Congresso internacional em Florianópolis defende água como direito essencial dos povos

07/11/2011 09:56

Com enfoque na defesa de que as águas subterrâneas são a grande reserva estratégica do mundo e que a água é um bem comum e um direito da população, inicia nesta quarta-feira, 9 de novembro, o I Congresso Internacional “O futuro da água no Mercosul”. Aberto ao público, o encontro que reunirá pesquisadores, lideranças políticas e governamentais será realizado nos dias 9 e 10 de novembro, no auditório da Assembleia Legislativa de Santa Catarina. A meta é discutir o princípio da água como um direito humano, promovendo também o debate sobre a necessidade de gestão integrada das águas superficiais e subterrâneas no âmbito da Bacia do Prata, região em que se localiza uma das maiores reservas de água subterrânea do mundo: o Aquifero Guarani.

Nova cultura da água; Água e as mudanças climáticas; Água e políticas públicas e Cooperação e conflitos da gestão da água no Mercosul serão as temáticas abordadas no congresso que vai integrar representantes do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Conferencistas do Canadá, Espanha, Alemanha e Portugal também participarão. As inscrições são gratuitas e devem ser feitas no site www.rgsg.org.br

Pela justiça da água
Um dos destaques será a presença da advogada Maude Barlow, ativista ambiental que luta pelo reconhecimento do direito humano à água. Fundadora do projeto Blue Planet Project (Projeto Planeta Azul), é chefe do Council of Canadians, a maior organização canadense de militância pública. Entre 2008 e 2009 atuou como consultora-sênior em água do presidente da 63ª Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Por seu trabalho no movimento pela justiça da água recebeu o prêmio sueco Right Livelihood Award (o “Nobel Alternativo” do Meio Ambiente).

Maude Barlow é autora e co-autora de 16 livros, incluindo os best-sellers “Água: Pacto Azul” e “Água, o Ouro Azul”. Sua conferência será realizada no dia 9 de novembro, a partir de 16h, com o tema “Uma nova cultura da água”.

Promoção
O congresso é uma iniciativa do grupo de estudos “A geopolítica da água e os bens comuns”, ligado ao projeto Rede Guarani/Serra Geral, e tem apoio da Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina, dos programas de pós-graduação em Direito e em Geografia da UFSC; do Programa de pós-graducação em Direito da Universidade de Caxias do Sul e da Universidade Regional de Blumenau (FURB).

Guerra da água
“O foco do encontro é chamar atenção para a discussão sobre o princípio de que a água é um bem comum, um direito essencial que deve ser garantido a todas as pessoas”, explica a professora Maria de Fátima Wolkmer, coordenadora da comissão organizadora do congresso.

Ressaltando a importância da temática, ela lembra que a abordagem reflete um problema mundial evidenciado em eventos como a “Guerra da Água”, mobilização popular que em 2000 reverteu a privatização do sistema de água potável e esgoto de Cochabamba, na região central da Bolívia.

Preocupações com o Aquífero Guarani
Coordenador técnico do projeto Rede Guarani-Serra Geral, o professor do Departamento de Geociências da UFSC e integrante da comissão organizadora do evento, Luiz Fernando Scheibe.Scheibe, informa que pesquisas recentes trouxeram informações importantes para compreensão do funcionamento do Aquífero Guarani. Esse manancial ocupa mais de 1 milhão de quilômetros quadrados e tem habitando sobre sua área de abrangência cerca de 15 milhões de pessoas.

“Sua zona de influência chega a 90 milhões de pessoas e abrange também megalópoles como São Paulo e Buenos Aires”, preocupa-se o professor. Segundo ele, desde 1967 existe o Conselho de Integração da Bacia do Rio da Prata, mas há necessidade de maior atenção e discussão sobre questões relacionadas aos recursos hídricos dessa região.

“Há muita ênfase na gestão das bacias e seus rios, mas 50% da água dessa região é subterrânea. Se os estudos sobre o Aquífero Guarani mostram que temos uma reserva maravilhosa, nos alertam também que o seu uso não pode ser desregrado”, ressalta o geólogo.

Ele explica que as observações sobre o aquífero mostram que áreas de recarga permitem a infiltração da água da chuva e a reposição do manancial. Mas há também áreas profundas, em que a água está confinada e não chega a ser reposta. “Embora tenhamos uma reserva muito grande, podemos estar falando em uma mineração da água, em que esse recurso não pode ser reposto, pelo menos em um tempo razoável”, explica.

Mais informações com o professor Luiz Fernando Scheibe pelo e-mail , fone (48) 3721-8813

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