Reitor recebe grupo que denuncia professores por envio de mensagens preconceituosas

17/07/2019 17:07

O reitor da UFSC, Ubaldo Cesar Balthazar, recebeu no Gabinete nesta quarta-feira, 17 de julho de 2019, representantes da comunidade universitária para tomar conhecimento de denúncia contra dois professores da instituição, que enviaram pela lista de discussão do Centro Tecnológico (CTC) mensagens com conteúdo machista e misógino (ódio ou aversão a mulheres). O grupo também exemplificou outros atos de um desses servidores públicos, em que apresentou condutas semelhantes, e solicitou que, desta vez, a instituição intervenha e tome medidas de prevenção e punição, já que ferem o código de ética, as leis e os regulamentos acadêmicos. O documento, construído e endossado coletivamente, será entregue à Corregedoria da Universidade, após esse encontro com o reitor.

As pessoas que se deslocaram ao Gabinete da Reitoria na manhã desta quarta-feira, uma parcela dos que estão diretamente envolvidas, foram motivadas pelos sentimentos de indignação e de inquietação quanto à conduta de determinados agentes públicos. Também estavam presentes representantes da Secretaria de Ações Afirmativas e Diversidades (Saad), do Instituto de Estudos de Gênero (IEG), do Laboratório Fotovoltaica (CTC), do Instituto para o Desenvolvimento de Energias Alternativas na América Latina (Ideal), da Associação Brasileira de Energia Solar (Abens), do Núcleo de Pesquisa em Direito e Feminismos (Lilith), da Associação dos Pós-Graduandos da UFSC (APG) e da organização do evento “I Encontro de Mulheres na Energia Solar”.

Aline Kirsten Vidal de Oliveira e Kathlen Schneider, ambas engenheiras de formação na UFSC e organizadoras do evento “I Encontro de Mulheres na Energia Solar” – promovido pelo Laboratório Fotovoltaica no dia 4 de junho de 2019 e alvo das mensagens preconceituosas por parte dos dois docentes -, expuseram os motivos para a promoção do encontro que visava, principalmente, unir, incentivar, estabelecer e manter uma rede de mulheres pesquisadoras. A resposta do público foi bastante positiva, porém, na sequência os participantes foram surpreendidos com a “infeliz notícia que dentro da lista de discussão do CTC houve comentários extremamente machistas, misóginos e sexistas”, acrescentou Aline.

Diante de atitudes que ofenderam a coletividade, que reforçam a cultura de violência contra as mulheres e da utilização de canal institucional – em que deveriam ser debatidos temas referentes aos trabalhos – o grupo reiterou a necessidade de posicionamento da UFSC e de revisão da conduta desses profissionais e de quaisquer pessoas que fomentam este tipo de comportamento.

O teor das conversas foi apresentado na reunião. Um dos professores enviou pelo fórum de discussão o texto oficial de divulgação e contestou a importância do encontro. “Alguém consegue encontrar alguma justificativa para uma iniciativa como essa? É ridículo”, escreveu. Também foi citado o trecho da conversa que circulou na lista do CTC, da Telemedicina e da Apufsc, em que outro docente disse que há uma correlação entre mulheres e energia solar porque “mulheres bem produzidas são usuárias de energia solar e de protetores solares”. Em seguida, afirmou esperar que no encontro “haja uma exposição de mulheres bonitas, com os clássicos biquínis a absorver energia solar para nosso deleite”. Nas mensagens, o professor ainda contestou a importância de uma reunião só com mulheres alegando existirem “inúmeras profissionais de excelência, que não precisaram de cotas e nem de eventos feministas para ascender a carreira”. E no final afirmou que gostaria de ter no laboratório a visita das participantes, “preferivelmente bonitas e/ou simpáticas”.

Esta parte e outros desmembramentos da discussão foram elencadas no processo, cuja cópia foi disponibilizada ao reitor, que se prontificou a analisá-la e buscar as medidas administrativas, nas respectivas instâncias competentes da Universidade.

Rosiani Bion de Almeida/Agecom/UFSC

Tags: corregedoriaCTCI Encontro de Mulheres na Energia SolarreitoriaUFSC