Teatro da UFSC recebe aula aberta em alusão ao Dia da Consciência Negra

18/11/2019 18:23

Foto: Débora Zamarioli

As professoras e pesquisadoras Roberta Lira e Ana Paula Cardozo oferecem uma aula aberta em alusão ao Dia da Consciência Negra (20 de novembro), no Teatro da UFSC, das 18h30 às 22 horas. Com a proposta “Consciência Negra /2019: desconstruindo e ocupando espacialidades”, a atividade “Vivências em Corporeidades Tradicionais Africanas e Cantos Negros: Tecnologias de (Re) Existências que Alimentam e Nutrem Almas numa proposta para Cena” é gratuita, aberta à comunidade, e as inscrições devem ser feitas por ordem de chegada, no local, com 30 minutos de antecedência.

Na aula aberta, as ministrantes realizarão atividades referentes aos seus trabalhos de pesquisa e de vivências afrodiaspóricas brasileiras com os troncos culturais Bantu e Yorubá, em uma proposta para cena. Estes que dialogam em suas propostas e nos aspectos em comum existentes entre os mais diversos povos de África, por meio de seus valores civilizatórios e cosmovisões africanas.

Sobre os trabalhos de pesquisa das convidadas que irão compor a atividade:

Cantos Negros em Tradução: Tecnologias de (Re)Existências que Alimentam e Nutrem Almas
Na pesquisa e workshop desenvolvidos pela artista e pesquisadora Roberta Lira são trabalhados alguns caminhos de experimentações e vivências com o canto orgânico e as relações entre suas dinâmicas e a presença corporal em performances e cenas sob a perspectiva afro-negra. Como o trabalho das atmosferas internas e externas, das conexões e dos diversos elementos que sensibilizam, alimentam e nutrem a alma por meio das sonoridades e expressões de matriz africana.

As propostas práticas e de conhecimentos ancestrais e teóricos visam possibilitar ampliar a consciência de suas corporeidades como oferecer possibilidades criativas nas performances cênicas ou cotidianas das pessoas participantes. Vivências de imersão coletiva com os cantos negros vissungos (Minas Gerais) e outros tradicionais e contemporâneos de matriz africana, identificados pela pesquisadora como Tecnologias de (Re)existência que Alimentam e Nutrem Almas, de herança ancestral.

As memórias ancestrais africanas e afrodiaspóricas afrobrasileiras, assim como as produções contemporâneas em seus diferentes momentos e processos de desenvolvimento histórico das performance afro-negras , dão subsídios para os trabalhos da pesquisadora. Facilitando as reflexões sobre: cantares, corpos, existência, cosmovisões, atuação coletiva, traduzibilidade, oralidade, organicidade, histórias e valores ancestrais afros, colonialismo , raça, o lúdico, , os feminismos negros, dentre outros temas presentes nestes mundos e trabalho. Esta pesquisa segue em desenvolvimentos na busca de caminhos de (re) existências à violência colonial contemporânea para sua superação, harmonização individual, coletiva, como para a contribuição na sustentabilidade planetária.

Vivência em Dança dos Orixás: Iyàgabà
Ìyagbà (lê-se yaba) – palavra de origem Yorubá que significa mãe senhora e faz menção ao poder ancestral feminino. Ìyagbà é o trabalho desenvolvido por Ana Paula Cardozo Silva, que intenta desenvolver o conhecimento dos valores tradicionais da cultura yorubá através da dança e do canto, entendendo que o corpo é veículo de asé (força vital) e de informação ancestral. A vivência aborda a cultura afro-brasileira e do oeste africano através dos ritmos, dos cantos e das danças, com especial enfoque aos valores civilizatórios presentes nessa matriz cultural como a coletividade, o cooperativismo, a ludicidade, a circularidade, a corporeidade, a energia vital (axé), o respeito, a oralidade e a territorialidade.

Sobre as ministrantes

Ana Paula Cardozo. Foto: Bruna Todeschini

Ana Paula Cardozo é graduada em Educação Artística pela Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), 2006. Pesquisadora e professora de Danças, Corpoereidades e Culturas de Matrizes Africanas, desde 1995. Trabalhou entre 2003 e 2010 com a prática e a produção artística no Coletivo Erro Grupo e em Escolas da Rede Municipal de Biguaçu e de Florianópolis, Desenvolveu carreira na área de elaboração e gestão de projetos, atuando há 13 anos na elaboração e gestão de projetos no setor público e privado. Trabalhou na gestão de políticas públicas na Prefeitura de Florianópolis estando a frente da Coordenadoria Municipal de Políticas Públicas de Promoção da Igualdade Racial. Esteve Gerente de Economia Internacional do Governo de Santa Catarina entre nov/2013 e jul/2014 onde realizou o levantamento dos acordos de Cooperação Internacional do Estado e a análise da política de atração de investimentos internacionais do Estado. No período de Julho/2014 a Janeiro/2019 trabalhou na Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esporte como Diretora de Projetos Estruturantes na implementação de projetos de infra-estrutura, desenvolvimento e estruturação turística sendo em sua maioria fruto de convênios com o Governo Federal. Coordenou a implantação do Centro de Eventos de Balneário Camboriú. É membra do PMI/Project Management Institute – Instituto Internacional de Gerenciamento em Projetos.

Roberta Lira. Foto: Diana Souza

Roberta Lira é cantora popular, atriz, performer, produtora cultural, curadora. Professora de Canto, Musicalização Infantil (ULM), Artes Negras da Cena e Preparação e Sensibilização de Atrizes e Atores. Bacharela em Artes Cênicas pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Mestranda Pesquisadora CAPES de Tradução Cultural, Artes e Culturas de Matriz do Programa de Pós-Graduação em Estudos da Tradução (PGET/UFSC). Realiza oficinas, formações e workshop especializados em sensibilização pela/para a Cultura Afrobrasileira em processos de ensino e harmonização das coletividades no trabalho, em intercâmbios culturais, consultorias, assessorias. Como faz consultorias e assessorias para a implementação de políticas antirracistas, de componentes curriculares como o das artes negras da cena e outras, das questões de matriz africana e das relações raciais e étnico-raciais com discentes, docentes, coordenadorias de IES públicas e privadas, empresas ou grupos específicos. Diretora Executiva do Kurima Bantu Mulheres Mudempodiro, Diretora de Projetos, Arte e Cultura do Coletivo Kurima – Estudantes Negras/os da UFSC. Coordenadora Pedagógica do Fórum de Artes Negras da Cena (FANCA/UFSC). Diretora Geral do Vozes de Zambi – coletivo e projeto de extensão (UFSC), Intercâmbio Brasil/Peru de Mulheres Negras: Empoderamento como Ferramenta de Desenvolvimento, Igualdade e Justiça e membra da Association for Women’s Rights in Development (AWID).

Ficha Técnica
Convidadas ministrantes: Professora, pesquisadora, mestranda e artista Roberta Lira; e professora, pesquisadora e gestora Ana Paula Cardozo
Realização e organização: Programa Ações Culturais do DAC (SeCArte/UFSC), Coletivo Vozes de Zambi, Kurima Bantu Mulheres Mudempodiro, Coletivo Kurima – Estudantes Negras e Negros da UFSC.
Equipe de organização: Carlos Fante, Roberta Lira, Ana Paula Cardoso, Gabriel Trindade, Renata Lima.
Parceria e Apoio: Vozes de Zambi: Voz, Performance, Cena, Consciência Negra e Tradução – projeto de extensão; FANCA; Disciplina de Artes Negras da Cena e Culturas de Matriz Africana.
Equipe de Apoio da Disciplina Artes Negras da Cena e Culturas de Matriz Africana:
Priscila Genara, Roberta Lira, Débora Zamarioli e estudantes da disciplina

Serviço:

O quê: Aula Aberta: Consciência Negra /2019: desconstruindo e ocupando espacialidades — “Vivências em Corporeidades Tradicionais Africanas e Cantos Negros: Tecnologias de (Re) Existências que Alimentam e Nutrem Almas numa proposta para Cena”
Quando: dia 20 de novembro de 2019, quarta-feira, 18h30 às 22 horas
Onde: Teatro da UFSC (ao lado da Igrejinha), Praça Santos Dumont/Rua Desembargador Vítor Lima, 117, Trindade, Florianópolis (SC).
Quanto: Gratuito — As inscrições devem ser feitas por ordem de chegada, no local, 30 minutos antes do inicios das atividades.
Contato: Departamento Artístico Cultural (DAC)/SeCArte da UFSC: (48) 3721-2498 e 3721-9447 — www.dac.ufsc.br

[CW] DAC/SeCArte/UFSC, com texto das ministrantes da aula aberta

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