Laboratório da UFSC realiza primeiro desenvolvimento embrionário e larval de marisco branco

07/09/2018 18:37

Marisco branco. Foto: Juan J. S. Santos

O marisco branco (Mesodesma mactroides) é um molusco de areia com importância histórica e socioeconômica no sul do Brasil, Uruguai e Argentina. A espécie tem sua preservação ameaçada sem que se tenham definidas as causas. Neste sentido, vários estudos ambientais e laboratoriais vêm sendo realizados, porém, até recentemente, não se havia obtido sucesso no desenvolvimento embrionário em laboratório (larvicultura) do marisco branco.

A primeira vez que a larvicultura dessa espécime obteve êxito foi a partir de pesquisa realizada no Laboratório de Moluscos Marinhos da UFSC (LMM) por Juan Jethro Silva Santos, doutorando em Aquicultura pela Universidade Federal do Rio Grande (FURG).

Almejando à preservação do molusco, a larvicultura do marisco branco ocorreu entre os meses de maio e junho de 2018, com a coleta de espécimes no Rio Grande do Sul, e como desdobramento de pesquisa iniciada em 2017. A partir de manejos padrões estabelecidos pelo LMM para a larvicultura de outras espécies, a pesquisa acompanhou todo o desenvolvimento embrionário e larval, observando variáveis biométricas como altura e cumprimento, e comprovando o êxito da empreitada.

A pesquisa

“Strip” das gônodas. Foto: Juan J. S. Santos

Espécimes adultos de marisco foram coletados na praia do Mar Grosso no município de São José do Norte, Rio Grande do Sul. Em seguida, os moluscos coletados foram armazenados e transportados ao Laboratório de Moluscos Marinhos (LMM), da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Uma vez no LMM, os mariscos foram aclimatados para realização dos experimentos.

Após três semanas de aclimatação e maturação, utilizou-se indivíduos machos e fêmeas para realização da desova. Posteriormente, seguiu-se a larvicultura, utilizando manejos padrões estabelecidos pelo LMM para outras espécies. Durante o processo, foram realizadas análises morfométricas dos estágios embrionários e larvais e se procedeu ao registro de imagens ao longo do período de larvicultura.

Estruturas de aclimatação. Foto: Juan J. S. Santos

No decorrer da pesquisa, foram observadas a formação de embriões, posteriormente metamorfoseados em larvas trocóforas e, em seguida, desenvolvidas como larvas D.

Em seguida, foi realizada a observação das metamorfoses estruturais diárias até o final da larvicultura, quando os sujeitos se desenvolvem enquanto larvas pedivéliger, prontas para assentar. Como resultado da pesquisa, em larvicultura de 27 dias, foi demonstrado o desenvolvimento larval positivo por meio das variáveis biométricas de altura e comprimento em função do tempo.

A partir deste estudo inicial, foram realizados experimentos relacionados a outras variáveis, como temperatura, salinidade e dieta. Dessa forma, o desenvolvimento embrionário foi testado sob efeito de diferentes salinidades e, posteriormente, temperaturas, além de trabalhos com diversas dietas. A partir dessas informações, torna-se possível o estabelecimento dos pontos ótimos de cada variável analisada para o desenvolvimento embrionário, larval e assentamento do marisco branco em laboratório, no intuito de completar o pacote tecnológico de cultivo desta espécie e poder avançar em formas de garantir a preservação futura da espécie.

Gabriel Martins/Agecom/UFSC, com informações e imagens de Juan Jethro Silva Santos/FURG

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