Escuta qualificada e sensibilização contribuem para retomada no número de doadores de órgãos

27/09/2022 15:26

Fotojornalista Antonio Mafalda se tornou um incentivador da doação após se recuperar de um câncer de fígado. Foto: Sinval Paulino/HU-UFSC

A ação de profissionais qualificados na entrevista com as famílias, a iniciativa de voluntários, a participação dos órgãos de comunicação e a estruturação de comissões organizadas nas instituições de saúde são alguns dos fatores que contribuíram para a retomada, ainda que gradual, do número de doadores de órgãos em Santa Catarina. Hoje, são 42,9 doadores por milhão de população (pmp), considerando dados até agosto deste ano, a taxa mais alta desde 2019 (47,4 doadores pmp).

“Nós estamos voltando aos dados pré-pandemia”, avaliou o médico intensivista do Hospital Universitário Professor Polydoro Ernani de São Thiago (HU-UFSC) e coordenador de Transplantes de Santa Catarina, Joel de Andrade, que destaca a redução progressiva de famílias que recusaram a doação, nas últimas décadas, graças ao trabalho de sensibilização e à implementação de uma escuta acolhedora e atenta por parte dos profissionais, que ressaltam sempre que a doação é um direito da família.

No HU, uma equipe especializada de profissionais explica para as famílias enlutadas sobre este direito. “Trata-se de um bem-sucedido modelo de comunicação espanhol, que ensina profissionais da saúde a ouvir, a entender e a falar com empatia e cuidado com as famílias enlutadas”, disse o médico. 

Além dos profissionais que atuam nos órgãos de saúde, um fator importante para a sensibilização da sociedade sobre o tema é o depoimento e a ação de transplantados, que relatam sua história e passam a atuar como voluntários em campanhas de incentivo à doação. É o caso do fotojornalista gaúcho Antonio Carlos Mafalda, que descobriu um tumor no fígado em 2013. No ano seguinte, recebeu um órgão em cirurgia e hoje se tornou um incentivador da doação.

Antonio Mafalda considera que recebeu uma nova chance de vida. Foto: arquivo pessoal

“Eu realizo palestras e estou sempre em contato com as instituições para dar o meu depoimento e incentivar a alegria de viver. Posso dizer que, sendo de outro estado, me sinto um catarinense, pois aqui recebi o meu fígado e uma nova chance de vida”, diz o fotógrafo que se emociona ao falar de sua trajetória, da atuação dos profissionais e da importância da doação.

Para incentivar a doação, foi criado, em 2007, o Dia Nacional da Doação de Órgãos (27 de setembro). Alguns órgãos podem ser doados em vida, como rim e partes do fígado. Outros dependem do diagnóstico de morte cerebral e de autorização da família. Por isso é preciso que todos estejam conscientizados sobre este direito. O desejo de ser doador deve ser comunicado aos familiares. Uma conversa informal serve para essa finalidade.

O Brasil tem o maior programa público de transplante de órgãos de tecidos e de células do mundo. Os pacientes recebem assistência integral gratuita, incluindo exames pré-operatórios cirurgias acompanhamento e medicamentos pós transplante pela rede pública.

Unidade de Comunicação Social/HU-UFSC

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