Há 134 anos, Fortaleza de Anhatomirim entrava na era das comunicações rápidas a distância

17/02/2022 12:27

Estação Radiotelegráfica, prédio ainda hoje existente.

Há 134 anos, em 17 de fevereiro de 1888, a Fortaleza de Santa Cruz de Anhatomirim entrava em uma nova era de comunicação. Foi nessa data que houve a primeira transmissão de uma mensagem da estação telegráfica da Ilha de Anhatomirim até Desterro, como era chamada a capital de Santa Catarina à época. Anos depois, já no século XX, o equipamento foi substituído por um radiotelégrafo, que podia se comunicar também com embarcações e não somente com estações em terra. 

De acordo com a edição de 17 de fevereiro de 1888 do jornal Conservador, a inauguração da estação telegráfica em Anhatomirim envolveu o envio de uma série de mensagens – ou “telegrammas”, na grafia da época – a autoridades. Uma delas foi destinada ao Presidente da Província de Santa Catarina, Francisco José da Rocha, pelo então encarregado do Distrito Telegráfico, Francisco Berendt.

A mensagem dizia (a grafia é da época):

Cumprimentando a V. Ex. tenho a honra de comunicar que se acha inaugurada
a estação telegraphica na fortaleza de Santa Cruz. Felicito à V. Ex. por este melhoramento.
Francisco Berendt, Encarregado do Districto.”

Estação Radiotelegráfica de Anhatomirim em 1960, antes da restauração. Ao fundo, estão as ilhas de Ratones Grande (à esquerda) e Ratones. Imagem publicada no livro “As defesas da Ilha de Santa Catarina no Brasil Colônia”, de Oswaldo Rodrigues Cabral (1972).

Naquela época, século XIX, essa era a forma de comunicação a distância mais rápida disponível. Em Santa Catarina, a chegada desses aparelhos aconteceu por determinação do Ministério da Guerra, depois do envolvimento do país na Guerra do Paraguai (1864 – 1870). Tratava-se, pois, de uma necessidade estratégica para manter uma comunicação rápida e efetiva entre as províncias e a corte.

Assim, sob ordens de ser executada no menor intervalo de tempo possível, a Repartição Geral dos Telégrafos recebeu a responsabilidade de realizar tal feito. Então, no dia 9 de janeiro de 1866, foi inaugurada a primeira estação em Desterro, atual Florianópolis.

Mas, afinal, o que é e como funciona um telégrafo?

O telégrafo foi inventado pelo pintor Samuel Morse, em 1835, e revolucionou a comunicação a distância na época. É um aparelho que transmite mensagens codificadas através de fios elétricos.

A linguagem utilizada na codificação das mensagens foi desenvolvida também pelo criador do telégrafo e, por isso, ficou conhecida como Código Morse. É um sistema binário de representação: cada letra do alfabeto e cada número é traduzido por sons curtos e longos.

De um lado, o transmissor “soletrava” cada letra da mensagem através do equipamento. O receptor ouvia uma série de bips, prestando atenção na duração de cada um deles. Assim, por exemplo, um bip curto seguido de um bip longo significa a letra “A”. Letra por letra, a mensagem ia passando do transmissor para o receptor.

Posteriormente, com o avanço tecnológico e o surgimento de outros equipamentos, o telégrafo foi substituído. Assim, no início do século XX, em 1914, foi construída a Estação Radiotelegráfica na Fortaleza de Santa Cruz de Anhatomirim – edifício preservado ainda hoje que, na época, abrigava os serviços de radiotelegrafia e também era o local de moradia do telegrafista.

A Estação Radiotelegráfica de Anhatomirim, juntamente com a Usina de Eletricidade, foi parte de um projeto de modernização da fortaleza, realizado no período da Primeira Guerra Mundial (1914 – 1918), quando o local ainda poderia ter interesse estratégico/militar.

Uma das vantagens do radiotelégrafo em relação aos equipamentos anteriores é que ele não precisava de cabos para transmitir a mensagem até o receptor. Como utilizava ondas de rádio para enviar o Código Morse, o equipamento em Anhatomirim garantia também a comunicação com embarcações.

Pouco a pouco, as formas de comunicação a distância foram mudando. Os telégrafos não fazem parte mais do cotidiano. Mas, há 134 anos, essa era uma revolução para a Ilha de Anhatomirim.

Texto produzido pela Coordenadoria das Fortalezas da Ilha de Santa Catarina, da Universidade Federal de Santa Catarina.

Mais informações pelo e-mail fortalezas@contato.ufsc.br

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