UTI do HU não registra casos de infecção no uso de três dispositivos invasivos

08/01/2019 12:22

A Unidade de Tratamento Intensivo do Hospital Universitário Polydoro Ernani de São Thiago (HU/UFSC) não registrou casos de infecção relacionados ao uso concomitante de três dispositivos invasivos no mês de dezembro de 2018. O fato é resultado de uma série de trabalhos que vem sendo realizados dentro da UTI, sustentados pela metodologia proposta pelo Projeto Melhorando a Segurança do Paciente em Larga Escala no Brasil, iniciado em dezembro de 2017 no hospital.

Segundo Isabel Canabarro, farmacêutica no HU, não foram registradas pneumonias associadas ao uso de ventiladores mecânicos, nem infecções urinárias relacionadas ao uso de sondas vesicais ou infecções primárias de correntes sanguíneas, associadas ao uso de cateteres venosos centrais. “Fechamos o ano com chave de ouro na UTI. Trata-se de um resultado mensal, mas que indica que estamos no caminho certo para atingir a meta do projeto, que visa reduzir em 50% a densidade de infecções na UTI até 2020”, explica ela, salientando que os resultados indicam que estão ocorrendo mudanças nos processos de trabalho que podem resultar em melhorias na assistência à saúde. 

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O projeto Melhorando a Segurança do Paciente em Larga Escala no Brasil foi idealizado pelo Ministério da Saúde, por meio do Programa de Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS), em parceria com cinco hospitais de excelência no Brasil (Albert Einstein, Instituto do Coração, Oswaldo Cruz, Moinhos de Vento e Sírio Libanês) e tem foco em três pacotes de intervenções: pneumonia associada ao uso de ventilador mecânico (PAV); infecção urinária (ITU) relacionada ao uso de sonda vesical de demora e infecção primária de corrente sanguínea laboratorialmente confirmada (IPCSLC), associada ao uso de cateter venoso central.

O HU/UFSC é um dos 119 hospitais selecionados para participar do projeto, que é desenvolvido na UTI Adulto e conta com vários trabalhadores divididos em equipes (PAV, ITU, IPCSLC e Integração), que atuam como multiplicadores das ações. Cinco trabalhadores do hospital fazem parte da Equipe de Melhoria e participam das sessões de aprendizagem presenciais e virtuais sob a supervisão direto do Hospital Moinhos de Vento, com metodologia do Institute for Healthcare Improvement (IHI).

No projeto são adotados pacotes de prevenção (chamados bundles) baseados nos protocolos propostos pela Anvisa, com base na metodologia do IHI, que visa também mensurar os resultados da implantação destes pacotes. Tudo é registrado por meio de relatórios que são avaliados mensalmente.

Outra atividade importante dentro do projeto é a realização de visitas multiprofissionais aos pacientes da UTI (chamadas rounds), que são realizadas de segunda a sexta-feira. Neste momento, os profissionais repassam um checklist dos itens dos pacotes de prevenção que ajuda a fazer uma avaliação do trabalho e, se necessário, apontar mudanças. Esta prática já era realizada no HU e ganhou destaque com o desenvolvimento do projeto.

A direção do HU acompanha os trabalhos diretamente, avaliando os relatórios mensais e realizando visitas na UTI, chamadas de rondas, ao menos uma vez ao mês para ouvir relatos dos colaboradores e pacientes e avaliar os resultados apresentados periodicamente. De acordo com os membros da equipe responsável pelo projeto, o trabalho tem objetivo de redução da incidência de infecções por meio de melhoria dos processos, mas não se limita ao trabalho dos profissionais, pois há necessidade, por exemplo, de envolvimento dos familiares no cuidado.

Gilson de Bitencourt Vieira enfermeiro e líder do projeto no HU reforça que, além da abordagem clínica e assistencial, o projeto ressalta a importância do envolvimento do paciente e da família como protagonista do cuidado prestado e do envolvimento de ambos durante a internação, procurando amenizar os riscos decorrentes da hospitalização na UTI. “Para tanto, tem-se realizado testes para que, a curto prazo, seja institucionalizada no HU a visita ampliada, onde alguns familiares, poderão permanecer na UTI, acompanhando pacientes, em períodos previamente acordados com a equipe da Unidade”, diz ele.

Segundo o Ministério da Saúde a expectativa é de salvar 8.500 vidas e economizar R$ 1,2 bilhão com a implantação do projeto em 119 hospitais.  ao evitar desperdícios causados pela manutenção prolongada de pacientes que sofrem com infecções hospitalares dentro de UTIs.

Sinval Paulino /Jornalista do HU / UFSC