Vencedor de sete prêmios Esso, José Hamilton Ribeiro, vem à UFSC nesta sexta

09/08/2018 10:00

Simples como café com pão e manteiga do interior, espirituoso com a própria tragédia (mais difícil do que ser repórter como uma perna só é ser repórter com quatro) e um JORNALISTA, assim mesmo, em caixa alta.

Esse é José Hamilton Ribeiro, vencedor de sete prêmios Esso, e que vem a Florianópolis no dia 10 de agosto para a Aula Inaugural do segundo semestre do curso de Jornalismo da UFSC. Vai aproveitar a agenda e relançar uma versão atualizada do seu “Música Caipira – As 270 maiores modas”, livro publicado pela Editora Realejo.

O evento, que será realizado a partir das 14h30min no Auditório Henrique Fontes, no Centro de Comunicação e Expressão da Universidade Federal de Santa Catarina, é uma promoção da Agência de Comunicação (Agecom) e do curso de Jornalismo e da UFSC, e conta com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Extensão Universitária (Fapeu).

Na palestra aos alunos, Ribeiro vai abordar principalmente aquele que é seu ponto mais forte: reportagens, como as que vem fazendo há quase 30 anos para o Globo Rural, mas vai falar também o que pensa do jornalismo dos dias atuais.

Nativo de Santa Rosa de Viterbo, José Hamilton chegou a cursar Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero mas, por participar de uma greve, foi expulso antes de se formar. É formado em Direito, pois sua mãe achava que jornalismo não era profissão. Cobriu a Guerra do Vietnã, onde pisou em uma mina e teve a perna esquerda estraçalhada.

Para ele, jornalista tem que ter qualquer diploma de nível superior. “É preferível que tenha quatro anos de universidade, por pior que seja, do que ser analfabeto. Tem que estar preparado. É uma profissão delicada, envolve política, liberdade de expressão.”

Diz também que todos os dias se sente motivado para buscar novas histórias. “Reportagem de televisão é sempre um desafio. Quando você começa, está muito inseguro. Mas eu tenho a consciência de que o que resolve é o entrevistado, é o personagem. Se o personagem for bom, autêntico e sincero, aquilo passa com um efeito agradável. Eu acho que o repórter depende muito de quem está entrevistando.”

Sobre o seu livro lembra que “como ninguém quis fazer, eu mesmo fiz. “Peguei dois violeiros de Minas, um de Bom Despacho, um catireiro, e um violeiro de Uberaba. Eu dava uma opinião quanto à letra e os dois quanto à música. E nós fizemos, então, a seleção das 270 maiores modas.”

Para a música caipira, aliás, José Hamilton vê três caminhos. O primeiro é aquele que foi escolhido por sertanejos modernos, como Zezé di Camargo e o Luciano e Chitãozinho e Xororó, para falar dos mais conhecidos.  O segundo é o tradicionalista, com viola, dupla e temática rural. E o terceiro é aquele em que acredita mais, o que pegou a viola caipira e a transformou em um instrumento quase erudito. Nomes como Almir Sater e Roberto Corrêa fazem parte dessa corrente. Hoje, cada cidade grande do sudeste tem uma orquestra de viola.

Segundo José Hamilton, os artistas do sertanejo moderno, que costumam ser muito criticados, são grandes artistas, mas não são mais rurais. E também não são urbanos. Não encontraram ainda seu lugar. “São sub-urbanos. A música caipira aconteceu em um tempo quando o Brasil tinha mais de 80% da população no campo. Hoje é o contrário. Como fazer música caipira hoje se quase não existe mais carro de boi, ranchinho de beira-chão, baile na roça? “

Então a música tende a acabar? “A questão central é o cenário. O cenário do samba, por exemplo, está lá, continua inalterado. Já o cenário da música caipira acabou. Hoje ninguém mora nas fazendas. O tratorista, que opera colheitadeira, mora na cidade, tem o carro do ano. De manhã, pega o carro, vai até a fazenda, encosta na garagem, pega a máquina, com ar condicionado, e vai gradear, colher, preparar a terra, passar veneno. De tarde, pega o carro e volta pra casa. Vai para o ar condicionado, vê a novela. É um sujeito urbano.”

“A música caipira é um tesouro cultural brasileiro. Principalmente quanto à letra. É um repositório, um documentário que precisa ser preservado. E um dos critérios do livro é que as modas escolhidas deveriam ter boa música e boa letra.”, conclui o jornalista mais premiado do Brasil.

Aula Inaugural do Curso de Jornalismo da UFSC com o jornalista José Hamilton Ribeiro

Relançamento do livro Música Caipira – As 270 maiores modas

Auditório Henrique Fontes – Centro de Comunicação e Expressão da UFSC

Dia 10 de agosto – 14h30min

 

Artemio R. de Souza/jornalista/Agecom/UFSC 

Foto destaque: Observatório da Imprensa