Pesquisadores da UFSC desenvolvem alternativa em química sustentável e medicinal

29/06/2020 12:30

Um grupo de pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Universidade Federal do ABC e Universidade Federal de Mato Grosso do Sul desenvolveu um método versátil e ambientalmente amigável de halogenação direta em compostos heterocíclicos para utilização na química medicinal, tanto para candidatos a fármacos como para fármacos já mundialmente estabelecidos. O artigo Trihaloisocyanuric acids in ethanol: an ecofriendly system for the regioselective halogenation of imidazo-heteroarenes é assinado por José Neto (Laboratório de Síntese de Derivados de Selênio e Telúrio – LabSelen/UFSC), Renata Balaguez (Departamento de Química/UFSC) , Marcelo  Franco (LabSelen/UFSC), Victor de Sá Machado (LabSelen/UFSC), Sumbal Saba (Centro de Ciências Naturais e Humanas da Universidade Federal do ABC), Jamal Rafique (Instituto de Química da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), Fábio  Galetto (Departamento de Química/UFSC) e Antonio Braga (Departamento de Química/UFSC) – Sumbal e Jamal são ex-alunos da Pós em Química da UFSC. 

O estudo foi publicado na capa da Green Chemistry, revista da Royal Society of Chemistry, do Reino Unido, cujo foco são pesquisas que tentam reduzir o impacto ambiental de empreendimentos químicos, desenvolvendo uma base de tecnologia inerentemente não-tóxica para os seres vivos e o meio ambiente, em artigos que devem conter uma comparação com os métodos existentes e demonstrar vantagens sobre eles.

A abordagem descrita no trabalho representa uma ferramenta útil e mais sustentável alternativa às metodologias já existentes. “Nós fazemos halogenação (introdução dos átomos de cloro, bromo e iodo) de forma direta (sem utilização de reagentes metálicos, bases e atmosfera inerte) a compostos heterocíclicos de forma ambientalmente amigável, ou seja, pouco agressiva ao meio ambiente”, explica José Neto, que faz estágio de pós-doutoramento no Programa de Pós-Graduação em Química da UFSC e é primeiro autor do e autor correspondente do artigo.

Neto também aponta que esse “processo é verde, uma vez que utilizamos um sistema simples, com solvente vindo de fonte renovável (etanol), usando reagente (ácidos trihaloisocianúricos) de fácil acesso, o qual transfere grande parte de sua massa na formação do produto esperado, gerando pequena quantidade resíduo, esse com baixa ou nula toxicidade”.

Neto explica que esses “ácidos são produtos de fácil acesso. O ácido tricloroisocianúrico(TCCA), nada mais é que o composto presente naquele flutuante que se coloca na piscina. Nele, existe grande teor de cloro ativo.  Fizemos seus análogos com bromo e iodo. Utilizando esses reagentes, juntamente com etanol como solvente, essa passa a ser uma forma muito versátil e ambientalmente amigável para acesso a candidatos a fármacos e a fármacos mundialmente consumidos”.

Mais informações pelo e-mail ppgqmc@contato.ufsc.br

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