Projeto de pesquisa da UFSC participa de expedição na Antártica

04/09/2019 11:11

Foto: divulgação

Integrantes do Laboratório Fatores Humanos (LabFH) acabam de voltar de uma das regiões mais inóspitas do mundo: a Antártica. O trabalho de pesquisa em Psicologia, desenvolvido desde 2014 na UFSC, é pioneiro no Brasil e é focado especialmente nas pessoas que tornam a estadia humana na Antártica possível, onde são realizadas inúmeras pesquisas de relevância ímpar. O projeto ‘Fatores Humanos em Regiões Polares’, do  LabFH, tem o intuito de desenvolver e melhorar teorias e técnicas de avaliação em Psicologia, atualmente em parceria com o Instituto de Psicologia da Aeronáutica (IPA).

O projeto é parte do estudo de doutorado da psicóloga Paola Barros Delben, orientada pelo professor da UFSC Roberto Moraes Cruz, e atua de maneira interdisciplinar, abordando outras áreas como Medicina, Engenharia Mecânica, Engenharia Química e Direito. Os dois pesquisadores estiveram em campo acompanhados pela psicóloga Tenente Bianca Rovella, do Instituto de Psicologia da Aeronáutica, com o qual a UFSC está firmando um acordo de cooperação para um intercâmbio técnico-científico. Essa é a sétima vez que Paola vai a campo, já o professor teve sua primeira experiência nesta expedição. A última vez que Paola esteve na Antártica em outubro de 2018, a bordo do navio Ary Rongel, foi para realizar ajustes metodológicos para a coleta de dados, apresentando também a cartilha que desenvolveu como resultado de sua dissertação de mestrado. Nela constam orientações de prevenção aos principais impactos da experiência: ansiedade e crises de pânico, depressão e suicídio, comportamento seguro x comportamento de risco, alterações do ciclo circadiano e enfrentamento disfuncional ao estresse, como o abuso de álcool e violências, com destaque para o assédio.

Pesquisadora Paola na Antártida em agosto de 2019. Foto: divulgação

Desta vez, a expedição lançou carga de mantimentos e equipamentos para os oficiais que trabalham na Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF) durante um ano. No inverno, o mar ao redor da estação congela, impedindo a aproximação de embarcações. Por isso, durante os meses de maior isolamento (abril a outubro), são necessários os voos. Junto com itens básicos para a sobrevivência, estão também os itens chamados de ‘ itens de afeto’, que são cartas, desenhos e presentes de pessoas queridas pelos expedicionários em missão anual. Para a doutoranda, os itens “oferecem não apenas maior conforto, mas também recursos que promovem a saúde e a segurança de homens e mulheres que trabalham em prol do Brasil”. Ela ainda conta que um dos militares mencionou, com emoção, a satisfação que é levar a carga para seus colegas e a alegria daqueles que recebem, por exemplo, ovos. “Dos 300 ovos lançados de paraquedas apenas alguns quebram”, conta Paola.

O relato completo da expedição feito por Paola pode ser lido aqui.

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