TCC de aluna da UFSC ganha prêmio do Instituto Pan-Americano de Engenharia Naval

15/07/2015 11:31

Recém-formada pela UFSC, no Centro de Engenharias da Mobilidade de Joinville, Maria Eduarda Felippe Chame, 23 anos, recebeu em junho o prêmio de melhor TCC do Brasil em Engenharia Naval do Instituto Pan-Americano de Engenharia Naval (IPIN). Seu estudo “Projeto conceitual otimizado de embarcações utilizando fórmulas empíricas”, com orientação do professor Thiago Pontin Tancredi, representará o Brasil no Congresso Panamericano de Engenharia Naval, que acontece em outubro, na cidade de Montevideo, no Uruguai. Participarão trabalhos de diversos países como: Argentina, Canadá e Estados Unidos.

Maria Eduarda criou um sistema que gera automaticamente um projeto conceitual de um navio mercante. Esta é a fase inicial do processo e uma das mais importantes, segundo a engenheira, o que a levou a otimizar o seu desenvolvimento. O objetivo era aperfeiçoar o processo de criação e reduzir a potência do motor das embarcações. Assim, o sistema busca maximizar a eficiência do propulsor, que teria como consequência a diminuição da potência do motor. Logo, com um motor menor, há a possibilidade de transportar uma quantidade maior de cargas e ampliar os lucros, sem alterar a velocidade do navio.

Ferramenta Solver

Com a ferramenta Solver, aluno escolhe especificações para o seu projeto como: tipo de embarcação, o peso da carga (DWT) e a velocidade de serviço.

A engenheira utilizou métodos diferentes para criar dois sistemas. O primeiro utiliza a ferramenta Solver para calcular as dimensões da embarcação. É preciso inserir o peso da carga transportada, a velocidade estimada e completar com as normas dos portos que o navio iria atracar. Dessa forma, o projeto é gerado com as medidas de comprimento, largura e outros componentes importantes de uma embarcação mercante. “Serve para ajudar o aluno, porque ali tem todas as fórmulas. Então não precisa buscar todas e calcular, é automático”, explica.

A segunda parte do trabalho pesquisou um histórico das dimensões de três tipos de embarcações com no máximo 15 anos de uso: Bulk carriers, Tanques e Porta­-contêiners, a fim de achar padrões que ajudassem na otimização do processo de criação. Maria Eduarda comparou as medidas encontradas e desenvolveu fórmulas para auxiliar os estudantes.

Utilizando os mesmos dados do primeiro método, é possível chegar às dimensões necessárias para o navio a partir de equações utilizadas pelos engenheiros navais. Maria Eduarda alerta que o seu trabalho se trata de um projeto conceitual e necessitaria mais avaliações profissionais na prática para que se fizessem novas adaptações até chegar ao produto final.

A engenheira continua aperfeiçoando seu projeto e espera que até o próximo semestre ele esteja disponível para os alunos da UFSC. “Ainda usamos equações de embarcações de 40 anos atrás. Isso traz prejuízo porque já avançamos muito na engenharia e precisamos melhorar”.

De acordo com o anuário estatístico de 2014 da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ), o Brasil possui uma frota de navios operantes com idade média de 17,8 anos. A vida média de um navio mercante é de 25 anos, o que traz uma necessidade de pensar na renovação da frota atual nos próximos anos. Destaca­-se também a importância econômica do setor. Em 2014, a Associação Brasileira das Empresas de Construção Naval e Offshore (ABENAV) tinha a expectativa de o mercado naval movimentar mais de US$ 100 bilhões até 2020, gerando mais de 40 mil empregos até 2017.

 

planilha (1)

 

Mais informações:

Secretaria Acadêmica (Graduação) de Joinville: (47) 3461-5900

 

Ana Carolina Prieto/Estagiária de Jornalismo/Propesq/DGC/UFSC

Filmes legendados contribuem para melhora em desempenho de leitura

13/07/2015 08:53

De acordo com pesquisa do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), disponibilizada no QEdu – portal que reúne dados sobre a qualidade de aprendizado dos estudantes da rede pública –, apenas 40% dos alunos de 5º ano e 23% dos de 9º ano apresentam nível proficiente ou avançado no estudo de Língua Portuguesa, considerando-se suas pontuações na Prova Brasil de 2013. Santa Catarina – estado com o maior indicador de aprendizado adequado – apresenta índice acima da média nacional: 56% dos alunos de 5º ano e 27% dos de 9º ano possuem nível proficiente ou avançado na disciplina. A dificuldade das crianças e adolescentes com a leitura motivou a tese de Silvane Daminelli, defendida em 2014, do Programa de Pós-graduação em Estudos da Tradução da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), orientada pela professora Ana Cláudia de Souza, do Departamento de Metodologia de Ensino. A pesquisadora apresentou quatro curtas-metragens legendados para melhorar a leitura dos alunos da Escola de Educação Básica Pedro Simon, de Ermo, sul de Santa Catarina.

A pesquisa foi realizada em 2012, em duas turmas de 5ª série, atual 6º ano. Dos 56 alunos, 21 foram considerados como de baixo desempenho e maior dificuldade de aprendizagem, de acordo com o corpo docente da instituição. Os estudantes, entre 11 e 16 anos, apresentavam problemas referentes à escrita, leitura, produção de textos e cálculo. Focando a dificuldade dessas crianças em ler, Silvane Daminelli propôs uma nova forma de leitura, usando filmes estrangeiros legendados como maneira de ensinar Língua Portuguesa. O resultado foi positivo: dos 21 alunos iniciais com baixo desempenho apenas sete continuaram apresentando dificuldades, e 60% deles compreenderam os textos fílmicos por meio da leitura das legendas. Com isso, a pesquisadora demonstrou que mesmo os alunos que apresentam histórico de desempenho abaixo do esperado podem evoluir com atividades diferenciadas.

Ana Cláudia de Souza explica que a opção pelos curtas-metragens foi tomada, pois ela e Silvane Daminelli tinham “um universo de não leitores e precisavam operar de modo que [a atividade] tocasse afetivamente e despertasse o interesse dos alunos”. “A legenda tem um tempo de leitura predeterminado, o que exige muito da capacidade do leitor”, completa a orientadora. Os curtas-metragens tornaram possível trabalhar com um texto completo. Se tivesse sido exibido um longa-metragem, a atividade teria de ser feita em partes, o que  poderia causar fadiga aos alunos.

O curta-metragem O monge e o macaco foi o segundo a ser apresentado. Foto: Jair Quint/Agecom/DGC/UFSC

Os quatro filmes foram escolhidos com base na faixa etária da turma, gostos, dados obtidos pela aplicação de um questionário socioeconômico, tempo de duração e capacidade leitora dos alunos. O primeiro curta, Os fantásticos livros voadores do senhor Morris Lessmore (The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore / William Joyce e Brandon Oldenburg / EUA, 2011), não possui falas nem legendas, mas serviu de preparação para os outros. O segundo foi O monge e o macaco (The Monk and the Monkey / Brendan Carroll, Francesco Giroldini e Shant Ergeninan / EUA, 2010), seguido de Batman, sem saída (Batman Dead End / Sandy Collora / EUA, 2003), o mais atrativo aos estudantes, mas também o que exigia maior atenção às legendas. O último, A lenda do espantalho (La Leyenda del  Espantapájaros / Marco Besas / Espanha,  2005), foi o mais complexo. Cada filme foi exibido duas vezes.

Além da exibição dos filmes, a pesquisa contou com mais três etapas: um questionário para testar a compreensão da obra, um processo devolutivo e protocolos verbais. O questionário foi composto de um número variado de questões sobre cada curta, que exigiram respostas discursivas quanto à sua mensagem principal e ao enredo. O processo devolutivo, feito após a segunda exibição, permitiu aos alunos alterarem as respostas caso o quisessem. Por último, os protocolos verbais foram discussões em classe, que possibilitaram aos alunos discutirem verbalmente o filme, sem fazer uso da escrita. Silvane conta que, entre a exibição do segundo e do terceiro curta-metragem, alguns alunos começaram a frequentar a biblioteca pedindo orientações e indicações de leitura, e a se dirigirem diretamente ao auditório onde eram exibidos os filmes, para que conseguissem sentar nos melhores lugares. Para a pesquisadora, isso demonstra o aumento do interesse dos alunos e a familiaridade que desenvolveram com o que antes era uma grande dificuldade, a leitura.

Após os resultados da pesquisa, a professora de História da Escola de Educação Básica Pedro Simon também aderiu à proposta e apresentou filmes durante as aulas para melhorar o desempenho dos alunos. No entanto, Ana Cláudia de Souza aponta que “a proposta não é de que a escola fique em filmes legendados, mas sim de que ela ofereça, cada vez mais, o texto escrito – que, naquele momento, ainda estava muito distante dos alunos”.

 

Para assistir aos curtas-metragens, clique nos links:

Os fantásticos livros voadores do senhor Morris Lessmore: https://www.youtube.com/watch?v=Ad3CMri3hOs

O monge e o macaco: https://www.youtube.com/watch?v=0twYQY7H7nU#t=14

Batman, sem saída: https://www.youtube.com/watch?v=9x1smZmYkbo

A lenda do espantalho: https://www.youtube.com/watch?v=46ZMXOV7OhU

 

Mais informações:

Pós-graduação em Estudos de Tradução: (48) 3721-6647

Silvane Daminelli:

 

Laura Fuchs e Tamy Dassoler/Estagiárias de Jornalismo/DGC/UFSC
/

Claudio Borrelli/Revisor de Textos da Agecom/DGC/UFSC

Jair Quint/Fotógrafo da Agecom/DGC/UFSC

Pesquisadores da UFSC revelam segredos da vida marinha no atol das Rocas

30/06/2015 14:17

“Você já imaginou sentir a maré chegando e, junto com ela, o seu maior predador? Saber que em alguns momentos as correntes marinhas serão tão fortes, e o perigo de virar comida tão evidente, que a única coisa que você fará até que a maré volte a baixar é fugir e se esconder?” Assim é como os pesquisadores do Departamento de Ecologia e Zoologia (ECZ) do Centro de Ciências Biológicas (CCB) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) descrevem os segredos da vida marinha no atol das Rocas, onde grandes predadores, como tubarões, ainda convivem com peixes menores.

O trabalho idealizado por Guilherme Ortigara Longo, durante sua tese de doutorado em Ecologia, analisou o comportamento dos organismos marinhos do local – o único atol do oceano Atlântico sul – e como os fatores externos, como a maré, o influenciam.

Publicado no periódico on-line PLOS ONE, o estudo reuniu outros 17 pesquisadores, que se envolveram diretamente em sua segunda elaboração. O projeto é parte da Rede Nacional de Pesquisa em Biodiversidade Marinha, liderada por Sergio Ricardo Floeter, do ECZ/CCB/UFSC. A expedição que gerou o artigo durou 25 dias, em 2012 – depois da primeira visita, os pesquisadores já retornaram ao local pelo menos três vezes.

Cardume em piscina no atol. Foto: Renato Morais Araujo/UFSC

Cardume em piscina no atol. Foto: Renato Morais Araujo/UFSC

 

Segundo Renato Morais Araujo, um dos autores do artigo, o local, distante 230 km da costa nordeste do Brasil, é interessante para estudar a vida marinha devido ao seu distanciamento da costa. “O atol está isolado de muitos impactos da sociedade, o que faz dele um excelente modelo para que sejam estudados vários processos biológicos com uma influência reduzida do ser humano”, explica. “O atol das Rocas é um laboratório natural importantíssimo, que nos permite refletir sobre o efeito que podemos ter sobre os ecossistemas marinhos. Estudos comparativos podem permitir o desenvolvimento de estratégias de conservação mais efetivas, para que outros locais possam trazer a imagem que Rocas nos traz à mente: a de um paraíso protegido.”

Piscina aberta. Foto: Sérgio Ricardo Floeter/UFSC.

Piscina aberta. Foto: Sérgio Ricardo Floeter/UFSC.

Os atóis se formam tipicamente em torno de ilhas vulcânicas, a partir do crescimento de corais – no atol das Rocas, as algas calcárias são as principais responsáveis por essa formação. Ao longo de milhões de anos, algumas dessas ilhas começam a afundar, enquanto os recifes continuam crescendo, formando uma barreira em formato de anel com diversas piscinas naturais. No atol das Rocas, parte dessas piscinas continua se comunicando com o resto do oceano, enquanto outras ficam completamente isoladas do mar aberto, constituindo ambientes calmos (piscinas fechadas).

Quando a maré baixa, os animais dessas piscinas ficam presos até que ela suba novamente. Essas diferenças determinam, por exemplo, quais peixes, algas e corais habitam cada ambiente, e a forma como esses organismos interagem. Os pesquisadores observaram que os peixes-cirurgiões (Acanthurus chirurgus), por exemplo, alimentam-se dez vezes mais ao ficarem presos em piscinas fechadas durante a maré baixa.

 

Tubarão no Atol das Rocas. Foto: Renato Morais Araujo/UFSC

Tubarão no atol. Foto: Renato Morais Araujo/UFSC

Outras formas de vida importantes à pesquisa foram os tubarões, que – revelou o estudo – dificilmente ficam presos em piscinas fechadas durante a maré baixa, mas são comumente encontrados em piscinas abertas. À medida que a maré começa a subir, eles nadam para dentro do atol, ficando, muitas vezes, com apenas parte do corpo envolta em água.

O estudo também indica que a alimentação dos peixes-cirurgiões em piscinas fechadas durante a maré baixa pode influenciar as algas que recobrem o fundo. Esses peixes preferem consumir um tipo específico de alga (Digenea simplex), rica em açúcares e pouco abundante em piscinas fechadas, porém comuns em piscinas abertas, onde os peixes se alimentam menos.

Piscina fechada no atol. Foto: Renato Morais Araujo/UFSC

Piscina fechada no atol. Foto: Renato Morais Araujo/UFSC

 

O estudo

Pesquisadores da Rede Nacional de Pesquisa em Biodiversidade Marinha (Sisbiota-Mar) realizaram um esforço conjunto para desvendar alguns dos segredos da vida marinha no atol das Rocas, em um trabalho multidisciplinar, que investigou da composição química das algas à abundância de peixes.

 

Atol das Rocas

Além de toda sua beleza e particularidades, o atol das Rocas é uma das únicas reservas marinhas do Brasil – criada em 1978 – e uma das primeiras do mundo. Atividades extrativistas, como pesca e coleta, são proibidas em reservas biológicas. A partir de 1991, a fiscalização no atol foi fortalecida pelo estabelecimento de uma estação permanente de pesquisa e monitoramento. Desde então a Reserva Biológica Marinha do Atol das Rocas vem se consolidando como uma das mais efetivas áreas de proteção marinha do Brasil, abrigando uma abundante fauna e servindo de berçário para aves, tartarugas e até tubarões.

Mais informações no site Sisbiota-Mar ou pelo e-mail .

Revisão: Claudio Borrelli/Revisor de Textos da Agecom/DGC/UFSC

Fotografia: Renato Morais Araujo/ECZ/CCB/UFSC

 

 

Citações e referências nas normas ABNT são feitas automaticamente em projeto da BU

30/06/2015 11:51

Um gerador automático de citações no texto e referências no formato exigido pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT): assim é o MORE (Mecanismo On-line para Referências),  ferramenta gratuita desenvolvida em 2005 pela bibliotecária Maria Bernadete Martins Alves, da Biblioteca Universitária (BU), em parceria com o Laboratório de Experimentação Remota, ambos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

O sistema possui formulários para 15 tipos de documentos no menu principal, que o usuário preenche com os dados das obras que deseja referenciar ou citar em trabalhos acadêmicos. O mecanismo cobre os tipos de documentos mais usados e automatiza alguns procedimentos que precisam ser feitos na aplicação das normas. As referências e citações podem ser feitas sem cadastro, mas o sistema também permite que o usuário se registre para armazenar seus dados em um banco.

O MORE permite que o usuário tire dúvidas com relação às normas ABNT ou envie sugestões para a equipe. Para entrar em contato, envie um e-mail para .

Mais informações no site do MORE.

Gisele Flôres/Estagiária de Jornalismo Agecom/DGC/UFSC

Palestras discutem condutas antiéticas na publicação de pesquisas científicas

25/06/2015 09:20

© Pipo Quint / Agecom / UFSCAs más condutas na publicação de pesquisas científicas – principalmente plágio, manipulação e falsificação de resultados – são também mau uso de recursos públicos, e, ao colocarem em questão a veracidade do processo, corroem também a base da atividade, alerta o professor Ronaldo Aloise Pilli, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Uma das razões para esse tipo de comportamento, diz, é a necessidade de que os pesquisadores apresentem – a fim de obterem vantagens em contratações, efetivações, promoções, financiamentos ou prestígio pessoal – uma quantidade volumosa de publicações. “Para solucionar isso, e não é fácil, a gente tem que criar a cultura de valorizar a qualidade, não a quantidade. As agências norte-americanas não pedem seu currículo, pedem para conhecer suas cinco publicações mais importantes. É isso que vale”, observa.

Pilli falou do assunto durante sua palestra “Integridade Científica: fraudes, plágios e manipulação de resultados”, na quarta-feira, 17 de junho, parte da IV Semana da Pós-Graduação em Química da UFSC. Além da destinação incorreta de verbas públicas – uma vez que elas são a principal fonte de recursos para a pesquisa científica –, ele alerta que a disseminação da prática de fraudes pode pôr em risco a credibilidade de toda a pesquisa dos últimos vinte anos, com graves prejuízos ao conhecimento. “Erros acontecem, é normal. A má conduta se estabelece quando há a intencionalidade de fraudar, a intenção deliberada de enganar a comunidade científica”, diferencia. Ele cita também os créditos de autor concedidos a quem não participou de fato do trabalho; como resultado, multiplica-se o número de artigos atribuídos a cada um. Pilli explica que é comum isso ocorrer como troca de favores, e cita, também como conduta inadequada, a fragmentação excessiva de um trabalho, para dividi-lo em vários outros e fazê-lo render mais publicações.

Além da mercantilização das editoras especializadas em publicações científicas e da própria atividade, o professor acredita que a ausência de padrões de ética também é responsável pelas fraudes que acabam atentando contra a credibilidade da própria pesquisa. É fundamental, defende, que os orientadores deem o bom exemplo. “Esse tipo de coisa deve ser conversado desde a graduação. Colar em provas, por exemplo, é plágio, falsidade ideológica; não é uma coisa inocente. Em algumas universidades estrangeiras, o aluno pode ser expulso, dependendo do código de conduta da instituição”, ressalta.

Pilli também relatou casos de fraude que ficaram famosos na comunidade científica, e observou que, habitualmente, a punição para o aluno é maior que para o orientador – quando essas ocorrências são comprovadas.

A pesquisa na UFSC

Foto: Henrique Almeida/Agecom/DGC/UFSC

Foto: Henrique Almeida/Agecom/DGC/UFSC

Na mesma tarde, o professor Jamil Assreuy, pró-reitor de Pesquisa da UFSC, proferiu a palestra “Iniciação científica e fazer Ciência”, para estudantes que fazem parte de programas de iniciação científica. “Estou na função de pró-reitor, mas o que eu faço, gosto de fazer e me divirto fazendo, como vocês, é pesquisa”, explicou, logo no início. Também falou dos diferentes programas, mostrou números e estatísticas da pesquisa na UFSC, e explicou os fatores de proteção criados pela Universidade para os pesquisadores jovens e para os campi de fora de Florianópolis.

Fábio Bianchini/Jornalista da Agecom/DGC/UFSC

Revisão: Claudio Borrelli/Revisor de Textos da Agecom/DGC/UFSC

Fotografia: Henrique Almeida/Agecom/DGC/UFSC

Pesquisa estuda dano à saúde por contato com cédulas monetárias com presença de cocaína

19/06/2015 16:26

Na primeira semana de maio de 2015, circularam, por dia no país, cerca de 540 milhões de notas de dois reais, segundo o Banco Central do Brasil. Essas cédulas podem conter micro-organismos e substâncias como a cocaína e a cafeína. Foi pensando nisso que a pesquisadora Melina Heller, do Programa de Pós-Graduação em Química da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), desenvolveu um estudo, que deu origem a sua tese, com orientação do professor do Departamento de Química, Gustavo Micke, para descobrir se o contato dessas drogas com o corpo humano causa algum dano à saúde.

© Pipo Quint / Agecom / UFSC

As notas de dois reais foram escolhidas para o estudo por serem de grande circulação. Foto: Jair Quint/Agecom/DGC/UFSC

As notas com esse valor foram escolhidas por serem de alta circulação. A quantidade de cocaína encontrada nas cédulas analisadas foi pequena, variando de 6,47 a 2.761,9 microgramas (µg) – um fio de cabelo pesa, em média, 3 µg –, e não ofereceu riscos às pessoas que tiveram contato com as notas. Melina Heller também buscou identificar a presença das substâncias na urina, para descobrir se um exame antidoping de alguém que manuseou as notas poderia atestar positivo. Porém não foram apontados índices significativos.

Participaram da pesquisa 49 pessoas. Destas, quatro eram bancárias, e as demais, estudantes e professores da UFSC. Em 27 das 98 mãos analisadas foi encontrada cocaína acima do limite de detecção de 0,5 µg; 21 análises mostraram resultado abaixo dessa quantidade, e, nas outras 50, o resultado foi negativo para a droga.

O estudo foi realizado em 2014, em duas etapas: a primeira com 46 cédulas recolhidas em Florianópolis – 30 vieram da circulação geral; 16, de caixas eletrônicos. No primeiro grupo, 93% das amostras continham cocaína em quantidades que variaram de 11,5 a 2.761,9 µg. Nas notas dos caixas eletrônicos as quantidades encontradas foram baixas– duas atestaram negativo, duas apresentaram apenas vestígios (abaixo do limite de detecção), e as demais variaram de 9,1 a 264,8 µg – uma vez que são, em geral, cédulas novas, sem muito manuseio.

A segunda fase da pesquisa analisou 55 notas de dois reais que circulavam no Brasil, das quais 15 em Florianópolis, além de cinco notas de um dólar americano, vindas de Baltimore, no estado de Maryland, EUA. A cocaína e a cafeína foram identificadas em 98,3% das 60 cédulas, e a lidocaína (que pode ser adicionada à cocaína) em 70%. A quantidade de cocaína encontrada nas amostras da capital catarinense variou de 6,47 a 1.238,37 µg por nota.

A pesquisadora separou cocaína, cafeína e lidocaína das notas – as duas últimas geralmente são utilizadas para diluir a primeira, visando aumentar o lucro dos traficantes. Para isolar as três substâncias, Melina utilizou métodos diferentes em cada etapa: na primeira, foi usada a Eletroforese Capilar, e, na segunda, a técnica de LC-MS/MS. Em ambas foram utilizados solventes como a água e o metanol, para extrair as substâncias sem danificar nenhuma cédula (confira o processo completo no vídeo abaixo).

No Brasil, segundo o Levantamento Nacional de Álcool e Drogas de 2012 (Lenad), quase seis milhões de pessoas (4% da população adulta) já experimentaram cocaína ou alguma variação dela, como o oxi e o crack. A região Sul é a menor em proporção de números absolutos de usuários (7%), enquanto a região Sudeste é a maior (46%).

Ana Carolina Prieto e Tamy Dassoler/Estagiárias de Jornalismo/Propesq/DGC/UFSC
/

Vídeo produzido por Luan Martendal e Ana Carolina Prieto/Estagiários de Jornalismo/Propesq/DGC/UFSC
/

Claudio Borrelli/Revisor de Textos da Agecom/DGC/UFSC

Pesquisadora da UFSC desenvolve novo pão sem glúten

22/05/2015 15:45

Um pão sem glúten, mais nutritivo e saboroso que os encontrados atualmente no mercado, foi desenvolvido por Amanda Bagolin do Nascimento, em pesquisa realizada no Programa de Pós-Graduação de Ciências dos Alimentos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Ela defendeu a tese “Desenvolvimento do produto alimentício sem glúten elaborado a partir da percepção dos celíacos”.

Na primeira etapa da pesquisa, a nutricionista avaliou todos os produtos sem glúten (total de 188) disponíveis em Florianópolis e verificou que a variedade de matérias-primas utilizada neles era limitada a cinco alimentos: arroz, milho, batata, mandioca e soja. A pesquisadora constatou que esses pães, vendidos em supermercados, apresentavam baixos índices de fibra (média de 0,7 g) – os com glúten (proteína presente no trigo, cevada e centeio) possuem índice médio de 4,3 g.

A pesquisadora aplicou um questionário a 91 celíacos – pessoas que possuem intolerância ao glúten e, por isso, em geral, têm dificuldades na absorção de nutrientes, vitaminas e sais minerais. Aproximadamente 1% da população mundial é celíaca, e, no Brasil, o índice, de acordo com diferentes estudos, varia de 0,24% a 0,84% entre adultos, e chega a 1,9% em crianças e adolescentes. Como o único tratamento para a doença é não ingerir o glúten, os celíacos devem manter uma dieta restritiva. Os poucos alimentos disponíveis no mercado e seu alto preço foram as principais reclamações dos ouvidos pela pesquisadora.

Em uma etapa posterior da pesquisa, foram entrevistados 21 celíacos que descreveram como deveria ser um pão sem glúten ideal. Cerca de 90% indicaram que seria o do tipo francês, vendido em porções individuais, com crosta crocante e miolo macio. O pão desenvolvido por Amanda (ver foto) foi feito para atender às características que os celíacos descreveram.

O pão desenvolvido pela pesquisadora teve aceitação de cerca de 70% dos entrevistados.

O pão desenvolvido pela pesquisadora teve elevada aceitação dos entrevistados. Foto: Amanda Bagolin.

O estudo contou com parceria da Associação de Celíacos do Brasil- Santa Catarina (Acelbra-SC). A pesquisadora frequentou as reuniões da organização e pôde realizar parte das coletas durante os encontros.
(more…)

Divulga Ciência – Edição 10 – Maio de 2015

21/05/2015 13:30

Edição 10 – Maio de 2015

Pesquisadores da UFSC descobrem menor flor de orquídea do planeta

Pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Biologia de Fungos, Algas e Plantas da UFSC nomearam a menor flor de orquídea do planeta, a Campylocentrum insulare, em homenagem à Ilha de Santa Catarina, onde se situa a maior parte da cidade de Florianópolis. Leia mais.

Presença feminina em pesquisas da UFSC cresce e traz prêmios à Universidade

Em 2014, mais de 20 pesquisadoras receberam prêmios pelos resultados de estudos desenvolvidos na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Entre elas estão as professoras Manuella Kaster e Patricia de Souza Brocardo, vencedoras do “Para Mulheres na Ciência”. Leia mais.

Pesquisa utiliza resíduos de papel para produção de azulejos

Um estudo realizado no Programa de Pós ­Graduação em Engenharia Química da UFSC desenvolveu cerâmica monoporosa, também conhecida como azulejo, com 20% de aparas de papel.  Leia mais.

Pesquisadores da UFSC desenvolvem ferramenta inovadora para poda de árvores

O novo equipamento, de alto valor tecnológico, desenvolvido pela equipe coordenada pelo professor Marcio Loss, do campus de Blumenau, permitirá o corte de galhos maiores, em locais mais altos, sem a necessidade do uso de escadas e cestos acoplados a braços mecânicos. Leia mais.

Urina sem antibióticos como alternativa para fertilizantes

Pesquisa realizada por Raquel Cardozo de Souza, do Grupo de Estudos em Saneamento Descentralizado (Gesad) da UFSC, mostrou que é possível retirar mais de 70% dos antibióticos presentes na urina e utilizá-la como uma alternativa mais barata de fertilizante, trazendo benefícios como a diminuição do consumo de água, redução dos gastos com energia e tratamento de esgoto. Leia mais.

Pesquisa revela efetividade da Reserva do Arvoredo em preservar espécies

A Reserva Biológica Marinha (Rebio) do Arvoredo é um local que efetivamente protege espécies ameaçadas, em especial os peixes que são alvo da pesca comercial e artesanal. É o que conclui a pesquisa realizada pela UFSC, em parceria com quatro instituições. Os pesquisadores compararam a biomassa de espécies de garoupa, chernes e badejos em oito locais do litoral catarinense. Leia mais.

Coleção de plantas divulgada em catálogo do Departamento de Botânica

Além de ser utilizada como fonte do catálogo, a coleção também serve para atividades de ensino e projetos de extensão da Universidade, com visitas agendadas. As plantas são apresentadas com foto, nome científico, família e local de origem, citando-se também o autor da descrição.  Leia mais.

Pesquisa aponta risco cardíaco em crianças e adolescentes portadores de HIV

Uma pesquisa desenvolvida no Departamento de Pediatria da UFSC avaliou o risco cardíaco de crianças e adolescentes com AIDS. Nos casos analisados, houve evolução da aterosclerose, doença responsável por formação de placas de gordura nas artérias, e alteração na distribuição de gordura corporal. Leia mais.

UFSC participa de pesquisa sobre qualidade de água na Lagoa do Peri

Uma alga produtora de toxinas encontrada em vários lagos de água doce, incluindo a Lagoa do Peri, em Florianópolis, é objeto de estudo de pesquisadores do Laboratório de Ecologia de Águas Continentais (Limnos) da UFSC. A pesquisa é coordenada, no Brasil, pelo professor  Mauricio Mello Petrucio. Leia mais.

Aumento no consumo de bebidas açucaradas pode estar associado a ‘bullying’ em meninos

Pesquisa realizada no Programa de Pós-Graduação em Nutrição da UFSC constatou que os estudantes do sexo masculino que sofrem bullying de média a alta intensidade – agressões físicas, perseguições e difamações na internet – consomem 2,34 vezes mais bebidas açucaradas, como sucos artificiais e refrigerantes, do que os expostos a bullying de baixa intensidade – agressões verbais – ou dos que não recebem provocações. Leia mais.

Edição
Alita Diana/Jornalista da Agecom/DGC/UFSC

Revisão
Claudio Borrelli/Revisor de Textos/Agecom/DGC/UFSC

Diagramação
Carla Isa Costa/Relações Públicas/CRP/DGC/UFSC

Sobre

Divulga Ciência é um boletim produzido pela equipe da Agência de Comunicação (Agecom) / Diretoria-Geral de Comunicação (DGC), com o objetivo de informar as mais recentes notícias sobre a produção científica vinculada à UFSC. Para enviar sugestões, escreva para o e-mail . Outras notícias sobre Jornalismo Científico publicadas no portal da UFSC estão reunidas neste link.

Acompanhe outras notícias da UFSC no Portal www.noticias.ufsc.br
Confira a programação da TV UFSC www.tv.ufsc.br

Contatos com a produção deste informativo:

Agência de Comunicação (Agecom) / DGC.

Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Campus Reitor João David Ferreira Lima. Trindade. Florianópolis, Santa Catarina, Brasil.

/ +55 (48) 3721-9601 / 3721-9233

Acompanhe a UFSC nas redes sociais:
Facebook
TwitterInstagram

Aumento no consumo de bebidas açucaradas pode estar associado a ‘bullying’ em meninos

12/05/2015 08:02

Pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Nutrição (PPGN) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), feita com meninas e meninos entre 11 e 14 anos, buscou uma relação entre o consumo de alimentos não saudáveis com a ocorrência de bullying. A dissertação de mestrado de Carla Zanelatto, com orientação da professora Arlete Catarina Tittoni, constatou que os estudantes do sexo masculino que sofrem bullying de média a alta intensidade –agressões físicas, perseguições e difamações na internet – consomem 2,34 vezes mais bebidas açucaradas, como sucos artificiais e refrigerantes, do que os expostos a bullying de baixa intensidade – agressões verbais – ou dos que não recebem provocações. A pesquisadora utilizou dois questionários para obter seus resultados: o Questionário Alimentar do Dia Anterior (QUADA) e outro sobre as experiências com o bullying. Um total de 975 alunos das redes de ensino pública e privada de Florianópolis respondeu às perguntas.

ilustração matéria bullying

De acordo com a pesquisa, estudantes do sexo masculino que sofrem bullying de média a alta intensidade consomem 2,34 vezes mais bebidas açucaradas. Arte: Rogério Fonseca/Estagiário de Design/Agecom/DGC/UFSC

De acordo com Carla, as situações de estresse e ansiedade geram uma resposta fisiológica: o sistema endócrino libera o hormônio cortisol, que influencia o metabolismo de carboidratos, proteínas e lipídeos, o que pode aumentar o apetite. Dessa forma, os alunos procurariam alimentos com alto teor de açúcar para compensar os episódios de preconceito e humilhações. A nutricionista ressalta que esse aumento no consumo só foi identificado em meninos e acredita que isso se deva à questão estética. “Nas adolescentes, há um hábito de fazer dieta, por causa do padrão de beleza que a sociedade impõe.”
(more…)

Direitos autorais e ‘Creative Commons’ em debate na UFSC

07/05/2015 16:31

A Biblioteca Universitária (BU) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) realizou o IV Ciclo de Debates, evento que ocorre uma vez por ano, sempre no mês de maio. Seu objetivo principal é proporcionar o acesso às principais inovações em torno do gerenciamento de informações nos portais de periódicos e a troca de experiências entre editores, bibliotecários e pesquisadores.

Ciclo de Debates Periódicos - Licenças - Foto Henrique Almeida-9

IV Ciclo de Debates na BU. Foto: Henrique Almeida/Agecom/UFSC

A mesa-redonda, cujos convidados foram Bianca Amaro de Melo, do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibic), e Enrique Muriel Torrado, da UFSC/Universidad de Granada, com a moderação do bibliotecário Fábio Lorensi do Canto, da BU/UFSC, teve como tema “Direitos autorais e Creative Commons”.

Bianca Amaro, que destacou a importância desse tipo de evento, falou também da lei número 9.610/98: “as criações do espírito, expressas por qualquer meio ou fixadas em qualquer suporte, tangível ou intangível, conhecido ou que se invente no futuro”. Esse trecho mostra que as leis de direitos autorais são inflexíveis e muito restritivas: a brasileira diz que não se pode mudar o meio do produto que foi adquirido, por exemplo, as músicas de um CD não podem ser passadas para um tocador de MP3. O Brasil é um dos países com a lei de recursos mais limitativas do mundo. Bianca explicou, ainda, a diferença entre copyright (direito de cópia e reprodução) e droit d’auter (direito de autor, natural da França pós-revolução). Ela aconselhou aos pesquisadores que leiam muito bem os contratos que fazem com as revistas científicas que publicam seus trabalhos, já que as cláusulas são escritas em fontes pequenas e passam despercebidas. 
(more…)

Coleção de plantas divulgada em catálogo do Departamento de Botânica

04/05/2015 08:33

Espécimes vegetais dos mais distantes confins do planeta estão no catálogo da coleção de plantas do Departamento de Botânica da UFSC, organizado pelos professores João de Deus Medeiros e Aldaléa Sprada Tavares. O guia, que começou a ser organizado há dois anos, servirá também de apoio para professores. “Nem todos são especialistas na área de identificação, e o catálogo é uma contribuição de referência que qualquer pessoa vai poder acessar, baixar, imprimir ou divulgar”, explica João de Deus.
(more…)

Pesquisadores da UFSC descobrem menor flor de orquídea do planeta

10/04/2015 17:00

Ao segurar o trinco para colocar o cadeado na estufa do Departamento de Botânica da UFSC, o pesquisador Carlos Eduardo de Siqueira pensou novamente no ponto branco que olhara de relance segundos antes num galho. “Fungo bonitinho”, imaginou. Resolveu voltar e examinar melhor: em vez de bolor, encontrou uma pequena inflorescência desconhecida. Siqueira levou-a imediatamente ao laboratório para analisá-la num microscópio, e viu, pela primeira vez, com detalhes, um exemplar de Campylocentrum insulare – a orquídea com a menor flor do planeta.

A Campylocentrum insulare, antes da floração, é um microrramo que se confunde com uma raiz; quando desabrocha, aparecem seis pequenas flores brancas com um centro amarelo, que não alcançam um milímetro – tudo junto não chega a meio centímetro. “Eu achei a flor pequena e pesquisei as orquídeas. Não há nenhuma tão pequena como esta”, informa Siqueira.

Carlos Eduardo de Siqueira com parte do material pesquisado. Foto: Jair Quint/Fotógrafo da Agecom/DGC/UFSC

Carlos Eduardo de Siqueira com parte do material pesquisado. Foto: Jair Quint/Fotógrafo da Agecom/DGC/UFSC

Detalhe da Campylocentrum insulare. Foto: Carlos Eduardo de Siqueira/PPGFAP/UFSC

Detalhe da menor flor de orquídea do planeta. Foto: Carlos Eduardo de Siqueira/PPGFAP/UFSC

O ramo com a Campylocentrum insulare fora entregue um ano antes, em dezembro de 2010, pela orientadora de Siqueira no mestrado do Programa de Pós-Graduação em Biologia de Fungos, Algas e Plantas da UFSC, Ana Zannin. “A planta foi coletada na Unidade de Conservação Ambiental Desterro (Ucad) e trazida, com outras, da subtribo que eu estava analisando. Elas são colocadas na estufa, e esperamos a floração para a identificação”, explica. “No grupo todo, as plantas, em geral, são pequenas; mas esta exagerou na dose e se tornou minúscula”, brinca o pesquisador.

Nos trabalhos de campo, Siqueira e seus colegas percorreram os quatro cantos da Ilha, quase literalmente. “Não houve mata por que a gente não andou. Certa vez, entramos na altura do Floripa Shopping e só saímos na Costa da Lagoa.” Os resultados de cada saída eram vários sacos com alguns exemplares criteriosamente coletados que eram pendurados na estufa para exame posterior.

A subtribo Pleurothalidinae, de orquídeas epifíticas (que crescem sobre outras plantas, sem relação de parasitismo), na Ilha de Santa Catarina foi o campo de atuação de Siqueira no mestrado. “Elas são geralmente endêmicas de certas áreas de floresta, como a Mata Atlântica, com distribuição geográfica restrita, mas relativamente abundantes em população quando encontradas. Morfologicamente são semelhantes; sem a flor é quase impossível distinguir uma espécie da outra.” Dessa forma foi difícil avistar a Campylocentrum insulare, que não tem folhas, entrelaçada junto à raiz de uma Pabstiella fusca, outra orquídea relativamente comum na Ucad.

Após a coleta, Siqueira contou com a colaboração do biólogo e ilustrador científico Rogério Lupo. “Ele ficou com uma flor conservada em álcool por algum tempo, e completou o desenho a partir das fotos com as técnicas próprias do método científico para obter todos aqueles detalhes. É um grande artista.”

Detalhes da planta pelo ilustrador científico Ricardo Lupo

Detalhes da planta pelo ilustrador científico Rogério Lupo

 

Checklist

Para ser incorporada à fitoteca do Herbário Flor do Departamento de Botânica, a planta precisou ser desidratada e prensada. “Ela está no armário de Typus – onde estão amostras de referência que representam uma espécie – e vai poder ser comparada com outras no futuro”, relata Siqueira. O estudo de Siqueira se estendeu para um registro atualizado de orquídeas para todo o estado de Santa Catarina, que resultou na publicação de um checklist em 2014. No trabalho de catalogação, “eu cito mais de 50 espécies que nunca haviam sido registradas para Santa Catarina, pois foram coletadas no Estado e depositadas nos herbários que visitei, mas ainda não haviam aparecido em nenhuma publicação”.

No total, 560 espécies de 120 gêneros diferentes foram encontradas em Santa Catarina – destas, 24 estão em situação de vulnerabilidade; sete, em perigo; e quatro, criticamente em perigo, de acordo com a classificação da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN – International Union for Conservation of Nature). “Os livros mais antigos não espelham a realidade. O mais recente sobre a flora de Santa Catarina era da década de 1970.”

Conforme Siqueira, 10% das plantas com flores são orquídeas. “Escolhi as orquídeas porque há uma lacuna em Santa Catarina, bastante coisa para trabalhar, especialmente agora, com a filogenia”. Siqueira conta que antes os dados eram morfológicos e agora foram incluídos os moleculares, como o DNA. “A Sistemática Vegetal, área da Botânica que estuda a diversidade vegetal do planeta, mudou com os dados moleculares, as plantas são agrupadas agora não só pelas características morfológicas, mas pelas relações de parentesco inferidas pelos dados macromoleculares”.

Nome homenageia Ilha de Santa Catarina. Foto: Carlos Eduardo de Siqueira/PPGAFP/UFSC.

Nome homenageia Ilha de Santa Catarina. Foto: Carlos Eduardo de Siqueira/PPGAFP/UFSC.

O artigo com a descrição da Campylocentrum insulare, cujo nome homenageia a Ilha de Santa Catarina, foi publicado apenas em fevereiro de 2015. O pesquisador preferiu terminar o mestrado e depois focar a atenção na descoberta. Como era apenas um exemplar, ele sabia que receberia questionamento de revisores e contatou um especialista em Campylocentrum, Edlley Max Pessoa da Silva. “Ele trabalha com este gênero e veio de Pernambuco para ver a planta. Acabou assinando o artigo junto conosco.”

Siqueira contou com o apoio financeiro de bolsas da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), do Programa Nacional de Apoio e Desenvolvimento da Botânica (PNADB/Capes) – uma parceria entre UFSC, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Estadual de Santa Cruz (BA) e Jardim Botânico do Rio de janeiro (JBRJ), no projeto “Rede em Epífitas de Mata Atlântica: sistemática, ecologia e conservação”, coordenado na UFSC por sua orientadora, Ana Zannin – e da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc). “Com o suporte foi possível comprar computadores, câmera fotográfica, GPS, material para o herbário do Departamento de Botânica, equipamento para arvorismo e bibliografia especializada em orquídeas, tudo depositado na UFSC.”

 

Conheça

A Unidade de Conservação Ambiental Desterro (Ucad) é um espaço natural protegido da UFSC, na parte central da Ilha de Santa Catarina, com 4,9 km². O objetivo geral é o desenvolvimento de trabalhos acadêmicos de formação científica, aliado à preservação dos ecossistemas.

 

Mais informações com Carlos Eduardo de Siqueira, pelo e-mail .

 

Caetano Machado/Jornalista da Agecom/DGC/UFSC

Claudio Borrelli/Revisor de Textos da Agecom/DGC/UFSC

Jair Quint/Fotógrafo da Agecom/DGC/UFSC

 

Presença feminina em pesquisas da UFSC cresce e traz prêmios à Universidade

31/03/2015 15:49

Em 2014, mais de 20 pesquisadoras receberam prêmios pelos resultados de estudos desenvolvidos na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Segundo levantamento feito na base de dados do CNPq em novembro de 2014, elas estão presentes em cerca de 57% dos 627 grupos de pesquisa da Universidade, certificados pelo CNPq: são 273 mulheres em cargo de liderança e 210 de vice-liderança, sendo 127 grupos parceria entre duas pesquisadoras. Além disso, o número de estudantes de graduação mulheres que são bolsistas subiu no ano passado de 51% para 56%, em um total de 740 bolsas de Iniciação Científica ofertadas pela UFSC.

Entre as premiadas estão a professora do Departamento de Bioquímica, Manuella Kaster, e a professora do Departamento de Ciências Morfológicas, Patricia de Souza Brocardo, vencedoras do “Para Mulheres na Ciência”. Além do reconhecimento recebido, as pesquisadoras também foram contempladas com 20 mil dólares, que poderão ajudar o desenvolvimento de suas pesquisas, com início em 2015.
(more…)

Pesquisa utiliza resíduos de papel para produção de azulejos

24/03/2015 08:33

Um estudo realizado no Programa de Pós ­Graduação em Engenharia Química desenvolveu cerâmica monoporosa, também conhecida como azulejo, com 20% de aparas de papel. Para realizar sua dissertação, Rodrigo Daros, sob orientação do professor Humberto Gracher Riella, substituiu parte do calcário usado na cerâmica por esse resíduo do papel, mais viável econômica e ecologicamente.

Utilizar as aparas em cerâmicas monoporosas é uma alternativa com benefícios ambientais, pois diminui a quantidade de calcário – um recurso não renovável – e reaproveita os restos de papel, que seriam descartados no ambiente. Essa reutilização ocorre também na correção de solo e na formulação de cimento; no entanto, como a indústria de papel e celulose produz aparas em grande quantidade, a maioria não é reaproveitada.

Na pesquisa de Daros, as cerâmicas produzidas tiveram uma absorção de 3% a 8% maior do que as sem o resíduo, o que significa que a aderência à parede será melhor. O índice alcançado no estudo se mantém dentro do limite que permite classificar a cerâmica como monoporosa – aquela que possui absorção superior a 10%.
(more…)

Campus de Blumenau tem mais um projeto aprovado na Chamada Universal do CNPq

11/03/2015 09:20

Mais um projeto de pesquisa do campus de Blumenau da UFSC foi aprovado na Chamada Universal do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A proposta de Leonardo Silveira Borges, “Desenvolvimento de métodos para problemas malpostos discretos”, é na área de Matemática.

“Problemas malpostos discretos aparecem, por exemplo, na área de restauração de imagens, processamento de sinais, super-resolução de imagens”, explica Leonardo. Quatro artigos sobre o tema, todos com participação do pesquisador, descreveram novos métodos (com suporte teórico robusto e exemplos numéricos) para esses tipos de problemas. “As ideias gerais do atual projeto de pesquisa consistem em aprimorar ou modificar os resultados publicados.”

De acordo com Leonardo, diversos processos e fenômenos físicos das ciências e engenharias são descritos por um conjunto de informações denominadas “entrada”, “sistema” e “saída”. O termo “entrada” se refere à incitação, ou estímulo, fornecido ao “sistema”, que irá, por suas propriedades, produzir uma “saída”.
(more…)

Pesquisadores da UFSC desenvolvem ferramenta inovadora para poda de árvores

27/02/2015 12:03

O campus de Blumenau da UFSC teve mais uma pesquisa com financiamento aprovado – o terceiro da unidade, que iniciou suas atividades há menos de um ano. O projeto, que receberá verba de aproximadamente R$ 1 milhão da Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc) – estatal responsável pela geração, transmissão e distribuição de energia –, visa auxiliar a poda de árvores em linhas de transmissão e redes de distribuição de média tensão.
(more…)

Projetos de pesquisa do campus de Blumenau são contemplados pelo CNPq

27/02/2015 09:02

O campus de Blumenau da UFSC ainda não completou um ano de inauguração e já conta com projetos de pesquisa com financiamento externo. Os dois primeiros foram propostas na área de Química, contemplados na Chamada Universal do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em dezembro de 2014.
(more…)

UFSC participa de pesquisa sobre qualidade da água na Lagoa do Peri

12/02/2015 17:22

Uma alga produtora de toxinas encontrada em vários lagos de água doce, incluindo a Lagoa do Peri, em Florianópolis, é objeto de estudo de pesquisadores do Laboratório de Ecologia de Águas Continentais (Limnos), da UFSC. A pesquisa, coordenada no Brasil pelo professor da Universidade Mauricio Mello Petrucio, foi uma das 71 escolhidas para receber recursos do Fundo Newton por até um ano, entre 318 propostas submetidas. A Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc) é a parceira do Fundo Newton no estado e dará contrapartida aos quatro pesquisadores catarinenses selecionados.

Encontrada em grandes quantidades em ambientes aquáticos poluídos e com água de baixa qualidade, a Cylindrospermopsis Raciborskii é uma cianobactéria que pode produzir toxinas. Sua presença e densidade na Lagoa do Peri, que possui água limpa e potável, causam estranheza aos pesquisadores. No entanto, Petrucio afirma que até agora não foram encontradas quantidades de toxinas que sejam prejudiciais à saúde humana.
(more…)

Urina sem antibióticos como alternativa para fertilizantes

23/12/2014 16:15

Pesquisa realizada por Raquel Cardoso de Souza, integrante do Grupo de Estudos em Saneamento Descentralizado (Gesad) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), mostrou que é possível retirar mais de 70% dos antibióticos presentes na urina. Esses compostos, quando entram em contato com o solo, podem causar resistência microbiana, ou seja, a seleção das bactérias mais resistentes, que se tornarão difíceis de serem eliminadas. Por isso, o estudo “Avaliação da remoção de amoxicilina e cefalexina da urina humana por oxidação avançada (H2O2/UV) com vistas ao saneamento ecológico” analisou a retirada dos antibióticos para que a urina fosse utilizada como fertilizante. O grupo começou a estudar a urina porque já vinha desenvolvendo pesquisas envolvendo o saneamento sustentável, uma prática que utiliza excretas humanas no solo. Esse tipo de saneamento se baseia no banheiro seco, que separa fezes e urina para que sejam reutilizadas, e não usa água para o transporte de excrementos. Coletar a urina e utilizá-la como fertilizante traria benefícios como a diminuição do consumo de água, redução dos gastos com energia e tratamento de esgoto, além de ser uma alternativa de fertilizante mais barata.

A pesquisadora aplicou o método H2O2/UV, um tipo de processo oxidativo avançado (POA). A luz ultravioleta (UV) é responsável pela quebra das moléculas da água oxigenada (H2O2), formando espécies de oxigênio (EROs) que reagem com os antibióticos. Duas amostras de urina foram analisadas – uma fresca e outra armazenada – e submetidas a esse método com diferentes concentrações de H2O2 durante 60 minutos, o que serviu para a retirada dos antibióticos amoxicilina (AMX) – um tipo de penicilina – e cefalexina (CFX), utilizados no tratamento de bactérias comuns. A melhor eficiência ocorreu com a H2O2 na concentração 928 mg/l. A AMX foi removida 77,97% na urina armazenada e 45,53% na fresca; já a CFX teve índices de remoção de 75,49% e 78,46% respectivamente nos tipos de urina armazenada e fresca. As diferenças entre os dois tipos de urina decorrem do pH (potencial de hidrogênio, que mede o índice de acidez): a armazenada apresenta pH mais alto (menor acidez); por isso, em geral, tem melhor rendimento.
(more…)

Pesquisa aponta risco cardíaco em crianças e adolescentes portadores de HIV

22/12/2014 13:40

Uma pesquisa desenvolvida no Departamento de Pediatria da Universidade Federal de Santa Catarina avaliou o risco cardíaco de crianças e adolescentes com AIDS. Nos casos analisados, houve evolução da aterosclerose, doença responsável por formação de placas de gordura nas artérias, e alteração na distribuição de gordura corporal. O estudo foi desenvolvido por Isabela Giuliano, professora do Centro de Ciências da Saúde (CCS), e ocorreu em duas etapas. Na primeira, entre outubro de 2005 e abril de 2006, foram avaliados 83 pacientes do Hospital Joana de Gusmão com idade entre 7 e 18 anos. Já na segunda parte da pesquisa, feita em 2009, reavaliaram-se 26 dos 83 casos. Essa etapa contou com a participação do bolsista PIBIC Felipe Alpert, do curso de medicina da UFSC.

Infográfico de Luiza Gomes/Estagiária de Design/DGC/UFSC

A primeira parte do estudo, com os dados de 2005, foi publicada na tese de doutorado de Isabela Giuliano. “Até a minha tese, se achava que a causa da aterosclerose eram as drogas [remédios usados para o tratamento do HIV], que elas aumentavam o colesterol e isso evoluía para a aterosclerose. Mas nós descobrimos que a causa da doença é a inflamação. Então, ninguém queria publicar [a tese] porque ia contra todas as ideias anteriores”, conta a pesquisadora.
(more…)

Pesquisa revela efetividade da Reserva do Arvoredo em preservar espécies

17/12/2014 08:05
Espécies de garoupas, chernes e badejos que representam as espécies da ictiofauna marinha beneficiadas pela REBIO Arvoredo. A) 'Mycteroperca bonaci': badejo quadrado; B) 'Hyporthodus niveatus': cherne; C) 'Epinephelus marginatus': garoupa verdadeira e D) 'Mycteroperca acutirostris': badejo mira.

Espécies de garoupas, chernes e badejos que representam as espécies da ictiofauna marinha beneficiadas pela REBIO Arvoredo. A) ‘Mycteroperca bonaci’: badejo quadrado; B) ‘Hyporthodus niveatus’: cherne; C) ‘Epinephelus marginatus’: garoupa verdadeira e D) ‘Mycteroperca acutirostris’: badejo mira.

A Reserva Biológica Marinha (Rebio) do Arvoredo é um local que efetivamente protege espécies ameaçadas, em especial os peixes que são alvo da pesca comercial e artesanal. É o que conclui a pesquisa realizada pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em parceria com outras quatro instituições. Os pesquisadores compararam a biomassa de espécies de garoupa, chernes e badejos em oito locais do litoral catarinense. Os maiores exemplares e os mais raros só foram encontrados nas áreas protegidas. A quantidade de biomassa chega a ser de quatro a oito vezes maior na Reserva do Arvoredo, em comparação com áreas não protegidas.

Este é o primeiro estudo que avalia as condições da Reserva na preservação das espécies. Os resultados foram divulgados em uma das principais revistas científicas sobre o tema, a Marine Ecology Progress Series (MEPS), da Alemanha. O estudo envolveu pesquisadores do Laboratório de Biogeografia e Macroecologia Marinha da UFSC, da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), Universidade de São Paulo (USP), Universidad de Murcia (UMU-Espanha) e Macquarie University (Austrália). A Rebio Arvoredo foi criada em 1990, e o acesso é permitido apenas para atividades científicas; no entanto, a região é alvo frequente de atividades de pesca ilegal.
(more…)

Urina sem antibióticos como alternativa para fertilizantes

08/12/2014 10:30

Pesquisa realizada por Raquel Cardoso de Souza, integrante do Grupo de Estudos em Saneamento Descentralizado (Gesad) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), mostrou que é possível retirar mais de 70% dos antibióticos presentes na urina. Esses compostos, quando entram em contato com o solo, podem causar resistência microbiana, ou seja, a seleção das bactérias mais resistentes, que se tornarão difíceis de serem eliminadas. Por isso, o estudo “Avaliação da remoção de amoxicilina e cefalexina da urina humana por oxidação avançada (H2O2/UV) com vistas ao saneamento ecológico” analisou a retirada dos antibióticos para que a urina fosse utilizada como fertilizante. O grupo começou a estudar a urina porque já vinha desenvolvendo pesquisas envolvendo o saneamento sustentável, uma prática que utiliza excretas humanas no solo. Esse tipo de saneamento se baseia no banheiro seco, que separa fezes e urina para que sejam reutilizadas, e não usa água para o transporte de excrementos. Coletar a urina e utilizá-la como fertilizante traria benefícios como a diminuição do consumo de água, redução dos gastos com energia e tratamento de esgoto, além de ser uma alternativa de fertilizante mais barata.
(more…)

Mesa-redonda discute atores e possibilidades na veiculação de notícias de ciência

03/12/2014 11:51

O último dia do II Colóquio Internacional “Tendências contemporâneas da divulgação científica” começou com um debate sobre os atores, as possibilidades e fomentos da comunicação de ciência. O objetivo da mesa-redonda foi discutir as formas de repasse do conhecimento de pesquisas e trabalhos que estimulam o desenvolvimento do saber científico para o público leigo.

Douglas Falcão, diretor do Departamento de Popularização e Difusão de Ciência e Tecnologia da Secretaria de Ciência e Tecnologia para Inclusão Social (SECIS/MCTI), abriu as palestras exemplificando iniciativas governamentais no ramo da comunicação científica. Mencionou as feiras, a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia e as olimpíadas de conhecimento como formas criadas para levar o conhecimento científico até a comunidade de fora do ramo. O palestrante ainda frisou a importância das iniciativas municipais para o desenvolvimento da área de divulgação científica.
(more…)

Divulga Ciência – Especial iniciação científica

01/12/2014 08:52

Edição 09 – Novembro de 2014 PIBIC Manhã - Foto Henrique Almeida-30                               Especial Iniciação Científica

O 24º Seminário de Iniciação Científica (SIC) e o 4º Seminário de Iniciação Científica do Ensino Médio da Universidade Federal de Santa Catarina integraram a 13ª Semana de Ensino, Pesquisa e Extensão (Sepex), realizada em outubro. O SIC recebeu mais de 800 inscrições de diferentes instituições, e a edição do PIBIC Ensino Médio teve a participação de seis escolas de Santa Catarina.

Engenharia de Alimentos estuda fungo que cresce em suco de maçã

Santa Catarina é o maior produtor de maçã no Brasil. Para a produção do suco, o extrato da fruta passa por pasteurização. Em sua pesquisa, Francielli Martinhago alerta que, mesmo com o processo, os esporos do fungo podem sobreviver e causar problemas no estômago dos consumidores. Leia mais.

Estudo analisa carência nutricional após cirurgias bariátricas em obesos mórbidos

A cirurgia bariátrica foi instituída pelo SUS para diminuição da quantidade de obesos e obesos mórbidos no Brasil. Por meio desse procedimento, é feita a redução do tamanho do estômago ou o desvio do caminho percorrido pelo bolo alimentar para fora dos segmentos intestinais. Dessa forma, a cirurgia tem caráter disabsortivo – impede que o indivíduo absorva alguns nutrientes como vitaminas D e B12, ácido fólico, entre outros. Leia mais.

Uso de exercícios como método alternativo para tratamento de esclerose múltipla

Pesquisa analisa o impacto de exercícios na prevenção e tratamento da esclerose múltipla, doença ainda sem cura. Leia mais.

Educação para arquitetura sustentável

Foi desenvolvido, no Departamento de Arquitetura, um dispositivo de automação que auxilia o desenvolvimento de uma proposta inovadora para incentivar os usuários a morar de um modo mais sustentável. Leia mais.

Pesquisa propõe economia de água potável utilizando água da chuva

Por meio do aplicativo, desenvolvido para estudantes do ensino básico, os alunos podem visualizar cinco experimentos de Física, facilitando o entendimento da teoria. Leia mais.

Pesquisadora desenvolve aplicativo que ajuda ensino de Física

Pedro Loss, estudante de Engenharia Elétrica da UFSC e criador do canal “Ciência todo o dia” foi um dos 40 escolhidos para participar de um workshop em que produtores de conteúdo educacional na internet, selecionados pelo YouTube, receberam orientações para o aprimoramento de seus vídeos. Eles farão parte da nova plataforma do Google, o YouTube Edu, com a curadoria da Fundação Lemann.  Leia mais.

Pibic do Ensino Médio: sonho de voar faz estudante colocar os pés no chão

 “Alvorecer da Aviação na Ilha de Santa Catarina” rememora a história da Base Aérea de Florianópolis nos anos entre 1900 e 1950; fala do impacto que teve a utilização de aviões na Guerra do Contestado; os acordos com os Estados Unidos, a presença de pilotos estrangeiros e outros detalhes. Leia mais.

Pibic do Ensino Médio: estudante analisa a representação da mulher em comerciais no horário nobre

Carol Gomez observou como o discurso publicitário geralmente coloca a mulher na posição de objeto sexual a ser vendido com o produto ou como produto; como conquista que o símbolo de status a ser vendido ajudará a obter; como mãe e como dona de casa.  Leia mais.

Pibic do Ensino Médio: estudante desenvolve jogo sobre corrida por construção de espaçonaves

Victória Below desenvolveu um jogo que coloca em disputa a corrida pela construção de espaçonaves. Para desenvolver a competição, utilizou dados da verdadeira corrida espacial e do aparato tecnológico de diversos países, incluindo o Brasil. Leia mais.

Pibic do Ensino Médio: estudo das águas da cidade de Sombrio desperta para pesquisa científica

Cinco estudantes coletaram amostras, em cada estação do ano, de água dos rios que desaguam na Lagoa do Sombrio, no sul de Santa Catarina, e testaram a reação e o desenvolvimento de brotos de cebola, sementes de alface e artêmias com essa água. Leia mais.

Leia também: Dissertação aborda o papel do programa de iniciação científica da UFSC na formação de pesquisadores.

Edição Alita Diana/Jornalista da Agecom/DGC/UFSC Revisão Claudio Borrelli/Revisor de Textos/Agecom/DGC/UFSC Diagramação Carla Isa Costa/Relações Públicas/CRP/DGC/UFSC
Sobre Divulga Ciência é um boletim mensal produzido pela equipe da Agência de Comunicação/DGC, com o objetivo de informar as mais recentes notícias sobre a produção científica vinculada à UFSC. Para enviar sugestões, escreva para o e-mail . Outras notícias sobre Jornalismo Científico publicadas no portal da UFSC estão reunidas neste link.
Acompanhe outras notícias da UFSC no Portal www.noticias.ufsc.br
Confira a programação da TV UFSC www.tv.ufsc.br

Contatos com a produção deste informativo: Agência de Comunicação (Agecom) / DGC. Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Campus Reitor João David Ferreira Lima. Trindade. Florianópolis, Santa Catarina, Brasil. / +55 (48) 3721-9601 / 3721-9233 Acompanhe a UFSC nas redes sociais: FacebookTwitterGoogle PlusInstagram

Pesquisa aponta risco cardíaco em crianças e adolescentes portadores de HIV

10/11/2014 14:43

‘Uma pesquisa desenvolvida no Departamento de Pediatria da Universidade Federal de Santa Catarina avaliou o risco cardíaco de crianças e adolescentes com AIDS. Nos casos analisados, houve evolução da aterosclerose, doença responsável por formação de placas de gordura nas artérias, e alteração na distribuição de gordura corporal.
O estudo foi desenvolvido por Isabela Giuliano, professora do Centro de Ciências da Saúde (CCS), e ocorreu em duas etapas. Na primeira, entre outubro de 2005 e abril de 2006, foram avaliados 83 pacientes do Hospital Joana de Gusmão com idade entre 7 e 18 anos. Já na segunda parte da pesquisa, feita em 2009, reavaliaram-se 26 dos 83 casos. Essa etapa contou com a participação do bolsista PIBIC Felipe Alpert, do curso de medicina da UFSC.
A primeira parte do estudo, com os dados de 2005, foi publicada na tese de doutorado de Isabela Giuliano. “Até a minha tese, se achava que a causa da aterosclerose eram as drogas [remédios usados para o tratamento do HIV], que elas aumentavam o colesterol e isso evoluía para a aterosclerose. Mas nós descobrimos que a causa da doença é a inflamação. Então, ninguém queria publicar [a tese] porque ia contra todas as ideias anteriores”, conta a pesquisadora.

Infográfico de Luiza Gomes/Estagiária de Design/DGC/UFSC

Infográfico de Luiza Gomes/Estagiária de Design/DGC/UFSC

(more…)