Aproximar ciência e sociedade é meta de projeto de extensão relacionado à Covid-19

21/05/2020 15:00

O enfrentamento à pandemia do novo Coronavírus (Covid-19) em qualquer parte do mundo acentuou, de uma forma nunca vista, a necessidade de as pessoas buscarem e valorizarem informações de cunho científico. Este conhecimento é gerado, falando em Brasil, quase que 100% nas instituições públicas de ensino e pesquisa. Analisando a conjuntura atual do país, o advento de um “novo normal”, e tendo a internet como facilitadora deste imenso fluxo de dados, um projeto da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) tem muito por fazer e contribuir neste momento sensível para a humanidade.

Louis Pergaud Sandjo, professor do Departamento de Química, coordena o projeto de extensão “Divulgações científicas para a sociedade por meio de multimídias diante da pandemia de Covid-19 e pós-pandemia”. Pergaud, que participa do Laboratório de Química de Produtos Naturais (LQPN) da Universidade, conta com a parceria do estudante de graduação Humberto José Hoeller Guarnieri.

Muitas iniciativas dentro das universidades têm surgido neste período em que se fortalece cada vez mais a exigência de fontes legítimas de informação. Neste sentido, esta proposta deseja aproximar ainda mais a Universidade da sociedade civil para desconstruir teorias falsas e disseminar dados baseados em evidências científicas.

Para além de socializar o conhecimento científico por meios digitais, o projeto fará uma leitura básica das referências em revistas científicas internacionais de Química e Farmacologia sobre gripe, H1N1 e Covid-19. Também se propõe a divulgar formas de prevenção de doenças associadas ao frio para evitar a coinfecção; a utilizar linguagem perceptível e as redes sociais; e ao atingir todas as camadas da sociedade catarinense, esta possa diferenciar o verdadeiro do falso.

Para o professor Louis, “espalhar notícias falsas sobre a doença Covid-19, em situação de pandemia, prejudica a saúde e a vida da população”. Ressalta que “o impacto psicológico e social é devastador porque um dos fatores que afeta a aceitação da informação incorreta é a pressão social”.

O docente aponta que a meta do projeto é buscar a socialização da ciência e a reeducação da população. Outro ponto que julga necessário é o de reconquistar e fortalecer a relação sociedade-universidade, onde esta assuma o seu papel de educadora/formadora.

O feedback, mesmo estando ainda no início do projeto, tem sido positivo. Pergaud relata que os dois primeiros capítulos já foram solicitados para serem utilizados em videoconferências ou em material didático para alunos da rede municipal. Professores da UFSC e de outras universidades também já o pediram, como o caso da Unifesspa  e a UFPA, ambas federais do estado do Pará, que estão utilizando para curso de formação de professores do campo.

O aluno Humberto também reforça o papel da ciência em tempos de coronavírus. “A informação verdadeira e científica é uma arma de proteção nesta pandemia. Ela pode salvar e preservar as vidas. Por isso, a nossa responsabilidade é de reeducar as pessoas independentemente da idade, classe social, raça, origem e pertença política.”

Para o estudante do curso de Química, “o valor deste trabalho está baseado em conscientizar a população, em reunir e disponibilizar as produções científicas de forma simples para demonstrar que nem tudo está perdido e que a desinformação tem cura.”

Para o processo de disseminação da informação científica, o projeto utiliza-se das redes sociais. Os primeiros conteúdos foram publicados no Instagram, porém Humberto afirma que não se limitará apenas a este recurso, mas também expandirá para as plataformas do Facebook, Twitter e até mesmo o app de vídeos Tiktok.

A participação do discente é, em síntese, “entender como funcionam os mecanismos de pesquisa e como sintetizar toda a informação coletada em uma linguagem de fácil acesso e que não apenas a comunidade acadêmica seja contemplada, mas que a sociedade como um todo consiga ser tocada pelo conhecimento de ponta”, acrescenta Humberto.

Os materiais começaram a ser publicados no Instagram na metade do mês de abril e o cronograma de divulgações se estende até o final de março de 2021. Até o momento, três capítulos já estão disponíveis na plataforma online.

No primeiro apresenta quatro maneiras de higienizar as mãos, eliminar germes e outros micro-organismos, além de explicar os mecanismos de combate e como ocorre a destruição do novo coronavírus, a partir de elementos gráficos didáticos. Na segunda parte aborda as mucosas humanas, espirro, tosse, os meios de transmissão da doença e a importância do uso da máscara. No terceiro e mais recente, entenda como evitar doenças sazonais como gripe comum, resfriado e H1N1 em meio à pandemia, e os alimentos funcionais e sistema imunológico.

Todos os temas serão divulgados no perfil no Instagram do projeto, acessível em @lqpn_qmc.

Mais informações pelo e-mail p.l.sandjo@ufsc.br ou pelo site https://gruposandjo.paginas.ufsc.br/projetosprojects/

Rosiani Bion de Almeida/Agecom/UFSC

Tags: CFMcoronavírusHumberto José Hoeller GuarnieriLouis Pergaud SandjoquímicaUFSC