Palestra apresenta políticas e programas de apoio ao desenvolvimento tecnológico e inovação

23/06/2017 18:01

Defender a participação das universidades públicas no processo de inovação e apresentar alternativas de parcerias com empresas para o financiamento de pesquisas e infraestrutura foram alguns dos objetivos da palestra do diretor do Departamento de Políticas e Programas de Apoio à Inovação do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações (MCTIC), Jorge Mário Campagnolo, no Auditório da Reitoria da UFSC na tarde de sexta-feira, 23 de junho. O encontro foi promovido pela Fundação de Ensino e Engenharia de Santa Catarina (FEESC) e pela Pró-Reitoria de Pesquisa da UFSC.

Campagnolo disse não trazer grandes novidades de Brasília, mas possibilidades. “O momento não é bom para financiamento federal, mas é necessário buscar um caminho fora dos recursos unicamente públicos, com parcerias, e encontrar soluções, como a Lei do Bem, a Lei da Informática e a Embrapii”. A Lei do Bem, conforme Campagnolo, permite que empresas em regime de lucro real façam diversas deduções com o apoio à pesquisa e desenvolvimento. Entretanto, das 155 mil empresas com esta característica, apenas mil utilizam o benefício. “A indústria quer investir em inovação, vamos ajudar”, incentiva Campagnolo.

O diretor do MCTIC afirmou que a ciência produzida nas universidades precisa de outros destinos, como gerar empregos, empresas e produtos. De acordo com ele, o Brasil não acompanhou o processo de transferência de tecnologia da universidade para a indústria como outros países e perdeu com isto. “Nós aprendemos a patentear, mas agora precisamos evoluir para chegar a outro patamar. Ter a patente na prateleira não significa nada: o que vale é a transferência de tecnologia”.

Campagnolo (D) apresentou instrumentos de apoio às empresas. Foto: Jair Quint/Fotógrafo da Agecom/UFSC

Estratégias focadas em licenciamento e comercialização, com flexibilização das regras para a última, são os desafios que as instituições devem vencer para gerar benefícios mútuos com o setor produtivo, explica Campagnolo. “A universidade não é responsável pela inovação como o mercado, mas tem que participar da criação de ambientes para que ela ocorra, como incubadoras e parques tecnológicos”.

A vice-reitora da UFSC, Alacoque Lorenzini Erdmann, lembrou que 97% de toda a ciência produzida no país é produzida em universidades públicas. “Vale destacar que temos 2.590 docentes e um volume significativo de programas de pós-graduação. Precisamos de investimento em infraestrutura e background para proporcionar autonomia a nossos pesquisadores”.

Diretor presidente da FEESC, Raul Valentim da Silva ressaltou que há necessidade de transformar o potencial da universidade em benefício da população brasileira. “É importante estabelecer laços mais efetivos de comunicação com a sociedade. A UFSC é excelente em pesquisa, mas é preciso melhorar o seu relacionamento com os setores produtivos”.

O pró-reitor de Pesquisa da UFSC e membro do conselho curador da FEESC, Sebastião Soares, comentou que a Universidade tem uma boa relação com o setor produtivo, mas é “necessário incentivar esta aproximação. O momento atual é complexo, mas não podemos ficar pensando apenas no que foi perdido, e sim ter criatividade para alavancar recursos; a Lei do Bem é importante para isto”.

O diretor do Centro Tecnológico e diretor técnico da FEESC, Edson de Pieri, elogiou a contribuição de Campagnolo à inovação no Brasil por conta da coordenação do projeto piloto da Embrapii: “Não é pouca coisa, e ele é um colega de casa”. Ele também lamentou as dificuldades das universidades em participar da inovação. “É necessário desembaralhar o processo, que é complicado tanto para quem está na universidade como para a indústria”.

Caetano Machado/Jornalista da Agecom/UFSC

Fotos: Jair Quint/Fotógrafo da Agecom/UFSC

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