‘A festa da jaguatirica’ terá lançamento na Ilha, em Manaus e na aldeia dos Kamaiurá

05/09/2013 17:26

A descontração, o bom humor e a informalidade no bate-papo sobre o livro A festa da jaguatirica – Uma partidura crítico – interpretativa não desencorajaram o antropólogo Rafael José de Menezes Bastos a lamentar os retrocessos atuais sofridos pelos povos indígenas no Brasil. O autor atraiu alunos, professores e leitores à 17ª Feira do Livro da Editora da Universidade Federal de Santa Catarina, dia 4, no Centro de Convivência, em Florianópolis. O avanço das pesquisas choca-se com o momento difícil vivido pelos índios. “Estamos diante de verdadeiros campos de concentração, onde a vida não vale nada”, denunciou.

Fruto de mais de quatro décadas de pesquisa dedicada à música dos Kamaiurá e do Alto Xingu, a obra é um divisor de águas na antropologia e na etnomusicologia brasileiras.

Inaugurando a novíssima Coleção Brasil Plural, A festa da jaguatirica será lançado oficialmente no dia 19 de setembro, às 18 horas, na escola de música Compasso Aberto, no Centro de Florianópolis. Durante o bate-papo, coordenado pelo diretor executivo da EdUFSC, Fábio Lopes, também foi anunciado um possível lançamento na aldeia, no Alto Xingu, onde o trabalho foi iniciado em 1969. Além de devolver o resultado das pesquisas, a editora repassará a cota de livros devidos aos Kamaiurá. Rafael é muito querido e respeitado no Alto Xingu. A explicação é que ele passou a fazer parte da vida da aldeia. “Tem pesquisador que vai lá e nunca mais reaparece”, conta.

Rafael e Fábio fizeram questão de destacar o trabalho de equipe e o empenho dos colaboradores. Foram ressaltados o projeto gráfico, a editoração, a revisão e a capa da publicação. Considerando importante manter e reforçar a qualidade editorial, também reconheceu a herança recebida do ex-diretor Sérgio Medeiros. Rafael destacou, entre outros, o talento e a dedicação de Paulo Roberto da Silva, Lúcia Iaczinski e Letícia Tambosi.

Bate-papo com o antropólogo Rafael José de Menezes Bastos, escritor do livro A festa da jaguatirica – Uma partidura crítico – interpretativa. Foto: Henrique Almeida/Agecom/UFSC

O livro, que vem acompanhado de um CD com os sons e rituais colhidos e eternizados pelo escritor, está sendo oferecido com desconto de 30% na Feira da EdUFSC, que vai até 12 de setembro, funcionando, no Centro de Convivência, de segunda a sexta-feira, das 8h30min às 19 horas. De R$ 59 está por 40 reais.

O antropólogo Acácio Piedade, presente ao bate-papo, rasgou elogios à obra. Ele estava voltando do Alto Xingu e roubou a cena ao reproduzir uma música presente na obra. A professora Deise Lucy Montardo, da Universidade Federal do Amazonas, também prestigiou o evento. Integrante do Instituto Brasil Plural, prometeu organizar um lançamento de A festa da jaguatirica em Manaus.

Durante a conversa, Rafael José de Menezes Bastos revelou que está trabalhando num filme sobre o xamanismo. E planeja complementar as filmagens por ocasião do lançamento do livro na aldeia. “O ideal seria fazer isso antes da estação das chuvas”, avisa.

Rafael acredita que A festa da jaguatirica “seja útil aos índios e aos seus intelectuais e bárbaros”. Pela EdUFSC, o autor publicou também A musicológica Kamayurá  – Para uma antropologia da comunicação no Alto Xingu, em 1999.

Moacir Loth/Jornalista da Agecom/UFSC
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