Folha de S.Paulo publica resenha sobre tradução autoral de professora da UFSC

11/09/2018 13:03

A ensaísta, tradutora e escritora, professora do Curso de Artes Cênicas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e do Curso de Pós-Graduação em Estudos da Tradução da UFSC, Dirce Waltrick do Amarante, recebeu nova resenha positiva do jornal Folha de S.Paulo, publicada no dia 8 de setembropor sua tradução e organização do livro “Finnegans Wake (por um fio)”, de James Joyce. O livro é resultado de sua pesquisa de pós-doutorado, em Zurique e São Paulo, no ano de 2016. Dirce Waltrick é uma das principais pesquisadoras de James Joyce no Brasil, contendo, em sua bibliografia, diversos ensaios e traduções do autor. Em seu livro, a docente faz sínteses de cada capítulo, elegendo uma das infinitas linhas da obra-prima joyceana, passando-a para a língua portuguesa.

A resenha sobre a tradução autoral é de Marcelo Tápia, poeta e professor da Pós-Graduação em Estudos da Tradução da Universidade de São Paulo (USP), e pode ser acessada no site. A obra de Dirce Waltrick também já foi capa do Caderno Pensar, do jornal O Estado de Minas, e prestigiada por resenhas do Estadão, que podem ser lidas aqui e neste link.

 

 

Descrição do livro

… por um fio, por dentro da linguagem noturna de Finnegans Wake, Dirce Waltrick do Amarante nos conduz até um fim. O resultado é a presente tradução autoral da última obra literária de James Joyce, publicada em 1939.

Já que a circularidade do Wake impede que exista começo, meio ou fim, a tradutora encontrou a ponta do fio narrativo onde bem quis e largou-a onde bem entendeu. Ou não foi bem assim?

Para esta tradução, entre as 628 páginas em que o livro de Joyce foi originalmente publicado em inglês (ou fineganês), DWA (Dirce Waltrick do Amarante) fixou-se em pontos de referência como ALP (Anna Livia Plurabelle) e HCE (Humphrey Chimpden Earwicker) – personagens que o leitor conhecerá assim que abandonar esta orelha e for direto ao ponto – além de menções a Giambasttista Vico e Lewis Carroll. Ela também selecionou alguns trechos do livro mais conhecidos dos leitores ou que primam pelo trabalho poético.

Um dos méritos dessa retradução condensada do Wake é não ter a pretensão de recomeçar do zero. A tradutora, também estudiosa da obra de Joyce, dialoga francamente com John Cage, Ana Hatherly e com os irmãos Campos. Ela nos conta, ainda, que durante seu andarilhar tradutório valeu-se de pistas de outros estudiosos e tradutores. Nada mais ético.

As obras de Joyce constantemente nos convidam a traduzir e pensar sobre tradução. Estudos sobre suas retraduções para as mais diversas línguas ajudaram não apenas a entender Joyce, mas também renderam importantes ideias sobre a própria tradução literária. Este Finnegans Wake (por um fio) é mais uma contribuição na mesma linha.

Quanto ao título, tal é a riqueza de possibilidades contida em “Finnegans Wake” (atenção: sem apóstrofo!) que, ao não ter optado por solução já conhecida em português, Dirce Waltrick do Amarante não despertou o gigante do livro em lugar dos leitores, mas atribuiu a nós a liberdade de fazê-lo.

Vamos então ler este pequeno Wake de fio a pavio, fiando-se no trabalho da tradutora-autora, que nos apresenta um fio narrativo, mas dando a entender, nos entrefios, que em Joyce nossa leitura está sempre…

Vitor Alevato do Amaral