Estudantes debatem Ações Afirmativas na UFSC: ‘uma luta que não acabou’

21/08/2019 17:03

“As lutas do movimento negro brasileiro pela implementação da política de cotas raciais e sua ampliação” foi tema de mesa-redonda no início da noite desta terça-feira, 20 de agosto, no auditório Henrique Fontes, Centro de Comunicação e Expressão (CCE) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Alunos e alunas compuseram a mesa e o público em um espaço para dar voz aos movimentos e coletivos de estudantes sobre a implantação da Política de Ações Afirmativas, que segundo os organizadores do evento foi “conquistada tão arduamente por uma luta que ainda não terminou”.

Para colocar em evidência as conquistas e os retrocessos das Ações Afirmativas no âmbito da Universidade e no país, foram chamados os ativistas e acadêmicos Lucas Anhaia, do curso de História e integrante do Núcleo de Estudos Negros; Delza da Hora, das Ciências Sociais e membra do Educafro; Mathaus Caricate, do Serviço Social e membro do Coletivo Negro de Serviço Social “Magali da Silva Almeida”; e Akin Reis, da Psicologia e membro do Movimento Negro em Defesa das Cotas.

O evento faz parte de uma Agenda Coletiva, com atividades entre os dias 20 e 23 de agosto, de terça a sexta-feira desta semana, articulada por coletivos e estudantes negros e negras da Universidade com o intuito de compartilhar temas importantes, atividades culturais e formativas com os calouros e calouras, organizações negras e indígenas.

A discussão foi mediada pela aluna de Economia, Danielle de Paula, que também é coordenadora-geral do Diretório Central dos Estudantes (DCE) e diretora de Assistência Estudantil da União Nacional dos Estudantes (UNE). Pontuou que a iniciativa é mais que necessária, principalmente na atual conjuntura política, para que os estudantes saibam os direitos conquistados e como se deram os processos para oficialização na Universidade, as lutas e os retrocessos. Aos quatro convidados foi oportunizado espaço para falar da história das Ações Afirmativas em um contexto mais amplo e local.

Lucas abriu o debate com o processo de construção das Ações Afirmativas e, para tanto, não poderia deixar de fazer referência às lutas dos movimentos “Afro-Diaspórico” e o “Negro Brasileiro”. Tentou resumir essa trajetória e o desenvolvimento do conceito inicia-se na década de 60 com Martin Luther King e Malcolm X, personagens de destaque nas lutas contra a segregação nos EUA. Explica que “além dos Estados Unidos, outros países também adotaram essa política, como em vários da Europa, na Índia, Malásia, Austrália, Canadá, Nigéria, África do Sul e Argentina, atuando principalmente em áreas como mercado de trabalho e no sistema educacional, em especial, o acesso ao ensino superior e também na forma de representação política. Esses projetos são destinados a pessoas pertencentes a certos grupos, historicamente subordinados e potencialmente explorados.” A finalidade é “compensar perdas provocadas pela discriminação e marginalização, para eliminar um histórico de desigualdades”. E para o aluno “devemos pensar nesses acúmulos criados historicamente” – também característicos da sociedade brasileira – “para refletir na legitimação das Ações Afirmativas”. Lucas fez um relato contextualizado e trouxe datas históricas, manifestações nacionais e internacionais, legislações, e os argumentos utilizados por quem é contra aos avanços alcançados com a política de Ações Afirmativas.

Delza da Hora alertou para o risco do momento atual do Brasil, em que todos os direitos históricos estão sendo negados em apenas oito meses de governo, fora “toda a discussão que tem sido colocada na sociedade, com uma série de opressões e preconceitos que também acabam recaindo sobre a Política de Ações Afirmativas”. Trouxe para a mesa os conteúdos dos projetos de lei que pretendem acabar com as cotas raciais nos estados do Rio de Janeiro e Bahia. Para a estudante, isto acontece, pois a sociedade ainda desconhece toda a discussão sobre a diferença entre cota racial e social, como estes conceitos estão atrelados e como se formaram esses processos. “A gente consegue aprovar e garantir as leis e os direitos, mas no dia-a-dia a população não tem a compreensão e acaba reproduzindo o mesmo preconceito sobre esses temas”.

O debate prosseguiu e ao final, abertura para questionamentos do público.

Mais informações no Facebook.

 

Rosiani Bion de Almeida/Agecom/UFSC

Tags: ações afirmativasDCEUFSC