Pesquisa de mestranda da Farmacologia recebe prêmio da Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento

23/10/2020 09:53

Mestranda da Pós em Farmacologia, Dayse recebeu  o Prêmio Nacional Juarez Aranha Ricardo da Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento

Um passo na direção de entender o aparecimento de sintomas não-motores na doença de Parkinson: com este objetivo o trabalho “Sex matters: intranasal adminstration of MPTP induces non-motor symptoms of Parkinson’s disease selectively in c567bl/6 female mice” (Sexo importa: administração intranasal de MPTP induz sintomas não-motores da doença de Parkinson seletivamente em camundongos fêmea c57bl/6) conquistou o Prêmio Nacional Juarez Aranha Ricardo promovido pela Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento (SBNeC). Desenvolvida pela mestranda do Programa de Pós-Graduação em Farmacologia (PPGFMC) da UFSC Dayse Machado de Melo, orientanda do professor Rui Daniel Prediger, a pesquisa foi apresentada durante a XLIII Reunião da SBNeC realizada de maneira online de 13 a 17 de outubro.

Muita gente associa Parkinson à uma doença motora, à rigidez muscular, aos tremores e à lentidão nos movimentos, explica Dayse, “mas na verdade existem sintomas não-motores, como depressão, perda de olfato, problemas cognitivos, no sono, entre outros, que podem surgir antes da parte motora”. A pesquisadora frisa a importância deste diagnóstico mais precoce para tratar melhor as pessoas afetadas: “O diagnóstico é feito com base nos sintomas motores e quando esses são percebidos, já há perda grande de neurônios. Os tratamentos atuais apenas paralisam por um tempo os sintomas motores, não revertem o dano, é uma doença que não tem cura”.

O MPTP (1-metil-4-fenil-1,2,3,6-tetrahidropiridina) é um modelo utilizado no mundo inteiro para estudar Parkinson em animais, cita Dayse. A administração nasal da substância é realizada uma única vez nos camundongos já anestesiados, através de um tubo minúsculo e fino, em procedimento padronizado no Laboratório Experimental de Doenças Neurodegenerativas (Lexdon) com duração de apenas dois minutos aprovado pela Comissão de Ética no Uso de Animais da UFSC.

“Em nosso laboratório, já estudamos estes sintomas não-motores, principalmente a parte cognitiva. Meu experimento busca investigar isto nas fêmeas dos camundongos porque as mulheres apresentam sintomas não-motores mais frequentes e severos que os homens; elas são diagnosticadas mais tarde porque não tem os sintomas motores tão evidentes. O foco do meu projeto é estudar as fêmeas, e pesquisamos os machos para ter uma comparação”. Ela também destaca a importância de estudar fêmeas, que foram negligenciadas pelas pesquisas que focam bastante a parte motora da doença.

Na pesquisa de Dayse apresentada na SBNeC e que irá integrar sua dissertação, apenas as fêmeas apresentaram “um comportamento do tipo depressivo, o que bate com resultados prévios do nosso grupo e com a literatura”, afirma a cientista. Uma redução na atividade intestinal foi outra alteração percebida nas fêmeas duas semanas depois da administração.

O projeto da mestranda do PPGFMC é mais amplo: ela está interessada em estudar mais as alterações de microbiota. “Vamos identificar as bactérias e como interagem e influenciam a emocionalidade neste modelo”, conta Dayse, que, por conta da pandemia parou de realizar experimentos.

A pesquisadora participou de diversos congressos presenciais anteriormente, onde precisava apresentar e explicar pôsteres várias vezes. “No on-line, foram seis minutos de apresentação e depois abria para perguntas. Mas é o que temos para o momento”, conforma-se. Dayse não imaginava que poderia ganhar o prêmio, e assistiu à sessão porque alguém conhecido poderia ganhar. “Não imaginava que poderia ser eu, fiquei muito feliz e honrada, é bom ter este reconhecimento”, finaliza a mestranda.

Caetano Machado/Jornalista da Agecom/UFSC

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