Correntes de retorno da praia do Campeche são pesquisadas em experimento de campo

03/05/2019 09:00

Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) realizam um experimento de campo na praia de Campeche, sul de Florianópolis, desde sábado, 27 de abril, para analisar a circulação costeira, sobretudo as correntes.   O estudo integra um projeto de pesquisa aprovado dentro da chamada universal do CNPq de 2016. “Dentre as correntes estudadas estão as correntes de retornos, que são correntes estreitas e fortes em direção ao oceano aberto, e que matam milhares de pessoas todo o ano ao redor do mundo”, explica o professor Pedro de Souza Pereira, da Coordenadoria Especial de Oceanografia da UFSC, destacando que, na linguagem popular se chama “repuxo”

O trabalho é intenso desde as 6h, quando os pesquisadores se preparam para lançar e depois recolher os derivadores de superfície (equipamentos com GPS que apontam a trajetória e o deslocamento da porção superficial das correntes). A pesquisa também usa dados obtidos por vídeo, através da filmagem por drone. A escolha do Campeche se deu pela logística – era a praia com maior facilidade de acesso para o grupo, que pôde acompanhar os pontos onde estavam as correntes de retorno ao longo do último mês, e onde havia local para deixar os equipamentos.

“A costa leste da ilha de Santa Catarina é repleta dessas correntes, e se faz necessária uma maior compreensão de suas peculiaridades para que medidas que reduzam o perigo possam ser realizadas com maior conhecimento”, diz Pedro Pereira.

Além das correntes, estão sendo medidas a morfologia da praia, características das ondas e sedimentologia das praias. O professor aponta que a publicação dos dados completos deve ocorrer até maio de 2020 – as análises começam na próxima semana. “Os padrões mais básicos a gente já viu”. Entre as peculiaridades, os pesquisadores conseguiram encontrar correntes circulares, que não deixam os equipamentos irem para o mar aberto e nem ser jogados de volta à praia, da mesma forma que ocorre em alguns casos de afogamento. “É uma espécie de vórtice. É conhecido na literatura e aqui a gente encontrou bastante”.

O experimento, cuja etapa do Campeche encerrou nesta quinta-feira, 2 de maio, também conta com participação de alunos e professores da Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI) e da Universidade Federal do Rio Grande (FURG).

 

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