UFSC na mídia: professora fala sobre falta de diversidade na ciência climática a programa da BBC World Service

19/04/2023 08:30

As dificuldades de pesquisadores do Sul Global e a falta de diversidade na ciência climática foram dois dos temas abordados pela professora da UFSC Regina Rodrigues em entrevista ao programa de rádio da BBC World Service, intitulado The Climate Question, em tradução livre A questão climática. Ela foi ouvida em uma edição voltada a discutir a história da ciência climática e pontuou aspectos sobre o impacto da falta de recursos e investimentos em pesquisas sobre o Atlântico Sul.

O programa traz como ponto de partida o papel da americana Eunice Newton Foote como precursora da ciência do clima. Em 1856, ela descobriu que níveis mais altos de dióxido de carbono aqueceriam o planeta, mas não recebeu o crédito pela descoberta da mudança climática. “Celebramos o papel de Foote na ciência do clima, recriando seu experimento pouco conhecido e perguntando se existem algumas vozes que continuam a ser negligenciadas na ciência do clima hoje – e como superamos esses pontos cegos climáticos”, indica a sinopse do programa, disponível também online.

Além da professora Regina Rodrigues, que é professora de Oceanografia Física e Clima, participam do edição a pesquisadora e ativista climática Alice Bell e a professora Andrea Sella, da University College London. Elas debatem a existência de pontos cegos nos estudos sobre clima, como a falta de recursos para pesquisas climáticas no Sul Global e as consequências das mudanças climáticas na saúde de populações periféricas.

A falta de um olhar mais apurado para continentes como a África e América do Sul e a predominância de uma ciência produzida por homens do Norte Global são tematizadas no programa. “O oceano Atlântico Sul foi flanqueado por países de baixa renda que lutam para financiar os altos custos da pesquisa oceanográfica. Por exemplo, um navio de pesquisa pode causar de 3.000 a 8.000 libras por dia no mar”, lembra a professora da UFSC, que acrescenta que o acesso a dados gratuitos também está cada vez mais difícil, porque depende de computadores de alto desempenho, igualmente caros.

A pesquisadora lamenta que, mesmo havendo ideias inovadoras e pesquisas criativas sobre a física dos oceanos no país, a falta de recursos adicionais é um entrave para o seu andamento. “Isso deixa enormes pontos cegos em nossa compreensão de como as mudanças climáticas funcionam. E o Atlântico Sul desempenha um papel crucial na regulação do clima global”. Regina Rodrigues também falou sobre a South Atlantic Meridional Overturning Circulation Iniciative, que envolve cientistas da Argentina, Brasil, França, Itália, Alemanha, Holanda, Reino Unido e Estados Unidos com o objetivo de compartilhar objetivos científicos bem definidos e recursos de base.

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