Documentário sobre as Ilhas Falkland estreia na TV UFSC nesta quinta-feira

13/04/2011 08:22

Nesta quinta-feira estreia na TV UFSC o documentário “Acorde e sinta o cheiro das flores”,  produzido como Trabalho de Conclusão de Curso de Jornalismo por Paulo Rocha e Gustavo Naspolini. O vídeo aborda os problemas enfrentados pelas Ilhas Falkland, que se situam no extremo sul do Oceano Atlântico, próximas à Argentina, objeto de constante disputa territorial entre o país sulamericano e a Grã-Bretanha. Essa disputa culminou na Guerra das Malvinas, em 1982.Hoje as Ilhas estão sob domínio britânico, mas a Argentina ainda reivindica a posse dos territórios. As curiosidades locais, o isolamento e a disputa
territorial foram os motivos que levaram os estudantes  a fazerem um filme sobre o território, que tem cerca de três mil habitantes.

Nesta entrevista, os autores falam sobre as dificuldades encontradas  e sobre os fatos mais interessantes dessas pequenas ilhas no sul do Atlântico.

Como surgiu a ideia de fazer um documentário sobre as Ilhas Falkland?

Bem, na época em que tínhamos que desenvolver o projeto de TCC, voltou à tona o assunto Argentina x Ilhas Malvinas. Foi divulgada a descoberta de
petróleo nas ilhas e a presidente argentina, Cristina Kirchner, reacendeu o interesse do país por aquele território. Junto a isso, tínhamos uma curiosidade natural sobre aquele lugar, tão pertodo Brasil e tão desconhecido. Nos informamos um pouco sobre as Ilhas e enfim decidimos que abordagem traríamos no vídeo.

Quais as principais dificuldades que surgiram?

O isolamento das Ilhas, a dificuldade de chegar até lá (os voos são: Florianópolis – São Paulo – Santiago – Punta Arenas – Falkland), o fato de
só haver um voo semanal, o frio e vento excessivos do local, a falta de informações para pesquisas prévias e a dificuldade em estabelecer contato
prévio com habitantes das ilhas.  Além disso, o nosso voo de ida não pôde aterrissar nas Ilhas devido ao mal tempo, nos deixando presos cinco dias em
Punta Arenas, no Chile.

Os reflexos da Guerra das Malvinas ainda estão presentes na paisagem e na população?

Sim, em ambos. Ao redor da capital Stanley existem muitos resquícios do conflito. Nos deparamos com carcaças de helicópteros, trincheiras e
cemitérios de soldados. Porém, o que é mais marcante são os campos minados. Ao redor das estradas de acesso à cidade há cercas e avisos advertindo para
a presença de minas ainda ativas no local. Todos os entrevistados comentavam que as lembranças da Guerra ainda eram muito recentes, que para sempre ficarão na memória e que ainda têm flashes das bombas, dos aviões e dos tiros. Além disso, há inúmeros monumentos em homenagem aos soldados mortos no conflito. Fizemos questão de incluir tais imagens no documentário para ilustrar a presença constante da Guerra na vida desse povo.

A população das Falkland se sente britânica, mas a Argentina ainda reivindica a posse das ilhas. Como documentaristas, de que maneira vocês viram esse conflito?

Conhecendo as Ilhas Malvinas é inevitável que venha à cabeça a dúvida sobre o verdadeiro porquê de a Argentina reivindicar sua posse. Tudo lá é
britânico. Bandeiras do Reino Unido decoram o lado de fora das casas e o interior dos inúmeros pubs; o trânsito é de mão inglesa; eles tomam o chá do
meio da tarde e são até fisicamente parecidos com o povo inglês! Independente de quem detenha a posse das ilhas, concordamos com dois
aspectos: o primeiro é que a Guerra poderia ser evitada, que foram vidas desperdiçadas à toa – e a população sabe disso. O segundo é que quem tem que
decidir seu futuro é a população. O desejo do povo deve se sobressair sobre interesses geopolíticos ou econômicos, principalmente quando o assunto em
discussão é a sua identidade. Por defendermos a autonomia da população das Ilhas Falkland é que entendemos que o atual status político – o britânico –
é o ideal para este povo. Por isso, em nenhum momento no documentário, entrevistas e apresentação de conteúdo nos referimos àquela terra como Ilhas
Malvinas. Optamos por Ilhas Falkland.

Conte-nos um pouco mais sobre a história do documentário.

Procuramos mostrar quem são e o que pensam os falklanders, mostrar como são as ilhas, abordando o maior número de aspectos possíveis. Utilizando
depoimentos de 19 entrevistados residentes nas Ilhas, abordamos temas como a Guerra de 1982 e sua presença na sociedade ainda hoje, o desejo da população
quanto ao pertencimento, economia, educação, a relação dos habitantes com o exuberante meio ambiente local e os demais aspectos que contribuem para que
se forme a identidade do povo das Ilhas Falkand.

Lembrando que o documentário estreia nesta quinta-feira, às 20h30, na TV UFSC, canal 15 da NET na grande Florianópolis. Para mais informações sobre a
programação, acesse http://www.tv.ufsc.br/. Siga-nos também no twitter.com/tv_ufsc.

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