Pesquisadores debatem catástrofes climáticas com deputados federais

28/04/2011 12:15

Sem preparação para desastres, a reconstrução é lenta

Florianópolis recebeu nos dias 25 e 26 de abril a visita da Comissão Especial de Medidas Preventivas Diante de Catástrofes.  O objetivo da visita foi conhecer as ações de prevenção e gestão de riscos e desastres realizadas pelos órgãos locais de Defesa Civil e pelo Centro Universitário de Estudos e Pesquisas sobre Desastres (Ceped-UFSC).

Na segunda, 25, a equipe foi recebida na Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina, para uma audiência pública sobre prevenção de catástrofes climáticas. Em sua explanação, a presidenta da comissão, deputada federal Perpétua Almeida, expressou sua preocupação: “O Brasil precisa criar uma cultura de prevenção e para isso a Comissão está levantando informações, articulando instituições para preparar a população”.

O deputado federal e vice-presidente da comissão, Onofre Agostini, destacou o motivo de terem começado as visitas por Santa Catarina: “A UFSC tem um dos melhores estudos do Brasil sobre esses fenômenos que têm causado catástrofes. Viemos aqui para aprender como remediar e reduzir a situação dos nossos irmãos que sofrem com desastres”.

Sem preparação para desastres, a reconstrução é lenta

Na terça, 26, pela manhã, o grupo visitou o Morro do Baú, no município de Ilhota, acompanhado de dois pesquisadores do Ceped-UFSC. O prefeito de Ilhota, Ademar Felisky, mostrou as dificuldades de reconstrução que persistem dois anos após o desastre.

Na região do Baixo Baú, uma das que mais sofreu com o desastre de novembro de 2008, os deputados conversaram com a comunidade e ficaram chocados ao ver que os cinco mil habitantes ainda estão sem comunicação alguma. Não há telefone, nem rádio, pois a antena caiu em 2008 e até hoje não foi reconstruída. Não há nem mesmo um radioamador, que pode dar sinal de emergência em uma situação de desastre. No caso de nova ocorrência, a comunidade não tem como pedir ajuda. “A cada chuva mais forte, a comunidade fica bem assustada”, destacou Rita de Cássia Dutra, pesquisadora do Ceped- UFSC, que acompanhou o grupo na visita. “Pedimos aos deputados que pelo menos consigam restabelecer a antena para que a comunidade do conjunto do Baú volte a ter comunicação”, reivindicou o prefeito. Quando perguntado por um dos deputados se o município teria como responder a um novo desastre, ele foi categórico: “Não”.

“Precisamos de ajuda”

Durante a tarde os representantes da comissão se reuniram com a equipe do Ceped-UFSC no auditório da Fundação de Ensino e Engenharia de Santa Catarina  (Feesc) e foram apresentados aos projetos do Centro Universitário de Estudos e Pesquisas sobre Desastres em seus 10 anos de atuação em redução de riscos e desastres e seus trabalhos atuais, com uma explanação das leis que regem a proteção civil no país.

O deputado federal Glauber Braga, relator da comissão, contou sua experiência pessoal como sobrevivente da enxurrada que atingiu a região serrana em janeiro deste ano, quando ele próprio foi um dos atingidos e teve de deixar sua casa no município de Nova Friburgo, às pressas, segundos antes do local ser atingido por um deslizamento. “Temos que fazer a diferença na minimização de riscos e danos, mas principalmente, temos que salvar vidas”, disse o deputado.

A Comissão Especial de Medidas Preventivas Diante de Catástrofes foi formada após o desastre da região serrana e na primeira fase do cronograma o grupo visita instituições de referência em todo o país para conhecer o que existe em gestão de riscos e desastres e o que ainda precisa ser feito.  “Precisamos da ajuda de vocês para fazer esse relatório. Essas leis que foram mostradas aqui hoje, eu nem sei o que são”, disse o deputado federal Jorginho de Melo.

Na reunião também estiveram presentes pesquisadores e parceiros do Ceped-UFSC, como o Tenente Coronel da Polícia Militar Carlos Alberto de Araújo Gomes Junior, que ressaltou a importância de se pensar em construções que resistam a desastres, para que as comunidades como a do conjunto do Baú não percam sua estrutura básica. “A realidade depois do desastre é que a reconstrução é lenta e a população fica desamparada, por isso a prevenção e a preparação são tão importantes”, alertou.

Ao final da reunião, o diretor do Ceped-UFSC, professor Antônio Edésio Jungles, reafirmou a disposição do Centro para contribuir no que for necessário para a redução de riscos e desastres no Brasil.

Fonte: Ceped-UFSC
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