Professor detecta “crise terminal” no capitalismo

05/04/2011 11:58

O escritor e professor universitário Rafael Cuevas Molina, nascido na Costa Rica e radicado na Guatemala, abriu na manhã desta terça-feira, dia 5, a sétima edição das Jornadas Bolivarianas, no auditório da Reitoria da UFSC, afirmando que “o sistema capitalista vive um momento de crise terminal”. Ele baseia sua convicção, entre outros fatores, no esgotamento de fontes energéticas essenciais, sobretudo o petróleo, nas enormes pressões da produção sobre o meio ambiente e no que chamou de “explosão da desesperança” em regiões estratégicas, como o mundo árabe. O evento é organizado pelo Instituto de Estudos Latino-Americanos (IELA) da UFSC.

Antes de apresentar esse diagnóstico, contudo, o palestrante fez uma análise da dinâmica cultural e sua relação com o imperialismo na América Central, que é o foco de seus estudos. É comum, disse o professor Cuevas Molina, considerar a região onde vive como marginal, embora tenha uma importância geopolítica fundamental, especialmente para os Estados Unidos, a grande potência do norte. Neste sentido, a América Central funciona como uma ponte que liga as Américas do Sul e do Norte, e um istmo que separa o oceano Atlântico do Pacífico.

As guerras internas, as revoluções fracassadas (a única exceção foi a Nicarágua) e as migrações massivas para os Estados Unidos marcaram profundamente as nações da região. Ali, surgiram oligarquias que também ajudaram a manter um quadro de pobreza e a transformar os países em fornecedores de banana e de mão de obra para os parceiros mais ricos. As revoluções mexicana e cubana inspiraram levantes e revoltas nas décadas seguintes, na tentativa de dar nova configuração a países econômica e politicamente periféricos, mas os resultados não foram os que se esperava.O efeito de tantas distorções é que os Estados Unidos já abrigam 18% da população de El Salvador, onde 16% do Produto Interno Bruto (PIB) vem dos recursos enviados ao país pelos migrantes que trabalham em território americano.

O professor e escritor também ressaltou que, do ponto de vista cultural, os países da América Central são vistos como o “pátio externo” dos americanos e que as sociedades locais estão hoje fragmentadas e socialmente desorganizadas. A violência é outro fator preocupante, porque 48% da droga consumida nos Estados Unidos passa pela região. É usando esse argumento que os vizinhos ricos do norte justificam sua presença e suas ações na América Central.

Perguntado, no debate que se seguiu à conferência, sobre como o Brasil é visto na América Central, Rafael Cuevas Molina afirmou que se trata de um país emergente que surge como candidato a potência no continente. “Luiz Inácio Lula da Silva aparece como um líder progressista”, disse, negando que o Brasil seja tratado como agente de um sub-imperialismo localizado na América do Sul. “No geral, o país é encarado com certa simpatia pelos centro-americanos”, garantiu.

Por Paulo Clóvis Schmitz / Jornalista na Agecom


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Confira a programação:

05 de abril de 2011

– Manhã – Auditório da Reitoria – UFSC

9h – Conferência: O imperialismo na América Central

Rafael Cuevas Molina – Costa Rica

Coordenação: César Medeiros

– Tarde – Auditório da Reitoria – UFSC

14h30 – Apresentação de trabalhos

Coordenação: Vitor Hugo Tonin

– Noite – Auditório da Reitoria – UFSC

18h30 – Conferência: Imperialismo e cultura andina

Silvia Rivera Cusicanqui  – Bolívia

Coordenação: Fernando Correa Prado

Lançamento do livro “O Mapa da Crise”, organizado por Nildo Ouriques e Elaine Tavares

06 de abril de 2011

– Manhã – Auditório da Reitoria – UFSC

9h – Conferência: O cinema latino-americano e a indústria cultural

Sérgio Santeiro – Brasil

Coordenação: Nildo Ouriques

– Tarde – Auditório do CCE

14h30 às 18h – Reprodução de filmes de Fernando “Pino” Solanas –

– Noite – Auditório da Reitoria – UFSC

18h30 – Conferência: A mídia e o Imperialismo

Aram Aharonian – Venezuela

Coordenação: Elaine Tavares

07 de abril de 2011

– Manhã – Auditório da Reitoria – UFSC

9h – Mesa redonda: Imperialismo e cultura na América Latina

Aram Aharonian, Fernando Rojas, Rafael Cuevas Molina, Sérgio Santeiro e Nildo Ouriques

Coordenação: Waldir José Rampinelli

– Tarde – Auditório do CSE – UFSC e Hall da Reitoria

14h30 às 18h – Reprodução de filmes de Fernando “Pino” Solanas –

Noite

20h – Em frente à reitoria

Festa Latino-Americana

Atenção: As inscrições acontecem no local do evento e quem quiser o certificado deve sempre assinar a lista de presença.

Outras informações no IELA/UFSC (www.iela.ufsc.br).

Telefone (48) 3721-4938