Laboratório Fotovoltaica assina memorando de entendimentos com Nissan para estudar utilização de baterias de carros elétricos

06/08/2018 13:11

Demonstração mostra a capacidade das baterias usadas de veículos elétricos em aplicações do dia a dia. (Foto: Pipo Quint/Agecom/UFSC)

O Laboratório Fotovoltaica (Centro de Pesquisa e Capacitação em Energia Solar da Universidade Federal de Santa Catarina) e a Nissan do Brasil assinaram, na última sexta-feira, 3 de agosto, memorando de entendimento que tem como objetivo iniciar estudos para soluções futuras para as baterias usadas de veículos elétricos. O evento de formalização do acordo foi realizado na sede do Laboratório Fotovoltaica UFSC, no Sapiens Parque, em Florianópolis, com a presença do presidente da Nissan, Marco Silva, do pró-reitor de pesquisa da instituição, o professor Sebastião Roberto Soares, e do coordenador do Laboratório Fotovoltaica UFSC, professor Ricardo Rüther.

Os convênios a serem firmados no futuro, a partir da assinatura do memorando, permitirão que a fabricante japonesa de automóveis e o grupo de pesquisa da UFSC testem as aplicações dessas baterias. Para tal, a Nissan vai fornecer à UFSC, inicialmente, seis conjuntos de baterias de veículos Nissan Leaf, que foram usados como táxis em São Paulo e no Rio de Janeiro como parte de um projeto especial da empresa entre 2012 e 2016.

Sistema montado para demonstração da capacidade das baterias usadas de veículos elétricos. (Foto: Pipo Quint/Agecom/UFSC)

“Em todo o mundo, a Nissan vem desenvolvendo parcerias com o objetivo de integrar o carro elétrico à sociedade e promover a mobilidade elétrica. Após a utilização nos veículos, as baterias ainda possuem uma grande capacidade de carga e abastecimento. No Brasil, o trabalho conjunto com os pesquisadores da Universidade Federal da Santa Catarina será fundamental para que todo o potencial dessas baterias seja testado”, disse Marco Silva.

“A parceria com a Nissan é de extrema importância para nosso laboratório, pois ela vai permitir que a gente una os dois pilares das nossas pesquisas que são a mobilidade elétrica e o armazenamento de energia. Estamos muito animados com as diversas possibilidades de aplicação dessas baterias”, comenta o professor Ricardo Rüther, que coordena o Laboratório Fotovoltaica UFSC. No ano passado, o grupo desenvolveu um ônibus elétrico alimentado exclusivamente por energia solar usado diariamente para o transporte de pesquisadores e alunos.

Presidente da Nissan, Marco Silva e o pró-reitor de Pesquisa, Sebastião Soares assinam memorando de entendimentos entre a empresa e a Universidade. (Foto: Pipo Quint/Agecom/UFSC)

Estiveram presentes durante a assinatura do memorando, ainda, o diretor do Centro Tecnológico, Edson De Pieri, o chefe do departamento de Engenharia Civil, Wellington Longuini, além de professores do departamento, pesquisadores e estudantes da Fotovoltaica UFSC e diretores da Nissan.

O pró-reitor de Pesquisa da UFSC, Sebastião Soares, salientou o orgulho pela Universidade participar dessa parceria. “Sentimos orgulho, pois a UFSC foi procurada por uma empresa de grande porte para apoiá-los na sua estratégia de desenvolvimento de novos produtos e novos processos. São ações que destacam a abertura da Universidade para toda a sociedade, particularmente para o setor produtivo. Nessa parceria, a UFSC vai contribuir com soluções de problemas que ainda vão acontecer, antecipando esses cenários. Parcerias como essa evidenciam a competência dos nossos pesquisadores, professores, técnicos e estudantes. Nossa expectativa é que a universidade possa se abrir cada vez mais, e permaneça conectada com o que virá no futuro”, declarou o pró-reitor.

Aplicações

Após a assinatura do memorando, o presidente da Nissan, Marco Silva, conheceu a estrutura do Laboratório Fotovoltaica UFSC. (Foto: Pipo Quint/Agecom/UFSC)

Dentre os trabalhos a serem realizados por meio desta parceria, pode-se destacar o estudo do potencial das baterias como sistemas de armazenagem de energia, o que a Nissan chama em todo o mundo de Xstorage Buildings (ou Edifícios de Armazenagem) para a geração de energia de maneira independente da rede elétrica convencional. Considerando o consumo médio residencial no Brasil de 170kWh/mês – 5,66kWh/dia – a energia acumulada em uma bateria pode, por exemplo, manter uma casa funcionando por aproximadamente três dias.

A armazenagem de energia solar também será um dos temas de estudo. Uma das primeiras aplicações planejadas pelos pesquisadores acontecerá no próprio prédio do Laboratório Fotovoltaica UFSC. A energia elétrica gerada durante o dia por meio dos módulos fotovoltaicos instalados nas coberturas dos prédios do laboratório ficará armazenada nas baterias para ser utilizada durante a noite, quando a tarifa de luz é mais cara.

“Agora poderemos armazenar energia e alimentar o prédio à noite e fazer a última recarga do ônibus elétrico. Estávamos procurando realmente um parceiro que pudesse nos fornecer essas baterias de íons de lítio, que é uma tecnologia arrojada e avançada, além de ser um resgate ambiental que será feito, com baterias de carros que seriam descartadas e terão uma utilização em uma aplicação bastante nobre, estacionária,” destaca Ricardo Rüther.

Destino nobre

Um conjunto de sete baterias de íons de lítio, mesmo após 10 anos de uso em carros elétricos ainda é capaz de armazenar energia suficiente para alimentar um apartamento mediano por 24 horas. (Foto: Pipo Quint/Agecom/UFSC)

O uso alternativo de baterias usadas do veículo Nissan Leaf já é realidade em algumas partes do mundo. Em junho deste ano, a empresa inaugurou no estádio Johan Cruyff Arena, na Holanda, o maior sistema de armazenamento de energia da Europa. O sistema, alimentado por 148 baterias, funciona de forma independente sem conexão com a rede elétrica convencional. No Japão, a Nissan e sua afiliada 4R Energy Corporation uniram-se à cidade de Namie, no nordeste do país, para instalar postes de luz alimentados por uma combinação de painéis solares e baterias que foram usadas em veículos elétricos da marca.

Pesquisadores do Laboratório Fotovoltaica, em parceria com a startup Atlas Power, criada por alunos egressos da UFSC, já começaram a utilizar as baterias em aplicações. O primeiro projeto com as baterias foi apresentado em uma demonstração pela doutoranda da UFSC Aline Oliveira e o empresário Viccenzo Collodel Benetti, que salientaram que durante o uso das baterias nos carros elétricos, nos primeiros 10 anos de uso dessas baterias, pode haver uma queda de capacidade de potência de até 80%. “Parece que se perde muito, mas essa capacidade de baterias que resta, é muito valiosa e pode ser aproveitada para muita coisa”, explicou Aline. “Aqui vamos armazenar energia solar fotovoltaica e utilizar para nossas necessidades, como carregar o ônibus elétrico à noite. Utilizaremos essas baterias que vieram da eletromobilidade para carregar eletromobilidade. É um círculo que se fecha, com redução do impacto ambiental, já que vamos prolongar a vida útil dessas baterias. Vamos agora analisar quanto tempo essas baterias irão durar e como elas podem ser utilizadas nesse novo modelo de negócio”, salientou.

Segundo Viccenzo, ex-aluno da UFSC e criador de uma empresa que faz gerenciamento de baterias, a reutilização da bateria de íons de lítio garante segurança e confiabilidade na utilização no dia a dia. Durante a demonstração, Viccenzo mostrou que as baterias não dão choque, são mais estáveis, ocupam menos espaço e armazenam uma grande quantidade de energia, mesmo em pequena quantidade. Um conjunto de apenas sete baterias é capaz de fornecer energia suficiente para alimentar um apartamento de dois quartos, onde moram dois adultos, por 24 horas. “É algo impressionante, o futuro da eletromobilidade. Com essa tecnologia vamos conseguir fazer uma rede elétrica mais inteligente. É trabalho conjunto, que poderá contribuir para um futuro com um sistema energético melhor”, ressaltou.

 

 

Mayra Cajueiro Warren
jornalista da Agecom/UFSC

com informações da Nissan do Brasil