Conselho Universitário aprova moção de enfrentamento ao nazismo e ao racismo

23/11/2022 11:20

Conselho Universitário aprovou por unanimidade moção de repúdio ao nazismo e ao racismo (Fotos: Vitórya Navegantes)

O Conselho Universitário (CUn) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) aprovou por unanimidade uma moção de enfrentamento ao nazismo e ao racismo em sessão extraordinária, aberta ao público, na terça-feira, 22 de novembro. O documento é mais uma iniciativa para fortalecimento das ações de combate às agressões e da campanha que orienta a comunidade a denunciar tais atos de violência. A moção foi lida durante a sessão, no Auditório da Reitoria, no Campus Universitário Trindade, em Florianópolis, com aplauso dos presentes. Além dos conselheiros, participaram estudantes, professores, servidores e membros da comunidade.

A moção foi proposta pela professora Carmen Maria Olivera Müller, uma das conselheiras representantes do Centro de Ciências Agrárias (CCA), que a leu durante a sessão, às 16h20min. Após a leitura, o reitor da UFSC, Irineu Manoel de Souza, colocou a proposta em votação. A moção foi aprovada por unanimidade pelos conselheiros presentes e por aqueles que acompanhavam os trabalhos de forma remota. Antes do encerramento da sessão, a vice-reitora da UFSC, Joana Célia dos Passos, solicitou a palavra para lembrar: “O nazismo e o racismo nos desumanizam: não só as pessoas agredidas, mas também os agressores. E é de humanidade que nós precisamos”.

Comunicação, apuração e educação contra agressões

A sessão teve início com uma apresentação das ações que a UFSC vem adotando para combater manifestações nazistas e racistas entre a comunidade universitária. A secretária de Aperfeiçoamento Institucional da Universidade, Luana Renostro Heinen, explicou que os trabalhos são feitos em três frentes: comunicação, apuração e educação. Na primeira delas, está a campanha institucional desenvolvida pela Secretaria de Comunicação (Secom) e pela Agência de Comunicação (Agecom), que tem peças gráficas impressas e material digital.

A respeito da apuração dos últimos casos, que somam sete ocorrências desde a agressão a uma estudante de Pedagogia em setembro, Heinen informou que as investigações criminais são conduzidas pela polícia. Porém, a Secretaria de Segurança Institucional (SSI) da UFSC vem dando apoio técnico a essas ações – como quando a Polícia Científica esteve no campus para periciar os locais com inscrições racista e nazistas. Muitas das informações coletadas estão protegidas pelo sigilo das investigações, por isso a UFSC aguarda o acesso aos dados para avaliar a aplicação também de medidas administrativas.

Em relação à educação, Heinen lembrou as ações do Novembro Negro – um conjunto de atividades de diferentes setores da UFSC no mês em que se celebra o Dia da Consciência Negra (20 de novembro). Além disso, está em andamento a criação da política de enfrentamento ao racismo e ao nazismo da Universidade e uma cartilha sobre o tema. Durante a sessão do CUn, foi aventada ainda a proposta de inclusão do tema nos currículos dos cursos da UFSC.

“Queremos estar juntos com a Universidade”, diz representante de associação israelita

Durante os debates da sessão extraordinária do CUn, o representante da Associação Israelita Catarinense, Sergio Iokilevitc, usou o microfone para lembrar que, em seus 32 anos de existência, a entidade contou com a participação direta de egressos da UFSC. “Estamos juntos com movimentos organizados antirracistas e antinazistas. Queremos estar juntos com a Universidade também”. A estudante Iael Kurjan, do Curso de Ciência Sociais da UFSC, que está criando a Juventude Judaica Catarinense (nome provisório), lembrou que “mesmo as manifestações aparentemente mais leves devem ser combatidas, para que não se tornem o que já foi o passado”.

Também se pronunciaram durante a sessão representantes do Sindicato dos Professores das Universidades Federais de Santa Catarina (Apufsc), do Sindicato de Trabalhadores em Educação da Universidade Federal de Santa Catarina (Sintufsc), do Diretório Central dos Estudantes Luís Travassos (DCE) e da Associação de Pós-Graduandos (APG). Além disso, 11 conselheiros, três estudantes e um membro da comunidade solicitaram o uso da palavra durante a sessão extraordinária aberta à participação de todos.

Veja a íntegra da moção:

MOÇÃO DE REPÚDIO

A universidade pública é um espaço que reflete e interage com a sociedade democrática e plural. Trata-se de um espaço de inclusão que dá voz e vez a todas as camadas sociais: negros, mulheres, indígenas, quilombolas, LGBTQIAP+, dentre outros coletivos. Na verdade, tais coletivos não restringem a universidade, ao contrário, possibilitam que esta expanda a fronteira do pensamento e, dessa forma, possa combater o pensamento retrógado e discriminatório, o qual se alimenta de atos criminosos.

O Conselho Universitário, instância máxima de deliberação da nossa instituição, manifesta seu repúdio aos ataques de cunho neonazista e racista registrados em nossos ambientes acadêmicos e administrativos e apoia as medidas adotadas pela Administração Central para o combate sistemático a todo tipo de violência e discriminação. O Conselho defende também a apuração completa dos delitos e a punição rigorosa dos envolvidos, ao mesmo tempo que sustenta o fortalecimento da democracia contra qualquer arroubo autoritário.

Como estabelece o Estatuto de nossa instituição em seu art. 3º, a UFSC renova seus objetivos de “produzir, sistematizar e socializar o saber filosófico, científico, artístico e tecnológico, ampliando e aprofundando a formação do ser humano para o exercício profissional, a reflexão crítica, a solidariedade nacional e internacional, na perspectiva da construção de uma sociedade justa e democrática e na defesa da qualidade da vida.”

Florianópolis, 22 de novembro de 2022

 

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