Novas ferramentas para se pensar Jornalismo é tema de palestra para os alunos de Cátedra UFSC RBS

09/05/2013 16:57

Para Medeiros, o profissional deve ser valorizado pelo impacto social do seu trabalho, pela audiência que sua produção gerou. Foto: Guilherme Lópes Souza

Pensar o jornalismo a partir das ferramentas que o leitor tem disponível é o que propôs nesta quinta-feira, dia 9, durante a disciplina Cátedra UFSC-RBS, do curso de Jornalismo da UFSC, o gerente de Produtos Digitais do Grupo RBS, Thiago Medeiros. Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Viçosa, em Minas Gerais, Medeiros entrou no Grupo através do programa de trainee, em 2008, passou pela redação do Jornal Zero Hora, mas foi parar na área de tecnologia, na qual desenvolveu suas ideias e seguir sua carreira. Hoje, além de trabalhar no Grupo RBS, Thiago é membro do Projeto Tecnopuc, parque Tecnológico da PUC-RS, que estimula a pesquisa e inovação. Ele foi um dos responsáveis pela mudança do setor de tecnologia da empresa de uma sala sem janelas num prédio coorporativo para um espaço amplo, “no estilo google life”, dentro da PUC, em Porto Alegre.

Hoje na função de gestor, ele explicou aos alunos que o profissional não deve ser valorizado pela quantidade de matérias que produziu, nem cobrado pelo horário que chegou ou saiu da empresa, mas pelo impacto social do seu trabalho, pela audiência que sua produção gerou. Responsável pela elaboração de plataformas digitais, Medeiros lembra da dificuldade em fazer uma empresa tradicional pensar dessa forma, em que as decisões devem passar a ser tomadas não pelo peso do cargo, mas pelo conhecimento da pessoa sobre o assunto. “Não é o presidente quem vai escolher a cor de determinado site, é o designer, que é quem tem discernimento para isso”, explica.

Segundo Medeiros, no trabalho desenvolvido dentro da PUC-RS há basicamente as figuras do desenvolvedor (programador), do designer e do analista de negócios. Hoje o programador é cobrado pela resposta da audiência, algo que não acontecia na RBS antes de 2009. Ele não é mais valorizado pela quantidade de linhas de códigos produzidas por dia, mas pela relevância e aceitação do aplicativo que ajudou a criar, por exemplo. Além disso, criar aplicativos é algo novo, que programadores acostumados a criar sites não sabiam fazer. “Pensar algo que nunca tinha sido feito é ajudar a empresa a evoluir seu negócio, evoluir a indústria da mídia. Pensem em não fazer um texto melhor, mas a fazer um jornalismo melhor.”

Para o jornalista, se as empresas de comunicação tivessem pensando antes sobre a necessidade de oferecer conteúdo de forma multimídia e através de diversas plataformas, elas não estariam passando pela crise atual. Pensou-se tarde e as empresas precisaram investir em de forma emergencial em pesquisa e desenvolvimento. Medeiros lembra que o consumo de mídia nunca foi tão alto e que deve continuar crescendo. Às empresas cabe identificar as principais plataformas e buscar entregar de uma melhor maneira o conteúdo aos seus consumidores, levando em conta o interesse do público (personalizar a entrega da informação) e a qualidade do trabalho jornalístico.

Para a próxima aula, os alunos da disciplina irão fazer uma visita à redação do Diário Catarinense, para conhecer o funcionamento, e as rotinas do jornal de maior circulação do estado de Santa Catarina.

Texto: Joao Schmitz-

Revisão: Andressa Prates –

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