Restaurante Universitário estuda compra de produtos orgânicos

20/08/2010 15:33

Servidores técnico-administrativos e professores realizaram nesta quinta, 19/08, visita ao município de Santa Rosa de Lima para conhecer os produtos da Associação dos Agricultores Ecológicos das Encostas da Serra Geral (Agreco) e checar a possibilidade de fornecimento dos produtos para o Restaurante Universitário (RU) e também para o Núcleo de Desenvolvimento Infantil (NDI).

O pró-reitor de Assuntos Estudantis, Cláudio Amante, considera a iniciativa fundamental. “Estamos dando um grande passo em termos nutricionais e sociais”, afirmou. As discussões voltaram-se principalmente aos números, já que, por dia, por exemplo, o RU “serve 330 kg de arroz parboilizado e 190 kg de integral”, contabiliza Beatriz Martinelli, chefe de Divisão Administrativa do Restaurante.

A implantação dos alimentos orgânicos deve se estender também ao NDI. “Hoje o lanche das crianças é fornecido pelos pais para toda a turma, em sistema de rodízio. Penso que, além de trazer mais praticidade, também será mais saudável”, defende Dalânea Cristina Flor, vice-diretora do Núcleo, que abriga 278 crianças dos três meses aos seis anos. A escola tem responsabilidade grande ao dar início à implantação da merenda orgânica, já que é considerada pelo MEC referência em educação infantil pública no Brasil.

Uma das prioridades da PRAE em relação ao RU é adquirir alimentos orgânicos produzidos por agricultores familiares, tanto a fim de garantir a saúde de alunos, professores e servidores quanto ir ao encontro do que o CED defende no curso de Educação no Campo: criar condições para que o agricultor permaneça plantando com qualidade de vida.

Volnei Luíz Heideman exemplifica a questão. Filho de produtores de fumo, veio para Florianópolis em 1983 para estudar na UFSC, mas voltou dois anos depois e concluiu o curso em outra universidade. Divide até hoje o tempo entre a terra e a educação, trabalhando como secretário de Educação do Município e coordenador geral da Agreco. “Perdi minha mãe para o câncer e meu pai em decorrência dos agrotóxicos. A gente só tende a se preocupar com a saúde depois dos 40 anos, e não tenho mais coragem de utilizar 1 ml de agrotóxico para produzir alimentos para mim ou para os outros”, defende.

A agricultura familiar tem como características a produção em pequena escala e a variedade dos alimentos. Volnei tem cerca de 40 tipos de frutas em suas terras. “Às vezes nasce um pé de pêssego no terreno e eu mudo para um local mais adequado”, ilustra, denotando o caráter nada mecanizado de sua relação com a terra e os alimentos. Para o futuro, ele pretende continuar unindo a educação e o plantar. “Quero adequar a fazenda a uma propriedade pedagógica. A Agreco transformou minha relação com a natureza”.

Sibele Maria Lunardi, engenheira agrônoma, é responsável pelo controle de certificação dos produtos dos 36 associados da Agreco. Os alimentos levam o selo Ecocert, reconhecido no Brasil e no exterior. Filha de agricultores, ela conta que os pais produzem tomate e mel em Gravatal, um dos seis municípios – junto com Anitápolis, Rio Fortuna, Laguna, Imaruí e a própria Santa Rosa de Lima – que constituem a Agreco hoje. Para fazer parte da Associação é necessário ser agricultor familiar e produzir orgânicos. Sibele acompanha o processo de migração do sistema tradicional – com o uso de agrotóxicos – ao orgânico. “Para produzir leite e iogurte, por exemplo, é necessário que o gado passe pelo período de ´conversão`: a ração e o milho devem ser orgânicos, e só após seis meses com a nova alimentação, poderão fornecer os produtos certificados.

O professor Wilson Schmidt, diretor do Centro de Ciências da Educação (CED), passou sua infância e adolescência em Santa Rosa de Lima, já foi coordenador da Agreco e explica que a iniciativa da UFSC em procurar alimentos mais saudáveis pode ser incluída no projeto Saber e Sabor; criado em 2001, fornecia alimentos orgânicos – colaborando para manter o homem nas regiões rurais – às escolas estaduais, melhorando a qualidade das refeições de crianças que, muitas vezes, tinham pais egressos do mesmo campo de onde os vinham os produtos.

Também participaram da visita a diretora do RU, Deise de Oliveira Rita, o diretor do Departamento de Administração Escolar, Dalton Barreto, e o responsável pela Divisão de Nutrição do RU, Rui Gabriel Kazapi.

Por Cláudia Schaun Reis/ Jornalista na Agecom