Desaparecimento de estudantes é tema de livro lançado por ex-aluna da UFSC

13/09/2018 11:04

O livro Sepultura de palavras para os desaparecidos, da jornalista Luara Wandelli Loth, será lançado oficialmente no dia 27 de setembro, a partir das 19 horas, na Fundação Cultural Badesc, em Florianópolis. A data marca os quatro anos do sequestro e desaparecimento de 43 estudantes da Escola Normal Raúl Isidro Burgos, em Ayotzinapa, no estado mexicano de Guerrero. Publicado pela Editora Insular, conta as histórias dos buscadores do México, e narra o drama cotidiano das famílias dos desaparecidos na procura de fossas clandestinas. Durante o lançamento também será exposta e oferecida uma reportagem fotográfica sobre o tema. 

Os corpos ou restos mortais dos 43 jamais foram encontrados. A tragédia, que continua mobilizando famílias, e movimentos sociais, provocou o surgimento de grupos de buscadores de valas e fossas clandestinas por todo o país. A divulgação, na opinião da autora, pode ser considerada uma “arma contra a banalização dos desaparecimentos, já que a violência manteve curva crescente, mesmo após o escândalo de Ayotzinapa”.

Conforme revela o livro, os grupos de buscadores, embora politicamente divididos, desafiam um Estado dominado pelo narcotráfico, onde polícia, políticos e organizações criminosas muitas vezes andam de mãos dadas ou atadas.

A autora, estudante de Jornalismo da UFSC e intercambista da Universidade Autônoma do Estado do México (UAEMex) à época, acompanhou a indignação que tomou conta do México pelos desaparecimentos. De volta ao Brasil, Luara não teve dúvidas: escolheu a tragédia dos desaparecidos como tema para desenvolver o seu trabalho de conclusão de curso.

Retornando ao México em 2015, onde permaneceu até março de 2016, a jovem acompanhou o trabalho do grupo de buscadores e traz histórias, fotos e depoimentos dos envolvidos. O trabalho que resultou em livro foi orientado pelo professor Carlos Locatelli, do curso de Jornalismo da UFSC, e é enriquecido pelas apresentações do historiador Waldir Rampinelli e da professora de Jornalismo Daisi Vogel.

Rampinelli, que integra a direção dos Instituto de Estudos Latino-Americanos (IELA), sublinha que “o livro é uma leitura obrigatória para entender esta região marcada por grandes conflitos, desde que por aqui meteram os pés os conquistadores europeus”. Já Daisi Vogel, doutora em Literatura, ressalta que Luara fez perguntas, fotografias, estudou, enfim, realizou esta “extraordinária reportagem”, onde “imagens e palavras se movem caudalosas, e que nos arrastam como águas de uma enchente.”

Acompanhando a saga dos buscadores, o livro-reportagem, explica a autora, mostra “o rastro de destruição desses desaparecimentos para a população inteira do país, especialmente para os habitantes de Iguala, cuja população sobrevive ao horror do sequestro dos 43 estudantes de Ayotzinapa”. Contextualizando a tragédia, Luara reconstitui, por exemplo, a história das Escolas Normais Rurais, que são sinônimo de resistência política.

Serviço:

O quê: Lançamento de Sepultura de Palavras para os desaparecidos, de Luara Wandelli Loth, Editora Insular.

Quando: dia 27 de setembro, das 19 às 22 horas.

Onde: Fundação Cultural Badesc, rua Visconde de Ouro Preto, número 216  Centro de Florianópolis.

Contatos com a Fundação: telefone (48) 3224-8846 ou pelo e-mail .

Contato com a autora: (48) 99970-2568 (WhatsApp) e (91) 98769-0497 (celular) ou pelo e-mail