‘Catarina presente’: emoção marca homenagem à estudante da UFSC vítima de feminicídio

24/11/2025 16:17

Comunidade empunhou cartazes com fotos e frases, lembrando a estudante de pós-graduação. Foto: Gustavo Diehl/Agecom/UFSC

Um ato marcado pela emoção prestou homenagem à estudante Catarina Kasten, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), assassinada na última sexta-feira, 21 de novembro, na trilha da praia do Matadeiro, na região Sul de Florianópolis. O evento ocorreu na tarde desta segunda-feira, 24 de novembro, no varandão do Centro de Comunicação e Expressão (CCE), no Campus de Florianópolis, no bairro Trindade, onde estavam afixados cartazes com frases como “Justiça por Catarina Kasten”; “Basta de feminicídio”; “Catarina presente”; “Nem uma a menos” e  “Somos todos Catarina”.

A homenagem reuniu familiares, estudantes e colegas de Catarina, que era aluna do Programa de Pós-Graduação em Inglês: Estudos Linguísticos e Literários, além de professores e diretores de centros de ensino da UFSC. O reitor da Universidade, Irineu Manoel de Souza, participou discretamente, acompanhado por membros da gestão.

O companheiro de Catarina, Roger Filipe Sales Gusmão, falou dos planos do casal, entre eles o de construir uma casa no lote que haviam comprado. Ele contou que é natural de Ipatinga-MG, já morou em muitos lugares e considerava a capital catarinense o melhor lugar que havia conhecido. “Achava que Florianópolis era o lugar mais seguro do mundo, onde os portões das casas não ficam trancados”.

Ele não quis fazer comentários de teor político, afirmando ter recebido apoio de muitas pessoas com posições políticas diferentes da sua. Considerou que deve haver uma união de esforços para combater a violência e adoção de medidas como melhor iluminação e instalação de câmeras dedicadas à segurança pública. Roger também disse que não quer guardar nenhum sentimento de vingança.

Catarina vai batizar sala de estudos

Catarina tinha 31 anos. Foto: Divulgação/CCE/UFSC

A professora Alinne Fernandes, coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Inglês (PPGI), lembrou que, em um trabalho acadêmico de 2022, Catarina abordou o feminismo no Afeganistão e se dizia uma pessoa de muita sorte por ter crescido onde cresceu, com liberdade. De acordo com Alinne, uma sala de estudos do PPGI está sendo reformada e receberá o nome de Catarina Kasten. Em seguida, Alinne leu uma carta enviada pela professora Priscila Farias, orientadora do Mestrado de Catarina. “Você tinha sede de vida, mas também sabedoria para aproveitá-la devagarinho”, diz um trecho da carta.

A estudante Eliani Ventura, colega de mestrado de Catarina, afirmou que estar ali era um ato político. “A gente precisa discutir sobre violência de gênero, a violência contra as mulheres”, afirmou. No entanto, preferiu focar a sua fala na pesquisa que Catarina vinha desenvolvendo, relacionada à formação crítica de professores. Eliani lembrou que Catarina era uma estudante muito empolgada e dedicada, que sempre lia os textos em preparação para as aulas. “Ela amava a UFSC e o CCE”, disse Eliani.

DCE alerta para segurança

Sofia Garcia, da coordenação geral do Diretório Central dos Estudantes (DCE), fez uma fala contundente sobre a violência contra as mulheres e a falta de segurança no Estado. Ela leu o nome das dez mulheres assassinadas em Santa Catarina somente no mês de novembro e lembrou que no Estado não existe nenhuma Delegacia da Mulher que funcione 24 horas por dia.

Companheiro de Catarina, Roger empunhou cartaz e plantou árvore. Foto: Gustavo Diehl/Agecom/UFSC

De acordo com Sofia, apesar de discursos de diminuição da violência, as mulheres continuam a sofrer assédio, estupros e feminicídios. Ela convidou os presentes a se engajarem no Movimento de Mulheres Olga Benário. “Esses momentos de luto para nós têm que se transformar em luta”, disse ela, convocando as pessoas a participarem de um ato nesta terça-feira no Centro de Florianópolis, para marcar o Dia Internacional Contra a Exploração da Mulher.

Cortejo pelo campus

Após as falas, o grupo saiu em cortejo pela UFSC e percorreu locais frequentados por Catarina enquanto estudante. A primeira parada foi no Centro de Ciências da Educação (CED). Em seguida, o grupo se dirigiu ao Centro Tecnológico (CTC), onde ela estudou alguns semestres de Engenharia de Produção Civil ao ingressar na UFSC, em 2014. Algumas pessoas seguravam cartazes e entoavam slogans como “A violência contra a mulher não é o mundo que a gente quer”.

Plantio de árvore

Ao final, o grupo voltou para o CCE, onde ela formou-se em Letras Inglês e atualmente era aluna da Pós-Graduação. Ali, em frente à lanchonete do Centro de Ensino, foram plantadas três mudas de flores e uma muda de manacá da serra, árvore nativa da Mata Atlântica que produz flores grandes de coloração branca e rosa, explicou o estudante de Agronomia Breno Yasuda, que auxiliou o plantio.

Neste momento, a estudante Thalyta Argivaes, colega de Catarina desde a graduação e também no mestrado, lembrou os últimos momentos dela na Universidade, a sua dedicação aos estudos, o amor que sentia pelos amigos e o quanto ela gostava de estar na UFSC.

Galeria de fotos
Fotos: Gustavo Diehl/Agecom/UFSC

 

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