Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência: projeto com jovens é aposta no futuro; mulheres são maioria na pós da UFSC

11/02/2026 09:28

Incentivo a jovens cientistas começa desde cedo na UFSC (Foto: acervo pessoal)

As mulheres são maioria entre matriculadas, ingressantes e concluintes nos programas de pós-graduação da Universidade Federal de Santa Catarina. Os dados de 2025, divulgados no Dia Internacional de Mulheres e Meninas na Ciência, mostram que mil mulheres concluíram o mestrado ou doutorado ao longo do ano, em comparação a 814 homens. O desafio, além de incluí-las, passa a ser incentivá-las a ingressarem em carreiras que já foram consideradas tipicamente masculinas. Em janeiro, a UFSC Joinville abriu as portas para que uma estudante de Ensino Médio aprendesse a ser uma “futura cientista”.

O volume maior de concluintes mulheres da pós-graduação na UFSC, atualmente, está concentrado no Centro de Ciências da Saúde, com 164 concluintes, mas o Centro Tecnológico também se destaca, com 160. Nesta área, entretanto, o número de homens concluintes ainda é muito maior: foram 227.

O dado ilustra um desafio: incluir meninas e mulheres na área das engenharias e tecnologias ainda é um processo difícil. No mês de janeiro, a professora da UFSC em Joinville, Amanara Potykytã de Sousa Dias Vieira viveu, com outras colegas, a experiência de orientar uma jovem estudante de Ensino Médio da rede pública de Joinville no projeto Futuras Cientistas, programa que estimula o contato de alunas e professoras da rede pública de ensino com as áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática.

Elas formaram uma equipe para construir uma estação meteorológica com recursos de Internet das Coisas. “No nosso caso, a atividade que a gente propôs foi justamente montar uma estação meteorológica durante esse mês. Então, isso envolveu tanto aulas de hidrologia para entender o que a gente estava medindo, qual a importância daquilo, aulas de eletrônica, de programação e a montagem, com o teste da estação”, explica Amanara. A equipe foi formada por ela, Gabriella Arévalo Marques, Camille Andreski Pan, Franciele Maria Vanelli e Simone Malluta.

O desafio já começou no processo de engajamento do público-alvo, já que havia mais vagas, mas somente uma estudante participou do início ao fim do projeto. Apesar da equipe reduzida, o desempenho foi promissor e positivo para todas. “As estatísticas do Futuras Cientistas mostram que cerca de 70% das alunas que participam desse programa são aprovadas no vestibular e mais aproximadamente 80% delas nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática”, conta.

Amanara vive os desafios de ser uma mulher na ciência desde quando decidiu seguir carreira na Engenharia. Segundo ela, no entanto, na área em que atua, a Engenharia Civil de Infraestrutura, é mais comum que mulheres compartilhem do espaço. “Não existe motivo para termos profissões ditas masculinas e profissões ditas femininas, sendo que o mais importante é a capacidade intelectual e a gente sabe que não existe diferença nenhuma nesse ponto”.

No campus Joinville, na pós-graduação, apenas sete mulheres concluíram a pós-graduação em 2025 em comparação aos 15 homens que encerraram o mestrado e o doutorado no mesmo período. “Eu diria para as meninas das novas gerações realmente não se amedrontarem, nem ficarem paralisadas pelo medo. Nós temos toda a capacidade de chegar onde os outros estão chegando”, comenta.

Início de um sonho

Equipe formada exclusivamente por mulheres contribuiu com a formação de Marina, estudante de Ensino Médio

A jovem estudante de Ensino Médio Marina Deschamps de Borba viveu seus primeiros momentos de cientista no projeto liderado pela professora Amanara. Marina conheceu o mundo da pesquisa e, agora, pretende investir nisso. Hoje, seu desejo é cursar graduação em Física.

“Uma coisa que me ajudou muito foi realmente estar entendendo o que estava acontecendo. A experiência de estar na universidade é algo mágico, é incrível. É uma realidade completamente diferente”, conta. As experiências vividas dentro de um laboratório também fizeram diferença no processo. “Me abriu os olhos principalmente para a pesquisa, que é algo que eu não dava muita importância um tempo atrás”, comenta, destacando que a vivência foi um diferencial dentre as experiências que teve.

A UFSC tem, atualmente  393 estudantes mulheres na iniciação científica, com 387 orientadoras. Há, ainda, 38 jovens na iniciação científica no Ensino Médio como bolsistas do programa PIBIC.

Marina e Amanara: experiência marcante

Dados da Pró-Reitoria de Pesquisa da UFSC também destacam uma mudança no perfil de liderança de projetos de pesquisa ao longo do tempo entre mulheres cientistas. De 35 projetos financiados e liderados por mulheres, em 2022, o número saltou para 66 neste início de 2026. Destes, sete envolvem mais de R$ 1 milhão em investimentos.

Amanara reconhece que, em alguns momentos, a carreira tende a ser hostil com as mulheres, especialmente em territórios dominados por homens, mas confia que projetos como o Futuras Cientistas e um novo padrão de realidade nas instituições tende a contribuir com um cenário mais otimista.

Na UFSC, o Prêmio Propesq – Mulheres na Ciência é um dos marcos do reconhecimento de trajetórias científicas e de liderança entre as cientistas. O Prêmio deste ano, cujo processo começou em 2025, será conduzido em parceria com a Pró-reitoria de Ações Afirmativas e Equidade e outorgado a mulheres pesquisadoras pertencentes ao quadro permanente da UFSC cujo trabalho de pesquisa tenha contribuído de forma significativa para o avanço cientifico.

 

 

Tags: Dia Internacional de Mulheres e Meninas na CiênciaFuturas CientistasPró-Reitoria de PesquisaPró-Reitoria de Pós-GraduaçãoUFSC Joinville