Especial 65 anos: RU, que surgiu de iniciativa dos estudantes, nasceu quase junto com a UFSC

19/12/2025 12:57

A hora do almoço se aproxima e a fila ganha forma, os aromas se espalham pelo ambiente. Dentro do salão, os profissionais começam a servir os alimentos preparados desde cedo. É mais um dia movimentado no Restaurante Universitário (RU) do campus Trindade da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

O RU da UFSC surgiu da iniciativa dos estudantes, que no início dos anos 1960 administravam a Cantina Universitária, localizada na Rua Álvaro de Carvalho, no Centro de Florianópolis. Em 1965, a cantina passou para gestão da Universidade, que transferiu o refeitório para as instalações da Escola Industrial, na Avenida Mauro Ramos, atualmente uma unidade do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC).

Veja a galeria de fotos históricas ao final desta matéria.

A primeira refeição sob gestão da Universidade foi o jantar servido em 17 de setembro de 1965, sendo esta considerada a data oficial de inauguração. Assim, enquanto a UFSC faz 65 anos em 2025, o RU completa suas seis décadas de instalação oficial.

Embora já constasse do projeto inicial da Cidade Universitária no então distante bairro da Trindade, que começou a ser implantado em 1960, a construção de um prédio para abrigar o Restaurante Universitário da UFSC iniciou apenas em 1969 – no mesmo local onde hoje funciona o RU – e a inauguração ocorreu em 1970.

 

Construção do RU. Foto: Acervo/Agecom/UFSC

“Hoje eu vou comer no RU”

Pedro Zacheu em 2015, quando criou o clipe “Hoje eu vou comer no RU”. Foto: Henrique Almeida/Agecom/UFSC

Em 60 anos sob a administração da UFSC, o RU tornou-se um dos mais importantes equipamentos de apoio à permanência estudantil, essencial para o funcionamento de toda a Universidade. Ele tem também outros significados para os estudantes, que aproveitam o momento da refeição para se encontrar e colocar a conversa em dia. Alguns fazem fotos e vídeos da experiência, que são compartilhados junto com interjeições de espanto com o preço baixo e a quantidade da comida. O RU está presente na vida dos estudantes e permanece como memória afetiva para muitos egressos.

Uma das histórias mais curiosas e divertidas envolvendo o RU foi a gravação, em 2015, de um videoclipe que não apenas foi inspirado no RU como também teve participação de trabalhadores do restaurante. Em meados de junho daquele ano, o estudante do curso de Design Pedro Zacheu, com apoio e incentivo do colega de UFSC Vinicius Ramos, gravou um vídeo com a música Hoje eu vou comer no RU. A letra é uma paródia da música Rude, da banda Magic, e foi criada por Pedro enquanto estava retido em um engarrafamento.

O clipe foi gravado dentro do refeitório do RU, após o horário de almoço, e contou com a participação de alguns funcionários, que depois de alguma hesitação entraram na brincadeira e formaram uma “banda” com vassouras, lixeiras e talheres.

O vídeo foi postado no YouTube em 17 de junho e em menos de quatro dias alcançou 90 mil visualizações, tornando-se viral numa época em que o termo ainda não era amplamente conhecido.

Custa R$ 1,50 desde 1997

Alguns números ajudam a compreender a grandeza e a importância do RU na vida da comunidade universitária. O preço de uma refeição no RU para os estudantes é R$ 1,50, mesmo valor desde abril de 1997. Isso é menos do que se paga por um docinho nas barraquinhas armadas nas cercanias do RU da Trindade, por exemplo. Se fosse reajustado apenas pela inflação do período (INPC), o preço hoje seria de R$ 8,11. 

O custo médio da refeição no RU da Trindade, o mais baixo entre todos os restaurantes da UFSC, é de R$ 10,64. A Universidade subsidia mais de R$ 9 a cada refeição servida para os estudantes no RU da Trindade. Além disso, atualmente mais de 3.700 estudantes são isentos do pagamento. 

Um dos preços mais baixo da história

Após quase 30 anos sem aumento, o preço do RU para os estudantes está em um dos patamares mais baixos da história, superado apenas por um breve período durante o ano de 1987, durante o congelamento de preços do Plano Cruzado. E praticamente igual ao valor praticado em outubro de 1990, após sete meses de congelamento do Plano Collor I.

Em alguns momentos, os preços no RU não eram estabelecidos pela Universidade, mas com base em regulamentações governamentais. Em 1983, o Jornal Universitário noticiou que os preços do RU haviam sido reajustados “de acordo com o INPC, seguindo a resolução 03/82 do MEC”.

À época, o RU convivia com grandes déficits. Em setembro de 1987, em meio a negociações para aumento dos preços, a Reitoria argumentava que os valores não eram reajustados desde setembro de 1985, em razão do congelamento adotado no Plano Cruzado e posteriormente no Plano Bresser (junho de 1987). O déficit apontado na época era na casa dos 11 milhões de Cruzados – algo em torno dos R$ 3,16 milhões em valores atuais – e a Reitoria apontava o perigo de ter que fechar o RU.

Isenção consolidada a partir de 2008

Na década de 1980, a Universidade também subsidiava o valor da alimentação no RU, mas os déficits existiam mesmo com todos os usuários pagando pelas refeições. Até alunos de menor renda pagavam, e para os demais o preço dobrava. Alunos de pós-graduação também pagavam: neste caso, o preço era o triplo do cobrado aos estudantes mais vulneráveis. Professores e visitantes arcavam com valores mais elevados.

A isenção de pagamento das refeições no RU para estudantes em vulnerabilidade econômica só começou a se consolidar a partir de 2008, quando o governo federal criou o Plano Nacional de Assistência Estudantil (PNAES) com o objetivo de apoiar a permanência destes estudantes nas universidades. Naquele ano, a Reitoria anunciou que a primeira parcela do PNAES (R$ 2 milhões) seria aplicada no Restaurante Universitário e no aumento do número de beneficiados com a Bolsa-Alimentação.

Criada no ano anterior, a Bolsa-Alimentação beneficiava com isenção no pagamento das refeições no RU os estudantes com cadastro socioeconômico previamente aprovado. Em 2007, quase 800 alunos receberam o auxílio.

Mais de 2 milhões de refeições em 2024

É necessário um grande investimento da Universidade para manter em funcionamento os seus restaurantes. Em 2024, o valor investido pela UFSC para manutenção dos restaurantes foi de R$ 24,77 milhões, enquanto a arrecadação com a venda de créditos foi de R$ 2,65 milhões.

Alguns dados ajudam a compreender a dimensão da rede de restaurantes universitários da UFSC, que inclui as unidades da Trindade e do Centro de Ciências Agrárias (CCA), em Florianópolis, e os restaurantes dos campi de Araranguá, Blumenau, Curitibanos e Joinville. O número de refeições fornecidas pelos restaurantes universitários da UFSC nos últimos três anos passou de 6,35 milhões – só no RU da Trindade foram mais de 4,46 milhões. Apenas em 2024 foram mais de 2,12 milhões de refeições servidas, das quais mais de 468 mil (22%) para estudantes isentos.

Audiência pública realizada no RU da Trindade contou com a presença maciça de estudantes, em outubro de 2024. Foto: Ariclenes Patté/Agecom/UFSC

Além do subsídio à alimentação, o prédio do RU da Trindade conta desde outubro de 2024 com um plano de manutenção contínua, que inclui um cronograma de paralisações programadas no funcionamento do restaurante para a realização de serviços de manutenção. O plano foi apresentado pela gestão da UFSC em uma audiência pública realizada no dia 16 de outubro de 2024 nas dependências do RU.

Serviço no RU em primeira ação do plano de manutenção contínua, em 2024. Foto: Divulgação/Secom/UFSC

O planejamento inclui ações de curto, médio e longo prazo e objetiva garantir a operação do restaurante, a segurança dos trabalhadores, condições adequadas para o preparo das refeições e a mitigação de situações que possam causar interrupções não planejadas do serviço.

Passado de grandes dificuldades

O funcionamento do Restaurante Universitário com preços subsidiados e atendendo a toda a comunidade universitária esteve ameaçado durante alguns períodos.

Na chamada “década perdida” (1980 a 1990), em que o Brasil enfrentava o fenômeno da inflação descontrolada, o funcionamento do RU foi prejudicado. Uma nota publicada no Jornal Universitário em 1989 fazia alusão ao impacto do Plano Verão, a terceira tentativa do governo Sarney de debelar a inflação: “RU sem carne. O Restaurante Universitário, por ‘obra’ do Plano Verão, não está mais servindo carne bovina. Segundo a direção do RU, a alternativa é consumir frango e peixe, esperando o descongelamento de preços”.

A década de 1990 foi um dos períodos mais difíceis enfrentados pelo RU. Em 1993, logo no início do governo de Itamar Franco, surgiram as primeiras notícias sobre a retirada dos subsídios ao Restaurante Universitário. Logo na sequência, o Jornal Universitário trouxe a manchete: “UFSC entra no quarto mês sem orçamento”. A reportagem relatava a situação crítica da Universidade, que enfrentava até a falta de medicamentos básicos como analgésicos e antibióticos no Hospital Universitário. No RU, os estoques de alimentos estavam baixos. A carne só era suficiente para mais uma semana e outros produtos alimentícios tinham estoque para mais quinze dias.

O corte dos subsídios fez com que os preços do RU entre 1994 e 1997, em termos reais, fossem dos mais elevados da história. Em julho de 1995, já sob o governo de Fernando Henrique Cardoso, o  então reitor, Diomário Queiroz, afirmou que apesar de o governo federal ter cortado recursos para os restaurantes universitários, na UFSC ele continuava funcionando com preços subsidiados. “Em outras universidades os RUs foram fechados”, afirmou Diomário.

Aumento de preços aprovado

Com os aumentos dos preços, muitos estudantes foram deixando de almoçar no RU. A média diária de refeições em dias letivos, que já fora de 5.500 em 1991, caiu para 2.500 em 1997. Em 1998, o número de refeições servidas em todo ano ficou em torno de 290 mil, menos de 1.500 refeições servidas por dia letivo.

Em março de 1997, em meio a um embate com os estudantes para aumentar de R$ 1,10 para R$ 1,50 o preço da refeição, a Reitoria argumentava que o RU corria o risco de ser fechado. O governo continuava sem transferir recursos para subsidiar as refeições, e o déficit do restaurante era calculado em R$ 144 mil – cerca de R$ 784 mil atualmente.

O então reitor, Rodolfo Pinto da Luz, declarou que a falta de recursos era uma dor de cabeça para dezenas de universidades. “Pelo menos sete RUs já fecharam definitivamente suas portas , enquanto outras instituições como a UFBA, por exemplo, só fornece refeições aos alunos que estão no alojamento estudantil”, disse o reitor. Apesar da mobilização dos estudantes, o aumento dos preços foi aprovado pelo Conselho Curador.

Solidariedade com atingidos pela enchente

A história também registra momentos em que o RU prestou solidariedade e apoio à comunidade acadêmica e à sociedade catarinense no enfrentamento de situações de calamidade.

Em julho de 1983, professores, servidores e mais de 2 mil estudantes da UFSC auxiliaram em ações pelos atingidos pela enchente, que foi uma das mais devastadoras enfrentadas pelo estado. Como reportado no Jornal Universitário nº 045, de setembro de 1983, a UFSC se tornou um “parque fabril”. Todos os setores e centros foram utilizados para coleta de doações de alimentos e roupas, coleta de dados fluviais e pluviométricos (usados para elaboração de projeto de reconstrução), para fabricação de antissépticos e balsas, como abrigo e para produção de refeições. 

O Restaurante Universitário estava consolidando o projeto Usina de Carnes, que garantia a melhor qualidade aos alimentos a um menor custo de produção. Durante o período, o RU funcionou por cerca de 15 horas diárias, começando às 7h da manhã, com apoio da comunidade acadêmica de diferentes cursos, preparando comida para os desabrigados. Sob orientação do curso de Tecnologia de Alimentos, do Centro de Ciências Agrárias (CCA), optou-se por produzir uma farofa com linguiça, que poderia ser convertida em pirão ou consumida diretamente. Ao todo, a produção alcançou 5.100 porções de 300 gramas cada.

Vaca mecânica ajudou na emergência

Um equipamento destinado à produção de extratos vegetais ou animais, denominado “vaca mecânica”, foi instalado em caráter emergencial na UFSC, com a função de atender exclusivamente à emergência. A “vaca mecânica”  processou 6.500 quilos de soja, recebidos de empresas de SC e do RS, e fabricou centenas de litros de “leite” com 3% de proteína, que foram envasados em saquinhos de 200 mililitros e distribuídos.

Além disso, o RU também foi utilizado para a esterilização de milhares de garrafões para o envase com água potável e serviu de base para a coleta e triagem de donativos.  Os “Cestões de Alimentos” organizados no RU continham 5 kg de arroz; 3 latas de óleo; 5 kg de açúcar; 3 kg de feijão; 3 pacotes de macarrão; 2 latas de leite em pó e eram acompanhados de produtos como  salsicha, sardinha, sopa, pão, bolacha, café e outros. 

Estudantes da Moradia dividem alimentos em kits para serem distribuídos aos residentes, em março de 2020. Foto: Divulgação/SSI/UFSC

Apoio às pessoas vulneráveis na pandemia

Durante a pandemia de Covid-19, o RU novamente se fez presente no apoio às pessoas vulneráveis. Com o registro dos primeiros casos em Santa Catarina, no começo de 2020, a UFSC adotou medidas para garantir o necessário distanciamento social e preservar a saúde de toda a comunidade universitária.

A Administração Central da UFSC realizou uma reunião emergencial em um domingo, 15 de março, e decidiu pela suspensão de todas as atividades acadêmicas e administrativas a partir do dia seguinte.

O RU, local de inevitável aglomeração de pessoas, suspendeu o atendimento em 17 de março – uma interrupção que só terminaria dois anos depois. Neste mesmo dia, a Pró-reitoria de Assuntos Estudantis (Prae) publicou edital do Programa Emergencial de Apoio ao Estudante, que era dirigido aos estudantes isentos do pagamento das refeições no RU. 

O objetivo do programa era auxiliar no custeio de alimentação ou para retorno às cidades de origem dos alunos em situação de vulnerabilidade econômica, com repasse de R$ 200 para cada estudante. Logo as viagens intermunicipais e interestaduais foram suspensas, e os recursos passaram a ser usados para alimentação.

Com o prolongamento da pandemia, o auxílio emergencial foi estendido. Em dezembro de 2021, o valor aumentou para R$ 300, que foi pago até março de 2022. Acabou tornando-se um importante mecanismo de mitigação da insegurança alimentar dos estudantes isentos do RU e colaborou para a longa travessia do período pandêmico.

Distribuição do estoque de perecíveis

Sem poder preparar refeições, o restaurante passou a distribuir os alimentos que estavam em seu estoque. Primeiramente, produtos perecíveis como frutas, verduras, leite e carne foram levados para a Moradia Estudantil. Doações de alimentos também foram entregues ao Hospital Universitário (HU) e à moradia provisória dos estudantes indígenas. No dia 26 de março, com auxílio da Secretaria de Segurança Institucional (SSI), a Prae distribuiu 868 quilos de alimentos dos estoques do RU para os cerca de 170 estudantes da Moradia Estudantil.

Chegada de refeições prontas no RU da Trindade, em março de 2022. Foto: Agecom/UFSC

No retorno às atividades após o arrefecimento da pandemia, a partir de 14 de março de 2022, o RU tomou medidas para a preservação da saúde dos usuários. O restaurante reabriu servindo refeições prontas e estabeleceu que somente pessoas vacinadas teriam acesso ao refeitório. Para assegurar o distanciamento, o restaurante demarcou cerca de 400 vagas para ocupação simultânea. Nos banheiros localizados próximo ao RU foram disponibilizados dispensadores de álcool em gel. Por um breve período, o horário de atendimento no almoço foi ampliado, iniciando às 10h30 e se estendendo até as 14h30.

Alimentação saudável e sustentabilidade

Oferecer comida saudável e nutritiva, ter cuidado e higiene no preparo dos alimentos e atenção à sustentabilidade sempre foram preocupações da equipe de trabalhadores do RU.

Há mais de 20 anos, a comunidade de usuários do RU começou a reivindicar a oferta de opções vegetarianas no cardápio. Em abril de 2005, a Prae emitiu o seguinte comunicado: “Atenção vegetarianos! Atendendo a pedidos, no dia 27/4 (quarta-feira) o RU estará oferecendo, além do risoto, arroz simples. No salão A (bandeja-pronta), o arroz simples estará disponível no balcão do ‘repeteco’. No salão C (bufê), ficará ao final dos balcões de distribuição, onde normalmente fica a carne. Esta iniciativa é uma semente para a opção vegetariana requisitada por tantos alunos da UFSC, uma iniciativa das estagiárias do curso de Nutrição, Sabrina e Heide”.

Em junho de 2008, durante o II Fórum de Direitos Estudantis, o Restaurante Universitário estava no centro das discussões. No primeiro dia do Fórum, realizado no auditório do Centro de Convivência, os estudantes debateram de que forma o RU poderia atender aos usuários que não comem carne e também questionaram a origem dos alimentos servidos no restaurante.

Canecas evitaram a distribuição de 5 mil copos plásticos diariamente. Foto: José Antônio/Agecom/UFSC

Copos de plástico são substituídos por canecas

Em 2009, os copos descartáveis até então utilizados para beber água ou sucos foram abandonados e substituídos por canecas. O último dia de utilização dos copos descartáveis foi 30 de outubro. Desde o começo daquele mês, os estudantes e servidores já estavam recebendo canecas plásticas para utilização no refeitório. Além de um cuidado com o meio ambiente, a medida também trouxe economia. De acordo com a direção do RU à época, eram utilizados em média 5 mil copos descartáveis por dia, gerando uma despesa mensal de R$ 1,5 mil.

Painel solar no RU. Foto: Divulgação/Agecom/UFSC

A partir de 2011, o Restaurante Universitário passou a incluir produtos orgânicos no preparo dos alimentos. Em abril, a então diretora do RU, Deise Rita de Oliveira, informou que o RU estava adquirindo produtos orgânicos para compor o cardápio. A aquisição era resultado de uma visita técnica à Associação dos Agricultores Ecológicos das Encostas da Serra Geral (Agreco), em Santa Rosa de Lima, que no ano anterior havia vencido uma licitação para compra de alimentos orgânicos. Vegetais como batata, chuchu, aipim, banana, beterraba, cenoura, tempero verde, alface e a carne de frango utilizadas no preparo das refeições tinham o selo de orgânicos. Apesar da variedade, menos de 10% das refeições oferecidas eram orgânicas. 

No final de 2020, o RU participou de outra iniciativa de sustentabilidade: a geração de energia elétrica renovável por meio de placas fotovoltaicas. Em outubro e novembro foram instalados painéis solares na cobertura do Restaurante Universitário, que foram conectados à rede elétrica em janeiro de 2021. A instalação dos painéis no RU foram parte de um contrato firmado em 2019 que previa a instalação de 37 módulos fotovoltaicos em diversas edificações da UFSC.

Ponto central da pauta de reivindicações dos estudantes

Criado por iniciativa do movimento estudantil, o Restaurante Universitário da UFSC sempre esteve presente nas pautas de reivindicação dos estudantes. Em alguns momentos, essa defesa provocou tensões na relação com a Reitoria. 

Em 2007, os estudantes promoveram manifestação por melhorias no Restaurante Universitário. Em 17 de maio, dezenas de estudantes partiram do RU com bandejas nas mãos e se dirigiram ao prédio da Reitoria, reivindicando audiência com o reitor. Eles queriam um posicionamento da gestão sobre a quantidade e a qualidade das refeições fornecidas pela empresa terceirizada que havia sido contratada em caráter de emergência e também reivindicavam a reforma da cozinha e a construção de uma terceira ala do RU, além de outras medidas de apoio à permanência estudantil. 

Estudantes debatem condições do RU no hall da Reitoria, em maio de 2007. Foto: Divulgação/UFSC

Menos de três meses depois, um grupo de estudantes ocupou por mais de uma semana o prédio da Reitoria da UFSC, onde também funcionava a maioria das pró-reitorias.  Na ocasião, a Administração se comprometeu a trazer especialistas do MEC para discutir a contratação de professores efetivos, melhorar a infraestrutura do Restaurante Universitário e licitar as obras do novo módulo da Moradia Estudantil, entre outras reivindicações. No entanto, os estudantes decidiram manter a ocupação, levando a Reitoria a solicitar à Justiça Federal a reintegração de posse do prédio em 29 de agosto de 2007. À época, o RU servia refeições para cerca de quatro mil pessoas diariamente, segundo cálculo da Empresa Júnior de Produção (EJEP).

A partir de 2009, intensificaram-se as reivindicações dos estudantes por melhorias e ampliação do atendimento do RU. Em 2 de abril, uma audiência pública realizada no auditório da Reitoria reuniu cerca de 90 pessoas para discutir soluções para os problemas do Restaurante. O evento foi uma das atividades da Semana do RU, promovida pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE).

Novo restaurante duplica a capacidade de atendimento

Em 22 de setembro de 2010, começaram os trabalhos para construção do novo prédio do Restaurante Universitário da Trindade. Cerca de R$ 9 milhões foram disponibilizados para as obras, recursos provenientes do Programa de Apoio aos Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni) do governo federal. O número de refeições servidas pelo RU vinha aumentando mês a mês, causando filas com tempo de espera em torno de 20 minutos. 

Construção nova Ala B do RU – Foto: Paulo Noronha/Agecom

As obras previam reforma dos refeitórios e construção de nova cozinha, ampliando a capacidade do RU para 1.500 lugares, sendo cerca de 500 em uma área de mezanino, com climatização total do ambiente. Com isso, o fornecimento de refeições poderia aumentar de cerca de 7 mil para 10 mil refeições por dia, em média. A data inicial para conclusão das obras era o mês de março de 2011, mas foi reprogramada para setembro devido a atrasos por conta de chuvas e problemas com mão-de-obra.

O pró-reitor da PRAE, Cláudio Amante, o presidente do DCE, Arland Costa, a chefe de cozinha, Elza Souza, a diretora do RU, Deise de Oliveira Rita e o reitor Álvaro Prata comemoram a inauguração do novo RU (4/11/2011)

Novo prédio foi inaugurado em 2011

Finalmente, em 3 de novembro de 2011 o novo prédio do Restaurante Universitário da Trindade foi inaugurado pelo então reitor Álvaro Prata, com presença de cerca de 350 pessoas, entre servidores, estudantes e gestores da UFSC. Com área de 3.300 metros quadrados e 1.500 lugares, o novo RU mais do que dobrou as instalações à época. O novo prédio recebeu o nome de Restaurante Universitário Edite Erotides do Nascimento, em homenagem à primeira cozinheira do restaurante. O cardápio da primeira refeição no novo espaço foi composto de risoto de frango, feijão, salada de tomate e alface, batata palha, queijo ralado e sobremesa de morangos.

Naquele momento, apenas o refeitório foi aberto. A cozinha, embora estivesse quase toda equipada, não foi ativada devido a problemas na compra de caldeirões. Na instalação da nova cozinha, o RU também levou em conta a produção de comida saudável: para diminuir a fritura e aumentar a oferta de alimentos assados, foram comprados quatro fornos combinados, com capacidade de preparar cinco mil refeições ao mesmo tempo.

Ala provisória, conhecida como tenda, foi instalada para aumentar o número de mesas enquanto o novo prédio do RU estava em construção, em 2011. Foto: Wagner Behr/Agecom/UFSC

Estrutura provisória ajudou no atendimento

No início de dezembro, começou a desmontagem de uma estrutura provisória instalada um ano e meio antes para aumentar o número de mesas disponíveis durante a construção do novo prédio. A montagem da tenda foi a solução encontrada para aumentar o número de lugares nos refeitórios, pois houve a necessidade de demolição da Ala B, com cerca de 500 lugares, para construção da nova edificação. Com isso, a capacidade dos refeitórios do RU havia diminuído para apenas 370 lugares, contribuindo para a formação de longas filas.

A nova cozinha foi ativada posteriormente e apresentou problemas de funcionamento em alguns meses. Os panelões foram adquiridos em 5 de novembro de 2011, mas em maio de 2013 alguns equipamentos começaram a apresentar problemas.

Vistoria da empresa Inecom nas caldeiras do RU, em 2013. Foto: Wagner Behr/Agecom/UFSC

A Administração Central da Universidade acionou a empresa fabricante dos equipamentos, que ainda estavam em garantia. No dia 3 de junho, a empresa reconheceu a garantia e afirmou que as tampas dos panelões seriam substituídas num prazo de 30 dias. As tampas foram finalmente substituídas no dia 2 de julho de 2013.

Na mesma época, a Universidade precisou providenciar a manutenção e conserto de três dos quatro fornos utilizados na cozinha. Os equipamentos passaram por revisão na parte elétrica e troca de peças para voltarem a funcionar.

Recorde entre 47 universidades

Ao final daquele ano, funcionando plenamente, o RU da UFSC foi apontado em uma pesquisa como o restaurante universitário que mais servia refeições diárias entre os estabelecimentos de 47 universidades federais. Na época, o RU da UFSC se destacava por oferecer, em média, 8 mil refeições por dia, com cardápio variado que incluía arroz integral e lentilha como segunda opção de leguminosa, além do feijão. O número de alunos isentos chegava a 1.902.

Movimentos sociais e cortes de orçamento

Ao longo de 60 anos, o Restaurante Universitário foi muitas vezes impactado pelos movimentos sociais e políticos e por ações governamentais que retiraram recursos das Universidades. Em julho de 2008, o RU fechou em decorrência da greve do transporte coletivo em Florianópolis, pois muitos trabalhadores não conseguiram chegar ao campus. Em 2011 e 2012, o restaurante suspendeu ou paralisou atividades durante as greves de servidores. Na greve de 2011, os servidores técnico-administrativos em educação (TAEs) realizaram dentro do RU a assembleia geral em 19 de julho.

Reunião teve por objetivo discutir soluções para o Restaurante Universitário, em 2012. Foto: Divulgação/Agecom/UFSC

Em 2012, em nova greve de TAEs e docentes, o RU paralisou o atendimento por mais de 70 dias. A Reitoria garantiu auxílio alimentação no valor de R$ 15,00 por dia, pago diretamente na conta bancária, para estudantes que tinham direito à isenção. No entanto, um grupo de estudantes que não tinham o benefício realizou um ato de protesto no dia 19 de junho pedindo a reabertura do RU. Mas o restaurante permaneceu fechado até 31 de agosto.

O fechamento do Restaurante – e também da Biblioteca Universitária – levou os estudantes a reivindicarem a suspensão do semestre, o que não foi aprovado. A continuidade da greve durante o período de férias escolares, no entanto, acabou impactando o Calendário Acadêmico naquele ano: o início do segundo semestre letivo da Graduação e da Pós-Graduação, previsto originalmente para o dia 6 de agosto, foi reprogramado pelo Conselho Universitário para o dia 3 de setembro.

Em 2015, outra longa paralisação do RU em decorrência de greve de servidores, de 4 de junho a 31 de agosto. Neste ínterim, em 1º de julho de 2015, a Reitoria emitiu uma nota em resposta ao pedido dos estudantes para que todos pudessem almoçar no RU do Centro de Ciências Agrárias (CCA). “Informamos que o local já alcançou o limite de sua capacidade de atendimento, e tem oferecido, desde o início da greve, cerca de mil refeições a mais diariamente. A UFSC não dispõe de recursos para aumentar a estrutura do restaurante, ampliar seu espaço e oferecer transporte até o CCA, como reivindicado pelos manifestantes”. Novamente a Prae pagou auxílio-alimentação.

Mais recentemente, o diálogo entre estudantes e servidores sobre a essencialidade do RU para atendimento dos estudantes mais vulneráveis levou a um entendimento de que o restaurante deveria ser poupado durante as paralisações. Na longa greve de 2024, que durou 117 dias, apenas no dia 21 de março o RU da Trindade não serviu almoço e jantar, devido à ocupação pelo comando de greve dos TAEs.

No dia 15 de maio de 2019, milhares de estudantes da UFSC promoveram passeata e protestos contra os cortes de verbas das universidades. Foto: Henrique Almeida/Agecom/UFSC

Greves e impactos no RU

Movimentos sociais e protestos contra cortes de verbas orçamentárias das universidades também tiveram efeitos sobre o funcionamento do RU, a exemplo da greve dos caminhoneiros e do transporte público de Florianópolis, em 2018, que prejudicou o abastecimento de gás e a entrega de víveres. Em maio de 2019, estudantes se mobilizaram em todo país contra os anunciados cortes de verbas para as universidades, que ameaçavam as ações de apoio à permanência estudantil, entre elas as isenções e subsídios às refeições no RU.

A partir de setembro de 2019, os impactos da redução de verbas tornaram-se concretos. No início daquele mês, a Reitoria anunciou medidas de contenção de gastos que atingiram o RU da Trindade. O cardápio e a equipe de trabalhadores terceirizados foram reduzidos, e o acesso de participantes de eventos, permitido até então, foi restrito. Com a redução de 14 postos de trabalho terceirizado, houve sobrecarga de trabalho para a equipe do RU. A redução de variedades do cardápio afetou os cerca de 11 mil usuários.

Naquele momento, a Reitoria alertou que se não houvesse a liberação de parte dos recursos bloqueados, medidas ainda mais drásticas poderiam ser tomadas, entre elas o atendimento no Restaurante Universitário apenas de estudantes beneficiados pela isenção de pagamento das refeições. Em outubro, os protestos estudantis levaram ao fechamento de acessos ao campus, comprometendo a entrega de gêneros alimentícios perecíveis ao RU.

Em 2022, o corte de R$ 12,5 milhões no orçamento de custeio da universidade (recursos usados para pagamento de contas de água e luz, bolsas, contratos terceirizados, entre outros), ameaçou as ações de apoio à permanência estudantil. O corte representou quase 10% do orçamento de custeio da UFSC no ano (de R$ 132 milhões) e foi realizado em duas etapas: R$ 6,3 milhões no começo do ano e mais R$ 6,2 milhões em junho. “Naquela ocasião conseguimos manter as bolsas pagas aos estudantes, e orçamento do Restaurante Universitário. Contudo, com esse corte, será necessário agirmos nas ações de assistência estudantil”, salientou o então secretário de Planejamento e Orçamento, Fernando Richartz, após o segundo corte.

Apoio a projetos de extensão e atividades culturais

Além de atender a toda a comunidade universitária, em muitas ocasiões o RU também apoiou projetos de extensão, programas e atividades culturais e de integração universitária. Em 2012, quando foram celebrados os 20 anos do Acordo de Cooperação Acadêmico Cultural Brasil-Argentina (Projeto Córdoba), o jantar de confraternização no dia 4 de outubro ocorreu no Restaurante Universitário.

Naquele mesmo ano, o Coletivo Kurima de estudantes negros e negras da UFSC começou a promover o Abraço Negro – Integração de Calouros e Veteranos. A programação, geralmente realizada aos sábados, incluía atividades culturais e rodas de conversa, além de uma feijoada no Restaurante Universitário. Em novembro de 2014, durante as comemorações do Mês da Consciência Negra, o Coletivo Kurima promoveu a 8ª edição do Abraço Negro. Na agenda do dia 8 estava programado: “Almoço de integração com a comunidade universitária com feijoada afro-brasileira e vegetariana no Restaurante Universitário”.

A partir de 2024, a UFSC, por meio da Pró-Reitoria de Extensão (Proex) passou a oferecer o cursinho gratuito Vestiba+, inicialmente em parceria com a Prefeitura de Florianópolis. O programa era voltado para estudantes do ensino médio em situação de vulnerabilidade econômica e social e oferecia vale-transporte gratuito, almoço no Restaurante Popular de Florianópolis e jantar no Restaurante Universitário. Em 2025, a prefeitura retirou-se da parceria, mas a UFSC continuou a oferecer aulas no período noturno, cine clube, formações sobre ações afirmativas, aulão, simulado, encontro sobre saúde mental e acesso à internet do campus. E, claro, a possibilidade de jantar no Restaurante Universitário.

Em setembro de 2025, servidores e estudantes da UFSC apoiaram a gravação do curta-metragem infantil “O ET da Vargem Pequena”. As filmagens foram realizadas em diversos centros de ensino, e o Restaurante Universitário colaborou com a gravação abrindo suas portas para o serviço de catering.

Modernização e pagamento por PIX

Durante muitos anos, estudantes e servidores utilizaram tíquetes de papel, também conhecidos como passes, para acessarem as dependências do RU. Havia passes com cores diferentes de acordo com a categoria: verdes para os estudantes isentos, vermelho para os estudantes pagantes e roxo para os servidores. No passado, os passes eram vendidos em agências bancárias e posteriormente em uma sala junto à parte administrativa do RU.

A partir de 2018 começou o debate sobre a necessidade de modernização do acesso, para evitar a manipulação de dinheiro dentro do campus, o que ensejava a contratação de uma empresa terceirizada e cuidados adicionais com segurança.

No início de março de 2019, os restaurantes da Trindade e do Centro de Ciências Agrárias começaram uma fase de testes do acesso eletrônico ao salão de refeições. O programa de modernização do acesso foi retomado em outubro de 2022, após a pandemia. 

Os usuários do RU precisavam lançar créditos no cartão com o uso de Guias de Recolhimento da União (GRU), um processo que podia trazer problemas como a demora no carregamento do crédito, o que impedia o acesso imediato aos refeitórios. Para mitigar o problema, a Prae criou uma espécie de crédito aos estudantes, que podiam realizar até dez refeições mesmo sem ter saldo no cartão naquele momento.

A situação foi resolvida permanentemente em setembro de 2023, quando a Universidade lançou o serviço de compra de passes do RU por meio de PIX para as unidades de todos os campi. A nova funcionalidade incluiu ainda acesso rápido ao cardápio, consulta de saldo e pagamento também por boleto – Guia de Recolhimento da União (GRU). Para o RU da Trindade, foi criado também o serviço Agenda Consciente, que convidou os usuários a informarem previamente o horário em que pretendiam frequentar o RU, colaborando para diminuir o desperdício de alimentos. Os serviços ficaram disponíveis no endereço app.ufsc.br.

Trabalhadores dedicados e ambiente acolhedor

Celebração de Natal no RU. Foto: Divulgação/RU/UFSC

Durante muitos anos, os trabalhadores do Restaurante Universitário eram todos servidores da UFSC. A partir de 1994, com a extinção do cargo de cozinheiro pelo governo federal, a situação começou a mudar. Atualmente, a equipe do RU é formada majoritariamente por trabalhadores de empresas terceirizadas (83,5%). 

Os servidores ocupam principalmente cargos administrativos e têm menor presença na cozinha – são nove cozinheiros, cinco nutricionistas e dois profissionais ligados à nutrição e dietética. No preparo dos alimentos e serviço no refeitório, a situação se inverte. São 23 cozinheiros e cerca de cem auxiliares de cozinha de empresa terceirizada.

Além de cuidar dos aspectos nutricionais, da qualidade e higiene no preparo dos alimentos, a equipe de trabalhadores do RU frequentemente promove ações para tornar o ambiente mais acolhedor e inclusivo. A decoração natalina do RU já é uma tradição, muitas vezes acompanhada de apresentações de corais ou presença de personagens da época. Em anos recentes, o RU também utiliza o cardápio para marcar datas e efemérides como o Abril Indígena e o Novembro Negro. O período de festas juninas e até o Dia dos Namorados já foram motivo de alguma lembrança no cardápio do RU.

Família Cruz e Sousa já almoçou no RU

Nas décadas de 1980 e 1990 era comum que políticos e personalidades almoçassem no Restaurante Universitário. É o caso dos familiares do poeta Cruz e Sousa, quando visitaram a UFSC para participar da abertura da Primeira Semana das Nações e do lançamento do livro Julieta Santos, pela Editora UFSC, em 1990. Em dezembro de 1992, o príncipe Dom Bertrand de Orleans e Bragança esteve na Universidade para uma palestra em defesa da monarquia. Em seguida almoçou no Restaurante Universitário, que fora apelidado de “Le RU”.

Familiares do poeta Cruz e Sousa em almoço no RU em 1990. Foto: Acervo/Agecom/UFSC

Festas, comemorações, futebol e videoclipe

Ao longo dos anos, o RU da UFSC também foi palco de histórias curiosas. Muitos destes fatos curiosos ou pitorescos foram divulgados ao longo de quase 30 anos nas edições do Jornal Universitário. 

Recepção do casamento de Adriana nas dependências do Restaurante Universitário, em dezembro de 1983. Foto: acervo pessoal.

No dia 17 de dezembro de 1983 – véspera do aniversário de 23 anos da UFSC – o refeitório do Restaurante Universitário foi palco de uma recepção de casamento. Adriana Rodrigues tinha à época 17 anos e precisou de autorização dos pais para casar. No ano seguinte, após completar 18 anos, ela ingressou como servidora na Universidade, onde permanece até hoje.

Adriana acredita que obteve autorização da UFSC para fazer a festa de casamento no RU pelo conhecimento e carinho que seu pai desfrutava na Universidade à época – e também pelo fato do seu noivo ser servidor e sobrinho do então reitor Ernany Bayer. Ela lembra que era comum o RU abrir espaço para as festas de final de ano da Pró-Reitoria de Administração, mas provavelmente a sua foi a única recepção de casamento no local. “Tenho muito orgulho da UFSC, afinal estou aqui desde meus 8 anos de idade”, declara Adriana.

Durante a Copa do Mundo de 2014, o expediente na UFSC encerrava às 12h30 nos dias em que havia jogos da Seleção Brasileira. Por isso, no dia 3 de julho o RU emitiu o seguinte comunicado: “O Restaurante Universitário do campus de Florianópolis informa que nesta sexta-feira, 4 de julho, devido ao jogo do Brasil na Copa do Mundo, servirá o almoço em horário normal, até as 13h30, mas não abrirá no horário da janta. No sábado e domingo o restaurante funciona normalmente”.

A comunidade universitária ficou sem o jantar naquele dia em que o Brasil enfrentou a Colômbia pelas quartas-de-final da Copa do Mundo e venceu por 2×1  (e classificou-se para enfrentar a Alemanha nas semifinais, no fatídico jogo do dia 8 de julho em que a Seleção sofreu a maior goleada da história, 7 x 1).

Pesquisa e texto:
Luís Carlos Ferrari
 | luis.ferrari@ufsc.br
Jornalista | Agecom – UFSC

Pesquisa e texto:
Luiz Felipe Cucco
 | acervo.agecom@contato.ufsc.br
Estagiário| Agecom – UFSC

Pesquisa fotográfica:
Ingrid Müller Rodrigues
 | acervo.agecom@contato.ufsc.br
Estagiária | Agecom – UFSC

Colaboraram: Paulo Liedtke (Agecom), Camila Raposo (Agecom) e professor José Fletes.

 

Galeria de fotos históricas do RU
Fotos: Acervo/Agecom/UFSC

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