Pesquisa realizada pela UFSC revela dados de Florianópolis sobre qualidade de vida e discriminação

30/05/2014 16:45

Uma pesquisa realizada pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 2012, que investigou a qualidade de vida da população de Florianópolis, na faixa etária entre 20 e 59 anos, revelou que nove em cada dez homens e oito em cada dez mulheres afirmaram ter uma qualidade de vida boa ou muito boa – entre os cerca de 1.200 entrevistados. Os resultados fazem parte do estudo do instituto EpiFloripa, que avalia as condições de saúde de adultos e idosos da Grande Florianópolis. O projeto é coordenado pelo professor Marco Aurélio Peres, do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (PPGSC) do Centro de Ciências da Saúde (CCS).

Para o resultado final da pesquisa, os examinadores utilizaram um questionário – elaborado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e utilizado em diversos países – composto de 26 perguntas sobre aspectos psicológicos e físicos, e sobre relações sociais e de ambiente em relação à qualidade de vida.

A satisfação com as relações sociais, o apoio de amigos e a vida sexual foram os aspectos melhor pontuados pelos participantes. Nesses itens, três em cada quatro pessoas responderam que estavam satisfeitas ou muito satisfeitas; por outro lado, as questões relacionadas ao ambiente, tais como segurança, meio ambiente saudável, recursos financeiros, acesso a informações e aos serviços de saúde, atividades de lazer, condições de trabalho e moradia foram aqueles com pior pontuação na qualidade de vida dos participantes, em especial, entre aqueles com menor renda e escolaridade. Aproximadamente 30% dos participantes disseram estar insatisfeitos com o acesso aos serviços de saúde; 28%, que tinham pouca ou nenhuma oportunidade de lazer.

A pesquisa revelou ainda que as pessoas com menor renda e escolaridade apresentam também pior qualidade de vida devido a uma avaliação ruim de aspectos físicos, tais como: dor física, necessidade de tratamento médico, qualidade do sono e capacidade para o trabalho e para as atividades diárias. Entre as pessoas com maior renda, 11% declararam que precisam muito de tratamento médico; entre as pessoas com menor renda, esse percentual foi o dobro – 23%.

Esses resultados indicam que, embora a qualidade de vida da população de Florianópolis seja positiva, existe a necessidade de mudanças estruturais e sociais para os moradores com menos recursos, para que, desse modo, as diferenças existentes diminuam. A pesquisa também aponta a necessidade de um maior investimento público em infraestrutura – como praças, calçadas e ciclovias, que facilitem a adoção de comportamentos saudáveis – e de um melhor acesso aos serviços de saúde, principalmente nas regiões mais pobres do município.

Discriminação

O EpiFloripa realizou também uma pesquisa para avaliar os índices de discriminação. Participaram 1.222 moradores adultos do município, entre 22 e 61 anos. O relatório final indicou que 54,4% já passaram por uma ou mais experiências discriminatórias ao longo da vida. De forma geral, os motivos mais frequentemente citados foram classe social, vestimenta, peso, idade, sexo, local de moradia e cor ou raça. Segundo os autores, esses dados merecem atenção porque Florianópolis é considerada hospitaleira, com seus habitantes estabelecendo boas relações entre si e com as pessoas de outras localidades. A discriminação é relacionada a consequências negativas, tais como em saúde, com o uso de cigarro e álcool, sofrimento psíquico e doenças cardiovasculares, bem como o baixo desempenho escolar.

Para dar continuidade aos estudos, todos os participantes da pesquisa serão novamente avaliados neste ano. O EpiFloripa conta com a participação de professores dos departamentos de Nutrição, Saúde Coletiva, Educação Física e Ciências Médicas da UFSC. O estudo recebeu financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Mais informações: www.epifloripa.ufsc.br ou pelo e-mail:

Coordenador da pesquisa: David Gonzalez – e-mail: 
Edição: Andressa Prates/Estagiária de Jornalismo/Agecom

Revisão: Claudio Borrelli/Revisor de Textos da Agecom/Diretoria-Geral de Comunicação/ UFSC

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