UFSC compõe grupo de pesquisa para nova política alimentar da União Europeia

27/06/2019 13:36

Professora e pró-reitora de Pós-graduação da UFSC, Cristiane Derani.

Referência em direito ambiental e Fellow do Centro de Pesquisas C-EENRG (Centre for Environment, Energy and Natural Resource Governance), na Universidade de Cambridge, a professora e pró-reitora de Pós-graduação da Universidade Federal de Santa Catarina (PROPG/UFSC), Cristiane Derani, representa a UFSC, única universidade fora da Europa, no Grupo de Trabalho restrito constituído especialmente para pesquisar e responder a seguinte questão: Como construir um sistema alimentar sustentável que também tenha uma justa e durável distribuição de alimentos? A pergunta de pesquisa surge diante do projeto da União Europeia (UE) em lançar em 2020 uma política para a segurança e sustentabilidade alimentar.

O convite para participar deste grupo, composto por 12 pesquisadores da Europa que atuam nas áreas de ciências humanas, surgiu devido à estreita relação de pesquisa de Derani com Cambridge. “Durante o pós-doutorado em 2016 publiquei trabalhos, participei de projetos e proferi palestras sobre Mudanças climáticas, proteção da biodiversidade para a segurança alimentar, ou seja, questões relacionadas ao meio ambiente e a produção e distribuição de alimentos”, relembra a pesquisadora.

A relação com a universidade inglesa fez com que Derani ingressasse no Global Cambridge Food Security, uma rede de pesquisadores de Cambridge que trabalham a segurança alimentar. “A partir disso, embora brasileira, devido ao vínculo com a universidade, fui chamada para atuar no aconselhamento à União Europeia (UE), o que considero muito interessante”, diz ela.

É comum que grupos de cientistas sejam formados para dar consultoria e, por meio de um Relatório, orientar as políticas a serem realizadas na União Europeia. A UFSC é a única universidade fora da Europa que está neste seleto grupo. “Na UE as leis são construídas a partir da ciência, ou seja, a política é feita a partir da ciência, então existem vários grupos de cientistas que estão permanentemente vinculados à Comissão Europeia para prover os políticos de conhecimento, algo que o Brasil precisa aprender”, esclarece Derani.

No dia 25 de junho a pró-reitora esteve em Berlin, na Alemanha, para participar da primeira reunião com o Grupo de Trabalho que prestará informações científicas ao Mecanismo Europeu de Aconselhamento Científico (European Scientific Advice Mechanism – SAM), sendo que o primeiro esboço do Relatório de Revisão de Evidências deve ser apresentado em 13 de setembro e o Relatório Final finalizado até março de 2020.

“A minha participação foi bem recebida porque trago um olhar sistêmico e complexo sobre o sistema alimentar, uma abordagem voltada ao que eles querem construir: um sistema de alimentos sustentável, principalmente no ponto de vista de reduzir o desmatamento, do uso racional e sustentável da terra, de preservação das culturas, da agricultura familiar, da diversidade de sementes, da manutenção dos recursos hídricos, e isso tudo diz respeito à nossa política”, salienta Cristiane.

O sistema alimentar na Europa tem vínculo com o resto do mundo: África, América e especialmente o Brasil. Há uma relação intensa de exportação e importação de alimentos e, na avaliação de Derani, é fundamental verificar o papel das grandes empresas e indústrias produtoras de pesticidas e transgênicos que estão forçando a entrada na Europa com base nessa exportação. “Avalio a minha participação como absolutamente importante, porque no momento em que o Brasil está recuando em suas políticas ambientais, eu acabo contribuindo de fora pra dentro: de uma exigência que a UE possa construir para forçar o Brasil a manter ou reconstruir a sua política de segurança alimentar sobre o uso de pesticidas, a distribuição da terra, o respeito à biodiversidade”, enaltece ela.

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Cristiane Derani é professora e pró-reitora de Pós-graduação na UFSC. Graduada e doutora em Direito pela USP. Pós-doutorados na Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales (EHESS-Paris), na University of Cambridge no Centre for Environment, Energy and Natural Resources Bovernance (CEENRG -Reino Unido).

De 1999 a 2009 atuou como advogada ambiental e foi associada à União para o Biocomércio Ético (2008-2011). É também coordenadora do grupo de pesquisa em Estudos Avançados em Economia e Meio Ambiente no Direito Internacional (EMAE), pesquisadora do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), membro do programa das Nações Unidas Harmony with Nature, membro-fundadora e diretora da Associação Internacional de Direito e Governança Ecológica (ELGA).

Suas principais áreas de pesquisa são: direito ambiental, internacional, globalização e desenvolvimento sustentável, biodiversidade, alterações climáticas e governança, segurança alimentar e direito econômico.

Nicole Trevisol / Jornalista da Agecom / UFSC

*Foto: Divulgação.

Atualizado às 19h26 de 27 de junho de 2019.

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