SIC 2015: pesquisa integra plantas e camarões em cultivo

21/10/2015 13:38

O estudante Lucas Gomes Mendes, da oitava fase de Engenharia da Aquicultura, integra o Laboratório de Camarões Marinhos  (LCM) desde que iniciou o curso na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Ele fez parte da pesquisa de mestrado de Isabela Claudiana Pinheiro sobre o desenvolvimento de plantas no mesmo tanque que camarões Litopenaeus vannamei e apresentou seus resultados na quarta-feira, 21 de outubro, durante 25º Seminário de Iniciação Científica (SIC) da UFSC. Nela, o pesquisador descobriu que é possível produzir quase dois quilos de Sarcocornia ambigua (conhecida popularmente como Salicornia), vegetal que pode ser uma alternativa ao sal de cozinha, para cada quilo de camarão cultivado. “Se no futuro eu não me tornar pesquisador, serei produtor da Sarcocornia, com certeza”, confessa Lucas.

Lucas Mendes    - foto Daniela Caniçali/Agecom/DGC/UFSC

Lucas  G .Mendes  é bolsista do PIBITI desde o primeiro semestre na UFSC- foto Daniela Caniçali/Agecom/DGC/UFSC

Com o auxílio do orientador Walter Quadros Seiffert e outros integrantes do LCM, o estudante cultivou 250 camarões em tanques de 800 litros. Lucas, durante 70 dias, trabalhou em duas produções – uma de tratamento, em que havia a presença da S. ambigua, e outra de controle, sem as plantas. No tanque com o vegetal, a água dos criadores era bombeada para tubos de PVC em que foram colocadas 40 mudas de Sarcocornia ambigua. O consumo da planta é principalmente feito por pessoas hipertensas, já que dela se extrai o ‘sal verde’, com três vezes menos cloreto de sódio que o sal de cozinha. Além disso, a Salicornia é utilizada para descontaminar a água e como matéria prima para a produção de remédios.

O resultado indicou que a S. ambigua pode ser cultivada junto ao camarão e se tornar  uma opção de renda extra para o aquicultor. De acordo com o jovem pesquisador, ainda não há no Brasil o registro de produtores desse vegetal, mas as produções de países como Portugal e Tailândia dão a perspectiva de que esse mercado pode crescer aqui. Quando comparadas as criações de tratamento e controle, o cultivo da planta com os camarões não alterou a qualidade da água ou dos animais nos tanques.

A pesquisa em que Lucas participou é a primeira etapa de uma série de experimentos que o Laboratório de Camarões Marinhos desenvolveu com a Sarcocornia ambigua.

Esse e outros trabalhos podem ser conhecidos na 3ª Feira do Inventor, nesta quarta e quinta, 21 e 22 de outubro, no piso superior do Centro de Cultura e Eventos da UFSC. O  SIC da UFSC segue até sexta-feira, dia 23, no mesmo local da Feira do Inventor.

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Tese analisa impacto das condições ambientais no cultivo de ostras e mexilhões

15/10/2015 12:22

Avaliar em 320 km da costa as condições ambientais e do cultivo dos moluscos e mexilhões bivalves em Santa Catarina: este foi o impulso para a tese do pesquisador João Guzenski, doutor em Geografia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), orientada pelo professor Jarbas Bonetti Filho. Um dos dados mais impactantes do estudo foi a ocorrência de algas nocivas em 97% das áreas de cultivo, durante o período de estudo. A pesquisa reflete a importância do monitoramento constante da produção para que se possa dar segurança alimentar a todos.
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Grupo da UFSC ganha prêmio ao avaliar produto que diminui alteração na cor dos dentes

01/10/2015 14:38

A experiência de ir ao dentista pode ser traumática para diversas pessoas, ainda mais quando se utilizam produtos que possam comprometer o sorriso dos pacientes, gerando desconforto. Pensando nisso, o Grupo de Pesquisa em Endodontia do Departamento de Odontologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) estudou a variação da cor dos dentes pelo uso de duas pastas antibióticas para tratamento de canal.  A triantibiótica clássica, composta por ciprofloxacina, metronidazol e minociclina, mostrou maior alteração na cor dos dentes, comparada à pasta triantibiótica modificada, na qual a minociclina foi substituída pela amoxicilina. O trabalho obteve o prêmio na categoria Terapia Endodôntica, na 32ª Reunião da Sociedade Brasileira de Pesquisa Odontológica, principal evento do gênero na América Latina. O Programa de Pós-Graduação em Odontologia da UFSC contou com 58 trabalhos de alunos e egressos no concurso.

O foco do estudo foi a Endodontia Regenerativa, uma abordagem alternativa para o tratamento de canal comum. Ele consiste no uso de célula-tronco e biomateriais, responsáveis por regenerar o tecido danificado dos dentes. As pastas triantibióticas são utilizadas para eliminar bactérias que possam atrapalhar este tratamento. Um dos pontos principais da Endodontia Regenerativa é a troca de produtos plásticos pelo uso das células tronco e dos biomateriais – como o cimento ionômero de vidro, responsável pelo fechamento dos canais.

Para analisar os materiais testados, o grupo utilizou dentes bovinos, cuja dentina é semelhante à humana, com a vantagem de não precisar usar matéria humana no desenvolvimento da pesquisa. O estudo evidenciou que a média de alteração de cor nos dentes tratados com a pasta “triantibiótica modificada” foi cerca de quatro vezes menor do que nos dentes tratados com a pasta triantibiótica clássica.

A doutoranda em Endodontia, Luciane Geanini, conta que o procedimento é feito, majoritariamente, em crianças e adolescentes, que são os grupos etários mais afetados por cárie e trauma dental, principalmente pelo grande número de acidentes por eles sofridos, como quedas de bicicletas e skates, que podem machucar o nervo do dente. Assim, a pesquisadora ressalta a importância das consequências estéticas para evitar preconceito ou bullying em função da coloração diferente dos dentes.

Pesquisa em Endodontia - Luciane e Camila - Foto Henrique Almeida

Luciane Geanini (à esquerda) e Camila Guerner representaram o grupo de pesquisa em Campinas (SP). Foto: Henrique Almeida/Agecom/DGC/UFSC

Luciane explica que a pasta triantibiótica modificada possui preço semelhante à tradicional e que poderia ser obtida em farmácias de manipulação, porém, a pesquisadora ressalta que ainda será preciso realizar mais estudos quanto a ação antimicrobiana deste produto.

Camila Guerner Springmann, Wilson Tadeu FelippeMabel Mariela Rodríguez CordeiroCleonice da Silveira TeixeiraEduardo Antunes Bortoluzzi e Gabriela Santos Felippe foram os colaboradores da pesquisa, idealizada e executada por Luciane Geanini e orientada por  Mara Cristina Santos Felippe.

Empolgação

Aluna da nona fase do curso, Camila Guerner foi para Campinas apresentar o estudo e conta que não esperava receber o prêmio, principalmente pela grande quantidade de participantes – todas as universidades do país podem enviar trabalhos. Após o nervosismo durante o evento, Camila se diz muito mais animada a começar a pesquisar regeneração odontológica para seu TCC, e recomenda a experiência na pesquisa para todos os estudantes.

Para Luciane, fica o indicativo de que está no caminho certo. O reconhecimento para com a pesquisadora serve de apoio para continuar o seu projeto de doutorado, que analisará a utilização de células tronco na Endodontia Regenerativa. O grupo de pesquisa recebeu o certificado de premiação e R$ 1,5 mil, que será investido em outras pesquisas do laboratório.

Mais informações:

Endodontia UFSC – (48) 3721-9549

Departamento de Odontologia – (48) 3721-9520

Ana Carolina Prieto/Estagiária de Jornalismo/Propesq/DGC/UFSC

Claudio Borrelli/Revisor de Textos da Agecom/DGC/UFSC

 

Pesquisa da UFSC indica que idosos com excesso de peso ou com obesidade abdominal têm maior risco de desenvolver hipertensão

17/09/2015 15:16

Rafaela Haeger Luz, sob orientação da professora Aline Rodrigues Barbosa, realizou o estudo “Associação entre diferentes indicadores antropométricos e hipertensão arterial sistêmica em idosos de Florianópolis, Santa Catarina”, como dissertação de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Nutrição (PPGN) da Universidade Federal de Santa Catarina. A pesquisa utilizou dados secundários do estudo EpiFloripa Idoso, coordenado pela professora Eleonora D’Orsi, e teve como objetivo analisar a associação entre diferentes indicadores antropométricos e a presença de hipertensão arterial sistêmica em idosos de Florianópolis.

  Foram avaliados 1.197 idosos, 778 mulheres e 419 homens. A idade média das mulheres foi de 74 anos, e dos homens, 73 anos. A presença de hipertensão foi autorreferida e os indicadores antropométricos foram coletados por meio de mensuração padronizada do peso, altura e perímetro da cintura.

Foi estimado que 65% dos idosos de Florianópolis têm hipertensão. Os indicadores Índice de Massa Corporal, Perímetro da Cintura, Razão Cintura/Estatura, e os indicadores combinados Índice de Massa Corporal+Perímetro da Cintura e Índice de Massa Corporal+Razão Cintura/Estatura, que avaliaram o excesso de peso e a obesidade abdominal, foram associados à hipertensão nas mulheres. Nos homens, somente o Índice de Massa Corporal e os indicadores combinados foram associados à hipertensão.

Deriva-se, da pesquisa, que idosos com excesso de peso ou com obesidade abdominal ou, com excesso de peso e obesidade abdominal,  têm maior risco de desenvolver hipertensão, quando comparados a idosos com peso normal.

 

Um pesquisador impulsionado por um ‘descontentamento persistente’

15/09/2015 14:19

Marcelo Farina, pesquisador do Departamento de Bioquímica do Centro de Ciências Biológicas (CCB) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), e novo membro afiliado da Academia Brasileira de Ciências (ABC), é motivado por “um certo descontentamento persistente”. “O que seria isso?” – ­­ele explica­ – “É estar sempre querendo algo a mais, estar sempre buscando melhorar e realizar mais. Minha busca nunca foi no sentido de almejar este ou aquele posto. Eu prefiro estar focado em aprimorar o meu dia a dia, a minha pesquisa, a formação dos meus alunos.” A diplomação na ABC é uma conquista decorrente de sua atuação como pesquisador; por isso, a notícia foi recebida com alegria. “Quando chegou o e-mail do presidente da Academia Brasileira de Ciências dizendo ‘parabéns’, fiquei muito feliz, não tem como descrever de outra forma. Um reconhecimento é sempre uma motivação.”

© Pipo Quint / Agecom / UFSC

Marcelo Farina em seu laboratório. Foto: Jair Quint/Agecom/DGC/UFSC.

Diferentemente da categoria de membro titular, a de membro afiliado é destinada a pesquisadores jovens, de até 40 anos, que usufruem o direito de participar nas atividades da Academia por um período de cinco anos. Antes de Marcelo, apenas um professor da UFSC havia sido diplomado como membro afiliado: André Luiz Barbosa Báfica, do Departamento de Microbiologia, Imunologia e Parasitologia. O pesquisador Juliano Ferreira, do Departamento de Farmacologia, é membro afiliado desde 2012, quando ainda era professor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Para o período 2015-2019, foram escolhidos cinco pesquisadores da Regional Sul, dos quais quatro são da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), e Marcelo, da UFSC.

A escolha de novos afiliados ocorre em duas etapas: na primeira, um membro titular indica o pesquisador; na segunda, todos os titulares votam para eleger dentre os indicados. A escolha é feita em função da trajetória acadêmica: anos dedicados à pesquisa, principais conquistas do ponto de vista científico. Marcelo foi indicado por João Batista Teixeira da Rocha, da UFSM, seu orientador de mestrado e doutorado. “Esse pesquisador já orientou dezenas de doutores. Ele se tornou membro titular em 2014. O fato de sua primeira indicação ser alguém que não é da sua universidade me causa bastante alegria.”

Marcelo tem 39 anos e considera importante a participação das novas gerações de pesquisadores na ABC. “Um membro titular geralmente se baseia no que vivenciou há algumas décadas. Os jovens trazem o diferencial de terem uma experiência mais recente de aspectos importantes relacionados à ciência no Brasil. Por isso podemos trocar experiências e ideias de como podemos avançar em termos de política, ciência e tecnologia. Eu pretendo contribuir justamente dessa forma, a partir da minha experiência pessoal como pesquisador jovem.” A atuação política da entidade é algo que lhe motiva como novo membro. “É uma grande oportunidade poder participar das reuniões da Academia. A ABC é muito atuante politicamente, é uma instituição que luta em prol da ciência brasileira.”

 

A ciência

Em sua pesquisa, Marcelo busca averiguar de que forma compostos tóxicos presentes na natureza afetam a saúde humana. “Hoje em dia estamos mais suscetíveis à exposição de agentes tóxicos: medicamentos; pesticidas; produtos derivados da atividade industrial, como metais pesados, solventes etc. Tudo isso é lançado na natureza a partir da atividade humana. Eu investigo de que forma alguns desses componentes, que antes eram inexistentes ou existentes em menor quantidade, atuam no organismo.” Em seus experimentos, o pesquisador tenta compreender até que níveis o ser humano pode estar exposto a essas substâncias sem correr risco de sofrer seus efeitos nocivos. “Muitas doenças – como Alzheimer, Parkinson, diabetes, câncer – têm causas que ainda não são totalmente compreendidas. Por isso é importante definir os limites aceitáveis de exposição a esses compostos e, a partir disso, desenvolver uma base científica para implementar políticas ambientais. Por que se diz que o nível aceitável de chumbo no sangue é ‘tanto’? Porque se sabe que, até esse nível, em princípio, ele não prejudica a saúde.”

Caso se comprove que determinado componente possa desenvolver uma doença, a tendência seria, primeiramente, banir ou minimizar ao máximo sua presença na natureza. Marcelo explica que sua pesquisa busca, em uma segunda etapa, desenvolver estratégias que funcionem como antídoto. “Ou seja: se você se expõe agudamente a um agente tóxico, existe alguma forma de bloquear essa toxicidade? Após o indivíduo ter sido exposto e já estar apresentando sintomas crônicos que não são revertidos a curto prazo, é possível atuar farmacologicamente para minimizar esse estado?”

Entre os muitos compostos tóxicos que poderiam ser analisados, Marcelo decidiu estudar a atuação de metais e pesticidas. “O Brasil é um grande e talvez o maior consumidor de agrotóxicos do mundo. Alguns agentes que já foram banidos em alguns países ainda são utilizados aqui.” A pertinência desse tipo de investigação se deve ao fato de não haver, hoje, uma legislação que regulamente o uso de muitas dessas substâncias. O pesquisador se sente motivado, fundamentalmente, pela possibilidade de “fazer a diferença” e de melhorar a vida do ser humano. “Seria uma realização enorme se algumas das moléculas que estou investigando como potencial agente terapêutico para essas condições viessem a se tornar um medicamento, trazendo benefícios para a população. Eu sei que para isso existem várias etapas, e eu estou numa fase muito inicial. Mas estou tentando dar um passo significativo em termos científicos na minha área, adquirindo resultados que possam ser realmente benéficos à sociedade – imaginar isso até me emociona.”

 

Trajetória acadêmica

O caminho que o levou à Bioquímica começou quando partiu de sua cidade natal, Erechim (RS), para cursar, na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), a graduação em Farmácia. Essa não foi, entretanto, uma escolha premeditada. “Há pessoas que dizem ‘desde pequeno eu queria ser farmacêutico’. Não é o meu caso. Quando chegou o momento de fazer vestibular, fiz um teste vocacional, que apontou para as ciências da vida. Decidi fazer Farmácia, pois gostava de Química. Na época foi o primeiro curso que me passou pela cabeça. Eu não tinha um sentimento genuíno de ‘ah, eu quero ser isso!’. Se o teste vocacional dissesse ‘você deve ser músico’, talvez eu me tornasse músico. Eu inclusive gosto de tocar bateria.”

Mas o teste vocacional provavelmente estava certo. Já durante a graduação, Marcelo se identificou com a Farmacologia e a Bioquímica – área em que fez Iniciação Científica. Posteriormente, no mestrado, o pesquisador diz ter sido influenciado por seu orientador. “O professor João Batista trabalha, principalmente, a toxicologia de compostos metálicos; então, eu comecei a me interessar por isso. No mestrado, eu me voltei para o efeito das substâncias no organismo como um todo; no doutorado, optei focar o sistema nervoso central e as doenças neurodegenerativas.” Marcelo considera que ainda existe muito a ser descoberto nessa área, mas as lacunas de conhecimento são, para ele, uma característica de todo campo do saber. “O ser humano sabe muito pouco de si próprio e do Universo, por isso acho muito importante a continuidade da ciência, a busca do conhecimento científico, daquilo que não se compreende.”

O ingresso no mestrado foi, para ele, o momento decisivo de sua trajetória profissional. Após concluir a graduação, voltou a Erechim para trabalhar em um hospital. “Depois de seis meses em um laboratório de Análises Químicas, percebi que aquilo não me motivava tanto, era muito monótono.” Nessa época, soube que a Capes havia recém-aprovado o mestrado em Bioquímica da UFSM, e que, em alguns meses, haveria a seleção para a primeira turma. “Fui da primeira turma do mestrado em Bioquímica da UFSM.” Aos 22 anos, Marcelo retornou àquela universidade e integrou a equipe de pesquisadores do laboratório de Bioquímica. “Quando saí daquele ambiente hospitalar e voltei ao acadêmico, tudo parecia mais lindo, mais espontâneo, mais alegre, mais criativo. Eu me senti feliz cursando mestrado e atuando em um laboratório de pesquisa. Isso me motivou muito; eu me vi fazendo aquilo pelo resto da vida.”

Marcelo cursou o doutorado na mesma área, mas na UFRGS, em Porto Alegre. Assim que o concluiu, em 2003, foi aprovado em concurso para professor efetivo do Departamento de Análises Clínicas e Toxológicas da UFSM. Dessa vez sua passagem por Santa Maria durou apenas seis meses: nesse período, ele também foi selecionado em concurso para professor da UFSC e optou mudar-se para Florianópolis pela característica que lhe é intrínseca: o “descontentamento persistente”. “Busquei um pouco de independência científica.”

Na UFSC, Marcelo teve o desafio de “começar do zero”: conquistar desde um espaço físico para seus experimentos, passando pela compra da primeira geladeira para seu laboratório, até a criação do Programa de Pós-Graduação em Bioquímica da Universidade. “O fato de me sentir mais independente me motivava muito. Embora eu atue numa linha muito próxima da em que eu atuava na UFSM, aqui tive a oportunidade de construir algo. Eu entrei na UFSC em 2004, e, em 2008, conseguimos criar o Programa de Pós-Graduação em Bioquímica, com mestrado e doutorado. Posso dizer que houve uma contribuição significativa de minha parte: fui o presidente da comissão de implantação do curso. Mas é claro que isso foi possível por já haver aqui uma equipe competente.” O professor se sente feliz por fazer parte da Universidade. “Eu considero a UFSC uma universidade respeitável, muito ativa e importantíssima para Santa Catarina. Para mim é um orgulho ser professor da UFSC.”

Atualmente, Marcelo orienta dois alunos de Iniciação Científica, três mestrandos, quatro doutorandos e dois pós-doutorandos. O ensino é, para ele, parte muito importante de sua atuação como acadêmico. “Gostaria de contribuir para a formação de novos cientistas, que talvez venham a gerar conhecimentos importantes para a sociedade.” O pesquisador reafirma que se sente feliz como membro da ABC, mas que o mais importante é ser cada vez melhor no que faz. “Mais do que fazer mais, quero fazê-lo benfeito. O lançamento de um novo medicamento não ocorre se nós, como pesquisadores, não fizermos um excelente trabalho.”

Daniela Caniçali/Jornalista da Agecom/DGC/UFSC

Revisão: Claudio Borrelli/Revisor de Textos da Agecom/DGC/UFSC

 

Protótipo de chuveiro híbrido desenvolvido na UFSC economiza 78% de energia elétrica por banho

10/09/2015 09:52

Um protótipo de chuveiro híbrido, produzido na dissertação de mestrado de Gelson Onir Pasetti e orientação do professor Julio Elias Normey-Rico, com objetivo de diminuir gastos e perda de água, alcançou – com três placas solares – economia de 78% de energia elétrica por banho, com base na média anual de temperatura de Florianópolis. Através de uma interligação com um computador, o usuário controla a temperatura e vazão da água da ducha, que utiliza energia elétrica e solar. O protótipo foi feito no Departamento de Automação e Sistemas da Universidade Federal de Santa Catarina, em Florianópolis.

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Clique e veja o funcionamento do chuveiro

O sistema criado é dividido em duas partes principais: a economia elétrica ocorre através da planta solar – no verão, ela atingiu a temperatura de 70°C  e no inverno, 40°C. Já a redução no consumo vem com o uso da água que é perdida nas tubulações dos chuveiros comuns. “Quando o chuveiro é ligado, você tem um minuto de desperdício da água que fica na tubulação até chegar a água quente”, explica. Com o protótipo, a quantidade utilizada diminuiria por volta de 3 litros a cada banho de dez minutos. Em uma família de quatro pessoas, seriam economizados, por ano, 4.526 litros e R$ 531,00. Pasetti ressalta que sua pesquisa foi realizada com dados de 2014 e que, naquela época, o valor poupado foi R$ 390,00; porém, com o aumento de 25% na energia elétrica, o controle de gastos se tornou maior.

A água aquecida pela placa solar é depositada em um boiler – um tanque de armazenamento – com camadas de isopor e proteção térmica para evitar a perda de calor ao longo do dia. Caso a temperatura fique abaixo dos 25°C, um resistor elétrico dentro do tanque é ativado para reesquentar a água.

O chuveiro elétrico é responsável por 18% da energia elétrica do consumo residencial, o equivalente a 337kWh/domicílio, perdendo apenas para a geladeira. Além disso, o equipamento é responsável por 43% da energia elétrica gasta nas residências durante o inverno, de acordo com o Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel).

O protótipo construído custou cerca de R$ 5 mil, com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). O pesquisador explica que o alto custo se deve à instalação de todos os sensores, placas solares e caixas d’água, além de estimar o preço da mão de obra necessária e a margem de lucro do fabricante e comerciante. Para o uso residencial, o gasto poderia ser reduzido para R$ 4,4, caso o consumidor já tenha um sistema de tubulação para água quente e fria. O retorno do investimento no chuveiro híbrido viria com oito anos de uso, de acordo com o pesquisador. “Vale lembrar que, além da vantagem econômica a longo prazo, o usuário também terá um grande conforto, utilizando um sistema sustentável”, ressalta Pasetti. O projeto ainda não é feito em larga escala e nem comercializado.

Mais informações:

Departamento de Automação e Sistemas – (48) 3721-9934

 

Ana Carolina Prieto, Luan Martendal e Tamy Dassoler/Estagiários de Jornalismo/Propesq/DGC/UFSC
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Infográfico produzido por Gabriel Daros/Estagiário de Jornalismo/Propesq/DGC/UFSC

Pesquisa da UFSC estuda controle de gordura trans em produtos de lanchonetes da Universidade

09/09/2015 11:27

Os padrões e comportamentos alimentares da população têm sido influenciados por fatores como menor disponibilidade para o preparo das refeições e o tempo gasto nele, o aumento do número de vezes em que as pessoas comem fora de casa e o acréscimo do consumo de alimentos processados. Os produtos alimentícios industrializados mais comprados pelos brasileiros são os de panificação – salgados fritos e assados, biscoitos salgados, pizzas e sanduíches –, que apresentam elevado teor calórico e de gorduras, entre elas, a trans, que pode ocasionar diversos malefícios à saúde, como desenvolvimento de doenças cardiovasculares, diabetes melito, obesidade, depressão e câncer. Jovens no ambiente universitário consomem habitualmente produtos de panificação com presença da gordura trans.

Pesquisa realizada no Programa de Pós-Graduação em Nutrição (PPGN), no contexto do Núcleo de Pesquisa de Nutrição em Produção de Refeições (NUPPRE) da UFSC, teve como objetivo implementar o controle de gordura trans em produtos de panificação de um fabricante que é fornecedor de lanchonetes do campus de Florianópolis da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O estudo é resultado de uma dissertação de mestrado defendida em 2015 pela nutricionista Mariana Kilpp Silva, com orientação da professora Marcela Boro Vieiros, e parcerias com a professora Rossana Pacheco da Costa Proença e a egressa de doutorado, Vanessa Hissanaga-Himelstein.

 Etapas do estudo

O estudo foi executado em três etapas: a primeira foi a da identificação dos produtos de panificação com gordura trans comercializados nas lanchonetes do campus Florianópolis – a coleta de dados foi realizada nas 13 lanchonetes do campus. A etapa seguinte foi a seleção do fabricante, escolhido devido à possibilidade de fornecer maior número de produtos de panificação passíveis de conter gordura trans aos consumidores da Universidade. Na terceira etapa houve a implementação, no fabricante selecionado, do Método de Controle de Gordura Trans no Processo Produtivo de Refeições (CGTR), que ocorreu de novembro de 2014 a fevereiro de 2015.

Foram avaliados todos os produtos de panificação comercializados que continham rotulagem: pães de queijo, pães de batata recheados com requeijão, biscoitos salgados simples, salgados assados de massa branca e integral (empanadas, calzones e esfirras), salgados assados de massa semifolhada (croassãs e folhados), salgados fritos de massa cozida (coxinhas) e calzones doces.

Todas as lanchonetes comercializavam produtos de panificação com presença da gordura trans. Dos 120 produtos analisados por meio dos rótulos, 92 (76,7%) continham ingredientes passíveis de conter gordura trans, dos quais 60 (65,2%) foram identificados pela presença dessa gordura na tabela de informação nutricional, e 68 (73,9%) pela lista de ingredientes – devido ao uso de margarina (51,5%), gordura vegetal hidrogenada (27,9%) e gordura vegetal (20,6%).

Foram identificados 21 fabricantes que comercializavam produtos de panificação nas lanchonetes: o selecionado para o estudo os fornecia para três lanchonetes do campus da Universidade, com sete diferentes produtos de panificação, todos com ingredientes passíveis de conter gordura trans.

Na implementação do método CGTR, após acompanhamento e avaliação de todas as etapas do processo produtivo, foi identificado que todos os 39 produtos de panificação fabricados pela empresa utilizavam ingredientes passíveis de conter gordura trans, dos quais 59% possuíam em sua composição caldo de galinha industrializado; 54%, gordura vegetal hidrogenada; 44%, margarina industrial; 13%, requeijão cremoso original; e 3%, queijo cheddar – todos identificados com presença de gordura trans por meio das informações contidas nos respectivos rótulos.

Foram então realizados testes culinários para desenvolver novos produtos sem gordura trans: o teste dos recheios foi feito com a substituição do caldo industrializado por temperos frescos e naturais e por caldo industrializado sem gordura trans; além disso, houve a substituição de requeijão contendo gordura vegetal por produtos similares sem gordura trans. Para as massas, foram realizados testes culinários substituindo gordura vegetal hidrogenada e margarina por óleos vegetais (soja, girassol e algodão) e o caldo de galinha industrial por caldo de galinha caseiro. Com o desenvolvimento e testes das novas formulações, foi demonstrada a possibilidade de fabricar produtos de panificação isentos de gordura trans industrial.

Além dos testes, foram implementadas ações para o controle da gordura trans no local do estudo, que deram origem a diversas recomendações para fabricantes envolvidos no processo produtivo de produtos de panificação.

Resultados

Destaca-se a relevância do método CGTR no processo produtivo de refeições e, a partir do estudo, a viabilidade de implementá-lo na produção de produtos de panificação. A aplicação do método auxilia colaboradores e gestores da área de panificação a identificar a gordura trans no processo produtivo e propor ações corretivas para controlar seu uso ou eliminá-la. Da pesquisa também se conclui que o uso de óleos vegetais na fabricação de produtos de panificação e a utilização de insumos isentos de gordura trans são alternativas viáveis para seu controle nos alimentos, possibilitando aos consumidores opções mais saudáveis do ponto de vista nutricional.

Conclui-se, portanto, que disponibilizar, em lanchonetes de ambientes universitários e escolares, alimentos com melhor qualidade nutricional e isentos de gordura trans é uma forma de prevenir doenças, já que essa substância é, comprovadamente, nociva à saúde e não possui limite seguro de ingestão.

Contatos: Mariana Kilpp Silva: ; Marcela Boro Veiros: ; e Rossana Pacheco da Costa Proença: .

 Edição: Alita Diana/Jornalista da Agecom/DGC/UFSC

Revisão: Claudio Borrelli/Revisor de Textos/Agecom/DGC/UFSC

 

Em função do mau tempo, satélite desenvolvido em parceria com a UFSC será lançado nesta quarta-feira

19/08/2015 08:06

O satélite de pequeno porte SERPENS, desenvolvido por um consórcio integrado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), será lançado nesta quarta-feira, 19 de agosto, de Tsukuba, no Japão. A previsão inicial era de que o satélite fosse lançado no último domingo, 16 de agosto, mas o mau tempo ocasionado pelas chuvas inviabilizou a atividade. Ele integra o Sistema Espacial para a Realização de Pesquisa e Experimentos com Nanossatélites (SERPENS), que é um programa criado pela Agência Espacial Brasileira (AEB). Essa primeira missão SERPENS foi coordenada por pesquisadores da Universidade de Brasília

Satélite  Serpens

Satélite SERPENS

(UnB).

O principal objetivo do SERPENS é a capacitação de recursos humanos e a consolidação dos novos cursos de engenharia espacial no Brasil. Além da UnB e da UFSC, a iniciativa conta com a participação das universidades federais do ABC (Ufabc), de Minas Gerais (UFMG) e o Instituto Federal Fluminense (IFF). A próxima missão, SERPENS 2, é coordenada pela UFSC.

Do exterior, as universidades de Vigo (Espanha),  Sapienza Università di Roma (Itália) e as norte-americanas Morehead State University e California State Polytechnic University (Cal Poly) participaram do desenvolvimento do satélite como observadoras. O nanossatélite será transportado por um foguete da Agência Espacial Japonesa (Jaxa) para a Estação Espacial Internacional (ISS) e a colocação em órbita, a partir da ISS, está prevista para outubro.

O pequeno satélite testará conceitos básicos de missões espaciais, realizando  o recebimento, armazenamento e retransmissão de mensagens por intermédio de um sistema de comunicação na frequência de radioamador. Ao utilizar esse tipo de sistema de radio, o satélite está apto a trocar mensagens com estações espalhadas pelo globo terrestre. Isso possibilita que os dados armazenados no satélite possam ser recuperados em vários locais do planeta, não apenas pelas universidades envolvidas, mas também pela comunidade com acesso a estações de radioamador. A proposta é ilustrar que, no futuro, esse tipo de equipamento pode ser usado para colaborar para o sistema de coleta e distribuição de dados ambientais no país.

“O custo para o lançamento desse tipo de satélite universitário é de aproximadamente 100 mil dólares. Um satélite ‘convencional’, de maior porte fica na casa dos milhões”, explica o professor do Departamento de Engenharia Elétrica, Eduardo Augusto Bezerra. “Já participei de projetos isolados, mas a criação de cursos de Engenharia Aeroespacial chamou a atenção da AEB, que formou o consórcio”. Na UFSC, a equipe responsável pelo projeto é integrada de professores e estudantes dos campi de Florianópolis e Joinville.

O satélite foi desenvolvido fisicamente em Brasília, e a participação dos pesquisadores da UFSC foi remota e presencial. “Os alunos tiveram muito treinamento, fornecido pelo consórcio, de como funciona uma missão espacial, e os professores atuaram mais como consultores de como seriam os módulos do satélite.”

Equipe do Projeto

Equipe do Projeto

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Testes

O modelo de voo do nanossatélite, aprovado nos testes realizados no Laboratório de Integração e Testes (LIT) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos (SP), e na Agência Espacial Japonesa, passou por uma fase de validação de alguns testes adicionais, solicitados em função de que o satélite será lançado de um veículo espacial com tripulação. Há exigência, nesses casos, de quesitos mais rigorosos de segurança.

Com informações das assessorias de imprensa da AEB e da UnB.

Uso de glifosato pode causar riscos à saúde, indica parecer técnico de pesquisadores da UFSC

24/07/2015 13:30

Agrotóxico mais vendido no Brasil, o glifosato pode estar relacionado ao aparecimento de doenças como câncer, depressão, Alzheimer, diabetes, autismo e mal de Parkinson, conforme o parecer técnico N. 01/2015, produzido por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O herbicida e outros cinco ingredientes estão na lista de agrotóxicos que devem passar por reavaliação toxicológica até setembro, conforme determinado pela Justiça Federal no dia 25 de junho deste ano. Atualmente, o princípio ativo é considerado pouco perigoso aos humanos e ao meio ambiente, segundo classificação dos órgãos reguladores nacionais – Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

A análise técnica acerca dos riscos associados ao herbicida foi desenvolvida por Sonia Corina Hess, professora de Engenharia Florestal e Agronomia do campus Curitibanos, e Rubens Onofre Nodari, professor de Agronomia e Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Recursos Genéticos Vegetais da UFSC, em Florianópolis. A revisão bibliográfica ocorreu durante dois meses e levou em consideração pesquisas nacionais e internacionais publicadas nos últimos seis anos. O parecer foi divulgado no dia 23 de maio e enviado ao Ministério Público Federal (MPF) com o objetivo de reafirmar a necessidade de uma reavaliação imediata dos registros de produtos à base de glifosato.

Segundo o documento, dados do Ibama mostram que há sete anos o Brasil lidera o mercado de agrotóxicos do mundo e, em 2012, foi responsável por 19% das vendas mundiais desses produtos. A comercialização dos ingredientes ativos no país atingiu a marca de 495.764,55 toneladas em 2013, conforme o último Boletim Anual sobre Produção, Importação, Exportação e Vendas de Produtos Agrotóxicos do Ibama. O relatório, atualizado em setembro de 2014, apontou ainda que o glifosato e seus sais lideram o ranking de princípios ativos mais vendidos no país, com 185.956,13 toneladas.

O glifosato é utilizado sobretudo na agricultura para matar plantas denominadas de invasoras de culturas de transgênicos [organismos vivos geneticamente modificados, principalmente, para apresentar  resistência às pragas ou resistir a aplicação de herbicidas], além de ser usado como dessecante [produto capaz de agilizar a secagem da planta] para facilitar a colheita de grãos como soja e trigo. Para Sonia Hess, a classificação toxicológica feita pelos órgãos reguladores nacionais considera os efeitos agudos e não os efeitos crônicos do herbicida, podendo prejudicar a identificação de alterações causadas ao meio ambiente e aos humanos.

“Em uma escala que varia de 1 (extremamente tóxico) a 4 (pouco tóxico), ele é ‘classe 4’ pela legislação atual e, até então, não se sabia muito sobre os efeitos do glifosato. As publicações são recentes e a partir de 2009 começaram a aparecer os primeiros estudos mostrando seus efeitos tóxicos e demonstrando que ele é extremamente perigoso à saúde”, explica a pesquisadora.

De acordo com a parecerista, o objetivo do trabalho é alertar as pessoas em relação ao uso incorreto do glifosato e demonstrar com clareza e acuidade científica os riscos do herbicida. “O seu banimento, em função dos efeitos tóxicos, tem sido descrito em vários artigos científicos. Mal de Alzheimer, depressão, câncer, infertilidade, problemas de má formação em crianças, até autismo e neurotoxidade, eram todos aspectos que não se conheciam e que agora estão sendo demonstrados. Muitos dos problemas que o glifosato causa são por que ele interfere na atividade das bactérias que ajudam o nosso corpo, ele mata as bactérias”, completa.

 

Contaminação

O parecer técnico aponta que a quantidade necessária para causar efeitos na saúde é muito baixa. Os pesquisadores demonstram que quando aplicado nas lavouras e utilizado como dessecante, o principio ativo contamina a planta e consequentemente os alimentos, que podem apresentar teores variados de glifosato. “As concentrações que a literatura descreve são muito baixas e têm efeito biológico intenso. Isso é grave já que no momento que se trata trigo, milho, soja, com esse dessecante, o alimento é contaminado e não existe uma forma de limpar e retirar o produto. Até os animais, que servem de alimento para o ser humano, estão sendo contaminados”, explica Sonia.

Ela destaca que o ingrediente ativo também pode causar danos ao solo e à água. “A produtividade agrícola está sendo ameaçada. Ele afeta o ecossistema agrícola de forma muitas vezes até irreversível, pois o solo é um material vivo e o glifosato mata todas essas bactérias, prejudicando sua fertilidade. Muitas cidades também já estão apresentando análise de água contendo resíduos do herbicida”, conclui.

No dia 20 de março, em Lyon, na França, o glifosato foi inserido na lista de prováveis cancerígenos para os seres humanos pela International Agency for Research on Cancer (IARC), ligada à Organização Mundial de Saúde (OMS), na categoria 2A. A classificação feita por 17 especialistas de 11 países é a mesma utilizada para esteróides anabolizantes, por exemplo. A divulgação também reforça o debate em torno da reavaliação da toxidade do glifosato pela Anvisa, o Ibama e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

 

Mortes comprovadas

Uma petição do MPF enviada à Justiça há três meses confirma dezenas de mortes provocadas pelos componentes dos produtos usados na agricultura brasileira, incluindo o glifosato. No documento, o procurador da República Anselmo Henrique Cordeiro Lopes cita relatórios dos Centros de Informações e Assistência Toxicológica do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Os três estados contabilizaram 88 mortes, entre 2009 e 2013, por “exposição aguda aos ingredientes dos agrotóxicos”. O mesmo requerimento indica que seja concluída com urgência a reavaliação toxicológica do glifosato e recomenda o banimento do herbicida no mercado nacional.

O procurador aponta ainda as estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca) e da OMS de que o câncer será a principal causa de óbitos no Brasil nos próximos cinco anos, parte deles em decorrência do aumento no uso de agrotóxicos.

A petição indica também que o MPF apresentou pedido aos 34 Centros de Informações e Assistência Toxicológica do país para que informem registros de eventuais intoxicações ocorridas, em 2014, que possam estar relacionadas à exposição a agrotóxicos que contenham os ingredientes ativos mencionados em ações movidas pelo órgão.

Mais informações:  e .

 

Texto e fotos: Luan Martendal/Estagiário da Diretoria-Geral de Comunicação/UFSC

Grupo de Pesquisa em Enfermagem na Saúde da Mulher e do Recém-Nascido comemora 10 anos

24/07/2015 07:50

Quando o Grupo de Pesquisa em Enfermagem na Saúde da Mulher e do Recém-Nascido (Grupesmur) foi criado, o objetivo era produzir e divulgar conhecimento na área da enfermagem, voltado para esta população específica, em uma perspectiva multidisciplinar. Hoje, dez anos depois, o grupo possui uma produção extensa e é favorável a medidas que incentivem o parto natural, como as novas regras estabelecidas pelo Ministério da Saúde e da Agência de Saúde Suplementar (ANS). Segundo a líder do grupo, Evanguelia Kotzias Atherino dos Santos, estas normas são positivas porque podem diminuir a grande taxa de cesáreas no Brasil, que chega a atingir 84% na rede privada de saúde e 40% na pública.

Para aprofundar estudos na sua área de atuação, integrantes do Grupesmur desenvolveram 29 dissertações e quatro teses, entre 2005 e o primeiro semestre de 2015. Uma destas pesquisas é sobre “Rituais de cuidado realizados pelas famílias na preparação para a vivência do parto domiciliar planejado”,que entrevistou 25 famíliasque realizaram parto em casa de setembro de 2010 a abril de 2011. As pesquisadoras do grupo identificaram que os casais consideravam suas casas um local mais acolhedor e aconchegante para ter um bebê do que o hospital. Esta instituição era descrita, na maioria das vezes, como um lugar frio, com pessoas estranhas e sem envolvimento afetivo, o que levava à escolha do parto domiciliar.

Já o estudo “Parto normal e cesárea: representações sociais de mulheres que os vivenciaram” foi realizado com 20 mulheres que fizeram parto normal ou cesárea entre julho e outubro de 2010. As entrevistadas afirmaram que o parto natural trazia uma dor excessiva, mas que a recuperação era muito rápida, permitindo às mulheres realizarem atividades rotineiras em poucos dias. A cesárea foi vista como uma forma mais rápida e cômoda de parir e, principalmente, sem dor. Mas foi associada a sentimentos ruins, como temor, aversão e trauma e a uma recuperação muito demorada. As mulheres entrevistadas descrevem a cesárea como um procedimento cirúrgico a ser evitado, por causa da gravidade e riscos como infecção, hemorragia e choque anafilático. Também foi percebido que a decisão pelo tipo de parto é feita por indicação médica e que as elevadas taxas de cesárea não estão relacionadas à vontade das mulheres.

A líder do Grupesmur afirma que o alto índice de cesáreas no Brasil não se deve somente à escolha médica. Fatores como a falta de orientação às gestantes também são determinantes. “Algumas mulheres decidem sem ter conhecimento das complicações para elas e para os bebês”, afirma. Com as novas regras, esta situação pode mudar: grávidas que decidirem fazer cesárea sem indicação médica terão que assinar um termo de consentimento mostrando que conhecem os riscos.

Evanguelia explica que a cesárea é um método muito importante para condições específicas. Mas garante que “generalizar e banalizar a cesariana pode trazer malefícios para a mãe e para o bebê”.

O Grupesmur continua desenvolvendo pesquisas na área, envolvendo temas como mulheres com câncer de mama e em situação de abortamento, atenção no pré-natal, mulher trabalhadora e amamentação, método canguru na atenção básica e violência obstétrica.Segundo dados de 2014 do Nascer no Brasil, um levantamento nacional sobre parto e nascimento, 74,8% das mulheres que tiveram parto natural com intervenção médica não puderam se alimentar durante o procedimento e 36,1% sofreram empurrões na barriga para forçar a saída do bebê. Estes dois casos são considerados violência obstétrica, assim como não deixar a gestante escolher o local em que o parto ocorrerá e proibir a entrada de acompanhante.

Mais informações:

Grupesmur (48) 3721-2208

Evanguelia Kotzias Atherino dos Santos (48) 3721-2206

 

Tamy Dassoler/Estagiária de Jornalismo/DGC/UFSC

TCC de aluna da UFSC ganha prêmio do Instituto Pan-Americano de Engenharia Naval

15/07/2015 11:31

Recém-formada pela UFSC, no Centro de Engenharias da Mobilidade de Joinville, Maria Eduarda Felippe Chame, 23 anos, recebeu em junho o prêmio de melhor TCC do Brasil em Engenharia Naval do Instituto Pan-Americano de Engenharia Naval (IPIN). Seu estudo “Projeto conceitual otimizado de embarcações utilizando fórmulas empíricas”, com orientação do professor Thiago Pontin Tancredi, representará o Brasil no Congresso Panamericano de Engenharia Naval, que acontece em outubro, na cidade de Montevideo, no Uruguai. Participarão trabalhos de diversos países como: Argentina, Canadá e Estados Unidos.

Maria Eduarda criou um sistema que gera automaticamente um projeto conceitual de um navio mercante. Esta é a fase inicial do processo e uma das mais importantes, segundo a engenheira, o que a levou a otimizar o seu desenvolvimento. O objetivo era aperfeiçoar o processo de criação e reduzir a potência do motor das embarcações. Assim, o sistema busca maximizar a eficiência do propulsor, que teria como consequência a diminuição da potência do motor. Logo, com um motor menor, há a possibilidade de transportar uma quantidade maior de cargas e ampliar os lucros, sem alterar a velocidade do navio.

Ferramenta Solver

Com a ferramenta Solver, aluno escolhe especificações para o seu projeto como: tipo de embarcação, o peso da carga (DWT) e a velocidade de serviço.

A engenheira utilizou métodos diferentes para criar dois sistemas. O primeiro utiliza a ferramenta Solver para calcular as dimensões da embarcação. É preciso inserir o peso da carga transportada, a velocidade estimada e completar com as normas dos portos que o navio iria atracar. Dessa forma, o projeto é gerado com as medidas de comprimento, largura e outros componentes importantes de uma embarcação mercante. “Serve para ajudar o aluno, porque ali tem todas as fórmulas. Então não precisa buscar todas e calcular, é automático”, explica.

A segunda parte do trabalho pesquisou um histórico das dimensões de três tipos de embarcações com no máximo 15 anos de uso: Bulk carriers, Tanques e Porta­-contêiners, a fim de achar padrões que ajudassem na otimização do processo de criação. Maria Eduarda comparou as medidas encontradas e desenvolveu fórmulas para auxiliar os estudantes.

Utilizando os mesmos dados do primeiro método, é possível chegar às dimensões necessárias para o navio a partir de equações utilizadas pelos engenheiros navais. Maria Eduarda alerta que o seu trabalho se trata de um projeto conceitual e necessitaria mais avaliações profissionais na prática para que se fizessem novas adaptações até chegar ao produto final.

A engenheira continua aperfeiçoando seu projeto e espera que até o próximo semestre ele esteja disponível para os alunos da UFSC. “Ainda usamos equações de embarcações de 40 anos atrás. Isso traz prejuízo porque já avançamos muito na engenharia e precisamos melhorar”.

De acordo com o anuário estatístico de 2014 da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ), o Brasil possui uma frota de navios operantes com idade média de 17,8 anos. A vida média de um navio mercante é de 25 anos, o que traz uma necessidade de pensar na renovação da frota atual nos próximos anos. Destaca­-se também a importância econômica do setor. Em 2014, a Associação Brasileira das Empresas de Construção Naval e Offshore (ABENAV) tinha a expectativa de o mercado naval movimentar mais de US$ 100 bilhões até 2020, gerando mais de 40 mil empregos até 2017.

 

planilha (1)

 

Mais informações:

Secretaria Acadêmica (Graduação) de Joinville: (47) 3461-5900

 

Ana Carolina Prieto/Estagiária de Jornalismo/Propesq/DGC/UFSC

Filmes legendados contribuem para melhora em desempenho de leitura

13/07/2015 08:53

De acordo com pesquisa do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), disponibilizada no QEdu – portal que reúne dados sobre a qualidade de aprendizado dos estudantes da rede pública –, apenas 40% dos alunos de 5º ano e 23% dos de 9º ano apresentam nível proficiente ou avançado no estudo de Língua Portuguesa, considerando-se suas pontuações na Prova Brasil de 2013. Santa Catarina – estado com o maior indicador de aprendizado adequado – apresenta índice acima da média nacional: 56% dos alunos de 5º ano e 27% dos de 9º ano possuem nível proficiente ou avançado na disciplina. A dificuldade das crianças e adolescentes com a leitura motivou a tese de Silvane Daminelli, defendida em 2014, do Programa de Pós-graduação em Estudos da Tradução da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), orientada pela professora Ana Cláudia de Souza, do Departamento de Metodologia de Ensino. A pesquisadora apresentou quatro curtas-metragens legendados para melhorar a leitura dos alunos da Escola de Educação Básica Pedro Simon, de Ermo, sul de Santa Catarina.

A pesquisa foi realizada em 2012, em duas turmas de 5ª série, atual 6º ano. Dos 56 alunos, 21 foram considerados como de baixo desempenho e maior dificuldade de aprendizagem, de acordo com o corpo docente da instituição. Os estudantes, entre 11 e 16 anos, apresentavam problemas referentes à escrita, leitura, produção de textos e cálculo. Focando a dificuldade dessas crianças em ler, Silvane Daminelli propôs uma nova forma de leitura, usando filmes estrangeiros legendados como maneira de ensinar Língua Portuguesa. O resultado foi positivo: dos 21 alunos iniciais com baixo desempenho apenas sete continuaram apresentando dificuldades, e 60% deles compreenderam os textos fílmicos por meio da leitura das legendas. Com isso, a pesquisadora demonstrou que mesmo os alunos que apresentam histórico de desempenho abaixo do esperado podem evoluir com atividades diferenciadas.

Ana Cláudia de Souza explica que a opção pelos curtas-metragens foi tomada, pois ela e Silvane Daminelli tinham “um universo de não leitores e precisavam operar de modo que [a atividade] tocasse afetivamente e despertasse o interesse dos alunos”. “A legenda tem um tempo de leitura predeterminado, o que exige muito da capacidade do leitor”, completa a orientadora. Os curtas-metragens tornaram possível trabalhar com um texto completo. Se tivesse sido exibido um longa-metragem, a atividade teria de ser feita em partes, o que  poderia causar fadiga aos alunos.

O curta-metragem O monge e o macaco foi o segundo a ser apresentado. Foto: Jair Quint/Agecom/DGC/UFSC

Os quatro filmes foram escolhidos com base na faixa etária da turma, gostos, dados obtidos pela aplicação de um questionário socioeconômico, tempo de duração e capacidade leitora dos alunos. O primeiro curta, Os fantásticos livros voadores do senhor Morris Lessmore (The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore / William Joyce e Brandon Oldenburg / EUA, 2011), não possui falas nem legendas, mas serviu de preparação para os outros. O segundo foi O monge e o macaco (The Monk and the Monkey / Brendan Carroll, Francesco Giroldini e Shant Ergeninan / EUA, 2010), seguido de Batman, sem saída (Batman Dead End / Sandy Collora / EUA, 2003), o mais atrativo aos estudantes, mas também o que exigia maior atenção às legendas. O último, A lenda do espantalho (La Leyenda del  Espantapájaros / Marco Besas / Espanha,  2005), foi o mais complexo. Cada filme foi exibido duas vezes.

Além da exibição dos filmes, a pesquisa contou com mais três etapas: um questionário para testar a compreensão da obra, um processo devolutivo e protocolos verbais. O questionário foi composto de um número variado de questões sobre cada curta, que exigiram respostas discursivas quanto à sua mensagem principal e ao enredo. O processo devolutivo, feito após a segunda exibição, permitiu aos alunos alterarem as respostas caso o quisessem. Por último, os protocolos verbais foram discussões em classe, que possibilitaram aos alunos discutirem verbalmente o filme, sem fazer uso da escrita. Silvane conta que, entre a exibição do segundo e do terceiro curta-metragem, alguns alunos começaram a frequentar a biblioteca pedindo orientações e indicações de leitura, e a se dirigirem diretamente ao auditório onde eram exibidos os filmes, para que conseguissem sentar nos melhores lugares. Para a pesquisadora, isso demonstra o aumento do interesse dos alunos e a familiaridade que desenvolveram com o que antes era uma grande dificuldade, a leitura.

Após os resultados da pesquisa, a professora de História da Escola de Educação Básica Pedro Simon também aderiu à proposta e apresentou filmes durante as aulas para melhorar o desempenho dos alunos. No entanto, Ana Cláudia de Souza aponta que “a proposta não é de que a escola fique em filmes legendados, mas sim de que ela ofereça, cada vez mais, o texto escrito – que, naquele momento, ainda estava muito distante dos alunos”.

 

Para assistir aos curtas-metragens, clique nos links:

Os fantásticos livros voadores do senhor Morris Lessmore: https://www.youtube.com/watch?v=Ad3CMri3hOs

O monge e o macaco: https://www.youtube.com/watch?v=0twYQY7H7nU#t=14

Batman, sem saída: https://www.youtube.com/watch?v=9x1smZmYkbo

A lenda do espantalho: https://www.youtube.com/watch?v=46ZMXOV7OhU

 

Mais informações:

Pós-graduação em Estudos de Tradução: (48) 3721-6647

Silvane Daminelli:

 

Laura Fuchs e Tamy Dassoler/Estagiárias de Jornalismo/DGC/UFSC
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Claudio Borrelli/Revisor de Textos da Agecom/DGC/UFSC

Jair Quint/Fotógrafo da Agecom/DGC/UFSC

Pesquisadores da UFSC revelam segredos da vida marinha no atol das Rocas

30/06/2015 14:17

“Você já imaginou sentir a maré chegando e, junto com ela, o seu maior predador? Saber que em alguns momentos as correntes marinhas serão tão fortes, e o perigo de virar comida tão evidente, que a única coisa que você fará até que a maré volte a baixar é fugir e se esconder?” Assim é como os pesquisadores do Departamento de Ecologia e Zoologia (ECZ) do Centro de Ciências Biológicas (CCB) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) descrevem os segredos da vida marinha no atol das Rocas, onde grandes predadores, como tubarões, ainda convivem com peixes menores.

O trabalho idealizado por Guilherme Ortigara Longo, durante sua tese de doutorado em Ecologia, analisou o comportamento dos organismos marinhos do local – o único atol do oceano Atlântico sul – e como os fatores externos, como a maré, o influenciam.

Publicado no periódico on-line PLOS ONE, o estudo reuniu outros 17 pesquisadores, que se envolveram diretamente em sua segunda elaboração. O projeto é parte da Rede Nacional de Pesquisa em Biodiversidade Marinha, liderada por Sergio Ricardo Floeter, do ECZ/CCB/UFSC. A expedição que gerou o artigo durou 25 dias, em 2012 – depois da primeira visita, os pesquisadores já retornaram ao local pelo menos três vezes.

Cardume em piscina no atol. Foto: Renato Morais Araujo/UFSC

Cardume em piscina no atol. Foto: Renato Morais Araujo/UFSC

 

Segundo Renato Morais Araujo, um dos autores do artigo, o local, distante 230 km da costa nordeste do Brasil, é interessante para estudar a vida marinha devido ao seu distanciamento da costa. “O atol está isolado de muitos impactos da sociedade, o que faz dele um excelente modelo para que sejam estudados vários processos biológicos com uma influência reduzida do ser humano”, explica. “O atol das Rocas é um laboratório natural importantíssimo, que nos permite refletir sobre o efeito que podemos ter sobre os ecossistemas marinhos. Estudos comparativos podem permitir o desenvolvimento de estratégias de conservação mais efetivas, para que outros locais possam trazer a imagem que Rocas nos traz à mente: a de um paraíso protegido.”

Piscina aberta. Foto: Sérgio Ricardo Floeter/UFSC.

Piscina aberta. Foto: Sérgio Ricardo Floeter/UFSC.

Os atóis se formam tipicamente em torno de ilhas vulcânicas, a partir do crescimento de corais – no atol das Rocas, as algas calcárias são as principais responsáveis por essa formação. Ao longo de milhões de anos, algumas dessas ilhas começam a afundar, enquanto os recifes continuam crescendo, formando uma barreira em formato de anel com diversas piscinas naturais. No atol das Rocas, parte dessas piscinas continua se comunicando com o resto do oceano, enquanto outras ficam completamente isoladas do mar aberto, constituindo ambientes calmos (piscinas fechadas).

Quando a maré baixa, os animais dessas piscinas ficam presos até que ela suba novamente. Essas diferenças determinam, por exemplo, quais peixes, algas e corais habitam cada ambiente, e a forma como esses organismos interagem. Os pesquisadores observaram que os peixes-cirurgiões (Acanthurus chirurgus), por exemplo, alimentam-se dez vezes mais ao ficarem presos em piscinas fechadas durante a maré baixa.

 

Tubarão no Atol das Rocas. Foto: Renato Morais Araujo/UFSC

Tubarão no atol. Foto: Renato Morais Araujo/UFSC

Outras formas de vida importantes à pesquisa foram os tubarões, que – revelou o estudo – dificilmente ficam presos em piscinas fechadas durante a maré baixa, mas são comumente encontrados em piscinas abertas. À medida que a maré começa a subir, eles nadam para dentro do atol, ficando, muitas vezes, com apenas parte do corpo envolta em água.

O estudo também indica que a alimentação dos peixes-cirurgiões em piscinas fechadas durante a maré baixa pode influenciar as algas que recobrem o fundo. Esses peixes preferem consumir um tipo específico de alga (Digenea simplex), rica em açúcares e pouco abundante em piscinas fechadas, porém comuns em piscinas abertas, onde os peixes se alimentam menos.

Piscina fechada no atol. Foto: Renato Morais Araujo/UFSC

Piscina fechada no atol. Foto: Renato Morais Araujo/UFSC

 

O estudo

Pesquisadores da Rede Nacional de Pesquisa em Biodiversidade Marinha (Sisbiota-Mar) realizaram um esforço conjunto para desvendar alguns dos segredos da vida marinha no atol das Rocas, em um trabalho multidisciplinar, que investigou da composição química das algas à abundância de peixes.

 

Atol das Rocas

Além de toda sua beleza e particularidades, o atol das Rocas é uma das únicas reservas marinhas do Brasil – criada em 1978 – e uma das primeiras do mundo. Atividades extrativistas, como pesca e coleta, são proibidas em reservas biológicas. A partir de 1991, a fiscalização no atol foi fortalecida pelo estabelecimento de uma estação permanente de pesquisa e monitoramento. Desde então a Reserva Biológica Marinha do Atol das Rocas vem se consolidando como uma das mais efetivas áreas de proteção marinha do Brasil, abrigando uma abundante fauna e servindo de berçário para aves, tartarugas e até tubarões.

Mais informações no site Sisbiota-Mar ou pelo e-mail .

Revisão: Claudio Borrelli/Revisor de Textos da Agecom/DGC/UFSC

Fotografia: Renato Morais Araujo/ECZ/CCB/UFSC

 

 

Citações e referências nas normas ABNT são feitas automaticamente em projeto da BU

30/06/2015 11:51

Um gerador automático de citações no texto e referências no formato exigido pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT): assim é o MORE (Mecanismo On-line para Referências),  ferramenta gratuita desenvolvida em 2005 pela bibliotecária Maria Bernadete Martins Alves, da Biblioteca Universitária (BU), em parceria com o Laboratório de Experimentação Remota, ambos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

O sistema possui formulários para 15 tipos de documentos no menu principal, que o usuário preenche com os dados das obras que deseja referenciar ou citar em trabalhos acadêmicos. O mecanismo cobre os tipos de documentos mais usados e automatiza alguns procedimentos que precisam ser feitos na aplicação das normas. As referências e citações podem ser feitas sem cadastro, mas o sistema também permite que o usuário se registre para armazenar seus dados em um banco.

O MORE permite que o usuário tire dúvidas com relação às normas ABNT ou envie sugestões para a equipe. Para entrar em contato, envie um e-mail para .

Mais informações no site do MORE.

Gisele Flôres/Estagiária de Jornalismo Agecom/DGC/UFSC

Palestras discutem condutas antiéticas na publicação de pesquisas científicas

25/06/2015 09:20

© Pipo Quint / Agecom / UFSCAs más condutas na publicação de pesquisas científicas – principalmente plágio, manipulação e falsificação de resultados – são também mau uso de recursos públicos, e, ao colocarem em questão a veracidade do processo, corroem também a base da atividade, alerta o professor Ronaldo Aloise Pilli, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Uma das razões para esse tipo de comportamento, diz, é a necessidade de que os pesquisadores apresentem – a fim de obterem vantagens em contratações, efetivações, promoções, financiamentos ou prestígio pessoal – uma quantidade volumosa de publicações. “Para solucionar isso, e não é fácil, a gente tem que criar a cultura de valorizar a qualidade, não a quantidade. As agências norte-americanas não pedem seu currículo, pedem para conhecer suas cinco publicações mais importantes. É isso que vale”, observa.

Pilli falou do assunto durante sua palestra “Integridade Científica: fraudes, plágios e manipulação de resultados”, na quarta-feira, 17 de junho, parte da IV Semana da Pós-Graduação em Química da UFSC. Além da destinação incorreta de verbas públicas – uma vez que elas são a principal fonte de recursos para a pesquisa científica –, ele alerta que a disseminação da prática de fraudes pode pôr em risco a credibilidade de toda a pesquisa dos últimos vinte anos, com graves prejuízos ao conhecimento. “Erros acontecem, é normal. A má conduta se estabelece quando há a intencionalidade de fraudar, a intenção deliberada de enganar a comunidade científica”, diferencia. Ele cita também os créditos de autor concedidos a quem não participou de fato do trabalho; como resultado, multiplica-se o número de artigos atribuídos a cada um. Pilli explica que é comum isso ocorrer como troca de favores, e cita, também como conduta inadequada, a fragmentação excessiva de um trabalho, para dividi-lo em vários outros e fazê-lo render mais publicações.

Além da mercantilização das editoras especializadas em publicações científicas e da própria atividade, o professor acredita que a ausência de padrões de ética também é responsável pelas fraudes que acabam atentando contra a credibilidade da própria pesquisa. É fundamental, defende, que os orientadores deem o bom exemplo. “Esse tipo de coisa deve ser conversado desde a graduação. Colar em provas, por exemplo, é plágio, falsidade ideológica; não é uma coisa inocente. Em algumas universidades estrangeiras, o aluno pode ser expulso, dependendo do código de conduta da instituição”, ressalta.

Pilli também relatou casos de fraude que ficaram famosos na comunidade científica, e observou que, habitualmente, a punição para o aluno é maior que para o orientador – quando essas ocorrências são comprovadas.

A pesquisa na UFSC

Foto: Henrique Almeida/Agecom/DGC/UFSC

Foto: Henrique Almeida/Agecom/DGC/UFSC

Na mesma tarde, o professor Jamil Assreuy, pró-reitor de Pesquisa da UFSC, proferiu a palestra “Iniciação científica e fazer Ciência”, para estudantes que fazem parte de programas de iniciação científica. “Estou na função de pró-reitor, mas o que eu faço, gosto de fazer e me divirto fazendo, como vocês, é pesquisa”, explicou, logo no início. Também falou dos diferentes programas, mostrou números e estatísticas da pesquisa na UFSC, e explicou os fatores de proteção criados pela Universidade para os pesquisadores jovens e para os campi de fora de Florianópolis.

Fábio Bianchini/Jornalista da Agecom/DGC/UFSC

Revisão: Claudio Borrelli/Revisor de Textos da Agecom/DGC/UFSC

Fotografia: Henrique Almeida/Agecom/DGC/UFSC

Pesquisa estuda dano à saúde por contato com cédulas monetárias com presença de cocaína

19/06/2015 16:26

Na primeira semana de maio de 2015, circularam, por dia no país, cerca de 540 milhões de notas de dois reais, segundo o Banco Central do Brasil. Essas cédulas podem conter micro-organismos e substâncias como a cocaína e a cafeína. Foi pensando nisso que a pesquisadora Melina Heller, do Programa de Pós-Graduação em Química da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), desenvolveu um estudo, que deu origem a sua tese, com orientação do professor do Departamento de Química, Gustavo Micke, para descobrir se o contato dessas drogas com o corpo humano causa algum dano à saúde.

© Pipo Quint / Agecom / UFSC

As notas de dois reais foram escolhidas para o estudo por serem de grande circulação. Foto: Jair Quint/Agecom/DGC/UFSC

As notas com esse valor foram escolhidas por serem de alta circulação. A quantidade de cocaína encontrada nas cédulas analisadas foi pequena, variando de 6,47 a 2.761,9 microgramas (µg) – um fio de cabelo pesa, em média, 3 µg –, e não ofereceu riscos às pessoas que tiveram contato com as notas. Melina Heller também buscou identificar a presença das substâncias na urina, para descobrir se um exame antidoping de alguém que manuseou as notas poderia atestar positivo. Porém não foram apontados índices significativos.

Participaram da pesquisa 49 pessoas. Destas, quatro eram bancárias, e as demais, estudantes e professores da UFSC. Em 27 das 98 mãos analisadas foi encontrada cocaína acima do limite de detecção de 0,5 µg; 21 análises mostraram resultado abaixo dessa quantidade, e, nas outras 50, o resultado foi negativo para a droga.

O estudo foi realizado em 2014, em duas etapas: a primeira com 46 cédulas recolhidas em Florianópolis – 30 vieram da circulação geral; 16, de caixas eletrônicos. No primeiro grupo, 93% das amostras continham cocaína em quantidades que variaram de 11,5 a 2.761,9 µg. Nas notas dos caixas eletrônicos as quantidades encontradas foram baixas– duas atestaram negativo, duas apresentaram apenas vestígios (abaixo do limite de detecção), e as demais variaram de 9,1 a 264,8 µg – uma vez que são, em geral, cédulas novas, sem muito manuseio.

A segunda fase da pesquisa analisou 55 notas de dois reais que circulavam no Brasil, das quais 15 em Florianópolis, além de cinco notas de um dólar americano, vindas de Baltimore, no estado de Maryland, EUA. A cocaína e a cafeína foram identificadas em 98,3% das 60 cédulas, e a lidocaína (que pode ser adicionada à cocaína) em 70%. A quantidade de cocaína encontrada nas amostras da capital catarinense variou de 6,47 a 1.238,37 µg por nota.

A pesquisadora separou cocaína, cafeína e lidocaína das notas – as duas últimas geralmente são utilizadas para diluir a primeira, visando aumentar o lucro dos traficantes. Para isolar as três substâncias, Melina utilizou métodos diferentes em cada etapa: na primeira, foi usada a Eletroforese Capilar, e, na segunda, a técnica de LC-MS/MS. Em ambas foram utilizados solventes como a água e o metanol, para extrair as substâncias sem danificar nenhuma cédula (confira o processo completo no vídeo abaixo).

No Brasil, segundo o Levantamento Nacional de Álcool e Drogas de 2012 (Lenad), quase seis milhões de pessoas (4% da população adulta) já experimentaram cocaína ou alguma variação dela, como o oxi e o crack. A região Sul é a menor em proporção de números absolutos de usuários (7%), enquanto a região Sudeste é a maior (46%).

Ana Carolina Prieto e Tamy Dassoler/Estagiárias de Jornalismo/Propesq/DGC/UFSC
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Vídeo produzido por Luan Martendal e Ana Carolina Prieto/Estagiários de Jornalismo/Propesq/DGC/UFSC
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Claudio Borrelli/Revisor de Textos da Agecom/DGC/UFSC

Pesquisadora da UFSC desenvolve novo pão sem glúten

22/05/2015 15:45

Um pão sem glúten, mais nutritivo e saboroso que os encontrados atualmente no mercado, foi desenvolvido por Amanda Bagolin do Nascimento, em pesquisa realizada no Programa de Pós-Graduação de Ciências dos Alimentos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Ela defendeu a tese “Desenvolvimento do produto alimentício sem glúten elaborado a partir da percepção dos celíacos”.

Na primeira etapa da pesquisa, a nutricionista avaliou todos os produtos sem glúten (total de 188) disponíveis em Florianópolis e verificou que a variedade de matérias-primas utilizada neles era limitada a cinco alimentos: arroz, milho, batata, mandioca e soja. A pesquisadora constatou que esses pães, vendidos em supermercados, apresentavam baixos índices de fibra (média de 0,7 g) – os com glúten (proteína presente no trigo, cevada e centeio) possuem índice médio de 4,3 g.

A pesquisadora aplicou um questionário a 91 celíacos – pessoas que possuem intolerância ao glúten e, por isso, em geral, têm dificuldades na absorção de nutrientes, vitaminas e sais minerais. Aproximadamente 1% da população mundial é celíaca, e, no Brasil, o índice, de acordo com diferentes estudos, varia de 0,24% a 0,84% entre adultos, e chega a 1,9% em crianças e adolescentes. Como o único tratamento para a doença é não ingerir o glúten, os celíacos devem manter uma dieta restritiva. Os poucos alimentos disponíveis no mercado e seu alto preço foram as principais reclamações dos ouvidos pela pesquisadora.

Em uma etapa posterior da pesquisa, foram entrevistados 21 celíacos que descreveram como deveria ser um pão sem glúten ideal. Cerca de 90% indicaram que seria o do tipo francês, vendido em porções individuais, com crosta crocante e miolo macio. O pão desenvolvido por Amanda (ver foto) foi feito para atender às características que os celíacos descreveram.

O pão desenvolvido pela pesquisadora teve aceitação de cerca de 70% dos entrevistados.

O pão desenvolvido pela pesquisadora teve elevada aceitação dos entrevistados. Foto: Amanda Bagolin.

O estudo contou com parceria da Associação de Celíacos do Brasil- Santa Catarina (Acelbra-SC). A pesquisadora frequentou as reuniões da organização e pôde realizar parte das coletas durante os encontros.
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Divulga Ciência – Edição 10 – Maio de 2015

21/05/2015 13:30

Edição 10 – Maio de 2015

Pesquisadores da UFSC descobrem menor flor de orquídea do planeta

Pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Biologia de Fungos, Algas e Plantas da UFSC nomearam a menor flor de orquídea do planeta, a Campylocentrum insulare, em homenagem à Ilha de Santa Catarina, onde se situa a maior parte da cidade de Florianópolis. Leia mais.

Presença feminina em pesquisas da UFSC cresce e traz prêmios à Universidade

Em 2014, mais de 20 pesquisadoras receberam prêmios pelos resultados de estudos desenvolvidos na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Entre elas estão as professoras Manuella Kaster e Patricia de Souza Brocardo, vencedoras do “Para Mulheres na Ciência”. Leia mais.

Pesquisa utiliza resíduos de papel para produção de azulejos

Um estudo realizado no Programa de Pós ­Graduação em Engenharia Química da UFSC desenvolveu cerâmica monoporosa, também conhecida como azulejo, com 20% de aparas de papel.  Leia mais.

Pesquisadores da UFSC desenvolvem ferramenta inovadora para poda de árvores

O novo equipamento, de alto valor tecnológico, desenvolvido pela equipe coordenada pelo professor Marcio Loss, do campus de Blumenau, permitirá o corte de galhos maiores, em locais mais altos, sem a necessidade do uso de escadas e cestos acoplados a braços mecânicos. Leia mais.

Urina sem antibióticos como alternativa para fertilizantes

Pesquisa realizada por Raquel Cardozo de Souza, do Grupo de Estudos em Saneamento Descentralizado (Gesad) da UFSC, mostrou que é possível retirar mais de 70% dos antibióticos presentes na urina e utilizá-la como uma alternativa mais barata de fertilizante, trazendo benefícios como a diminuição do consumo de água, redução dos gastos com energia e tratamento de esgoto. Leia mais.

Pesquisa revela efetividade da Reserva do Arvoredo em preservar espécies

A Reserva Biológica Marinha (Rebio) do Arvoredo é um local que efetivamente protege espécies ameaçadas, em especial os peixes que são alvo da pesca comercial e artesanal. É o que conclui a pesquisa realizada pela UFSC, em parceria com quatro instituições. Os pesquisadores compararam a biomassa de espécies de garoupa, chernes e badejos em oito locais do litoral catarinense. Leia mais.

Coleção de plantas divulgada em catálogo do Departamento de Botânica

Além de ser utilizada como fonte do catálogo, a coleção também serve para atividades de ensino e projetos de extensão da Universidade, com visitas agendadas. As plantas são apresentadas com foto, nome científico, família e local de origem, citando-se também o autor da descrição.  Leia mais.

Pesquisa aponta risco cardíaco em crianças e adolescentes portadores de HIV

Uma pesquisa desenvolvida no Departamento de Pediatria da UFSC avaliou o risco cardíaco de crianças e adolescentes com AIDS. Nos casos analisados, houve evolução da aterosclerose, doença responsável por formação de placas de gordura nas artérias, e alteração na distribuição de gordura corporal. Leia mais.

UFSC participa de pesquisa sobre qualidade de água na Lagoa do Peri

Uma alga produtora de toxinas encontrada em vários lagos de água doce, incluindo a Lagoa do Peri, em Florianópolis, é objeto de estudo de pesquisadores do Laboratório de Ecologia de Águas Continentais (Limnos) da UFSC. A pesquisa é coordenada, no Brasil, pelo professor  Mauricio Mello Petrucio. Leia mais.

Aumento no consumo de bebidas açucaradas pode estar associado a ‘bullying’ em meninos

Pesquisa realizada no Programa de Pós-Graduação em Nutrição da UFSC constatou que os estudantes do sexo masculino que sofrem bullying de média a alta intensidade – agressões físicas, perseguições e difamações na internet – consomem 2,34 vezes mais bebidas açucaradas, como sucos artificiais e refrigerantes, do que os expostos a bullying de baixa intensidade – agressões verbais – ou dos que não recebem provocações. Leia mais.

Edição
Alita Diana/Jornalista da Agecom/DGC/UFSC

Revisão
Claudio Borrelli/Revisor de Textos/Agecom/DGC/UFSC

Diagramação
Carla Isa Costa/Relações Públicas/CRP/DGC/UFSC

Sobre

Divulga Ciência é um boletim produzido pela equipe da Agência de Comunicação (Agecom) / Diretoria-Geral de Comunicação (DGC), com o objetivo de informar as mais recentes notícias sobre a produção científica vinculada à UFSC. Para enviar sugestões, escreva para o e-mail . Outras notícias sobre Jornalismo Científico publicadas no portal da UFSC estão reunidas neste link.

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Aumento no consumo de bebidas açucaradas pode estar associado a ‘bullying’ em meninos

12/05/2015 08:02

Pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Nutrição (PPGN) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), feita com meninas e meninos entre 11 e 14 anos, buscou uma relação entre o consumo de alimentos não saudáveis com a ocorrência de bullying. A dissertação de mestrado de Carla Zanelatto, com orientação da professora Arlete Catarina Tittoni, constatou que os estudantes do sexo masculino que sofrem bullying de média a alta intensidade –agressões físicas, perseguições e difamações na internet – consomem 2,34 vezes mais bebidas açucaradas, como sucos artificiais e refrigerantes, do que os expostos a bullying de baixa intensidade – agressões verbais – ou dos que não recebem provocações. A pesquisadora utilizou dois questionários para obter seus resultados: o Questionário Alimentar do Dia Anterior (QUADA) e outro sobre as experiências com o bullying. Um total de 975 alunos das redes de ensino pública e privada de Florianópolis respondeu às perguntas.

ilustração matéria bullying

De acordo com a pesquisa, estudantes do sexo masculino que sofrem bullying de média a alta intensidade consomem 2,34 vezes mais bebidas açucaradas. Arte: Rogério Fonseca/Estagiário de Design/Agecom/DGC/UFSC

De acordo com Carla, as situações de estresse e ansiedade geram uma resposta fisiológica: o sistema endócrino libera o hormônio cortisol, que influencia o metabolismo de carboidratos, proteínas e lipídeos, o que pode aumentar o apetite. Dessa forma, os alunos procurariam alimentos com alto teor de açúcar para compensar os episódios de preconceito e humilhações. A nutricionista ressalta que esse aumento no consumo só foi identificado em meninos e acredita que isso se deva à questão estética. “Nas adolescentes, há um hábito de fazer dieta, por causa do padrão de beleza que a sociedade impõe.”
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Direitos autorais e ‘Creative Commons’ em debate na UFSC

07/05/2015 16:31

A Biblioteca Universitária (BU) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) realizou o IV Ciclo de Debates, evento que ocorre uma vez por ano, sempre no mês de maio. Seu objetivo principal é proporcionar o acesso às principais inovações em torno do gerenciamento de informações nos portais de periódicos e a troca de experiências entre editores, bibliotecários e pesquisadores.

Ciclo de Debates Periódicos - Licenças - Foto Henrique Almeida-9

IV Ciclo de Debates na BU. Foto: Henrique Almeida/Agecom/UFSC

A mesa-redonda, cujos convidados foram Bianca Amaro de Melo, do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibic), e Enrique Muriel Torrado, da UFSC/Universidad de Granada, com a moderação do bibliotecário Fábio Lorensi do Canto, da BU/UFSC, teve como tema “Direitos autorais e Creative Commons”.

Bianca Amaro, que destacou a importância desse tipo de evento, falou também da lei número 9.610/98: “as criações do espírito, expressas por qualquer meio ou fixadas em qualquer suporte, tangível ou intangível, conhecido ou que se invente no futuro”. Esse trecho mostra que as leis de direitos autorais são inflexíveis e muito restritivas: a brasileira diz que não se pode mudar o meio do produto que foi adquirido, por exemplo, as músicas de um CD não podem ser passadas para um tocador de MP3. O Brasil é um dos países com a lei de recursos mais limitativas do mundo. Bianca explicou, ainda, a diferença entre copyright (direito de cópia e reprodução) e droit d’auter (direito de autor, natural da França pós-revolução). Ela aconselhou aos pesquisadores que leiam muito bem os contratos que fazem com as revistas científicas que publicam seus trabalhos, já que as cláusulas são escritas em fontes pequenas e passam despercebidas. 
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Coleção de plantas divulgada em catálogo do Departamento de Botânica

04/05/2015 08:33

Espécimes vegetais dos mais distantes confins do planeta estão no catálogo da coleção de plantas do Departamento de Botânica da UFSC, organizado pelos professores João de Deus Medeiros e Aldaléa Sprada Tavares. O guia, que começou a ser organizado há dois anos, servirá também de apoio para professores. “Nem todos são especialistas na área de identificação, e o catálogo é uma contribuição de referência que qualquer pessoa vai poder acessar, baixar, imprimir ou divulgar”, explica João de Deus.
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Pesquisadores da UFSC descobrem menor flor de orquídea do planeta

10/04/2015 17:00

Ao segurar o trinco para colocar o cadeado na estufa do Departamento de Botânica da UFSC, o pesquisador Carlos Eduardo de Siqueira pensou novamente no ponto branco que olhara de relance segundos antes num galho. “Fungo bonitinho”, imaginou. Resolveu voltar e examinar melhor: em vez de bolor, encontrou uma pequena inflorescência desconhecida. Siqueira levou-a imediatamente ao laboratório para analisá-la num microscópio, e viu, pela primeira vez, com detalhes, um exemplar de Campylocentrum insulare – a orquídea com a menor flor do planeta.

A Campylocentrum insulare, antes da floração, é um microrramo que se confunde com uma raiz; quando desabrocha, aparecem seis pequenas flores brancas com um centro amarelo, que não alcançam um milímetro – tudo junto não chega a meio centímetro. “Eu achei a flor pequena e pesquisei as orquídeas. Não há nenhuma tão pequena como esta”, informa Siqueira.

Carlos Eduardo de Siqueira com parte do material pesquisado. Foto: Jair Quint/Fotógrafo da Agecom/DGC/UFSC

Carlos Eduardo de Siqueira com parte do material pesquisado. Foto: Jair Quint/Fotógrafo da Agecom/DGC/UFSC

Detalhe da Campylocentrum insulare. Foto: Carlos Eduardo de Siqueira/PPGFAP/UFSC

Detalhe da menor flor de orquídea do planeta. Foto: Carlos Eduardo de Siqueira/PPGFAP/UFSC

O ramo com a Campylocentrum insulare fora entregue um ano antes, em dezembro de 2010, pela orientadora de Siqueira no mestrado do Programa de Pós-Graduação em Biologia de Fungos, Algas e Plantas da UFSC, Ana Zannin. “A planta foi coletada na Unidade de Conservação Ambiental Desterro (Ucad) e trazida, com outras, da subtribo que eu estava analisando. Elas são colocadas na estufa, e esperamos a floração para a identificação”, explica. “No grupo todo, as plantas, em geral, são pequenas; mas esta exagerou na dose e se tornou minúscula”, brinca o pesquisador.

Nos trabalhos de campo, Siqueira e seus colegas percorreram os quatro cantos da Ilha, quase literalmente. “Não houve mata por que a gente não andou. Certa vez, entramos na altura do Floripa Shopping e só saímos na Costa da Lagoa.” Os resultados de cada saída eram vários sacos com alguns exemplares criteriosamente coletados que eram pendurados na estufa para exame posterior.

A subtribo Pleurothalidinae, de orquídeas epifíticas (que crescem sobre outras plantas, sem relação de parasitismo), na Ilha de Santa Catarina foi o campo de atuação de Siqueira no mestrado. “Elas são geralmente endêmicas de certas áreas de floresta, como a Mata Atlântica, com distribuição geográfica restrita, mas relativamente abundantes em população quando encontradas. Morfologicamente são semelhantes; sem a flor é quase impossível distinguir uma espécie da outra.” Dessa forma foi difícil avistar a Campylocentrum insulare, que não tem folhas, entrelaçada junto à raiz de uma Pabstiella fusca, outra orquídea relativamente comum na Ucad.

Após a coleta, Siqueira contou com a colaboração do biólogo e ilustrador científico Rogério Lupo. “Ele ficou com uma flor conservada em álcool por algum tempo, e completou o desenho a partir das fotos com as técnicas próprias do método científico para obter todos aqueles detalhes. É um grande artista.”

Detalhes da planta pelo ilustrador científico Ricardo Lupo

Detalhes da planta pelo ilustrador científico Rogério Lupo

 

Checklist

Para ser incorporada à fitoteca do Herbário Flor do Departamento de Botânica, a planta precisou ser desidratada e prensada. “Ela está no armário de Typus – onde estão amostras de referência que representam uma espécie – e vai poder ser comparada com outras no futuro”, relata Siqueira. O estudo de Siqueira se estendeu para um registro atualizado de orquídeas para todo o estado de Santa Catarina, que resultou na publicação de um checklist em 2014. No trabalho de catalogação, “eu cito mais de 50 espécies que nunca haviam sido registradas para Santa Catarina, pois foram coletadas no Estado e depositadas nos herbários que visitei, mas ainda não haviam aparecido em nenhuma publicação”.

No total, 560 espécies de 120 gêneros diferentes foram encontradas em Santa Catarina – destas, 24 estão em situação de vulnerabilidade; sete, em perigo; e quatro, criticamente em perigo, de acordo com a classificação da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN – International Union for Conservation of Nature). “Os livros mais antigos não espelham a realidade. O mais recente sobre a flora de Santa Catarina era da década de 1970.”

Conforme Siqueira, 10% das plantas com flores são orquídeas. “Escolhi as orquídeas porque há uma lacuna em Santa Catarina, bastante coisa para trabalhar, especialmente agora, com a filogenia”. Siqueira conta que antes os dados eram morfológicos e agora foram incluídos os moleculares, como o DNA. “A Sistemática Vegetal, área da Botânica que estuda a diversidade vegetal do planeta, mudou com os dados moleculares, as plantas são agrupadas agora não só pelas características morfológicas, mas pelas relações de parentesco inferidas pelos dados macromoleculares”.

Nome homenageia Ilha de Santa Catarina. Foto: Carlos Eduardo de Siqueira/PPGAFP/UFSC.

Nome homenageia Ilha de Santa Catarina. Foto: Carlos Eduardo de Siqueira/PPGAFP/UFSC.

O artigo com a descrição da Campylocentrum insulare, cujo nome homenageia a Ilha de Santa Catarina, foi publicado apenas em fevereiro de 2015. O pesquisador preferiu terminar o mestrado e depois focar a atenção na descoberta. Como era apenas um exemplar, ele sabia que receberia questionamento de revisores e contatou um especialista em Campylocentrum, Edlley Max Pessoa da Silva. “Ele trabalha com este gênero e veio de Pernambuco para ver a planta. Acabou assinando o artigo junto conosco.”

Siqueira contou com o apoio financeiro de bolsas da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), do Programa Nacional de Apoio e Desenvolvimento da Botânica (PNADB/Capes) – uma parceria entre UFSC, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Estadual de Santa Cruz (BA) e Jardim Botânico do Rio de janeiro (JBRJ), no projeto “Rede em Epífitas de Mata Atlântica: sistemática, ecologia e conservação”, coordenado na UFSC por sua orientadora, Ana Zannin – e da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc). “Com o suporte foi possível comprar computadores, câmera fotográfica, GPS, material para o herbário do Departamento de Botânica, equipamento para arvorismo e bibliografia especializada em orquídeas, tudo depositado na UFSC.”

 

Conheça

A Unidade de Conservação Ambiental Desterro (Ucad) é um espaço natural protegido da UFSC, na parte central da Ilha de Santa Catarina, com 4,9 km². O objetivo geral é o desenvolvimento de trabalhos acadêmicos de formação científica, aliado à preservação dos ecossistemas.

 

Mais informações com Carlos Eduardo de Siqueira, pelo e-mail .

 

Caetano Machado/Jornalista da Agecom/DGC/UFSC

Claudio Borrelli/Revisor de Textos da Agecom/DGC/UFSC

Jair Quint/Fotógrafo da Agecom/DGC/UFSC

 

Presença feminina em pesquisas da UFSC cresce e traz prêmios à Universidade

31/03/2015 15:49

Em 2014, mais de 20 pesquisadoras receberam prêmios pelos resultados de estudos desenvolvidos na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Segundo levantamento feito na base de dados do CNPq em novembro de 2014, elas estão presentes em cerca de 57% dos 627 grupos de pesquisa da Universidade, certificados pelo CNPq: são 273 mulheres em cargo de liderança e 210 de vice-liderança, sendo 127 grupos parceria entre duas pesquisadoras. Além disso, o número de estudantes de graduação mulheres que são bolsistas subiu no ano passado de 51% para 56%, em um total de 740 bolsas de Iniciação Científica ofertadas pela UFSC.

Entre as premiadas estão a professora do Departamento de Bioquímica, Manuella Kaster, e a professora do Departamento de Ciências Morfológicas, Patricia de Souza Brocardo, vencedoras do “Para Mulheres na Ciência”. Além do reconhecimento recebido, as pesquisadoras também foram contempladas com 20 mil dólares, que poderão ajudar o desenvolvimento de suas pesquisas, com início em 2015.
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Pesquisa utiliza resíduos de papel para produção de azulejos

24/03/2015 08:33

Um estudo realizado no Programa de Pós ­Graduação em Engenharia Química desenvolveu cerâmica monoporosa, também conhecida como azulejo, com 20% de aparas de papel. Para realizar sua dissertação, Rodrigo Daros, sob orientação do professor Humberto Gracher Riella, substituiu parte do calcário usado na cerâmica por esse resíduo do papel, mais viável econômica e ecologicamente.

Utilizar as aparas em cerâmicas monoporosas é uma alternativa com benefícios ambientais, pois diminui a quantidade de calcário – um recurso não renovável – e reaproveita os restos de papel, que seriam descartados no ambiente. Essa reutilização ocorre também na correção de solo e na formulação de cimento; no entanto, como a indústria de papel e celulose produz aparas em grande quantidade, a maioria não é reaproveitada.

Na pesquisa de Daros, as cerâmicas produzidas tiveram uma absorção de 3% a 8% maior do que as sem o resíduo, o que significa que a aderência à parede será melhor. O índice alcançado no estudo se mantém dentro do limite que permite classificar a cerâmica como monoporosa – aquela que possui absorção superior a 10%.
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Campus de Blumenau tem mais um projeto aprovado na Chamada Universal do CNPq

11/03/2015 09:20

Mais um projeto de pesquisa do campus de Blumenau da UFSC foi aprovado na Chamada Universal do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A proposta de Leonardo Silveira Borges, “Desenvolvimento de métodos para problemas malpostos discretos”, é na área de Matemática.

“Problemas malpostos discretos aparecem, por exemplo, na área de restauração de imagens, processamento de sinais, super-resolução de imagens”, explica Leonardo. Quatro artigos sobre o tema, todos com participação do pesquisador, descreveram novos métodos (com suporte teórico robusto e exemplos numéricos) para esses tipos de problemas. “As ideias gerais do atual projeto de pesquisa consistem em aprimorar ou modificar os resultados publicados.”

De acordo com Leonardo, diversos processos e fenômenos físicos das ciências e engenharias são descritos por um conjunto de informações denominadas “entrada”, “sistema” e “saída”. O termo “entrada” se refere à incitação, ou estímulo, fornecido ao “sistema”, que irá, por suas propriedades, produzir uma “saída”.
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