UFSC desenvolve ações para promover acessibilidade aos estudantes

23/09/2013 12:55

Colmeia e mouse adaptado disponíveis no AAI da BU. Foto: Gabriela Dequech – AI/GR

A Coordenadoria de Acessibilidade Estudantil (CAE) da Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) foi instituída no mês de agosto. A equipe, formada por duas pedagogas, uma fonoaudióloga e uma psicóloga educacional, atende estudantes e presta assessoria aos cursos de graduação e de pós-graduação da Universidade. O grupo propõe reuniões semestrais com coordenadores de cursos e com professores das disciplinas em que os alunos atendidos estão matriculados para planejamento de estratégias pedagógicas.

Além disso, o setor ministra cursos para docentes por meio do Programa de Formação Continuada (Profor) e, atualmente, trabalha na formulação de diretrizes de trabalho e na construção da política de acessibilidade da Universidade, com base na Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e em legislações nacionais.

“O trabalho da Coordenadoria tem foco na eliminação das barreiras do contexto, que podem ser as referências visuais para um estudante com deficiência visual, por exemplo. Trabalhamos para criar condições igualitárias de acesso ao conhecimento. O aluno pode ter condições diferentes, mas a ideia é que tenha as mesmas oportunidades dos outros alunos”, esclarece a coordenadora Patrícia Muccini Schappo.

Sete bolsistas auxiliam os alunos com deficiência na organização dos estudos. Cinco deles participam de estágio não obrigatório e dois integram o projeto Núcleo de Acessibilidade da UFSC, contemplado pelo edital do Programa de Bolsas de Extensão (Probolsas) da Pró-Reitoria de Extensão desde 2011. Os bolsistas são acompanhados e supervisionados pela CAE.

Patrícia Schappo explica que são avaliadas as particularidades de cada caso, como o tipo de deficiência e as demandas dos cursos. “O bolsista transcritor auxilia nos registros das aulas. Já o bolsista descritor é indicado para alunos com deficiência visual. Ele descreve todo o material que é apresentado de forma visual, como os slides de uma aula”, diz.

Mapeamento

A CAE fez o mapeamento dos estudantes com deficiência com o auxílio da Superintendência de Governança Eletrônica e Tecnologia da Informação e Comunicação (SeTIC) por meio do Sistema de Controle Acadêmico da Graduação (CAGR). O levantamento, realizado no primeiro semestre letivo deste ano, apurou que 111 alunos de graduação e 10 de pós-graduação dos campi de Araranguá, Curitibanos, Joinville e Florianópolis se enquadram nesse perfil. Deficiência visual, deficiência auditiva, surdez, surdocegueira, transtorno do espectro autista, nanismo, deficiência física, mobilidade reduzida e deficiência intelectual foram características identificadas entre os alunos.

Antes da criação da CAE, o trabalho com foco na acessibilidade dos estudantes era organizado de outra forma. No final de 2010, o Comitê de Acessibilidade, composto por servidores técnicos e docentes, foi formalizado. Em outubro de 2012, criou-se o Núcleo de Acessibilidade, uma exigência do Governo Federal. O Programa Incluir, do Ministério da Educação (MEC), propõe ações para garantir o acesso de pessoas com deficiência às instituições federais de ensino superior. Até o ano passado, as universidades concorriam aos recursos destinados à criação dos núcleos por meio de seleção. Em 2013, a política de editais foi extinta e o MEC passou a encaminhar recursos às instituições que têm alunos com deficiência matriculados.

“A diferença entre o Núcleo e a Coordenadoria é a organização institucional. Durante muito tempo foram desenvolvidas ações isoladas na Universidade. Havia um grupo de servidores nomeados por portaria que tinham carga horária de dez horas semanais para se dedicar a esse trabalho. O poder de ação era limitado e não tínhamos um espaço físico”, relembra a coordenadora Patrícia Muccini Schappo.

Parcerias

A CAE desenvolve parcerias internas com Subcomitê de Acessibilidade – grupo que desenvolve um estudo avaliativo sobre as condições de acessibilidade nos campi da UFSC –, com o Núcleo de Fonoaudiologia do Hospital Universitário (HU) e com a Biblioteca Universitária (BU). Há também uma parceria externa, com a Associação Catarinense para Integração do Cego (ACIC).

A BU possui o Ambiente de Acessibilidade Informacional (AAI), através do qual é possível produzir material acessível em diferentes formatos. Lupa, tablet, webcam, sistema FM de comunicação sem fio – artifício que aumenta a qualidade do áudio – mouse adaptado para pessoas com deficiência na motricidade fina e outras tecnologias assistivas estão disponíveis para empréstimo. O ambiente para estudo está localizado no piso térreo da Biblioteca.

“O AAI possibilita a socialização da informação. A cada dia, aumenta a demanda para produção de material acessível para os nossos alunos. Temos acervo em braile, acervo digital, materiais em áudio, textos com fonte maior para alunos com baixa visão. Disponibilizamos também scanner e softwares específicos para leitura”, comenta a diretora da BU, Dirce Maris Nunes da Silva.

De acordo com Clarissa Pereira, auxiliar de biblioteca que trabalha no AAI há quase dois anos, o AAI iniciou como projeto em 2006. Em outubro de 2011 começaram as atividades regulares. Atualmente, 24 alunos são atendidos de forma individualizada. “O AAI atende principalmente alunos com deficiências visuais diversas e com paralisia. Porém, também temos vinculados ao ambiente alunos com Síndrome de Irlen e dislexia que também necessitam de adaptações em seu material de aula. O tipo de material mais utilizado pelos alunos do AAI é a adaptação para alunos cegos, surdocegos e com baixa visão. O aluno com qualquer deficiência quanto ao acesso à informação pode se vincular ao AAI”, explica.

“Um aluno com paralisia cerebral pode utilizar um mouse adaptado e a colmeia, que é uma placa de acrílico acoplada ao teclado na qual há uma perfuração em cada tecla, para que o aluno introduza o dedo para teclar. Essa tecnologia bloqueia o descontrole motor. Todo o material disponibilizado pelos professores nas disciplinas vai para o AAI para que seja produzido em formato acessível. Tudo que é produzido fica no acervo da BU. Assim, o material que um aluno utiliza neste semestre poderá ser utilizado por outro aluno no próximo”, informa Patrícia.

A CAE solicitou à SeTIC modificações nos sites da UFSC para que sejam acessíveis às pessoas com deficiências sensoriais. Por meio do uso de ferramentas que analisam a acessibilidade de sites, foram desenvolvidos relatórios, que serviram de base para algumas alterações.

“Fizemos adaptações técnicas nos campos do HTML para que os softwares usados pelas pessoas com deficiência visual tenham maior compatibilidade com as páginas da UFSC. Há cerca de três semanas disponibilizamos uma versão já com as pendências solucionadas. Estamos trabalhando para desenvolver um novo layout para os sites da Universidade, e levaremos em conta a acessibilidade”, explica o coordenador de Data Center e Serviços da SeTIC, Guilherme Arthur Gerônimo.

A equipe trabalha em conjunto com os bolsistas para criar uma página institucional da CAE com a proposta de esclarecer dúvidas e divulgar informações sobre o trabalho que desempenha. A previsão é de que o site esteja em funcionamento até o final do mês de outubro. “Optamos pelo blog por ser um formato interativo”, esclarece Patrícia.

Desafios

Esclarecer para a comunidade da UFSC o que é acessibilidade é uma das principais dificuldades enfrentadas pela equipe. De acordo com Patrícia, o desafio é mexer na estrutura, pois a maioria dos setores não possui espaço físico adequado para pessoas com deficiência. “Propor mudanças nem sempre é fácil, ainda mais se o conceito de acessibilidade não está claro. Muitos veem deficiência como incapacidade; nós vemos como uma condição humana. Ainda se confunde acessibilidade com assistencialismo, com concessão de privilégios. Precisamos esclarecer que acessibilidade é criar condições de acesso e eliminar barreiras”, diz.

A UFSC apresenta carência de intérpretes de nível superior da língua brasileira de sinais (Libras). A instituição conta com sete profissionais. A Administração Central busca soluções junto ao MEC para a contratação de intérpretes. “Seria importante termos intérpretes de Libras trabalhando em conjunto com a CAE. A equipe está em construção e precisa de um assistente em Administração que ajude a cumprir com os trâmites institucionais. Estamos sempre atendendo alunos, professores e familiares e nem sempre damos conta das exigências burocráticas”, comenta a coordenadora.

Os campi de Araranguá, Curitibanos e Joinville são assessorados pelo CAE. Ainda não há núcleos de acessibilidade nesses campi. Uma assistente social em Araranguá e uma assistente social e um técnico em assuntos educacionais em Curitibanos atuam como agentes cooperativos de acessibilidade. “Foram realizadas reuniões técnicas para apresentar a Coordenadoria e solicitar profissionais para atuar em conjunto nos campi”, explica Patrícia. Os membros da CAE ainda não visitaram o campus de Joinville, mas a previsão é de que a visita aconteça ainda neste ano.

Além de trabalhar com alunos da graduação e da pós-graduação, a CAE dá suporte ao Colégio de Aplicação e ao Núcleo de Desenvolvimento Infantil (NDI) da UFSC. A coordenadora relata a dificuldade de estruturar a acessibilidade no ensino superior. “Cada profissional da equipe está desenhando suas atribuições. Não há um modelo como há na educação básica. Tentamos contato com setores de acessibilidade de outras universidades, mas percebemos que estão todos em fase de implantação ou voltados para uma deficiência em especial”, pontua.

Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (48) 3721-4648 ou pelo e-mail .

Bruna Bertoldi Gonçalves/Assessoria de Imprensa do Gabinete da Reitoria /UFSC

(48) 3721-9319 /

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