Professor da UFSC realiza exposição no Museu Histórico de Santa Catarina

29/11/2018 18:19

O professor Mário César Coelho, do Departamento de Expressão Gráfica da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), realiza a exposição “Paisagem Passagem: uma ponte em 30 dias” no Museu Histórico de Santa Catarina. A abertura ocorre no dia 13 de dezembro, quinta-feira, às 18h.

Baseada em um diário visual com a Ponte Hercílio Luz como personagem principal, a exposição realiza um recorte temporal, num ato de desenhar durante todo o mês de setembro de 2017, resultando em 35 trabalhos com uma mesma técnica: lápis de cor aquarelável sobre papel preto. Todos os desenhos foram executados in loco, levando de uma a três horas, com exceção de alguns quadros que foram concluídos em duas etapas, em virtude de chuvas ou ventos fortes. A proposta do artista é compartilhar os desenhos de uma forma que possam propiciar uma experiência estética com a imersão através da visão do conjunto.

As imagens estão dispostas na mesma sequência em que foram desenhadas durante os 30 dias. A cronologia é tal qual o artista foi assimilando a paisagem. Na primeira quinzena os desenhos foram realizados a partir das cabeceiras insular e continental. Na segunda quinzena, uma parte dos desenhos é feita dentro da ponte, destacando o movimento constante dos trabalhadores nas passagens da estrutura, sob os andaimes, as torres, subindo e descendo dos guindastes, em terra e em mar.

“Foi necessário entender melhor o funcionamento da estrutura de apoio para a desmontagem e reconstrução da ponte. A nova estrutura de apoio que se mistura com a antiga criando uma visão inteiramente nova e efêmera na paisagem. Neste momento a ponte não é apreensível como o velho cartão postal. No lugar de uma totalidade, o fragmento; no lugar de linhas simples, a complexidade e hibridismo das formas. Este conjunto estrutural precisava ser visto mais de perto. Foi solicitada uma autorização prévia para fazer algumas visitas técnicas e então desenhar e pintar sobre a passagem da ponte. Para andar na estrutura, além de muita atenção, foi preciso se adequar às normas de segurança: uma maior proteção para os pés, um capacete de obras e sempre portar um casaco corta-vento”, relata MC Coelho.

A ponte, segundo ele, é um lugar que o artista costuma desenhar de vez em quando, mas a sequência constante lhe permitiu observar de uma forma mais intensa as passagens do tempo, da luz, dos ventos, dos fluxos das marés. “O canal do Estreito é o ponto mais próximo entre a ilha e o continente. Permanecer nas cabeceiras no cotidiano ajudou ao artista perceber parte de um contato perdido com o mar. Perceber cada hora do dia como especial, o começo da manhã, o meio-dia, o fim da tarde. E as noites com as luzes da cidade, dos bairros, a escuridão do céu ampliada pela escuridão da gigante estrutura apenas com as pequenas luzes de alerta verdes e vermelhas. Enfim, uma mudança a cada instante”, descreve.

A exposição fica aberta ao público até 3 de fevereiro de 2019, de terça a sexta, das 10h às 18h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 16h.

Mais informações pelos e-mails  e .