UFSC na mídia: Determinantes sociais da saúde e participação popular são debatidos em Seminário

08/08/2019 17:01

Ricardo Almendra e Elson Pereira. Foto: Ricardo Lopes

O segundo dia do Seminário Gestão Urbana e Saúde, promovido pela Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca, da Fiocruz, em parceria com o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro (CAU/RJ), contou com a participação do geógrafo Ricardo Almendra, da Universidade de Coimbra, do professor da UFSC, Elson Manoel Pereira e da engenheira sanitarista e consultora da Opas/OMS, Mara Oliveira, além de Marcelo Bessa da ENSP/Fiocruz, que coordenou as mesas.

Ricardo Almendra apresentou dados sobre Portugal, baseados na pesquisa desenvolvida na Universidade de Coimbra, “A Geografia da Saúde da População”. O estudo mapeou quais aspectos precisam ser melhorados em cada região do país para promover a saúde da população. Almendra explicou também que, dos determinantes sociais da saúde, 40% são fatores socioeconômicos; 30%, fatores relacionados ao comportamento; 10%, ao ambiente físico e apenas 20% aos cuidados com a saúde, segundo dados do Institute for Clinical Systems Improvement (Instituto para Melhoria dos Sistemas Clínicos). “Os dados mostram que grande parte das doenças não são inevitáveis”, afirmou o pesquisador.

A consultora da Organização Panamericana de Saúde, da Organização Mundial da Saúde (Opas/OMS), Mara Oliveira, apresentou informações semelhantes. Segundo dados da OMS, 23% das mortes em todo o mundo estão ligadas a questões ambientais. São doenças respiratórias, cardíacas, que afetam principalmente, idosos e crianças. A poluição do ar é responsável pela morte de 7 milhões de pessoas a cada ano.

Em sua aula magna, Mara Oliveira, também falou sobre o papel da Opas, de ampliar o conhecimento sobre temas de saúde e qualidade de vida, promover o desenvolvimento de pesquisas e contribuir para a vigilância em saúde ambiental, realizando ações que proporcionam a detecção de mudanças nos fatores determinantes e condicionantes do meio ambiente que interferem na saúde humana.

Já o professor da UFSC Elson Manoel Pereira focou sua palestra na governança democrática territorial urbana e sua relação com a saúde pública. Ele provocou reflexões nos ouvintes sobre a necessidade de participação da população em políticas públicas urbanas e como essa contribuição leva a cidades mais saudáveis. O professor fez um histórico da evolução da democracia e lembrou que novas experiências de democracia participativa começaram a surgir na metade do século XX. Elson Pereira falou, ainda, do urbanismo funcionalista, que impôs um modelo de cidade baseado no conhecimento técnico-científico, muito pouco permeável à participação popular e do conceito de direito à cidade de Lefèvbre.

Fonte: https://www.caurj.gov.br, de 8 de julho de 2019