Tamandaré e ao arquipélago de Fernando de Noronha (Pernambuco); a Maragogi (Alagoas); a Ilhas de Guarapari (Espírito Santo) e Baía de Todos os Santos (Bahia).

Em cada uma das saídas de campo, censos visuais possibilitaram a mensuração da biomassa. Esse dado representa a média de peixes em quilogramas, em áreas demarcadas de 40 metros quadrados. As informações são registradas pelos pesquisadores em mergulhos, com estimativas, além de quantidade, do tamanho dos peixes. De acordo com Floeter, essa é uma metodologia adotada por pesquisadores da vida marinha há mais de 20 anos. A Rede já realizou levantamentos de cerca de 100 amostras de 40 metros quadrados em cada ilha ou local da costa (o que representam aproximadamente quatro quilômetros quadrados investigados em baixo d’água em cada expedição).

Dados que já haviam sido obtidos em estudos anteriores e sua comparação com os atuais revelam grandes diferenças entre os ambientes. Em relação a ilhas de Santa Catarina, por exemplo, o ambiente oceânico de Atol das Rocas (também uma Reserva Biológicas Marinhas, assim como a Reserva Biológica Marinha do Arvoredo) tem biomassa quatro vezes maior (12.9 kg/40m² documentados no Atol e 3,3 kg/40m² em ilhas de Santa Catarina).

De acordo com Floeter, a Ilha da Trindade, localizada cerca de 1.200 quilômetros a leste de Vitória, é outro local em que foi documentada grande biomassa . “Não é um parque ou reserva, mas é muito distante, por este motivo fica mais preservada”, avalia o biólogo que integra o Programa de Pós-Graduação em Ecologia da UFSC e já orientou diversos trabalhos de graduação e pós-graduação sobre as comunidades de peixes no litoral catarinense.

No caso das ilhas de Santa Catarina, com estudos realizados pela equipe de Floeter desde 2006 e que incluem ambientes da Reserva Biológica Marinha do Arvoredo, os dados não são bons. “Mas a biomassa dentro da Reserva é ainda assim bem melhor do que fora dela”, ressalta o pesquisador, otimista com o trabalho proporcionado pela  pesquisa em rede, que integra estudiosos de oito universidades brasileiras (UFSC, UFRGS, USP, UFF, UFRJ, UFES, UFC e UFRPE), envolve 15 programas de pós-graduação, 15 Pesquisadores de Produtividade do CNPq e jovens pesquisadores.

Todas as equipes têm laboratórios, equipamentos de mergulho e coleta que serão direcionados a gerar  suporte científico para estratégias de conservação da biodiversidade marinha nacional

Segundo ele, a rede consolida esforços regionais iniciados há mais de uma década, permitindo que grupos de pesquisa atuem de forma harmônica e padronizada. Ela é constituída por três núcleos principais – Sul (nucleado na UFSC), Sudeste (nucleado na UFES) e Nordeste (nucleado na UFRPE). Todas as equipes têm laboratórios, equipamentos de mergulho e coleta, muitos deles comprados com recursos do edital Sistema Nacional de Pesquisa em Biodiversidade (Sisbiota), lançado pela Fapesc em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, por meio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Ao longo de três anos, devem ser aplicados quase R$3 milhões em pesquisas que vão gerar suporte científico para estratégias de conservação da biodiversidade marinha nacional e conhecimento sobre o potencial farmacológico dos biomas marinhos. Nos dias 26 e 27 de março, pesquisadores da Rede se reuniram em Vitória (ES), para integração e compartilhamento dos estudos. De acordo com Floeter, a equipe já processa também resultados promissores sobre espécies marinhas que podem contribuir com o desenvolvimento futuro de fármacos, mas que levarão ainda algum tempo para serem divulgados.

Mais informações com o professor Sergio R. Floeter, (48) 3721-5521 / e-mail

Por Arley Reis / Jornalista na Agecom

Saiba Mais:

O Sisbiota-Mar envolve a integração de mais de 25 projetos de pesquisa e extensão vigentes sintetizados em três frentes:

– Projeto 1 Ecologia – enfoque nos padrões e processos ecológicos da biodiversidade marinha brasileira

– Projeto 2 Evolução – lida com os padrões e processos evolutivos de formação da biodiversidade marinha brasileira no espaço e no tempo, em um contexto histórico

– Projeto 3 Química Marinha – tem como objetivo investigar do ponto de vista químico as relações ecológicas e aplicar o conhecimento

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Rede Nacional de Pesquisa em Biodiversidade Marinha comprova redução de peixes no litoral
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Pesquisadores estudam mosquitos na Ilha de Santa Catarina
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Laboratórios do CDS avaliam atleta da patinação de velocidade
Presidente da Petrobras Biocombustível visita Laboratório de Remediação de Águas Subterrâneas
Prevenção do câncer é tema iniciação científica entre “pesquisadores mirins”
Universidade testa capsulas de erva-mate

Tags: ecologiaUFSCvida marinha

Pesquisa reforça indícios de que condições na infância afetam obesidade em adultos

10/04/2012 07:55

Premiada no final de 2011 pela Capes como a melhor tese defendida na área de saúde coletiva, pesquisa do médico e professor do Curso de Nutrição da UFSC David Alejandro González Chica reforça a ideia de que o ganho de peso rápido depois dos quatro anos pode resultar em problemas de obesidade na vida adulta. O estudo foi desenvolvido junto ao Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Pelotas.

Em seu trabalho o médico avaliou as associações entre a circunferência da cintura, a medida do quadril e a relação cintura-quadril em adultos jovens, relacionando estes dados ao estado nutricional e aos padrões de crescimento nos primeiros anos de vida. O pesquisador associou também os dados de circunferência com fatores socioeconômicos na infância e na idade adulta, além de cor da pele.

O estudo foi realizado a partir de uma pesquisa com nascidos na cidade de Pelotas no ano de 1982 e que foram novamente visitados em 2006. A avaliação de dados de quase cinco mil crianças desde o nascimento até os 23-24 anos indica que o ganho de peso em diferentes etapas da vida influencia de forma diferente o acúmulo de gordura na região abdominal – o mais perigoso fator de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares na fase adulta. O trabalho também mostra associações diretas entre peso ao nascer e ganho de peso em todas as faixas etárias.

Ganhar muito peso depois do segundo ano de vida e na adolescência, indica a investigação, pode ser prejudicial para a saúde, pois aumenta os níveis de obesidade abdominal na vida adulta. Por outro lado, o ganho de peso nos dois primeiros anos de vida se mostrou benéfico para a formação do quadril, o que teria um efeito positivo para a saúde na vida adulta ao estimular a acumulação de massa muscular, conhecido fator de proteção para doenças cardiovasculares.

“A obesidade em adultos, portanto, poderia ser reduzida evitando que crianças de quatro anos ou mais ganhassem peso rapidamente”, alerta o professor. “Os resultados sugerem que as medidas de saúde pública direcionadas ao combate da obesidade e das doenças cardiovasculares, além de enfocar fatores contemporâneos como sedentarismo e hábitos nutricionais da população, deveriam considerar a importância das condições socioeconômicas e do ganho de peso desde os primeiros anos de vida”, complementa.

De acordo com David, a gordura abdominal é usualmente medida por meio da circunferência da cintura ou da razão cintura quadril (RCQ). No entanto, para compreender o efeito de diversas exposições na composição corporal as três medidas antropométricas (cintura, quadril e razão cintura quadril) precisam ser avaliadas de forma independente.

Ele lembra também que diversas condições precoces e tardias podem afetar a formação dos tecidos corporais. Em sua tese o pesquisador resgata a visão de autores que encontraram em países desenvolvidos associação com variáveis perinatais – o período perinatal da gravidez humana caracteriza as 22 semanas completas (5 meses e meio) e os 7 dias completos após o nascimento – e da infância como o peso ao nascer, o tempo de amamentação e os padrões de crescimento.

Há também trabalhos que relatam relações com variáveis na vida adulta como a classe social, o fumo, o consumo de álcool e a inatividade física. No entanto, são limitadas as informações disponíveis sobre este tema em populações de renda média ou baixa.

Em sua tese David discute o processo de formação e desenvolvimento dos principais tecidos que constituem cintura e quadril. O abdômen, por exemplo, é constituído principalmente por vísceras, tecido adiposo subcutâneo e visceral, e pelos músculos da parede abdominal. Variações na circunferência da cintura resultam principalmente de mudanças na quantidade de gordura abdominal visceral. Já o quadril é constituído por três tecidos principais: ósseo, muscular e adiposo subcutâneo. Mudanças da circunferência do quadril podem acontecer por alterações em qualquer um desses tecidos.

David lembra que a obesidade pode ser considerada como o acúmulo ou excesso de gordura corporal numa quantidade que traga prejuízos à saúde. A gordura pode estar depositada debaixo da pele (gordura subcutânea) ou ser mais profunda, principalmente dentro do abdômen (a gordura visceral, associada a maiores problemas de saúde). A obesidade abdominal (cintura de mais 80 cm para as mulheres e mais de 94 cm para os homens) é considerada de maior risco para doenças cardiovasculares.

David alerta que muitas pesquisas sobre o tema avaliam as condições atuais como determinantes da obesidade. No entanto, vários estudos mostram que a obesidade é também determinada por fatores com ação em etapas iniciais da vida e que têm repercussão até a idade adulta.

Mais informações: David González Chica / / (48) 3721-5070

Por Arley Reis / Jornalista da Agecom

Saiba Mais

Obesidade
Considerada como doença desde 1985, a obesidade vem merecendo atenção cada vez maior por parte dos médicos e instituições de saúde pelos problemas associados, como diabetes mellitus, hipertensão arterial, doenças cardíacas, distúrbios respiratórios e do sono, além da artrose. A prevalência de obesidade está aumentando em países de alta, média e baixa renda.

Problema em crescimento
No Brasil, país de renda média, as prevalências de excesso de peso e obesidade mudaram drasticamente nos últimos 30 anos. Em homens, a prevalência de excesso de peso triplicou entre 1975 e 2009, passando de 18% para 50%. A obesidade quadriplicou, de 2,7% passou para 12,5%. Em mulheres estas mudanças também aconteceram, embora com menor intensidade, passando de 27,3% para 48% e de 7,4% para 16,9%.

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Tags: nutriçãoobesidadeUFSC

Universidade testa capsulas de erva-mate

30/03/2012 16:40

A UFSC está buscando voluntários para uma nova pesquisa com a erva-mate. O estudo necessita de pessoas saudáveis e também com colesterol alto, que ainda não estejam tomando medicamento. Podem participar homens e mulheres com idade entre 18 e 60 anos. O objetivo é avaliar se o consumo de cápsulas produzidas na Universidade, contendo extrato seco de erva-mate verde ou tostada, não apresenta problemas à saúde (toxicidade).

“Será também avaliada a propriedade das cápsulas de erva-mate em reduzir o colesterol no sangue, particularmente em indivíduos com problemas de colesterol elevado”, explica o professor Edson Luiz da Silva, do Departamento de Análises Clínicas, que há oito anos estuda os princípios ativos dessa planta.

“Acreditamos que as cápsulas podem facilitar o consumo da erva-mate, pois ela possui sabor amargo, não muito apreciado por algumas pessoas”, complementa o coordenador do Laboratório de Pesquisa em Lipídeos, Antioxidantes Naturais e Ateroscleros.

Ele lembra que estudos anteriores realizados pela equipe que lidera já mostraram que a infusão de erva-mate verde (tipo chimarrão) ou chá mate tostado podem diminuir o colesterol, a glicemia e os radicais livres em indivíduos com colesterol elevado ou com diabetes.

Para a demonstração dos possíveis efeitos benéficos, os participantes devem colaborar para a ingestão de três cápsulas de erva-mate, três vezes ao dia, durante as principais refeições (independente do horário), durante 60 dias.

“É importante que o consumo das cápsulas com o extrato seco de erva-mate não seja interrompido por mais de dois dias seguidos. Além disso, o voluntário deve manter seus hábitos de vida regulares durante o período do estudo, como consumir o mesmo tipo de alimentação, manter a prática exercícios físicos (se for o caso) e, principalmente, não iniciar medicamentos de uso crônico”, alerta o professor. Caso a pessoa esteja usando algum medicamento, a dose não deve ser mudada durante o período do estudo.

A equipe precisa também da autorização dos voluntários para coleta de 12 ml de sangue (três tubos), em jejum de 12-14 horas, no primeiro, terceiro e sétimo dias do início do estudo. Serão ainda realizadas coletas após a quarta e oitava semanas, bem como a medida da pressão arterial, aferição do peso e da altura, exames clínicos completos e eletrocardiograma. As cápsulas deverão ser tomadas inteiras, com o auxílio de água, apenas.

A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da UFSC. O professor alerta que o consumo das cápsulas deve resultar apenas em desconforto das coletas de sangue. Porém, pessoas sensíveis à cafeína (um dos componentes do extrato seco de erva-mate) poderão sentir irritação gástrica, tremores, excitabilidade ou insônia. Caso ocorra algum desses efeitos colaterais, o participante deve interromper o consumo das cápsulas de erva-mate e entrar em contato com os pesquisadores.

“Esperamos que esse estudo traga benefícios, como o estímulo para que mais pessoas utilizem as propriedades benéficas da erva-mate, que poderá vir a ser utilizada como fitoterápico ou como alimento funcional”, destaca o professor.

Mais informações:
Aline Minuzi Becker()
Edson Luiz da Silva ()

Por Arley Reis / Jornalista da Agecom

Tags: erva mateUFSC

Encontro debate uso de agrotóxicos, impactos sobre a saúde e ambiente

30/03/2012 15:49

Evento organizado por grupo de pesquisa do Departamento de Direito reuniu profissionais de diferentes áreas

Campeão mundial no uso de agrotóxicos, o Brasil discute o problema desde a década de 50 – mas nos últimos dez anos dobrou o uso de herbicidas (em 2000 eram 2,7 quilos por hectare cultivado, em 2009, 5 quilos). O problema foi debatido nesta quarta-feira, 28 de março, na Universidade Federal de Santa Catarina, durante o encontro Agrotóxicos: a nossa saúde e o meio ambiente em questão, promovido pelo Grupo de Pesquisa em Direito Ambiental na Sociedade de Risco, ligado ao Departamento de Direito.

“O problema é de uma complexidade muito grande. Os herbicidas foram desenhados para matar plantas, mas a discussão é difícil, não se consegue informações, ter acesso a estudos, aos protocolos de algumas empresas”, lembrou o professor Rubens Onofre Nodari, do Programa de Pós-Graduação em Recursos Genéticos Vegetais da UFSC.

Segundo ele, os herbicidas são o grupo de agrotóxicos mais empregado, tiveram uma expansão vertiginosa e o glifosato é o mais usado. A atuação de pesquisadores não independentes e o fato de grandes empresas patrocinarem publicações em revistas científicas foi outra preocupação levantada pelo professor.

Participante de um trabalho que possibilitou a revisão bibliográfica de 359 artigos científicos sobre o impacto de diferentes herbicidas, em sua apresentação Rubens Onofre Nodari mostrou diversos estudos que relatam efeitos dos agrotóxicos. Entre eles, morte celular, alterações endócrinas, redução de espermatozóides e alterações nos gametas, além de preocupações sobre impactos neurológicos.

O professor citou pesquisas que encontraram resíduos de glifosato no sangue de mulheres não grávidas, grávidas e em fetos – e outros que comprovam a presença de resquícios de agrotóxicos na urina. “Os não nascidos já estão expostos. E se o agrotóxico é encontrado na urina, já passou por tudo”, lamentou o professor. “Estudos de 1989 já mostravam resíduos no leite de mães que estavam amamentando. Em 2012, uma pesquisa em Rio Verde, no Mato Grosso do Sul, analisou o leite de 62 mulheres e todas as amostras tinham resíduos de glifosato”, complementou o pesquisador, também reconhecido por seu trabalho sobre organismos geneticamente modificados.

Para exemplificar o papel negativo de agrotóxicos sobre a biodiversidade, Nodari lembrou do efeito letal sobre anfíbios, que passam por um processo de extermínio, em grande parte provocada pelo desmatamento, mas também impactados por pesticidas. Criticando as “inovações humanas que prosseguem”, citou o caso da soja geneticamente modificada para ser resistente ao herbicida glifosato. Pesquisas mostram que abelhas podem ser afetadas e ter seu comportamento alterado, comprometendo a indicação do alimento para a colmeia. “Toneladas de artigos mostram que nossos processos ainda não são seguros para avaliar os impactos sobre a saúde e o ambiente”, alertou o professor.

Projeto-piloto no Hospital Universitário
“Temos por obrigação prevenir”, reforçou a médica do Hospital Universitário da UFSC Vera Lúcia Paes Cavalcanti Ferreira, que falou sobre agrotóxicos e riscos de câncer. A partir de um trabalho-piloto desenvolvido com pacientes do HU, ela chamou atenção sobre o câncer ocupacional, causado pela exposição prolongada a agentes cancerígenos presentes em agrotóxicos.

O estudo envolveu todos os novos pacientes com diagnóstico de câncer no HU no período de 2009-2010, buscando traçar seu perfil e verificando a correlação com o uso de agrotóxicos. Segundo Vera, a pesquisa que será aprofundada em um Trabalho de Conclusão de Curso na graduação em Medicina mostrou como é difícil estabelecer a relação entre profissão e agrotóxicos.

“No meio rural as pessoas começam a trabalhar muito cedo, entre a exposição e o diagnóstico há um grande período e os próprios médicos esquecem de estabelecer esse nexo”, disse a médica especializada em hemoterapia. Apesar da dificuldade, entre 106 novos pacientes com diagnóstico de câncer no período foram identificados oito agricultores, com presença significativa de mulheres (comprovando seu importante papel na agricultura). O estudo mostrou também que entre outros fatores de risco para o câncer aparece a obesidade, observada em 50% dos pesquisados. Em sua fala a médica ainda resgatou pesquisa de risco realizada entre a população americana, indicando que agricultores têm até seis vezes mais chance de desenvolver câncer do pulmão.

Intoxicações subnotificadas
A médica Adriana Mello Barotto, do Centro de Informações Toxicológicas de Santa Catarina (CIT), apresentou dados sobre intoxicações em Santa Catarina, especificando os dados para o caso dos agrotóxicos. O CIT é um órgão da Secretaria Estadual da Saúde de Santa Catarina que atua no Hospital Universitário, em plantão permanente, auxiliando profissionais da saúde e orientando a população. Segundo ela, entre 1984 e 2011 foram registrados pelo CIT aproximadamente 140 mil casos de intoxicações, a maioria por animais peçonhentos, 11.975 casos por agrotóxicos.

“O sistema de notificação não é obrigatório e é complicado, médicos não fazem a relação causal, falta a relação com a profissão e os casos agudos é que são notificados”, avaliou a médica. Adriana fez também um alerta relatando que entre os casos de intoxicação por agrotóxicos, 44% foram descritos em casos de suicídio, 25% em situação ocupacional e 22% tinham como principio ativo o glifosato.

“Mas o que mais mata é o dicloreto de paraquate, com 41 óbitos”, salientou Adriana, citando um agrotóxico de alta letalidade, proibido pela União Européia em 13 países – e na América Latina com manuseio restrito somente no Chile.

O encontro que recebeu o título de Agrotóxicos: a nossa saúde e o meio ambiente em questão foi organizado em dois painéis. Pela manhã, “Agrotóxicos, saúde e ambiente: aspectos técnicos e éticos” contou também com a presença da professora Michelle Bonatti (que falou sobre percepção e universo significativo no processo de aprendizagem social), do promotor Paulo Roney Ávila Fagúndez (em abordagem do tema Agrotóxicos, meio ambiente e saúde humana: uma questão ética) e da professora do Departamento de Direito da UFSC Letícia Albuquerque (que falou sobre Poluentes Orgânicos Persistentes: Uma análise da Convenção de Estocolmo).

Agrotóxicos, Riscos e Direito Ambiental
Coordenado pelo professor José Rubens Morato Leite, o Grupo de Pesquisa em Direito Ambiental na Sociedade de Risco tem entre suas pesquisas projeto que tem como objetivo analisar o procedimento de registro de agrotóxicos no Brasil, em comparação com o sistema adotado na União Européia.

“Em virtude dos riscos que os agrotóxicos podem gerar, é fundamental verificar se o procedimento do registro pode garantir que as substâncias liberadas para uso comercial no Brasil sejam seguras para o meio ambiente e para a saúde humana”, explica o professor.

Além de detalhar o tratamento dispensado ao tema pelo ordenamento jurídico brasileiro, o estudo vai permitir uma análise sobre avanços e retrocessos da Lei de Agrotóxicos e a relevância da legislação para a gestão dos riscos ambientais. Serão também analisadas experiências mal sucedidas envolvendo agrotóxicos, efeitos colaterais indesejados e meio ambiente.

Para apurar casos de intoxicação em Santa Catarina a equipe atua em conjunto com o Centro de Informações Toxicológicas. O projeto tem apoio da Fapesc e do Edital Universal/2009, financiado pelo CNPq.

Mais informações:
– Grupo de Pesquisa em Direito Ambiental na Sociedade de Risco / Professor José Rubens Morato Leite / / (48) 3721-9733

– Centro de Informações Toxicológicas de Santa Catarina (CIT) / (48) 3721-9535 / 3721-9173 / 0800 643 5252 (Ligação Gratuita 24h)

Por Arley Reis / Jornalista da Agecom
Fotos: Wagner Behr / Agecom

Tags: agrotóxicosDireito AmbientalUFSC

Sábado marca 190 anos do nascimento de Fritz Müller

30/03/2012 15:00

Site Fritz Müller, o príncipe dos observadores está sendo construído por equipe da UFSC envolvida com a divulgação da obra do naturalista

Nascido em uma pequena aldeia da Alemanha em 1822, aos 22 anos o jovem Johann Friedrich Theodor Müller obteve o título de Doutor em Filosofia pela Universidade de Berlim. Em 1849 concluiu o curso de Medicina na Universidade de Greifswald, mas não colou grau, por se negar a proferir as palavras cristãs contidas no juramento. Em 1852 emigrou com familiares para a recém-fundada Colônia de Blumenau, no Vale do Itajaí, e em 1856 partiu para Desterro (atual Florianópolis), naturalizando-se brasileiro para assumir cargo público de professor no Liceu Provincial (antigo Colégio Jesuíta, atualmente representado pelo Colégio Catarinense).

É nesse momento que inicia o período mais produtivo da obra científica de Fritz Müller. Em Desterro o naturalista tem seu reconhecimento internacional entre a comunidade científica. Ele mantém correspondência com eminências científicas da época, como Max Schultze, Herman von Ihering, August Weismann, Louis Agassiz, Ernst Haeckel e em especial com Charles Darwin (cuja extensa e contínua correspondência se estende por 17 anos, até a morte de Darwin). A história de Fritz Müller completa neste sábado, dia 31 de março, 190 anos, desde o nascimento na Alemanha.

“Este excepcional observador da natureza, que viveu em Santa Catarina por 45 anos, foi sem dúvida o mais importante naturalista do Brasil do século XIX. Deixou um legado naturalístico imenso que descreve a flora e fauna da região sul do Brasil. Identificou e descreveu com notável perfeição um número imenso de espécies animais (principalmente invertebrados) e de plantas do litoral catarinense e da Mata Atlantica, sempre enriquecendo suas descrições com magníficas ilustrações de incrível detalhamento”, descreve o site Fritz Müller, o príncipe dos observadores, que está sendo construído por um grupo de professores da UFSC envolvido com a divulgação da obra do naturalista.

O site organiza informações sobre a história, a vida, a obra, as principais homenagens póstumas e os escritos de Fritz Müller, cientista mundialmente conhecido pela concepção do fenômeno mimetismo mulleriano, estudado em todo o mundo.

Apoio a Darwin
Fritz Müller foi pioneiro ao publicar, em 1864, o primeiro livro no mundo em apoio à teoria evolutiva de Darwin, com provas factuais obtidas em estudos sobre crustáceos, realizados em Florianópolis. Este livro, que atuou decisivamente na consolidação da teoria da evolução das espécies proposta por Darwin, tornou-o mundialmente famoso e o levou a receber, em vida, duas vezes o título de Doutor Honoris Causa, emitido por universidades alemãs.

Diferentes datas têm sido aproveitadas para rememorar a vida e a trajetória do naturalista. Em 2009, ano do bicentenário do nascimento de Charles Darwin e dos 150 anos da publicação do seu revolucionário livro Origem das Espécies, a Universidade Federal de Santa Catarina reconheceu o valor da obra de Fritz Müller. Concedeu-lhe o título de Doutor Honoris Causa post-mortem, recebido pelo seu descendente Alberto Lindner, professor do Departamento de Ecologia e Zoologia.

Também em 2009 a Editora da UFSC lançou uma nova tradução do livro Para Darwin (Für Darwin, 1864), escrito por Fritz Müller. Elaborada por Luiz Roberto Fontes, médico legista e biólogo, e por Stefano Hagen, médico veterinário, biólogo e professor, a nova tradução se distingue das outras duas que a antecederam por usar como base a primeira edição do livro, em alemão. A publicação foi viabilizada com apoio financeiro da UFSC, Fapesc e Ministério da Ciência e Tecnologia.

De acordo com os autores, a tradução a partir da edição original recupera o estilo da escrita de Fritz Müller, além de alguns conceitos próprios do autor, que foram alterados na segunda edição.

“A tradução resgata para a memória da ciência brasileira o naturalista Fritz Müller, bastante esquecido no cenário científico nacional e mundial, mediante a publicação traduzida de seu único e importante livro, acrescida de resenhas de época, bem como de necrológios da época de sua morte”, explica Luiz Roberto Fontes. Segundo ele, a tradução integral do necrológio feito por Haeckel revela facetas do perfil psíquico desse controverso zoólogo alemão, por muitos considerado um falsário da ciência.

“Homenagear Fritz Muller no ano de 2012, quando completaria 190 anos de idade, representa resgatar para a memória nacional o nosso maior naturalista novecentista, brasileiro por opção e com grandes feitos para a história da ciência brasileira e mundial. Representa também homenagear o Estado de Santa Catarina, que em suas publicações tornou-se mundialmente conhecido, principalmente as localidades de Blumenau, Itajai e Desterro”, destaca Luiz Roberto Fontes.

Saiba Mais no site Fritz Müller, o príncipe dos observadores: http://fritzmuller.paginas.ufsc.br/

Mais informações na UFSC: Margherita Anna Barracco /

Por Arley Reis / Jornalista da Agecom

Leia também: Parceiro de Charles Darwin

Tags: Fritz MüllerUFSC

Palestra sobre desafios da alimentação abre primeiro Doutorado em Nutrição da Região Sul

21/03/2012 10:18

O professor Pedro Israel Cabral de Lima: emoção no retorno à pós-graduação que ajudou a avaliar. Fotos: Wagner Behr / Agecom

“Não foi na Sourbonne ou em outra universidade que travei contato com o fenômeno da fome”. A frase de Josué de Castro, médico, nutrólogo, professor, geógrafo, cientista social, político, ativista brasileiro que dedicou sua vida ao combate à fome foi lembrada na manhã desta terça-feira, 20 de março, durante a aula inaugural do Doutorado em Nutrição da UFSC.

Convidado a marcar na Universidade Federal de Santa Catarina o início do primeiro doutorado da área na Região Sul (nono no país), o professor Pedro Israel Cabral de Lima, da Universidade Federal de Pernambuco, contextualizou a relevância e atualidade do trabalho do médico nascido no Recife, na palestra “Alimentação e Nutrição: de Josué de Castro aos dias atuais”.

O pesquisador da UFPE recuperou a trajetória e a visão de Josué de Castro sobre a problemática da fome – e a partir de gráficos, fotos e vídeos demonstrou como muitos desafios são ainda atuais e pertinentes na trajetória do profissional da área de nutrição.

Geografia da Fome
Josué de Castro nasceu em 1908, no Recife, e morreu em 1973, na França. Cresceu próximo aos mangues do Recife, “habitados por retirantes e caranguejos”. Aos 21 anos se formou em medicina, em 1951 assumiu a presidência do Conselho Executivo da FAO (agência da Organização das Nações Unidas para a alimentação e agricultura), foi também embaixador do Brasil na ONU e criou uma associação mundial de luta contra a fome. Entre suas publicações mais relevantes estão O Problema da Alimentação no Brasil, Geografia da Fome e Geopolítica da Fome.

“Um marco de Josué de Castro é a luta pelo desenvolvimento humano sustentável e muitas de suas preocupações e ideais permanecem vivos”, frisou o professor Pedro Israel Cabral de Lima. Para ressaltar a importância do conhecimento científico, salientou para a plateia integrada por professores, mestrandos e doutorandos que há tantos métodos quantos forem os problemas e os investigadores existentes (citando frase de José Carlos Koche, autor de Fundamentos de Metodologia Científica: Teoria da Ciência e Prática da Pesquisa e lembrando mais um ensinamento que Josué de Castro deixou aos pesquisadores).

“Josué não se limitou a um único método, buscou ferramentas em diversas áreas, como a Antropologia Social, Geografia, Economia, Genética, Biologia, Epidemiologia. Baseou sua forma de pensar o problema da fome na interação entre diversas ciências”, disse Pedro Israel. Em mais uma associação de sua palestra com a Pós-Graduação em Nutrição da UFSC, elogiou o objetivo do programa e suas linhas de pesquisa (veja abaixo), atuais e relevantes diante da complexidade e da responsabilidade para formação de profissionais da área de nutrição e alimentação.

O palestrante destacou também a importância da UFSC contar com seis grupos de pesquisa nesse campo (abaixo) e mostrou admiração pelo trabalho de relevância acadêmica e com interface social dos projetos de extensão.

O professor lembrou que, mesmo com alguns números estagnados na América Latina, a fome no mundo ainda preocupa (são 71 milhões de pessoas em insegurança alimentar no Brasil). “Para o profissional da área, é um desafio entender a cultura alimentar de cada região, as dietas básicas, as influências, as dificuldades no controle do sobrepeso e das doenças decorrentes da má alimentação”, salientou.

A partir de pesquisas, lembrou de questões preocupantes, como a preferência entre adolescentes por biscoitos, salsichas, sanduíches, salgados. E a “dieta de risco” de adultos, caracterizada pelo baixo consumo de frutas e verduras, alto consumo de gorduras saturadas.

Com fotografias de décadas atrás e atuais, o professor Pedro Israel Cabral de Lima ilustrou o problema da alimentação inadequada com a mudança no corpo da população de Olinda – em 1947 as fotos registram perfis longilíneos, em 2012, homens e mulheres com excesso de peso. “Parecem figuras de Botero”, preocupa-se o professor, citando o famoso pintor e escultor colombiano que se destacou com figuras de contornos arredondados.

Além de abordar a má alimentação, Pedro Israel Cabral falou da “Fome Oculta”, problema caracterizado pela carência de micronutrientes como o ferro (estudos mostram índices preocupantes de anemia em crianças), de vitamina A (cuja carência pode provocar problemas na visão) e de B1 (com diagnóstico recente de diversos casos de Beribéri no Brasil, doença que provoca fraqueza muscular e dificuldades respiratórias).

Fazendo história

Rossana Proença: “Lutamos cinco anos junto à Capes para montar o programa”

“Esse momento é a realização de um sonho que começou em 1997, quando um grupo de oito professores estruturou o projeto da Pós-Graduação em Nutrição da UFSC”, lembrou no início do encontro a coordenadora do programa, professora Rossana Proença. “Lutamos cinco anos junto à Capes para montar o programa, que foi aprovado no final de 2001 e começou em 2002. No começo eram oito alunos”, resgatou Rossana.

Atualmente a Pós-Graduação em Nutrição da UFSC tem 20 professores (em breve serão 24 credenciados), 53 alunos no mestrado e 10 iniciando o doutorado. São 36 bolsistas, 102 mestrandos já se formaram e serão outras 23 defesas de mestrado até julho. Entre os profissionais formados, 86% têm publicações com o programa e 70% estão em atividade docente.

“Os números refletem o que estamos fazendo para atender os critérios que nos avaliam. Nosso conceito na Capes passou de 3 para 4 e hoje nosso Departamento atua em todos o níveis, da graduação ao doutorado, como somente outros oito no país fazem”, disse Rossana, registrando também como conquista a criação da área de Nutrição na Capes.

“Os doutorandos chegam para compartilhar esse sonho conosco. Agora a consolidação do doutorado, da produção científica, de laboratórios e a internacionalização são novos desafios”, comemorou a coordenadora.

Mais informações: http://ppgn.ufsc.br / / (48) 3721-5138

Por Arley Reis / Jornalista da Agecom

Saiba Mais:

Grupos de Pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Nutrição da UFSC:
– CECANE/SC (Centro Colaborador em Alimentação e Nutrição do Escolar do Estado de Santa Catarina)
– Grupo de Pesquisa em Comportamento e Consumo Alimentar
– Grupo em Nutrição Clínica e Aplicada
– Grupo Nutrição e Saúde
– NEPNE (Núcleo de Estudo e Pesquisa em Nutrição Experimental)
– NUPPRE (Núcleo de Pesquisa de Nutrição em Produção de Refeições)

 Linhas de Pesquisa:
– Diagnóstico e intervenção nutricional em coletividades
– Estudo dietético e bioquímico relacionado com o estado nutricional
– Nutrição em produção de refeições e comportamento alimentar

Objetivo:
O objetivo geral do Programa de Pós-Graduação em Nutrição da UFSC é a formação de pesquisadores inovadores, resolutivos e geradores de conhecimento em uma área interdisciplinar envolvendo a interface Alimentação, Nutrição e Saúde. A formação acadêmica tem ênfase na construção, desenvolvimento e disseminação de conhecimentos científicos, preparando profissionais qualificados para o Ensino Superior e para a pesquisa neste campo do conhecimento.

 

Tags: nutriçãopós-graduaçãoUFSC

Sérgio Rezende na UFSC: incrementar citações e formar mais engenheiros são desafios para o Brasil

12/03/2012 08:18

“O decréscimo do número de formados nos cursos de Engenharia é preocupante para o desenvolvimento baseado no conhecimento”. Fotos: Wagner Behr / Agecom

No Brasil a atividade científica teve um começo tardio. Entre as primeiras instituições estão o Observatório Nacional e o Instituto Nacional de Tecnologia, implantados na década de 1920. Somente em 1934 surgiu a primeira instituição de ensino superior brasileira, a Universidade São Paulo – 300 anos depois de Harvard, fundada nos Estados Unidos. Na década de 1950 o país ainda tinha um parque industrial incipiente, era uma nação com poucos cientistas e pesquisadores, não havia um ambiente de pesquisa nas universidades ou preocupação com a inovação nas empresas.

Com estes e muitos outros dados o ex-ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, ministrou no dia 7 de março na UFSC a palestra “Ciência e Tecnologia no Brasil: nunca é tarde demais para começar”. Rezende foi um dos convidados do encontro “Desafios e Oportunidades para a Pós-Graduação em Engenharia”, promovido pelo Programa de Pós-Graduação em Engenharia Mecânica da UFSC.

Membro titular da Academia Brasileira de Ciências desde 1977, presidente da Finep entre 2003 e 2005, professor de Física da Universidade Federal de Pernambuco, Rezende agradeceu o convite para falar aos integrantes da Pós-Graduação em Mecânica da UFSC, programa que, ressaltou, é referência no país. “Muitos estudantes não têm essa imagem, mas há 40 anos a ciência no país era quase nada. Foi um desenvolvimento muito rápido”, lembrou o ex-ministro, ressaltando que falar de ciência e tecnologia é falar de riqueza.

Seu panorama ilustrou o início tardio do Brasil no desenvolvimento da C&T, mostrou avanços recentes, oportunidades e desafios nesse campo. Rezende salientou que há uma relação direta entre PIB per capta e investimentos em ciência e tecnologia. Em países como Estados Unidos e Japão, exemplificou, a divisão entre PIB e habitantes resulta em 30 a 40 mil dólares por ano – e 70% dessa riqueza é gerada na economia do conhecimento.

A Coreia, país que tem 3% da área do Brasil, equivalente ao tamanho do estado de Pernambuco, foi citada como um exemplo positivo de determinação no campo da ciência e tecnologia. Na década de 1940 esse país adotou políticas de C&T e indústria articuladas. Na década de 1990 já tinha um sistema de inovação imbricado com o setor produtivo, marcas reconhecidas em produtos eletrônicos, automóveis, navios.

Sérgio Rezende avaliou que apesar de um início difícil e tardio, o Brasil também acumula avanços em sua caminhada científica. A criação do CNPq e da Capes, na década de 1950, são fatos marcantes.  A partir de 1962 o país criou um fundo para apoio aos primeiros programas de pós-graduação modernos e em 1968 a Reforma Universitária possibilitou o tempo integral para professores, consolidando a institucionalização da pós-graduação. Na década de 1970, Rezende destacou a implantação do FNDTC, o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.

Atualmente o Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia conta com 235 universidades, 77 mil doutores nas universidades, 8 mil doutores em outros centros de pesquisa e desenvolvimento (esse um dado que, destacou Rezende, deve ser alterado para que o país tenha maior presença da pesquisa no setor industrial).

Entre quase dois mil programas de pós-graduação, 320 são classificados com os conceitos 6 e 7, que representam excelência e nível internacional – como é o caso do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Mecânica da UFSC, destacou Sérgio Rezende. Há, no entanto, muitos desafios, como o pequeno número de pesquisadores (são 0,8 por mil habitantes) e o gargalo no setor industrial. “Em um quadro de 70 mil empresas, apenas duas mil têm com atividade de inovação.

“Esse cenário não ocorre em países desenvolvidos, onde muitos doutores atuam nas empresas e não nas universidades”, salientou. Petrobras, Embraer, Embrapa e Embraco foram também citadas por Rezende como exemplos. “A Embraco tem 15 laboratórios e uma história de 28 anos de parceria ininterrupta com a UFSC, onde também participa do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Refrigeração e Termofísica”, disse mais uma vez reportando-se à Universidade Federal de Santa Catarina.

Sérgio Rezende destacou que no período de 2003 a 2006 o Brasil adotou uma política de ciência e tecnologia integrada à política industrial e considerou que nas últimas décadas houve um notável avanço orçamentário e do ambiente de inovação. Ressaltou a importância do investimento no programa Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia e da Lei da Inovação.“Nas últimas semanas tivemos a notícia do corte no orçamento para ciência e tecnologia, mas espero que possamos superar esse corte”, disse o ex-ministro.

Outro desafio a ser vencido é o decréscimo do número de formados nos cursos de Engenharia, preocupante para o desenvolvimento baseado no conhecimento. E, alertou, ainda que o país ocupe o 13º lugar no mundo em número de publicações científicas, com 40 mil artigos (Estados Unidos lideram o ranking com 435 mil artigos científicos, seguido da China, com 306 mil), somente 40% dos trabalhos brasileiros têm citação (são mencionados em outros artigos ). “O Brasil precisa de um esforço para melhorar a qualidade de sua produção e dar a devida divulgação à pesquisa. O sistema arrisca pouco. Para de fato contribuirmos com a produção do conhecimento precisamos assumir problemas mais complexos”, avaliou Sérgio Rezende.

O encontro organizado pela Pós-Graduação em Engenharia Mecânica foi prestigiado por professores e estudantes do Centro Tecnológico da UFSC e também de outras unidades de ensino. A agenda iniciou com apresentação do programa pelo coordenador, o professor Júlio César Passos, e seguiu com palestras de Sérgio Rezende, do diretor-presidente da Refinaria Abreu e Lima S.A. da Petrobras, Marcelino Guedes Gomes (que falou sobre os desafios do profissional global) e do reitor da UFSC, professor Alvaro Toubes Prata (que abordou o desafio de internacionalização das universidades brasileiras).

Por Arley Reis / Jornalista da Agecom

Mais informações: posmec.ufsc.br/portal/(48) 3721 9277

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Livro socializa conhecimento sobre gestão das águas e a Bacia do Rio Uruguai

08/03/2012 12:29

“Bacia Hidrográfica do Rio do Peixe – Natureza e Sociedade” é título da obra que a Rede Guarani-Serra Geral e a Editora da Unoesc lançam no dia 12 de março, próxima segunda-feira. A apresentação do livro, organizada por Joviles Vitório Trevisol, professor da Universidade Federal da Fronteira Sul, e por Luiz Fernando Scheibe, professor da Universidade Federal de Santa Catarina, pesquisadores da Rede Guarani-Serra Geral, acontece a partir de 19h30min, no Auditório da Saúde, na Unoesc, em Joaçaba.

De acordo com os organizadores, a obra nasceu em um curso de extensão realizado em 2009, a partir de uma das metas do Projeto Rede Guarani-Serra Geral, iniciativa que tem apoio da Fapesc, entre outras instituições, e congrega pesquisadores, educadores ambientais, universidades, fundações, agências governamentais nacionais e entidades internacionais. O objetivo foi formar agentes para o desenvolvimento sustentável na Bacia Hidrográfica do Rio do Peixe, capacitar professores da região para que sejam agentes multiplicadores de práticas de gestão sustentável dos recursos hídricos e integrar o comitê dessa bacia.

Os capítulos que compõem a publicação correspondem a 12 módulos do curso, complementados por uma análise sobre o projeto Rede Guarani-Serra Geral. “Os docentes-pesquisadores convidados para ministrar os módulos também foram desafiados a sintetizar os conteúdos em forma de artigo. Ao se tornarem públicos, os textos podem ser fontes de pesquisas, estudos e aprofundamentos nas escolas e universidades desta e de outras regiões do estado e do País”, comemoram os organizadores.

Lei das Águas
Com foco direcionado à Bacia do Rio Uruguai, a publicação trata também da Política Nacional de Recursos Hídricos (Lei nº 9.433/97). Conhecida como Lei das Águas, essa política coloca a temática das bacias hidrográficas no centro das discussões sobre recursos hídricos, gestão ambiental e desenvolvimento regional sustentável. “O livro é um esforço de disponibilizar à sociedade um bem extremamente valioso e cada vez mais importante nos processos de gerenciamento de uma bacia hidrográfica: o conhecimento científico”, ressaltam Trevisol e Scheibe.

Localizada na região Meio-Oeste de Santa Catarina, a Bacia Hidrográfica do Rio do Peixe abriga população estimada em mais de 300 mil pessoas. Entre 27 municípios que a integram, 14 possuem suas cidades instaladas nas imediações do rio, que concentra no seu entorno mais de 200 mil pessoas. A economia regional, baseada na produção agroindustrial, tem provocado forte pressão sobre os recursos hídricos, gerando escassez ou comprometendo a qualidade da água.

A poluição dos rios, nascentes e poços, a redução do volume de água nos córregos, a crescente perfuração de poços tubulares para extração de água subterrânea, o assoreamento dos rios e a falta de saneamento básico estão entre os problemas ambientais mais preocupantes da bacia.

“A gestão sustentável e democrática dos recursos hídricos continua sendo um desafio no país que possui cerca de 12% de toda a água doce do planeta. Trata-se de uma tarefa de grande magnitude. Governos e sociedade precisam assumir compromissos mais efetivos, com ações permanentes e integradas”, alertam os organizadores.

Mais informações:
– Joviles Vitório Trevisol / / (49) 20493130
– Luiz Fernando Scheibe  / / (48) 3721-8813

Por Arley Reis / Jornalista da Agecom

Saiba Mais:

Capítulos do livro “Bacia Hidrográfica do Rio do Peixe – Natureza e Sociedade”

1 – A geopolítica da água e a crise do conhecimento/ geógrafo Carlos Walter Porto-Gonçalves (UFF)
2 – O sistema Aquífero integrado Guarani/Serra Geral (SAIG/SG) em Santa Catarina e os recursos hídricos da Bacia do Rio do Peixe / Luiz Fernando Scheibe (UFSC) e Ricardo Hirata (USP)
3- A Política Nacional de Recursos Hídricos e a participação na gestão das águas: desafios para sua implementação em Santa Catarina / Cíntia Uller-Goméz (RGSG) e Vilmar Comassetto (EPAGRI)
4 – Gestão da água na Bacia do Rio do Peixe: integração e sobreposição dos instrumentos de gestão pública / de Daniel Poletto Tesser (UNOESC), Adriana Marques Rossetto (UNIVALI), Paulo Maurício Selig  (UFSC) e Paulo Roberto Ramos (SENAC)
5 – Aspectos históricos e socioculturais da Bacia do Rio do Peixe (1906-1916) / Delmir José Valentini (UFFS)
6 – Água em foco: uma discussão necessária / Jairo Marchezan (UnC)
7 – Biodiversidade de vertebrados do baixo Rio do Peixe/SC / de Anderson Guzzi (UFPI), Clóvis A. Segalin (EPAGRI), Osvaldo J. Onghero (UNOESC), Edson F. Spier  (UNOESC),Tiago Zago (UNOESC), Mario Arthur Favretto (UNOESC)
8 – A diversidade de flora e fauna nas matas ciliares da Bacia Hidrográfica do Rio do Pei / Márcia Bündchen(UNOESC), Maira Aparecida Dalavéquia(UNOESC) e Rodrigo Lingnau (UNOESC)
9 – Qualidade das águas superficiais e subterrâneas na Bacia Hidrográfica do Rio do Peixe /  Eduarda de Magalhães Dias Frinhani (UNOESC), José Carlos Azzolini (UNOESC) e Fabiano Nienov (UNOESC)
10 – Definição de critérios ambientais para a avaliação de impacto ambiental de pequenas centrais hidrelétricas na Bacia Hidrográfica do Rio do Peixe – SC / Solange da Veiga Coutinho, Mauricio Perazzoli e Júlio César Moschetta da Silva
11 – Bacia Hidrográfica do Rio do Peixe: o que dizem os estudantes do Ensino Médio? / Joviles Vitório Trevisol (UFFS)
12 – Metodologias de Educação Ambiental para a Bacia do Rio do Peixe  / Gedalva Terezinha Ribeiro Filipini,  Rita de Cassia Socrepa Baratieri e Joviles Vitório Trevisol  

 

Tags: Rio Uruguai

Universidade retoma avaliação da saúde de adultos em Florianópolis

08/03/2012 10:56

Em 2009 os participantes responderam a um questionário sobre condições de saúde e foram realizadas medidas como peso, altura, perímetro da cintura e pressão arterial. Foto: Projeto Epifloripa

Inicia em março a segunda fase do projeto Epifloripa – Condições de Saúde de Adultos e Idosos de Florianópolis. A expectativa da equipe, coordenada por professores dos departamentos de Saúde Pública e Nutrição da UFSC, é concluir a fase de entrevistas no mês de julho. A meta é levantar dados sobre saúde bucal, qualidade de vida, discriminação e alimentação, além de acompanhar a evolução de outras questões que podem interferir na saúde, como a gordura abdominal, o peso e a pressão arterial. O trabalho tem apoio financeiro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

O Projeto Epifloripa começou em 2009, quando 1.720 adultos, entre 20 e 59 anos, e 1.705 idosos, com 60 anos ou mais, de todas as regiões da cidade, foram visitados em suas casas. Nesta primeira etapa, os participantes responderam a um questionário sobre condições de saúde e foram realizadas medidas como peso, altura, perímetro da cintura e pressão arterial.

“Novamente, precisamos muito da colaboração das pessoas”, solicita o professor do Departamento de Saúde Pública da UFSC, Marco Aurélio Peres, principal coordenador da pesquisa.  Segundo ele, a proposta neste ano é entrevistar os mesmos 1.720 adultos de 2009. As pessoas serão visitadas em seus domicílios para avaliação odontológica, responderão a um questionário sobre condições de vida e saúde, trajetória econômica, qualidade de vida, saúde bucal, nutrição, dieta e experiências de discriminação, além passarem por medidas da cintura, peso e pressão arterial.

O levantamento de dados será realizado por cirurgiões dentistas formados pela UFSC, sendo alguns deles alunos de pós-graduação. “Esperamos continuar investigando estas mesmas pessoas ao longo de muitos anos. Este tipo de estudo possibilita conhecer fatores de risco à saúde e denunciar as diferenças nos padrões de saúde segundo grupos sociais, subsidiando políticas públicas direcionadas a melhorar as condições de vida e de saúde da população adulta de Florianópolis. Pretendemos divulgar os resultados para a população, dirigentes e profissionais da saúde”, explica o professor.

Pressão elevada e sobrepeso
De acordo com Peres, alguns aspectos obtidos na primeira etapa da pesquisa preocupam. Os dados mostram que quase 1/3 da população vive com algum tipo de dor crônica; 40% estão com níveis de pressão elevados e quase a metade dos participantes estão acima do peso, sendo 15% destes obesos. Além disso, a pesquisa revelou que o consumo de medicamentos é excessivo (quase 80% da amostra revelou consumo regular), cerca de 20% dos entrevistados relataram episódios de depressão e a maior parte dos adultos não pratica atividade física regularmente.

A pesquisa em 2009 mostrou também que a população utiliza serviços de saúde, boa parte por meio de convênios (aproximadamente 50%) e a cobertura da Estratégia de Saúde da Família é menor do que se imaginava (perto de 30%). “Este é um quadro geral, que varia segundo os grupos sociais; os mais pobres e menos escolarizados apresentam, em geral, as piores condições de vida e saúde”, destaca o professor.

O pesquisador ressalta também que esse tipo de estudo é inédito em Florianópolis e pode contribuir para a melhoria das condições de saúde da população. “As visitas serão agendadas pelo telefone e a equipe que visitará os domicílios é extremamente preparada”, complementa.

Termo de consentimento
A participação acontece após a leitura e assinatura de um documento chamado Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, utilizado em todas as investigações que envolvem seres humanos. No documento são fornecidas informações detalhadas sobre o estudo, direitos dos participantes e tudo o que será realizado durante a pesquisa.

O EpiFloripa respeita critérios éticos indispensáveis a uma pesquisa realizada com seres humanos, como a confidencialidade de informações, o anonimato e a participação voluntária. Os nomes dos participantes e as informações sobre seu estado de saúde não são divulgados. O sigilo é garantido pelo uso de códigos numéricos em todos os registros e pelo arquivamento seguro e com acesso restrito das informações.

Mais informações sobre a pesquisa no site www.epifloripa.ufsc.br

Para a imprensa, com o professor Marco Aurélio Peres / Fone 3721-9046 / e-mail:

Por Arley Reis / Jornalista da Agecom

 

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