UFSC mostra preocupação com os desafios da gestão em ações afirmativas

10/11/2016 15:20
Foto: Caetano Machado/Agecom/UFSC

Foto: Caetano Machado/Agecom/UFSC

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) sedia, desde quarta-feira, 9 de novembro, o I Seminário Nacional de Gestão em Ações Afirmativas no Ensino Superior. O objetivo do encontro é socializar experiências aplicadas em universidades e elaborar propostas para o aprimoramento deste tipo de política.

A primeira mesa-redonda do evento, organizado pela Secretaria de Ações Afirmativas e Diversidades (Saad) da UFSC e pela Associação Brasileira de Pesquisadores (as) Negros e Negras (ABPN), Gestão e AA: institucionalização e transversalidades, contou com a participação de representantes de três instituições: da própria UFSC, da Universidade do Estado da Bahia (Uneb) e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Francis Tourinho, titular da Saad, apresentou a estrutura do órgão, ressaltando que conta com 51 envolvidos, entre docentes, técnicos-administrativos e estagiários, e que um dos desafios da gestão em ações afirmativas é “ser acolhido por quem quer acolher”. Ela também lembrou que a universidade “é um reflexo de nossa sociedade, com racismo, machismo, homofobia” e que tenta acelerar a resolução destes casos. Ela relatou que um aluno denunciado por fazer apologia ao estupro foi obrigado a comparecer a uma disciplina de igualdade de gênero (e ser aprovado). Francis reforçou que a agressão vista nas redes sociais deve ser denunciada aos órgãos da UFSC para providências serem tomadas.

O pró-reitor de Ações Afirmativas da Uneb, Wilson Roberto de Mattos, apontou semelhanças entre esta e a UFSC, com exceção do número de pessoas trabalhando: são oito, contando com ele. As ações afirmativas na Uneb nasceram em 2003, e hoje o trabalho da pró-reitoria é organizar e sistematizar as ações da instituição. Entre as dificuldades estão a inexistência da institucionalidade desta política, a dispersão das ações em vários órgão e a desvantagem da pró-reitoria em relação às outras mais “tradicionais”.

Vice-coordenador da Coordenadoria de Ações Afirmativas da UFRGS, Edilson Amaral Nabarro destacou a necessidade de as universidades conseguirem elementos para avaliar o funcionamento das políticas de ações afirmativas – o poder executivo deve examinar os efeitos delas em 2022. “Quais os indicadores? Não há parâmetros nacionais para um modelo unificado.” Ele também acredita que as políticas não serão revogadas de imediato, mas podem enfrentar fragilizações nos próximos anos.

O Seminário continua até esta sexta-feira, 11 de novembro.

Caetano Machado/jornalista da Agecom/UFSC

 

Mais informações na SAAD.

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