UFSC quer reduzir problemas na detecção da Doença de Chagas

08/02/2002 14:09

Cerca de 50% dos exames para detecção da Doença de Chagas realizados em Santa Catarina e encaminhados para confirmação na UFSC podem estar incorretos. É o que indicam os exames confirmatórios realizados pelo Laboratório de Protozoologia, ligado ao Departamento de Microbiologia e Parasitologia do Centro de Ciências Biológicas da UFSC (www.proto.ufsc.br). Através de uma parceria desenvolvida entre a UFSC e a Secretaria de Saúde do Estado de Santa Catarina (SES/SC), o Laboratório de Protozoologia passou a ser referência estadual para o diagnóstico da doença de Chagas e Leishmanioses. Reconhecido pela Portaria 754/2001 SES/SC, o laboratório investiga estas doenças através de técnicas sorológicas, parasitológicas e moleculares, sendo responsável pela realização de diagnóstico complementar, por estudos epidemiológicos e pelo encaminhamento para tratamento, quando indicado.

Levantamentos recentes realizados pelo Laboratório demonstram dados que merecem atenção tanto da população quanto dos órgãos de saúde pública. No caso da Doença de Chagas, entre 170 pacientes encaminhados à UFSC no período de 1992 a 2001, somente 87 eram de fato portadores da doença. “O fato merece atenção uma vez que alerta para a existência de exames com resultados falso-positivos” explica o professor Edmundo Grisard do Laboratório de Protozoologia. O levantamento revela ainda que, dentre os pacientes positivos, 45% relataram ter realizado mais de uma doação de sangue, “o que levanta a possibilidade da ocorrência de transmissão da doença de Chagas por via transfusional no Estado de Santa Catarina”, alerta o professor Mário Steindel, Coordenador do Laboratório de Protozoologia da UFSC.

No caso da Leishmaniose tegumentar ou cutânea, no período de 1994 a 2001 foram recebidos pela UFSC 55 casos para avaliação, sendo 53 confirmados. Um dado relevante é que entre os portadores, 12 contraíram a doença no próprio Estado, tradicionalmente considerado livre da doença. De acordo com o professor Edmundo, qualquer médico de qualquer localidade do Estado, ou paciente que desejar realizar o exame ou confirmação de testes já realizados, deve procurar uma unidade da Secretaria Estadual de Saúde e solicitar o encaminhamento a universidade. “Nossa preocupação agora é divulgar em todo o Estado de Santa Catarina a implementação deste serviço. Em um futuro próximo, será implementada uma rede estadual de informação, formação e orientação de profissionais de saúde para a melhoria do sistema de diagnóstico e notificação de casos”, informa o professor Mário.

Atualmente, 27 pessoas – 2 professores e 25 alunos de graduação e pós-graduação – trabalham no Laboratório de Protozoologia da UFSC. Mais informações com os professores Edmundo Grisard e Mário Steindel, fone 331 9512 ou pela internet: www.proto.ufsc.br e

SAIBA MAIS

DOENÇA DE CHAGAS

O Trypanosoma cruzi, agente etiológico da doença de Chagas, é um parasita amplamente distribuído nas Américas Central e do Sul. No território brasileiro infecções humanas têm sido registradas em todos os Estados. Em nível global, 80% dos casos da doença são provenientes da transmissão por insetos popularmente chamados de barbeiros, chupança ou fincão. O T. cruzi também pode ser transmitido via transfusão de sangue, congênita, oral, transplante de órgãos e de forma acidental em laboratório.

INCIDÊNCIA

Dados obtidos junto aos Hemocentros e centrais sorológicas de Santa Catarina no período de 1994 a 1997 mostram que a percentagem de doadores positivos para doenças de Chagas vem crescendo substancialmente – 0,3% em 1994 para 0,52% em 1997. Considerando-se a prevalência sorológica desta doença em bancos de sangue nos diferentes países latinoamericanos, uma incidência de 20 mil novos casos/ano é esperada.

PREJUÍZOS

No Brasil, a estimativa do custo direto e indireto da doença de Chagas (tratamento médico e hospitalar, ausência ao trabalho, aposentadoria precoce, etc), por grupo de 100 mil infectados pode ultrapassa 50 milhões de dólares/ano.

LEISHMANIOSE

A Leishmaniose afeta cerca de 12 milhões de pessoas de todo o mundo e estima-se que cerca de 330 milhões de pessoas vivem em áreas de risco de transmissão. No Brasil a doença vem crescendo de forma marcante e casos humanos já foram assinalados em todos os Estados da federação, com exceção do Estado do Rio Grande do Sul.

Tradicionalmente, o Estado de Santa Catarina era considerado como um estado indene para as Leishmanioses. Entretanto, no ano de 1987 um foco de transmissão de leishmaniose cutânea foi detectado na região oeste do Estado, nos antigos Municípios de Quilombo e Coronel Freitas. No período de 1997 a 2001, nove casos autóctones (com origem na própria cidade) de Leishmaniose cutânea foram confirmados no Município de Piçarras, litoral norte do Estado, sendo cinco em crianças e quatro em adultos.