Era uma vez uma pequena fazenda… que virou uma grande universidade

18/12/2008 09:07

“A criação da UFSC foi um marco histórico do ensino superior em nosso Estado”(João David Ferreira Lima, no livro UFSC: Sonho e Realidade, reeditado pela EdUFSC

No meio do caminho havia uma fazenda. Havia uma fazenda no meio do caminho que se transformou numa universidade.

Era uma vez uma fazenda chamada Modelo Assis Brasil que virou um modelo de universidade pública de excelência.

Do sonho...

Do sonho...

Era uma vez um presidente chamado Juscelino Kubitschek de Oliveira (JK) que, quando assinou, em 18 de dezembro de 1960, a lei criando a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), não poderia imaginar que estava semeando uma das universidades mais importantes e produtivas do Brasil.

Era uma vez um reitor chamado João David Ferreira Lima que, ao criar e fundar a UFSC, não poderia nem sonhar que havia plantado, numa ilha, uma das cinco melhores instituições federais de ensino superior do País.

As cabras, as vaquinhas, as galinhas, os pombos, os cavalos, porcos, os jacarés e as traíras deram lugar para intelectuais, professores, escritores, pesquisadores, servidores técnico-administrativos, cachorros e alunos a perder a conta. O mato, o manguezal, os ranchos e as estrebarias cederam espaço para prédios, laboratórios, salas de aula, biblioteca, colégios, restaurantes, gráfica, hospital, reitoria. Germinaram igualmente o museu, o centro ecumênico, o juizado de pequenas causas, os sindicatos, escritórios, livrarias, fundações, Praça da Cidadania, prefeitura, segurança, a editora, a Agência de Comunicação, o Centro de Cultura e Eventos, planetário, parque Viva a Ciência, além dos 11 centros de Ensino, de Pesquisa e de Extensão, apelidados, burocraticamente, de Unidades.

Com a instalação oficial da universidade (22 de março de 1962), as ervas daninhas, acompanhadas, às vezes, por jararacas, foram substituídas por flores e nativas florestais. O campo virou campus. No lugar de borrachudos e maruins assumiram os pássaros e as borboletas. A fazenda tinha se transformado num dos jardins mais belos do Brasil. E no campus, projetado pelo gênio de Burle Marx, florescia uma nova cidade, e nela se desenvolvia uma universidade vital para o desenvolvimento de Santa Catarina.

...à realidade

...à realidade

Primeiro foram 800 alunos. Hoje a UFSC possui cerca de 30 mil. E, em 48 anos de vida, formou mais de 50 mil profissionais. A antiga fazenda abandonada é agora habitada por aproximadamente 45 mil pessoas. A qualificação acadêmica e vocação para o ensino de qualidade, a extensão voltada para a cidadania, a cultura dirigida ao resgate e preservação da história, e a pesquisa comprometida com o desenvolvimento sustentável e a transformação social, garantem à UFSC uma posição de liderança no cenário nacional e até internacional. Ilha de excelência, a UFSC destaca-se em todas as avaliações sérias feitas no País, sejam oficiais ou ligadas a organismos da sociedade civil. E não é para menos: hoje a Universidade oferece 51 mestrados, 36 doutorados e 70 cursos de graduação, todos bens avaliados.

Antenada ao seu tempo e ao futuro, a UFSC foi aluna exemplar e fez os deveres de casa. Rompeu o isolamento, derrubou porteiras e muros e se lançou à luta, atravessou as pontes, navegou mares e ares, incorporando à própria vida a razão da sua existência: a sociedade.

Modéstia às favas, a Universidade Federal de Santa Catarina é no século XXI uma instituição admirada e reconhecida no Estado, no Brasil e no mundo. Moderna, internacionalizada e interiorizada, alongou as pernas com mais três campi(Joinville, Araranguá e Curitibanos), encurtou as distâncias (pólos, Libras etc), incorporou as novas tecnologias, derrubou as barreiras do tempo e se mandou ao encontro de quem a sustenta: a população.

Era uma vez uma máxima do poeta de A rosa do povo, Carlos Drummond de Andrade: “Dá-me uma universidade e eu te darei uma visão compartimental do universo”. A UFSC mudou o próprio conceito de universidade. Afirmou-se, deixando na poeira mitos e preconceitos. Chega de torre de marfim! Afinal, era uma fazenda, mas ali não havia elefante, elefante não havia não…

Moacir Loth/jornalista na Agecom