Estudantes de Medicina da UFSC passam por avaliação em laboratório com simulações de casos reais

05/10/2018 14:53

Um grupo de 20 estudantes de Medicina da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) passará por uma avaliação laboratorial, com simulação de casos reais, no Laboratório de Habilidades do Hospital Universitário (HU/UFSC), na próxima quarta-feira, 10 de outubro. Sob supervisão de uma equipe de professores e médicos do HU, os alunos realizarão atividades comuns na vida prática de um médico, durante 40 minutos.

A avaliação ocorre dentro de ambiente protegido e controlado, onde os alunos realizarão atendimentos clínicos simulados, demonstrando como reagem em casos de emergência. Eles identificarão sintomas, farão prescrições e encaminhamentos, explicarão sobre o diagnóstico e orientarão os pais, entre outras situações simuladas. Através de um espelho, serão observados todos os movimentos: habilidades, atitudes e conhecimentos dos estudantes.

Esse tipo de atividade monitorada foi introduzida no Brasil há alguns anos e ganhou importância significativa no ensino de Medicina na UFSC, que foi contemplado recentemente com a nota máxima (5) na avaliação do Ministério da Educação (MEC). O pediatra e professor João Carlos Xikota, diretor da Unidade de Cuidado da Criança e Adolescente do HU, explicou que este tipo de avaliação atende a uma diretriz do MEC, que estabelece que o estudante deve aprender em situações e ambientes protegidos e controlados, ou em simulações de realidade, identificando e avaliando o erro.

Este método de avaliação foi idealizado em 1975 no Reino Unido e é chamado de OSCE (do inglês Objetive Structured Clinical Examination, ou exame clínico objetivo estruturado), que permite avaliar habilidades clínicas, conhecimento, atitudes, comunicação e profissionalismo. O exame vem sendo realizado pelo Departamento de Pediatria no Laboratório de Habilidades desde 2014 e já permitiu a avaliação de mais de 500 formandos, além de uma constante reavaliação dos métodos de ensino na universidade.

A professora Camila Valois Lanzarin explicou que no OSCE há bonecos e atores que simulam situações para os formandos. São seis estudantes, um em cada sala sob observação dos médicos e professores, que analisam cada passo dos estudantes, sendo que cerca de 14 profissionais participam do processo de avaliação, feito de acordo com a fase de aprendizado do futuro médico. “Em fases iniciais, a avaliação é mais simples, como aferir pressão arterial ou medir a estatura de uma criança. Com o avançar do curso, a avaliação se torna mais complexa, com simulação de situações de emergência, como uma parada cardíaca, por exemplo.”

De acordo com a equipe, há estudos que relacionam o uso de metodologias ativas de avaliação — como é o caso do OSCE — e o melhor desempenho dos estudantes da UFSC quando comparadas a outras universidade do sul do Brasil. “Este tipo de metodologia é aplicado em universidades de ponta, porém sem espaço próprio para a realização. A UFSC é uma das poucas universidades que conta com um laboratório como este para a avaliação”, afirmou a professora Renata Meireles Tomazzoni.

Professoras que também acompanham a aplicação da metodologia, como Helen Zatti, Jaqueline Ratier e Denise Neves Pereira explicaram que o OSCE é aplicada pelo Departamento de Pediatria pelo menos três vezes no decorrer da formação do médico na UFSC (atualmente, o método é aplicado na terceira, sétima e nona fases nas disciplinas do módulo da criança) e que há outras ferramentas pedagógicas, como o método ABP (Aprendizagem Baseadas em Problemas) que é uma ferramenta de ensino centrado no aluno que tem um caráter avaliativo porque além de estimular a busca do conhecimento, avalia o conhecimento prévio e raciocínio clínico para resolução do problema. No internato, além do OSCE, a avaliação 360, pioneira na UFSC e a própria avaliação global realizada pelos preceptores nas atividade diárias são metodologias de avaliação.