FAM 2010: Futebol também é arte na tela

14/06/2010 08:52

A maior paixão nacional tem um espaço especial no FAM2010: a mostra CINEFoot. São quatro produções sobre futebol em exibição gratuita no Centro de Cultura e Eventos da UFSC.

Nesta segunda, às 16h20min, tem Mauro Shampoo – Jogador, cabeleireiro e homem, de Leonardo Cunha Lima e Paulo Henrique Fontenelle (20min). O documentário é sobre o ex-jogador do Íbis Sport Club, de Pernambuco, conhecido como o pior time do mundo. Mauro Shampoo foi escolhido o melhor filme do 1º CINEFoot, pelo júri popular.

Na sequência será exibido Geral (15min), de Anna Azevedo, documentário sobre a geral do maior estádio do Brasil, o Maracanã. Em cena, os torcedores conhecidos como Geraldinos em um espetáculo de êxtase, fúria, alegria e dor.

Na quinta-feira, no mesmo horário, serão exibidos Ernesto no país do futebol, de André Queiroz e Taís Bolonha, sobre um garoto argentino que se muda com a família para São Paulo; e Loucos de futebol, de Hader Gomes, sobre a torcida do clube cearense Fortaleza em um dia de jogo no Castelão.

O CINEFoot é o primeiro festival de cinema de futebol do Brasil, estreou este ano no Rio de Janeiro e dá nome à mostra do FAM.

Idealizador e organizador do CINEFoot, Antônio Leal é um dos convidados do FAM 2010 e falou sobre festivais, formação de público e, é claro, futebol. O fluminense “roxo” também é consultor e organizador de festivais, co-realizador do Festival de Cinema de Niterói e integrante do Fórum de Festivais.

FAM – Por quê fazer um festival com filmes sobre futebol?

Antônio Leal – Gosto muito de futebol, principalmente o futebol-arte, além de ser a paixão nacional. Agora estamos viajando com o festival em mostras especiais não competitivas, como a Mostra CINEFoot do FAM, tentando fazer circular pelo Brasil uma cinematografia que estava sem ser vista. Precisamos formar público, acervo e produzir novos filmes para este tipo de cinematografia, principalmente porque o Brasil sediará a próxima Copa do Mundo. Precisamos jogar bonito em casa.

FAM – Quais são seus filmes preferidos sobre futebol?

Leal – Gosto muito de Subterrâneos do Futebol, de Maurice Capovilla, de 1964. É atualíssimo e revela a opressão dos jogadores e torcedores desde 64. Outro que adoro é Passe Livre, de Oswaldo Caldeira, de 1974. É a luta do Afonsinho, primeiro jogador do Santos que enfrentou dirigentes de futebol. É uma cinematografia que nos leva a gostar do esporte.

FAM – Como está a atual produção brasileira de cinema de futebol?

Leal – De 1996 até hoje, ou seja, há 14 anos só foram lançados comercialmente 17 filmes sobre futebol no Brasil. Desses, apenas dois fizeram bilheterias interessantes. Todos os Corações do Mundo, do Murilo Salles fez 270 mil espectadores, e Pelé Eterno, do Aníbal Massaíni, 265 mil.

FAM – Como atrair o público para este tipo de cinema, além da exibição nos festivais?

Leal – O grande trunfo do cinema brasileiro de futebol está no campo do curta-metragem. Está havendo uma renovação rica, constante e diversificada de curtas de futebol, o que não acontece com os longas. São curtas de ficção. É interessante observar como o futebol se incorpora na história, nos filmes de ficção. Dos filmes de longa-metragem sobre futebol, 99% são documentários.

FAM – O que você conhece do futebol catarinense?

Leal – Adoro futebol, viajo muito e faço questão de visitar os estádios por onde passo. Tive a felicidade de estar no FAM quando o Fluminense venceu o Figueirense no Orlando Scarpelli, pela Copa do Brasil de 2007.

FAM – Mulher entende de futebol?

Leal – Mulher entende e frequenta muito os jogos. Percebemos uma freqüência muito interessante de mulheres no CINEFoot, no Rio.

FAM – Desde quando você é Fluminense, qual seu ídolo no futebol e por quê?

Leal – Rivelino é meu ídolo. Assistia a ele jogar no Maracanã quando era pequeno e por isso passei a torcer pelo Fluminense. Não perco um jogo e organizo minha vida com base na tabela dos campeonatos em que o Fluminense joga. Apesar de torcedor, consegui manter a imparcialidade, tanto que não tem nenhum filme que fale sobre o meu time na nossa seleção. O Rivelino é um gênio, um criador de jogadas, como a “elástico”, em que ele pegava a bola, colocava no pé e sem soltar do pé, dava uma ginga e driblava o adversário.

FAM – Qual seu palpite para o Brasil na África?

Leal – Tem condição de estar na final. Torço também pela Espanha e a Holanda, seleções que nunca foram campeãs.

FAM – O que é o futebol-arte e porque dizem que não existe mais?

Leal – É o futebol bem jogado, que encanta, que apaixona, leva as pessoas a entenderem o futebol como cultura. O futebol-arte não acabou, existe em várias nações. O que acontece é que há uma super valorização pelo futebol de resultados. O treinador prefere jogar feio, ganhar e manter seu emprego. O Pelé dos treinadores era o Telê Santana. Mesmo perdendo, ele conseguiu manter o futebol-arte.

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