Estudo com farinha de mandioca do sul do estado apresenta benefícios às dislipidemias

04/01/2016 07:28

A dissertação “Caracterização química e avaliação do efeito da ingestão de farinhas de mandioca (Manihot esculenta Crantz) no perfil lipídico e glicêmico de ratos”, desenvolvida pela engenheira agrônoma Bianca Coelho, do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia e Biociências da UFSC, avaliou as farinhas e amidos de genótipos de mandioca (GM) provenientes, em grande parte, de engenhos da microrregião de Tubarão, sul de Santa Catarina, e o efeito da ingestão do genótipo Torta da Penha (cultivada em Paulo Lopes, Imbituba e Garopaba) em ratos machos Wistar.

O estudo foi orientado pelo professor Marcelo Maraschin, do Núcleo de Produtos Naturais do Centro de Ciências Agrárias (CCA), e contou com a colaboração dos professores do Centro de Ciências da Saúde (CCS), Edson Luiz da Silva (Análises Clínicas) e Vera Lúcia Cardoso Garcia Tramonte (Nutrição).

Diferentemente de espécies examinadas como omilho, o trigo e a aveia, a mandioca tem sido negligenciada. Apesar de estar por muito tempo à margem das atenções governamentais, é cultivada por um número expressivo de agricultores, viabilizando a produção de derivados de maior interesse econômico como a farinha e o amido. No entanto, alguns engenhos no estado ainda apresentam baixo nível tecnológico, o que, aliada àfalta de articulação de políticas públicas e apouca rentabilidade, tem desestimulado a produção. 
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Grupo da UFSC cria ferramenta que monitora funcionamento de geradores

21/12/2015 07:53

Uma associação de geradores é capaz de fornecer eletricidade a cidades inteiras, até mesmo estados, dependendo da sua potência e tamanho. Qualquer falha que ocorra no sistema pode deixar milhares de pessoas sem energia elétrica, causando prejuízo a empresas e cidadãos. Para tentar evitar esses problemas, o Grupo de Concepção e Análise de Dispositivos Eletromagnéticos (Grucad), do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), desenvolveu o protótipo de uma ferramenta que detecta falhas em máquinas elétricas rotativas (geradores).

O protótipo monitora o funcionamento dos geradores de minuto a minuto. Foto: Divulgação Grucad.

O estudo rendeu ao Grucad e aos alunos participantes o prêmio na categoria “Invento” durante a Feira do Inventor, realizada paralelamente à Semana de Iniciação Científica (SIC), nos dias 21 e 22 de outubro, na UFSC. Cerca de 800 pessoas participaram do evento e puderam votar na melhor invenção e na melhor apresentação de painéis.
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UFSC lança revista de divulgação científica

16/12/2015 09:03

UFSC-CiênciaUFSC Ciência é a revista de divulgação científica que a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) lançou na sexta-feira, 11 de dezembro, com o objetivo de propagar a variedade de pesquisas em desenvolvimento na Universidade – atualmente, a UFSC conta com mais de 500 grupos de pesquisa certificados pelo CNPq. Segundo a diretora-geral de Comunicação, Tattiana Teixeira, a revista foi concebida com a finalidade de aproximar ainda mais os diferentes públicos do conhecimento produzido pela UFSC.

A publicação é um dos resultados do projeto de incentivo à divulgação científica desenvolvido em parceria entre a Diretoria-Geral de Comunicação (DGC), por meio da Coordenadoria de Divulgação e Jornalismo Científico e da Coordenadoria de Design e Programação Visual, e a Pró-Reitoria de Pesquisa (Propesq) . “Este é um bom começo para uma atividade que deve ter caráter permanente. A oferta de material de divulgação de boa qualidade aumentará a percepção do público sobre a relevância e importância da ciência. É minha convicção de que esta iniciativa deve continuar e ser expandida para tornar-se o Programa de Divulgação Científica da UFSC”, afirma o pró-reitor de Pesquisa, Jamil Assreuy.

Na quarta edição da pesquisa sobre “Percepção pública da ciência e tecnologia no Brasil”, realizada pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) e pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), a atitude dos brasileiros em relação à ciência e tecnologia é muito positiva. Para  61% dos entrevistados, o conhecimento científico contribui para melhorar a qualidade de vida das pessoas. Com o intuito de reforçar essa tendência, Airton Jordani, responsável pelo projeto gráfico da UFSC Ciência, procurou evitar formatos tradicionais de diagramação para tornar a leitura mais agradável e ter maior abrangência de público: “Esse formato torna a produção científica da UFSC mais atraente e acessível à população de forma geral”.

Entre os pesquisadores entrevistados para esta primeira edição estão Ilse Scherer-Warren, Eduardo Bezerra, Kleber Vieira de Paiva,  Tânia Beatriz Creczynski PasaJosé Roberto O’Shea, Norberto Olmiro Horn Filho. A revista está disponível on-line, neste link.

Daniela Caniçali/Jornalista da Agecom/DGC/UFSC

UFSC Explica: HIV e Aids

01/12/2015 11:47

O Brasil é o país da América Latina com o maior número de pessoas soropositivas e com aids: a estimativa é de que sejam 734 mil pessoas. E Florianópolis, junto com Porto Alegre, Porto Velho e Manaus, são as capitais brasileiras com a maior taxa de detecção de indivíduos infectados. Os números, apontados pelo professor Aguinaldo Roberto Pinto, deixam claro que a epidemia continua séria e é caso para atenção e cuidado.

Entretanto, alerta, a população não está consciente. Por um lado, todas as campanhas de esclarecimentos feitas desde principalmente o final dos anos 1980 ainda não desfizeram os mitos criados ao redor da doença e de expressões como “grupos de risco”. Por outro, a evolução nas possibilidades de tratamento fez com que a doença deixasse de inspirar o terror que inspirava naquela época. Ao mesmo tempo em que isso diminui o preconceito contra pacientes de doença, criou a impressão de que a ameaça se foi.
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Iniciativa leva Astronomia e Física a escolas de Florianópolis

20/11/2015 12:04
A esfera amilar é a que mais chama a atenção dos alunos. Foto: Jair Quint/Agecom/DGC/UFSC

A esfera amilar é a que mais chama a atenção dos alunos. Foto: Jair Quint/Agecom/DGC/UFSC

“Por que a Lua não cai e os planetas não batem um contra o outro?”. Essa é a pergunta que Vitória Chaves, mediadora do projeto “Astronomia e Física vão à escola e à comunidade”, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), faz aos estudantes para instigá-los a pensar sobre as forças físicas que regem o Sistema Solar. A iniciativa surgiu para popularizar as disciplinas entre alunos com idade de 4 a 14 anos e despertar neles o interesse pelas matérias. As atividades ocorrem de maneira interativa, por meio de réplicas de instrumentos de mais de 2.000 anos, como o relógio de sol e o astrolábio, e sem o uso de cálculos.

O estudante Igor, de 10 anos, assistiu a uma das exposições atentamente e brincou com todos os objetos. Para ele, o preferido foi a boladeira – instrumento que simula a força da gravidade. “Agora eu entendi porque a Lua não cai”, disse, enquanto girava a bola que representa o astro. A mediadora explicou o funcionamento de todas as atividades, mas, assim como Igor, o que encantava os participantes era aprender na prática.
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Pesquisa avalia qualidade de vida de idosos de Florianópolis

17/11/2015 10:15

Os idosos representam 11,7% da população do Brasil, e, de acordo com o Programa das Nações Unidas de Desenvolvimento (PNUD), em 2030 eles serão quase um quinto dos brasileiros. Em Florianópolis, cerca de 11% dos moradores têm ou estão acima dos 60 anos. Esses dados motivaram o Epifloripa Idosos 2013/2014 – estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) para avaliar a qualidade de vida e a saúde dos idosos na capital. Esta foi a segunda etapa da pesquisa – que começou em 2009, com 1.705 voluntários –, na qual foram entrevistados 1.197 idosos, participantes também em 2009, com idade médiade 70 anos, que responderam a questões sobre saúde, autonomia, autorrealização e prazer.

O estudo identificou, em relação à pesquisa anterior, 5,4% de aumento nos sintomas depressivos que atingem 19% dos entrevistados. Além disso, houve aumento no autorrelato de câncer (presente em 11,5% dos participantes), hipertensão arterial (65,1%), doença cardiovascular (32,3%) e derrame (9,8%). A ocorrência de quedas também cresceu: em 2009, 13,6% dos participantes informaram ter sofrido esse tipo de acidente, e, em 2014, o índice passou para 19%. A professora Eleonora D’Orsi, do Departamento de Saúde Pública, do Centro de Ciências da Saúde da UFSC, coordenadora do Epifloripa, explica que os dados não podem ser considerados uma tendência porque, conforme o envelhecimento dos participantes, há o aparecimento de doenças que não foram relatadas na primeira etapa do levantamento. Ainda de acordo com Eleonora, estas doenças poderiam ser evitadas por mudanças no estilo de vida (dieta saudável, atividade física, estimulação cognitiva e interação social), maior adesão aos tratamentos para controle das doenças crônicas e ambiente favorável ao idoso (maior mobilidade e segurança na cidade).
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14ª Sepex: alunos da Fonoaudiologia usam karaokê para teste de voz

13/11/2015 13:46
Visitantes cantam no Karaokê, no estande de Fonoaudiologia. Foto: Henrique Almeida

Visitantes cantam no Karaokê, no estande de Fonoaudiologia. Foto: Henrique Almeida/Agecom/UFSC

Se você ouvir pessoas cantando em um karaokê durante a 14ª Sepex, não estranhe – são os estandes nº 68 e nº 70 do Departamento de Fonoaudiologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Mesmo que pareça brincadeira, é dessa forma que os estudantes da área podem observar nos visitantes a motricidade orofacial (movimento da face e boca) e fatores que influenciam a voz. Por meio desse e outros exercícios, os “pacientes” recebem dicas dos futuros fonoaudiólogos e, caso seja necessário, o convite para marcar uma consulta gratuita na Clínica-Escola de Fonoaudiologia da UFSC.

Stand PIBIC Química e Stands Fono - Foto Henrique Almeida-4

Teste de audição sendo realizado no estande de Fonoaudiologia. Foto: Henrique Almeida/Agecom/UFSC

Além do karaokê, o estande “Cantar, falar, engolir: o que eu tenho a ver com isso?”  também oferece avaliação da articulação. Na pequena consulta, a professora orientadora Angela Ruviaro Busanello Stella pode descobrir causas de dor de cabeça, zumbido nos ouvidos e dor nos músculos. “Algumas pessoas não sabem as causas de suas dores de cabeça, e aqui entendem o motivo. Às vezes, ele pode estar relacionado com a Disfunção da Articulação Temporal Mandibular (DTM)”, diz Angela.

Ao lado de onde a professora faz a avaliação, algumas estudantes medem o volume de fones de ouvido daqueles que visitam a 14ª Sepex ouvindo música. “O aparelho mostrou que o som estava muito alto. Como tenho um caso de surdez na família, me falaram que preciso me cuidar e passar a ouvir em um volume mais baixo”, conta a aluna do colégio Virgílio dos Reis Várzea, Mariana Jonjob, de 12 anos. Ali também é possível fazer uma triagem auditiva, em que se descobre a capacidade de audição.

A 14ª Sepex vai até as 12h de sábado, 14 de novembro, na Praça da Cidadania, na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Campus Florianópolis. Para receber atendimento do Departamento de Fonoaudiologia, visite a Clínica-Escola de Fonoaudiologia, no prédio 2 da Reitoria, na rua Desembargador Vitor Lima, 222, 2º Andar.

Camila Geraldo/Estagiária de Jornalismo Científico/DGC/Propesq/UFSC

 

14ª Sepex: alunos da Química investigam o que há nas cozinhas

13/11/2015 13:20

Quem nunca pensou em realizar uma grande investigação quando era criança? O Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid) da Química, com o grupo “CIA” – em alusão à norte-americana CIA (Central Intelligence

Mistura de água com maizena, que imita a areia movediça. Foto Henrique Almeida/Agecom/UFSC

Visitantes testam a mistura de água com maizena, que imita a areia movediça. Foto Henrique Almeida/Agecom/UFSC

Agency) –, decidiu procurar evidências dentro da cozinha e desvendar mistérios durante a 14ª edição da Sepex. Para isso, o estande 005 foi montado com uma mesa repleta de itens como farinha, leite e maisena, para demonstrar aos visitantes experiências que simulam, por exemplo, o funcionamento da areia movediça. Coordena o “CIA” o professor do departamento de Química da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Santiago Yunes.

O objetivo do estande é realizar experimentos lúdicos que facilitem o aprendizado dos visitantes. Dessa forma, a estudante da sexta fase do curso de Química, Thaylis Leichsenring, mistura leite com vinagre para criar uma cola caseira e explicar a origem das tintas plásticas, que também podem ser conhecidas como “tintas-colas” – basta adicionar um corante ao leite com vinagre. As estudantes do Pibid garantem, com demonstrações, que a cola funciona mesmo. “Se minha mãe deixar, com certeza vou tentar fazer em casa”, disse o aluno Cristian Lodete, 16 anos, da Escola Estadual Meleiro.

Já a aluna da mesma escola, Danielli Bordignon, 16 anos, que pretende cursar Engenharia Química no ano que vem, achou a mistura de água com maizena, que imita a areia movediça, a parte mais interessante. Apesar de ser líquida, a combinação age como um sólido quando se aplica alguma pressão. Assim, quando alguém tenta escapar do afogamento na areia movediça, esta age como um sólido, prendendo as pessoas.

Também é possível ver no estande um plástico biodegradável, formado por meio da casca de batata, além de brincar com a “areia que não molha” e conhecer os princípios da Química que acontecem enquanto lavamos a louça. Para conferir estes e outros experimentos, basta ir até a Praça da Cidadania da UFSC. A 14ª Sepex vai até as 12h de sábado, 14 de novembro.

Mais informações:

Professor Santiago Yunes – (48) 3721-2312.

Secretaria de Química UFSC – (48) 3721-6853.

Facebook Pibid Química.

 

Ana Carolina Prieto/Estagiária de Jornalismo/Propesq/DGC/UFSC

14ª Sepex: Você sabe o que é Entomologia Forense?

12/11/2015 16:32

O Laboratório de Transmissores Hematozoários (LTH) do Departamento de Microbiologia e Parasitologia do Centro de Ciências Biológicas da UFSC está com um estande (89) de Entomologia Forense na 14ª Sepex. O LTH desenvolve projetos de pesquisa de animais utilizados em estudos de caso de Entomologia Forense, que é a área da ciência responsável por aplicar a biologia dos insetos e outros artrópodes em investigações legais. Ela pode ser dividida em três áreas: médico-legal, de produtos e alimentos estocados e entomologia urbana. A equipe do LTH montou uma “cena do crime” em forma de maquete e com bonequinhos para explicar como funcionam os processos. Há dois microscópios em que se podem observar insetos, e estão expostas também as fases de desenvolvimento de alguns deles. Dois estudantes de Biologia explicam os processos e esclarecem as dúvidas: Guilherme Maia, da 10ª fase, que está fazendo seu Trabalho de conclusão de curso (TCC) no LHT, e Isabela Farias, da 4ª fase, voluntária no mesmo laboratório. Muito interessante para crianças e adultos, ensinando de forma lúdica e inserindo a ciência no cotidiano. Vale a pena visitar!

Microscópios e 'cena do crime', no estande de Entomologia Forense- Foto Jair Quint/Agecom/DGC/UFSC

Microscópios e ‘cena do crime’, no estande de Entomologia Forense- Foto Jair Quint/Agecom/DGC/UFSC

Conheça os três ramos da Entomologia Forense (informações contidas no banner fixado no estande nº 89)

. -Entomologia Médico-Legal Baseado nos conhecimentos do ciclo de vida de insetos e outros artrópodes úteis nas investigações legais aplica-os como evidência em casos de assassinato, suicídio, estupro, abuso físico e até contrabando. Geralmente envolve insetos que vivem em contato com animais em decomposição ou restos humanos, estudando-os para estimar o intervalo pós-morte (IPM).

-De produtos e alimentos estocados Estuda a relação entre a infestação de produtos estocados – como arroz, feijão, chá e até chocolates, utilizando esse conhecimento para decidir como controlar as pragas. Outro uso é  o de resolver problemas judiciais de contaminação  de alimentos comercializados, através da estimativa de desenvolvimento desses animais. Pode-se, então, por exemplo, nesses casos determinar se o problema da contaminação veio do produtor e ou vendedor ou do consumidor que estocou o produto de maneira incorreta

. - Entomologia Urbana Estuda a interação entre os insetos e os imóveis (e outros bens estruturais pertencentes ao ser humano) que podem sofrer infestações agressivas ou recorrentes. Por meio dos estudos entomológicos é possível resolver esses problemas ao elucidar tratamentos apropriados  para pestes como cupins ou baratas e também pode esclarecer se um imóvel ou um móvel  já estava infestado previamente à aquisição ou o fato aconteceu posteriormente.

Professor responsável: Carlos José de Carvalho Pinto ( ) Alita Diana/Jornalista da Agecom/DGC/UFSC

Crianças programam robôs em atividade de computação

09/11/2015 18:02
Cerca de 15 crianças aprenderam programação. Foto: Henrique Almeida/Agecom/DGC/UFSC

Cerca de 15 crianças aprenderam programação. Foto: Henrique Almeida/Agecom/DGC/UFSC

Quando o especialista em telemedicina Aldo von Wangenheim começou sua aula da manhã de sábado, 7 de novembro, na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a recepção dos alunos foi muito mais enérgica do que a de costume – nesse dia, o curso de programação do Instituto de Informática e Estatística (INE) foi para crianças de 8 a 12 anos. Além de bom humor, os pequenos programadores tinham muita atenção e, até o final daquela manhã, desenvolveram robôs que piscam os olhos, mexem os braços e reagem à aproximação com movimentos. Essa aula, que está chamando a atenção de pais e pesquisadores, faz parte da iniciativa Computação na Escola, coordenada pelo INE com apoio do Google Rise Award, MCTI/CNPq e Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC).

No início da oficina, a professora Christiane von Wangeheim, coordenadora da iniciativa ao lado de Aldo, explicou aos alunos que eles deveriam solucionar um problema: a Lagoa do Peri estava ficando suja devido ao lixo que um ogro jogava na água. Para impedi-lo de continuar poluindo a Lagoa, o estudante deveria construir um robô super-herói que, de máscara e capa, iria salvar o local da sujeira. “Uma das coisas mais difíceis em ensinar computação para os pequenos é conseguir dar as aulas na linguagem deles”, explica Aldo. “Eu gostei da capa rosa que combina com a máscara preta, mas o legal é conseguir fazer ele mexer o braço para jogar bolinha no ogro”, diz Beatriz, aluna de oito anos.

O pai de Beatriz, Eric Fernandes Pedroso, soube da oficina pela esposa, que é estudante da UFSC, e logo fez a inscrição da filha. “Para mim, computador não é brincadeira. Ele é uma oportunidade de futuro, caso a Beatriz queira seguir essa área quando ficar mais velha”, fala Eric. Foi exatamente nessa perspectiva que os coordenadores do Computação na Escola desenvolveram a pesquisa: por acreditar que os estudantes dos ensinos fundamental e médio devem aprender mais computação. “A programação desenvolve habilidades importantes para o futuro da criança, além de que, cada vez mais, precisamos de profissionais de Tecnologia da Informação (TI).”

Os pais também puderam participar da dinâmica. Foto: Henrique Almeida/Agecom/UFSC

Os pais também puderam participar da dinâmica. Foto: Henrique Almeida/Agecom/UFSC

A oficina é baseada em Computação Física, a parte da programação que faz com que o mundo real se movimente (ou seja, aquela que influencia o hardware fazendo peças se locomoverem, luzes acenderem, entre outras funções). Para introduzir a computação aos alunos, é utilizado o software Scratch, que funciona como o jogo Lego – a criança cria, por meio de blocos, um conjunto de comandos que será o roteiro das funções do herói-boneco. O robô de máscara e capa é um Arduíno (protótipo eletrônico de hardware que está ligado ao computador via cabo USB). Todo o material é oferecido gratuitamente durante a aula, e o estudante pode usar criatividade na construção das funções.

O Computação na Escola foi selecionado no edital internacional Google Rise Award para o fomento de iniciativas para a educação como um projeto de destaque na área. As oficinas estão sendo realizadas em Lages, Ibirama, Gaspar e Florianópolis.

Mais informações:

INE –  +55 (48) 3721-9498
             +55 (48) 3721-9942

Camila Geraldo/Estagiária de Jornalismo Científico/DGC/Propesq/UFSC

 

Alimentos ultraprocessados direcionados a crianças: informação nutricional e opinião de consumidores

28/10/2015 07:00

A pesquisa “Alimentos ultraprocessados direcionados a crianças: disponibilidade, informação nutricional complementar e opinião de consumidores infantis” foi realizada pela nutricionista vinculada ao Núcleo de Pesquisa de Nutrição em Produção de Refeições (Nupre), Natália Durigon Zucchi, e orientada pela professora Giovanna Medeiros Rataichesck Fiates, para a dissertação de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Nutrição (PPGN) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).  O estudo integra um amplo projeto: “Rotulagem nutricional em alimentos industrializados brasileiros: análise multitemática da utilização pelo consumidor e influência nas escolhas”, como a pesquisa divulgada no site da UFSC em outubro de 2014.

A pesquisa de Natália teve duas vertentes: a das informações nutricionais contidas nas embalagens de alimentos ultraprocessados voltados para crianças e a da capacidade de as crianças realizarem a leitura das imagens nessas embalagens.

A pesquisadora realizou um levantamento de embalagens de alimentos industrializados disponíveis à venda em um grande supermercado de Florianópolis. Todas foram fotografadas, e 535 delas apresentavam estratégias de marketing para o público infantil, sendo classificadas como direcionadas a crianças.  Essas embalagens foram analisadas de modo a classificar os produtos segundo o grau de processamento, quantificadas e qualificadas conforme a presença de Informação Nutricional Complementar (INC).

Dentre os 535 alimentos industrializados direcionados a crianças, aproximadamente 90% foram classificados como ultraprocessados; entre estes, quase a metade apresentava um ou mais tipos de INC no painel frontal – a maioria relativa à presença ou ao aumento de vitaminas e minerais em produtos como biscoitos recheados, iogurtes, sucos artificiais e gelatinas. A INC referente à isenção de algum componente mais frequente foi relativa à gordura trans. Os alimentos em cujas embalagens foi identificado o maior número de INC foram biscoitos e bolos recheados, iogurtes adoçados e balas.

Os resultados apontam a importância de regulamentar quando uma INC pode ser apresentada na embalagem de um determinado produto, pois o destaque à fortificação de alimentos ultraprocessados direcionados a crianças é, no mínimo, questionável.

Dentre essas embalagens, quatro (de produtos ultraprocessados – lanches para consumo imediato e produtos prontos ao aquecer, criados para substituir refeições preparadas em casa) foram selecionadas para a segunda vertente da pesquisa, das quais três de alimentos e uma de bebida.

Essas quatro embalagens de produtos que poderiam ser consumidos em refeições principais ou em lanches, com diferentes tipos de INC nos painéis frontais, foram as usadas para a pesquisa com 49 crianças de uma escola particular de Florianópolis (27 meninos), com idade entre 8 e 10 anos, separadas em grupos focais, visando conhecer sua opinião sobre a leitura das informações nelas contidas. Os grupos foram formados por de quatro a seis participantes e separados por sexo.  Com relação aos grupos focais, as crianças participantes demonstraram reconhecer a utilização de imagens em embalagens como estratégia de marketing,e também tiveram postura crítica e questionadora perante a presença da INC. Estavam atentas a informações na rotulagem de modo geral, incluindo a data de validade e o símbolo de transgênico (T), apesar de a maioria dos grupos não compreender o seu significado.

Por seu papel como consumidores influenciadores das compras da família e como futuros consumidores, crianças podem se tornar o foco de ações voltadas à utilização e interpretação das informações presentes na rotulagem nutricional. Desse modo, sugerem-se também estratégias para a socialização do público infantil como consumidor, motivando a leitura e interpretação dos rótulos.

Contato: Giovanna Medeiros Rataichesck Fiates/ / (48) 3721-9784.

Edição: Alita Diana/Jornalista da Agecom/DGC/UFSC

Revisão: Claudio Borrelli/Revisor de Textos da Agecom/Diretoria-Geral de Comunicação/UFSC

 

SIC 2015: estudante pesquisa ambientalismo em Florianópolis

23/10/2015 17:28

Aluna da sexta fase de Ciências Sociais da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Maria Lauri Prestes da Fonseca foi bolsista Pibic durante um ano. Na tarde desta sexta-feira, 23 de outubro, ela apresentou no 25º Seminário de Iniciação Científica (SIC) da UFSC a pesquisa que desenvolveu orientada pela professora do Departamento de Sociologia e Ciência Política, Lígia Helena Hahn Lüchmann. Em seu trabalho, Lauri fez o levantamento das organizações ambientalistas de Florianópolis, qualificando a atuação e traçando o perfil das entidades. “Para mim, foi muito importante. Eu sou de origem indígena, estar em contato com o campo ambientalista me abre portas até para entender os movimentos étnicos e raciais nesse campo”, conta a estudante.

Lauri mapeou as associações ambientalistas. Foto: Daniela Caniçali/Agecom/DGC/UFSC

Lauri mapeou as associações ambientalistas. Foto: Daniela Caniçali/Agecom/DGC/UFSC

A pesquisa de Lauri foi realizada no Núcleo de Pesquisa em Movimentos Sociais (NPMS), que está ligado ao projeto Associativismo Civil Participação e Democracia da UFSC. O contato da estudante com o projeto começou a partir da disciplina “Prática de Pesquisa”, ofertada no curso de Ciências Sociais. “Perguntei para a professora se poderia participar do Núcleo, e ela aceitou. Até que um dia me ofereceram a bolsa de pesquisa”, conta Lauri. No NPMS, a professora Lígia Helena criou uma nova classificação para os campos associativos da capital catarinense — como sindicatos, órgãos, associações representativas, entre outros. Para a Iniciação Científica, o trabalho da estudante foi aprofundar-se na questão ambientalista.

Para desenvolver o trabalho, a jovem pesquisadora procurou as associações civis e fez a aplicação de questionários, entrevistas e levantamento de dados. De um universo de 42 associações ambientalistas listadas, somente dez estavam em funcionamento e com as informações atualizadas. Nelas, todos os presidentes eram homens, graduados e com idade média de 40 anos. As entidades que mais se relacionam com a sociedade civil militam, principalmente, para diminuir os impactos da urbanização na cidade. A Ponta do Coral é a pauta que mais é trabalhada hoje pelas associações.

O SIC, realizado no piso superior do Centro de Cultura e Eventos da UFSC, termina nesta sexta-feira, 23.

Camila Geraldo/Estagiária de Jornalismo Científico/DGC/Propesq/UFSC

 

SIC 2015: pesquisa analisa atividades dos usuários do Twitter

22/10/2015 16:54

O estudante da oitava fase do curso de Ciência da Computação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Douglas Klein, abriu as apresentações da tarde desta quinta-feira, 22 de outubro, no 25º Seminário de Iniciação Científica (SIC) da UFSC. Bolsista do Pibic há um ano, o jovem pesquisador analisou, em estudo no Laboratório de Integração de Sistemas e Aplicações Avançadas (Lisa), os movimentos das pessoas – localização e atividades – por meio das informações que elas disponibilizam na rede social Twitter. A apresentação no SIC foi, para ele, mais que a exposição da pesquisa que ajudou a desenvolver – motivado pelo orientador do projeto, o professor do Departamento de Infomática e Estatística (INE) Renato Fileto, seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), terá o mesmo tema.

Douglas consegue coletar 4 milhões de tweets por dia. Foto: Pipo Quint/Agecom/DGC/UFSC

Douglas consegue coletar 4 milhões de tweets por dia. Foto: Pipo Quint/Agecom/DGC/UFSC

As informações que impressionaram Douglas chamam a atenção: durante um minuto, em todo o mundo, 4 milhões de perguntas são feitas no Google; 3,5 milhões de postagens vão para o Facebook e 342 mil mensagens são colocadas no Twitter. O estudante conseguiu criar uma ferramenta que coletou mais de 200 milhões de tweets enviados do Brasil entre julho de 2014 e maio de 2015.

A maior dificuldade dos profissionais que coletam essas informações é ler e interpretar corretamente, pois uma mesma palavra pode se referir a locais diferentes com o mesmo nome. Por isso, Douglas e a equipe do Lisa desenvolveram técnicas de reconhecimento, geralmente ligando as informações à Wikipédia para saber qual a referência do tweet. Dessa forma, foram identificados, com o auxílio de outra mídia social, o Foursquare, mais de 120 mil locais de interesse (bares, restaurantes, lojas, pontos de ônibus, aeroportos, estádios, entre outros.).

“Assim, podemos fazer um perfil das pessoas. A ideia é analisar um grupo grande de usuários do Twitter para entender o que eles fazem, quais lugares eles frequentam. Isso pode ser utilizado para planejamento urbano e marketing, por exemplo”, explica o estudante.

O SIC segue até esta sexta-feira, 23, no piso superior do Centro de Cultura e Eventos da UFSC.

 

Camila Geraldo/estagiária de Jornalismo Científico/DGC/Propesq/UFSC

 

SIC 2015: pesquisa analisa impacto dos diferentes métodos de resfriamento de carcaças de aves

22/10/2015 12:40

A estudante de Engenharia de Alimentos, Jéssica Daiane Domingos, desenvolve pesquisa de iniciação científica na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) há um ano.  Seu estudo, orientado pelo professor Bruno Carciofi, consiste em avaliar os diferentes métodos de resfriamento de carcaças de aves, analisando os aspectos de transferência de calor e massa, além da qualidade da carne.

O resfriamento das carcaças de frango é usado para garantir a segurança alimentar do produto.  Segundo a pesquisa, os meios mais utilizados atualmente são de imersão em água fria e ar forçado. Mas a pesquisadora explica que a opção mais inovadora e promissora seria o resfriamento por lama de gelo, uma vez que os resultados demonstraram uma tendência de redução no tempo de resfriamento quando esse processo foi utilizado. A lama de gelo é uma mistura homogênea de cristais de gelo de tamanhos micrométricos suspensos em água líquida.
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SIC 2015: Pesquisa avalia desinfecção de dejetos para serem usados como fertilizantes

21/10/2015 19:00

A estudante de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Santa Catarina, Camila Daminelli, parecia apreensiva com o tempo enquanto apresentava o seu trabalho no 25º Seminário de Iniciação Científica (SIC 2015), na quarta-feira, 21 de outubro. Apesar do nervosismo, Camila garante – com empolgação – que desde o início da sua graduação desejava fazer pesquisa e, por isso, trabalha no laboratório de Virologia Aplicada do Centro de Ciências Biológicas (CCB). O objetivo do seu estudo foi avaliar a desinfecção de dejetos de porcos para que a sua biomassa seja utilizada como fertilizante natural.

© Pipo Quint / Agecom / UFSC

Camila Daminelli: a estudante sempre teve vontade de pesquisar questões ambientais. Foto:Daniela Caniçali/Agecom/DGC/UFSC

Um dos principais motivos é a suínocultura brasileira: de acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o país produziu, em 2014, cerca de 3,4 milhões de toneladas de carne suína, sendo o quarto maior produtor mundial. Dessa forma, a reutilização sustentável dos dejetos é uma alternativa para os fertilizantes. Porém, é preciso que esses passem por um processo de desinfecção para evitar o contágio por patógenos, como o Adenovírus Humano-2, que causa infecções respiratórias nas pessoas.

A pesquisadora, com orientação da professora Celia Regina Monte Barardi, realizou a desinfecção de lodo e efluentes, como esgotos, utilizando amônia não-ionizada com adição de ureia. Foram utilizadas três concentrações diferentes de lodo e efluentes. No primeiro, o estudo obteve um índice de, no mínimo, 99% de eliminação do patógeno, em um período que variou entre três e nove dias. Já nos efluentes, a porcentagem obtida foi a mesma, com um tempo entre nove e 15 dias.

A desinfecção também foi feita através de mudanças de temperatura que inativam os patógenos, com resultados de, no mínimo, 99%. Porém, a pesquisadora ressalta que neste processo ocorrem gastos energéticos, sendo menos sustentável do que utilizar a amônia não-ionizada com aditivo de ureia.

O estudo trouxe um grande resultado para o grupo de pesquisa: hoje, no Brasil, ainda não há uma legislação que cuide do destino final dos dejetos de porcos, por isso, o grupo recebeu o convite de um professor para desenvolver a regulamentação, que se iniciará após os términos dos estudos e tem previsão de conclusão de dois anos.

Após o incentivo, Camila conta que pretende continuar nesta área de pesquisa e, inclusive, já se inscreveu para a seleção de mestrado no programa de Biotecnologia e Biociências: “Esse é o meu futuro. Eu aconselho que todos entrem em um laboratório, por que é difícil não se apaixonar”, confessa.

Este e outros trabalhos podem ser conhecidos no 25º Seminário de Iniciação Científica da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), realizado no piso superior do Centro de Cultura e Eventos. O Seminário segue até sexta-feira, dia 23.

 

Ana Carolina Prieto/Estagiária de Jornalismo/Propesq/DGC/UFSC

 

SIC 2015: pesquisa integra plantas e camarões em cultivo

21/10/2015 13:38

O estudante Lucas Gomes Mendes, da oitava fase de Engenharia da Aquicultura, integra o Laboratório de Camarões Marinhos  (LCM) desde que iniciou o curso na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Ele fez parte da pesquisa de mestrado de Isabela Claudiana Pinheiro sobre o desenvolvimento de plantas no mesmo tanque que camarões Litopenaeus vannamei e apresentou seus resultados na quarta-feira, 21 de outubro, durante 25º Seminário de Iniciação Científica (SIC) da UFSC. Nela, o pesquisador descobriu que é possível produzir quase dois quilos de Sarcocornia ambigua (conhecida popularmente como Salicornia), vegetal que pode ser uma alternativa ao sal de cozinha, para cada quilo de camarão cultivado. “Se no futuro eu não me tornar pesquisador, serei produtor da Sarcocornia, com certeza”, confessa Lucas.

Lucas Mendes    - foto Daniela Caniçali/Agecom/DGC/UFSC

Lucas  G .Mendes  é bolsista do PIBITI desde o primeiro semestre na UFSC- foto Daniela Caniçali/Agecom/DGC/UFSC

Com o auxílio do orientador Walter Quadros Seiffert e outros integrantes do LCM, o estudante cultivou 250 camarões em tanques de 800 litros. Lucas, durante 70 dias, trabalhou em duas produções – uma de tratamento, em que havia a presença da S. ambigua, e outra de controle, sem as plantas. No tanque com o vegetal, a água dos criadores era bombeada para tubos de PVC em que foram colocadas 40 mudas de Sarcocornia ambigua. O consumo da planta é principalmente feito por pessoas hipertensas, já que dela se extrai o ‘sal verde’, com três vezes menos cloreto de sódio que o sal de cozinha. Além disso, a Salicornia é utilizada para descontaminar a água e como matéria prima para a produção de remédios.

O resultado indicou que a S. ambigua pode ser cultivada junto ao camarão e se tornar  uma opção de renda extra para o aquicultor. De acordo com o jovem pesquisador, ainda não há no Brasil o registro de produtores desse vegetal, mas as produções de países como Portugal e Tailândia dão a perspectiva de que esse mercado pode crescer aqui. Quando comparadas as criações de tratamento e controle, o cultivo da planta com os camarões não alterou a qualidade da água ou dos animais nos tanques.

A pesquisa em que Lucas participou é a primeira etapa de uma série de experimentos que o Laboratório de Camarões Marinhos desenvolveu com a Sarcocornia ambigua.

Esse e outros trabalhos podem ser conhecidos na 3ª Feira do Inventor, nesta quarta e quinta, 21 e 22 de outubro, no piso superior do Centro de Cultura e Eventos da UFSC. O  SIC da UFSC segue até sexta-feira, dia 23, no mesmo local da Feira do Inventor.

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Tese analisa impacto das condições ambientais no cultivo de ostras e mexilhões

15/10/2015 12:22

Avaliar em 320 km da costa as condições ambientais e do cultivo dos moluscos e mexilhões bivalves em Santa Catarina: este foi o impulso para a tese do pesquisador João Guzenski, doutor em Geografia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), orientada pelo professor Jarbas Bonetti Filho. Um dos dados mais impactantes do estudo foi a ocorrência de algas nocivas em 97% das áreas de cultivo, durante o período de estudo. A pesquisa reflete a importância do monitoramento constante da produção para que se possa dar segurança alimentar a todos.
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Grupo da UFSC ganha prêmio ao avaliar produto que diminui alteração na cor dos dentes

01/10/2015 14:38

A experiência de ir ao dentista pode ser traumática para diversas pessoas, ainda mais quando se utilizam produtos que possam comprometer o sorriso dos pacientes, gerando desconforto. Pensando nisso, o Grupo de Pesquisa em Endodontia do Departamento de Odontologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) estudou a variação da cor dos dentes pelo uso de duas pastas antibióticas para tratamento de canal.  A triantibiótica clássica, composta por ciprofloxacina, metronidazol e minociclina, mostrou maior alteração na cor dos dentes, comparada à pasta triantibiótica modificada, na qual a minociclina foi substituída pela amoxicilina. O trabalho obteve o prêmio na categoria Terapia Endodôntica, na 32ª Reunião da Sociedade Brasileira de Pesquisa Odontológica, principal evento do gênero na América Latina. O Programa de Pós-Graduação em Odontologia da UFSC contou com 58 trabalhos de alunos e egressos no concurso.

O foco do estudo foi a Endodontia Regenerativa, uma abordagem alternativa para o tratamento de canal comum. Ele consiste no uso de célula-tronco e biomateriais, responsáveis por regenerar o tecido danificado dos dentes. As pastas triantibióticas são utilizadas para eliminar bactérias que possam atrapalhar este tratamento. Um dos pontos principais da Endodontia Regenerativa é a troca de produtos plásticos pelo uso das células tronco e dos biomateriais – como o cimento ionômero de vidro, responsável pelo fechamento dos canais.

Para analisar os materiais testados, o grupo utilizou dentes bovinos, cuja dentina é semelhante à humana, com a vantagem de não precisar usar matéria humana no desenvolvimento da pesquisa. O estudo evidenciou que a média de alteração de cor nos dentes tratados com a pasta “triantibiótica modificada” foi cerca de quatro vezes menor do que nos dentes tratados com a pasta triantibiótica clássica.

A doutoranda em Endodontia, Luciane Geanini, conta que o procedimento é feito, majoritariamente, em crianças e adolescentes, que são os grupos etários mais afetados por cárie e trauma dental, principalmente pelo grande número de acidentes por eles sofridos, como quedas de bicicletas e skates, que podem machucar o nervo do dente. Assim, a pesquisadora ressalta a importância das consequências estéticas para evitar preconceito ou bullying em função da coloração diferente dos dentes.

Pesquisa em Endodontia - Luciane e Camila - Foto Henrique Almeida

Luciane Geanini (à esquerda) e Camila Guerner representaram o grupo de pesquisa em Campinas (SP). Foto: Henrique Almeida/Agecom/DGC/UFSC

Luciane explica que a pasta triantibiótica modificada possui preço semelhante à tradicional e que poderia ser obtida em farmácias de manipulação, porém, a pesquisadora ressalta que ainda será preciso realizar mais estudos quanto a ação antimicrobiana deste produto.

Camila Guerner Springmann, Wilson Tadeu FelippeMabel Mariela Rodríguez CordeiroCleonice da Silveira TeixeiraEduardo Antunes Bortoluzzi e Gabriela Santos Felippe foram os colaboradores da pesquisa, idealizada e executada por Luciane Geanini e orientada por  Mara Cristina Santos Felippe.

Empolgação

Aluna da nona fase do curso, Camila Guerner foi para Campinas apresentar o estudo e conta que não esperava receber o prêmio, principalmente pela grande quantidade de participantes – todas as universidades do país podem enviar trabalhos. Após o nervosismo durante o evento, Camila se diz muito mais animada a começar a pesquisar regeneração odontológica para seu TCC, e recomenda a experiência na pesquisa para todos os estudantes.

Para Luciane, fica o indicativo de que está no caminho certo. O reconhecimento para com a pesquisadora serve de apoio para continuar o seu projeto de doutorado, que analisará a utilização de células tronco na Endodontia Regenerativa. O grupo de pesquisa recebeu o certificado de premiação e R$ 1,5 mil, que será investido em outras pesquisas do laboratório.

Mais informações:

Endodontia UFSC - (48) 3721-9549

Departamento de Odontologia - (48) 3721-9520

Ana Carolina Prieto/Estagiária de Jornalismo/Propesq/DGC/UFSC

Claudio Borrelli/Revisor de Textos da Agecom/DGC/UFSC

 

Pesquisa da UFSC indica que idosos com excesso de peso ou com obesidade abdominal têm maior risco de desenvolver hipertensão

17/09/2015 15:16

Rafaela Haeger Luz, sob orientação da professora Aline Rodrigues Barbosa, realizou o estudo “Associação entre diferentes indicadores antropométricos e hipertensão arterial sistêmica em idosos de Florianópolis, Santa Catarina”, como dissertação de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Nutrição (PPGN) da Universidade Federal de Santa Catarina. A pesquisa utilizou dados secundários do estudo EpiFloripa Idoso, coordenado pela professora Eleonora D’Orsi, e teve como objetivo analisar a associação entre diferentes indicadores antropométricos e a presença de hipertensão arterial sistêmica em idosos de Florianópolis.

  Foram avaliados 1.197 idosos, 778 mulheres e 419 homens. A idade média das mulheres foi de 74 anos, e dos homens, 73 anos. A presença de hipertensão foi autorreferida e os indicadores antropométricos foram coletados por meio de mensuração padronizada do peso, altura e perímetro da cintura.

Foi estimado que 65% dos idosos de Florianópolis têm hipertensão. Os indicadores Índice de Massa Corporal, Perímetro da Cintura, Razão Cintura/Estatura, e os indicadores combinados Índice de Massa Corporal+Perímetro da Cintura e Índice de Massa Corporal+Razão Cintura/Estatura, que avaliaram o excesso de peso e a obesidade abdominal, foram associados à hipertensão nas mulheres. Nos homens, somente o Índice de Massa Corporal e os indicadores combinados foram associados à hipertensão.

Deriva-se, da pesquisa, que idosos com excesso de peso ou com obesidade abdominal ou, com excesso de peso e obesidade abdominal,  têm maior risco de desenvolver hipertensão, quando comparados a idosos com peso normal.

 

Um pesquisador impulsionado por um ‘descontentamento persistente’

15/09/2015 14:19

Marcelo Farina, pesquisador do Departamento de Bioquímica do Centro de Ciências Biológicas (CCB) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), e novo membro afiliado da Academia Brasileira de Ciências (ABC), é motivado por “um certo descontentamento persistente”. “O que seria isso?” – ­­ele explica­ – “É estar sempre querendo algo a mais, estar sempre buscando melhorar e realizar mais. Minha busca nunca foi no sentido de almejar este ou aquele posto. Eu prefiro estar focado em aprimorar o meu dia a dia, a minha pesquisa, a formação dos meus alunos.” A diplomação na ABC é uma conquista decorrente de sua atuação como pesquisador; por isso, a notícia foi recebida com alegria. “Quando chegou o e-mail do presidente da Academia Brasileira de Ciências dizendo ‘parabéns’, fiquei muito feliz, não tem como descrever de outra forma. Um reconhecimento é sempre uma motivação.”

© Pipo Quint / Agecom / UFSC

Marcelo Farina em seu laboratório. Foto: Jair Quint/Agecom/DGC/UFSC.

Diferentemente da categoria de membro titular, a de membro afiliado é destinada a pesquisadores jovens, de até 40 anos, que usufruem o direito de participar nas atividades da Academia por um período de cinco anos. Antes de Marcelo, apenas um professor da UFSC havia sido diplomado como membro afiliado: André Luiz Barbosa Báfica, do Departamento de Microbiologia, Imunologia e Parasitologia. O pesquisador Juliano Ferreira, do Departamento de Farmacologia, é membro afiliado desde 2012, quando ainda era professor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Para o período 2015-2019, foram escolhidos cinco pesquisadores da Regional Sul, dos quais quatro são da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), e Marcelo, da UFSC.

A escolha de novos afiliados ocorre em duas etapas: na primeira, um membro titular indica o pesquisador; na segunda, todos os titulares votam para eleger dentre os indicados. A escolha é feita em função da trajetória acadêmica: anos dedicados à pesquisa, principais conquistas do ponto de vista científico. Marcelo foi indicado por João Batista Teixeira da Rocha, da UFSM, seu orientador de mestrado e doutorado. “Esse pesquisador já orientou dezenas de doutores. Ele se tornou membro titular em 2014. O fato de sua primeira indicação ser alguém que não é da sua universidade me causa bastante alegria.”

Marcelo tem 39 anos e considera importante a participação das novas gerações de pesquisadores na ABC. “Um membro titular geralmente se baseia no que vivenciou há algumas décadas. Os jovens trazem o diferencial de terem uma experiência mais recente de aspectos importantes relacionados à ciência no Brasil. Por isso podemos trocar experiências e ideias de como podemos avançar em termos de política, ciência e tecnologia. Eu pretendo contribuir justamente dessa forma, a partir da minha experiência pessoal como pesquisador jovem.” A atuação política da entidade é algo que lhe motiva como novo membro. “É uma grande oportunidade poder participar das reuniões da Academia. A ABC é muito atuante politicamente, é uma instituição que luta em prol da ciência brasileira.”

 

A ciência

Em sua pesquisa, Marcelo busca averiguar de que forma compostos tóxicos presentes na natureza afetam a saúde humana. “Hoje em dia estamos mais suscetíveis à exposição de agentes tóxicos: medicamentos; pesticidas; produtos derivados da atividade industrial, como metais pesados, solventes etc. Tudo isso é lançado na natureza a partir da atividade humana. Eu investigo de que forma alguns desses componentes, que antes eram inexistentes ou existentes em menor quantidade, atuam no organismo.” Em seus experimentos, o pesquisador tenta compreender até que níveis o ser humano pode estar exposto a essas substâncias sem correr risco de sofrer seus efeitos nocivos. “Muitas doenças – como Alzheimer, Parkinson, diabetes, câncer – têm causas que ainda não são totalmente compreendidas. Por isso é importante definir os limites aceitáveis de exposição a esses compostos e, a partir disso, desenvolver uma base científica para implementar políticas ambientais. Por que se diz que o nível aceitável de chumbo no sangue é ‘tanto’? Porque se sabe que, até esse nível, em princípio, ele não prejudica a saúde.”

Caso se comprove que determinado componente possa desenvolver uma doença, a tendência seria, primeiramente, banir ou minimizar ao máximo sua presença na natureza. Marcelo explica que sua pesquisa busca, em uma segunda etapa, desenvolver estratégias que funcionem como antídoto. “Ou seja: se você se expõe agudamente a um agente tóxico, existe alguma forma de bloquear essa toxicidade? Após o indivíduo ter sido exposto e já estar apresentando sintomas crônicos que não são revertidos a curto prazo, é possível atuar farmacologicamente para minimizar esse estado?”

Entre os muitos compostos tóxicos que poderiam ser analisados, Marcelo decidiu estudar a atuação de metais e pesticidas. “O Brasil é um grande e talvez o maior consumidor de agrotóxicos do mundo. Alguns agentes que já foram banidos em alguns países ainda são utilizados aqui.” A pertinência desse tipo de investigação se deve ao fato de não haver, hoje, uma legislação que regulamente o uso de muitas dessas substâncias. O pesquisador se sente motivado, fundamentalmente, pela possibilidade de “fazer a diferença” e de melhorar a vida do ser humano. “Seria uma realização enorme se algumas das moléculas que estou investigando como potencial agente terapêutico para essas condições viessem a se tornar um medicamento, trazendo benefícios para a população. Eu sei que para isso existem várias etapas, e eu estou numa fase muito inicial. Mas estou tentando dar um passo significativo em termos científicos na minha área, adquirindo resultados que possam ser realmente benéficos à sociedade – imaginar isso até me emociona.”

 

Trajetória acadêmica

O caminho que o levou à Bioquímica começou quando partiu de sua cidade natal, Erechim (RS), para cursar, na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), a graduação em Farmácia. Essa não foi, entretanto, uma escolha premeditada. “Há pessoas que dizem ‘desde pequeno eu queria ser farmacêutico’. Não é o meu caso. Quando chegou o momento de fazer vestibular, fiz um teste vocacional, que apontou para as ciências da vida. Decidi fazer Farmácia, pois gostava de Química. Na época foi o primeiro curso que me passou pela cabeça. Eu não tinha um sentimento genuíno de ‘ah, eu quero ser isso!’. Se o teste vocacional dissesse ‘você deve ser músico’, talvez eu me tornasse músico. Eu inclusive gosto de tocar bateria.”

Mas o teste vocacional provavelmente estava certo. Já durante a graduação, Marcelo se identificou com a Farmacologia e a Bioquímica – área em que fez Iniciação Científica. Posteriormente, no mestrado, o pesquisador diz ter sido influenciado por seu orientador. “O professor João Batista trabalha, principalmente, a toxicologia de compostos metálicos; então, eu comecei a me interessar por isso. No mestrado, eu me voltei para o efeito das substâncias no organismo como um todo; no doutorado, optei focar o sistema nervoso central e as doenças neurodegenerativas.” Marcelo considera que ainda existe muito a ser descoberto nessa área, mas as lacunas de conhecimento são, para ele, uma característica de todo campo do saber. “O ser humano sabe muito pouco de si próprio e do Universo, por isso acho muito importante a continuidade da ciência, a busca do conhecimento científico, daquilo que não se compreende.”

O ingresso no mestrado foi, para ele, o momento decisivo de sua trajetória profissional. Após concluir a graduação, voltou a Erechim para trabalhar em um hospital. “Depois de seis meses em um laboratório de Análises Químicas, percebi que aquilo não me motivava tanto, era muito monótono.” Nessa época, soube que a Capes havia recém-aprovado o mestrado em Bioquímica da UFSM, e que, em alguns meses, haveria a seleção para a primeira turma. “Fui da primeira turma do mestrado em Bioquímica da UFSM.” Aos 22 anos, Marcelo retornou àquela universidade e integrou a equipe de pesquisadores do laboratório de Bioquímica. “Quando saí daquele ambiente hospitalar e voltei ao acadêmico, tudo parecia mais lindo, mais espontâneo, mais alegre, mais criativo. Eu me senti feliz cursando mestrado e atuando em um laboratório de pesquisa. Isso me motivou muito; eu me vi fazendo aquilo pelo resto da vida.”

Marcelo cursou o doutorado na mesma área, mas na UFRGS, em Porto Alegre. Assim que o concluiu, em 2003, foi aprovado em concurso para professor efetivo do Departamento de Análises Clínicas e Toxológicas da UFSM. Dessa vez sua passagem por Santa Maria durou apenas seis meses: nesse período, ele também foi selecionado em concurso para professor da UFSC e optou mudar-se para Florianópolis pela característica que lhe é intrínseca: o “descontentamento persistente”. “Busquei um pouco de independência científica.”

Na UFSC, Marcelo teve o desafio de “começar do zero”: conquistar desde um espaço físico para seus experimentos, passando pela compra da primeira geladeira para seu laboratório, até a criação do Programa de Pós-Graduação em Bioquímica da Universidade. “O fato de me sentir mais independente me motivava muito. Embora eu atue numa linha muito próxima da em que eu atuava na UFSM, aqui tive a oportunidade de construir algo. Eu entrei na UFSC em 2004, e, em 2008, conseguimos criar o Programa de Pós-Graduação em Bioquímica, com mestrado e doutorado. Posso dizer que houve uma contribuição significativa de minha parte: fui o presidente da comissão de implantação do curso. Mas é claro que isso foi possível por já haver aqui uma equipe competente.” O professor se sente feliz por fazer parte da Universidade. “Eu considero a UFSC uma universidade respeitável, muito ativa e importantíssima para Santa Catarina. Para mim é um orgulho ser professor da UFSC.”

Atualmente, Marcelo orienta dois alunos de Iniciação Científica, três mestrandos, quatro doutorandos e dois pós-doutorandos. O ensino é, para ele, parte muito importante de sua atuação como acadêmico. “Gostaria de contribuir para a formação de novos cientistas, que talvez venham a gerar conhecimentos importantes para a sociedade.” O pesquisador reafirma que se sente feliz como membro da ABC, mas que o mais importante é ser cada vez melhor no que faz. “Mais do que fazer mais, quero fazê-lo benfeito. O lançamento de um novo medicamento não ocorre se nós, como pesquisadores, não fizermos um excelente trabalho.”

Daniela Caniçali/Jornalista da Agecom/DGC/UFSC

Revisão: Claudio Borrelli/Revisor de Textos da Agecom/DGC/UFSC

 

Protótipo de chuveiro híbrido desenvolvido na UFSC economiza 78% de energia elétrica por banho

10/09/2015 09:52

Um protótipo de chuveiro híbrido, produzido na dissertação de mestrado de Gelson Onir Pasetti e orientação do professor Julio Elias Normey-Rico, com objetivo de diminuir gastos e perda de água, alcançou – com três placas solares – economia de 78% de energia elétrica por banho, com base na média anual de temperatura de Florianópolis. Através de uma interligação com um computador, o usuário controla a temperatura e vazão da água da ducha, que utiliza energia elétrica e solar. O protótipo foi feito no Departamento de Automação e Sistemas da Universidade Federal de Santa Catarina, em Florianópolis.

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Clique e veja o funcionamento do chuveiro

O sistema criado é dividido em duas partes principais: a economia elétrica ocorre através da planta solar – no verão, ela atingiu a temperatura de 70°C  e no inverno, 40°C. Já a redução no consumo vem com o uso da água que é perdida nas tubulações dos chuveiros comuns. “Quando o chuveiro é ligado, você tem um minuto de desperdício da água que fica na tubulação até chegar a água quente”, explica. Com o protótipo, a quantidade utilizada diminuiria por volta de 3 litros a cada banho de dez minutos. Em uma família de quatro pessoas, seriam economizados, por ano, 4.526 litros e R$ 531,00. Pasetti ressalta que sua pesquisa foi realizada com dados de 2014 e que, naquela época, o valor poupado foi R$ 390,00; porém, com o aumento de 25% na energia elétrica, o controle de gastos se tornou maior.

A água aquecida pela placa solar é depositada em um boiler – um tanque de armazenamento – com camadas de isopor e proteção térmica para evitar a perda de calor ao longo do dia. Caso a temperatura fique abaixo dos 25°C, um resistor elétrico dentro do tanque é ativado para reesquentar a água.

O chuveiro elétrico é responsável por 18% da energia elétrica do consumo residencial, o equivalente a 337kWh/domicílio, perdendo apenas para a geladeira. Além disso, o equipamento é responsável por 43% da energia elétrica gasta nas residências durante o inverno, de acordo com o Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel).

O protótipo construído custou cerca de R$ 5 mil, com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). O pesquisador explica que o alto custo se deve à instalação de todos os sensores, placas solares e caixas d’água, além de estimar o preço da mão de obra necessária e a margem de lucro do fabricante e comerciante. Para o uso residencial, o gasto poderia ser reduzido para R$ 4,4, caso o consumidor já tenha um sistema de tubulação para água quente e fria. O retorno do investimento no chuveiro híbrido viria com oito anos de uso, de acordo com o pesquisador. “Vale lembrar que, além da vantagem econômica a longo prazo, o usuário também terá um grande conforto, utilizando um sistema sustentável”, ressalta Pasetti. O projeto ainda não é feito em larga escala e nem comercializado.

Mais informações:

Departamento de Automação e Sistemas – (48) 3721-9934

 

Ana Carolina Prieto, Luan Martendal e Tamy Dassoler/Estagiários de Jornalismo/Propesq/DGC/UFSC
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Infográfico produzido por Gabriel Daros/Estagiário de Jornalismo/Propesq/DGC/UFSC

Pesquisa da UFSC estuda controle de gordura trans em produtos de lanchonetes da Universidade

09/09/2015 11:27

Os padrões e comportamentos alimentares da população têm sido influenciados por fatores como menor disponibilidade para o preparo das refeições e o tempo gasto nele, o aumento do número de vezes em que as pessoas comem fora de casa e o acréscimo do consumo de alimentos processados. Os produtos alimentícios industrializados mais comprados pelos brasileiros são os de panificação – salgados fritos e assados, biscoitos salgados, pizzas e sanduíches –, que apresentam elevado teor calórico e de gorduras, entre elas, a trans, que pode ocasionar diversos malefícios à saúde, como desenvolvimento de doenças cardiovasculares, diabetes melito, obesidade, depressão e câncer. Jovens no ambiente universitário consomem habitualmente produtos de panificação com presença da gordura trans.

Pesquisa realizada no Programa de Pós-Graduação em Nutrição (PPGN), no contexto do Núcleo de Pesquisa de Nutrição em Produção de Refeições (NUPPRE) da UFSC, teve como objetivo implementar o controle de gordura trans em produtos de panificação de um fabricante que é fornecedor de lanchonetes do campus de Florianópolis da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O estudo é resultado de uma dissertação de mestrado defendida em 2015 pela nutricionista Mariana Kilpp Silva, com orientação da professora Marcela Boro Vieiros, e parcerias com a professora Rossana Pacheco da Costa Proença e a egressa de doutorado, Vanessa Hissanaga-Himelstein.

 Etapas do estudo

O estudo foi executado em três etapas: a primeira foi a da identificação dos produtos de panificação com gordura trans comercializados nas lanchonetes do campus Florianópolis – a coleta de dados foi realizada nas 13 lanchonetes do campus. A etapa seguinte foi a seleção do fabricante, escolhido devido à possibilidade de fornecer maior número de produtos de panificação passíveis de conter gordura trans aos consumidores da Universidade. Na terceira etapa houve a implementação, no fabricante selecionado, do Método de Controle de Gordura Trans no Processo Produtivo de Refeições (CGTR), que ocorreu de novembro de 2014 a fevereiro de 2015.

Foram avaliados todos os produtos de panificação comercializados que continham rotulagem: pães de queijo, pães de batata recheados com requeijão, biscoitos salgados simples, salgados assados de massa branca e integral (empanadas, calzones e esfirras), salgados assados de massa semifolhada (croassãs e folhados), salgados fritos de massa cozida (coxinhas) e calzones doces.

Todas as lanchonetes comercializavam produtos de panificação com presença da gordura trans. Dos 120 produtos analisados por meio dos rótulos, 92 (76,7%) continham ingredientes passíveis de conter gordura trans, dos quais 60 (65,2%) foram identificados pela presença dessa gordura na tabela de informação nutricional, e 68 (73,9%) pela lista de ingredientes – devido ao uso de margarina (51,5%), gordura vegetal hidrogenada (27,9%) e gordura vegetal (20,6%).

Foram identificados 21 fabricantes que comercializavam produtos de panificação nas lanchonetes: o selecionado para o estudo os fornecia para três lanchonetes do campus da Universidade, com sete diferentes produtos de panificação, todos com ingredientes passíveis de conter gordura trans.

Na implementação do método CGTR, após acompanhamento e avaliação de todas as etapas do processo produtivo, foi identificado que todos os 39 produtos de panificação fabricados pela empresa utilizavam ingredientes passíveis de conter gordura trans, dos quais 59% possuíam em sua composição caldo de galinha industrializado; 54%, gordura vegetal hidrogenada; 44%, margarina industrial; 13%, requeijão cremoso original; e 3%, queijo cheddar – todos identificados com presença de gordura trans por meio das informações contidas nos respectivos rótulos.

Foram então realizados testes culinários para desenvolver novos produtos sem gordura trans: o teste dos recheios foi feito com a substituição do caldo industrializado por temperos frescos e naturais e por caldo industrializado sem gordura trans; além disso, houve a substituição de requeijão contendo gordura vegetal por produtos similares sem gordura trans. Para as massas, foram realizados testes culinários substituindo gordura vegetal hidrogenada e margarina por óleos vegetais (soja, girassol e algodão) e o caldo de galinha industrial por caldo de galinha caseiro. Com o desenvolvimento e testes das novas formulações, foi demonstrada a possibilidade de fabricar produtos de panificação isentos de gordura trans industrial.

Além dos testes, foram implementadas ações para o controle da gordura trans no local do estudo, que deram origem a diversas recomendações para fabricantes envolvidos no processo produtivo de produtos de panificação.

Resultados

Destaca-se a relevância do método CGTR no processo produtivo de refeições e, a partir do estudo, a viabilidade de implementá-lo na produção de produtos de panificação. A aplicação do método auxilia colaboradores e gestores da área de panificação a identificar a gordura trans no processo produtivo e propor ações corretivas para controlar seu uso ou eliminá-la. Da pesquisa também se conclui que o uso de óleos vegetais na fabricação de produtos de panificação e a utilização de insumos isentos de gordura trans são alternativas viáveis para seu controle nos alimentos, possibilitando aos consumidores opções mais saudáveis do ponto de vista nutricional.

Conclui-se, portanto, que disponibilizar, em lanchonetes de ambientes universitários e escolares, alimentos com melhor qualidade nutricional e isentos de gordura trans é uma forma de prevenir doenças, já que essa substância é, comprovadamente, nociva à saúde e não possui limite seguro de ingestão.

Contatos: Mariana Kilpp Silva: ; Marcela Boro Veiros: ; e Rossana Pacheco da Costa Proença: .

 Edição: Alita Diana/Jornalista da Agecom/DGC/UFSC

Revisão: Claudio Borrelli/Revisor de Textos/Agecom/DGC/UFSC

 

Em função do mau tempo, satélite desenvolvido em parceria com a UFSC será lançado nesta quarta-feira

19/08/2015 08:06

O satélite de pequeno porte SERPENS, desenvolvido por um consórcio integrado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), será lançado nesta quarta-feira, 19 de agosto, de Tsukuba, no Japão. A previsão inicial era de que o satélite fosse lançado no último domingo, 16 de agosto, mas o mau tempo ocasionado pelas chuvas inviabilizou a atividade. Ele integra o Sistema Espacial para a Realização de Pesquisa e Experimentos com Nanossatélites (SERPENS), que é um programa criado pela Agência Espacial Brasileira (AEB). Essa primeira missão SERPENS foi coordenada por pesquisadores da Universidade de Brasília

Satélite  Serpens

Satélite SERPENS

(UnB).

O principal objetivo do SERPENS é a capacitação de recursos humanos e a consolidação dos novos cursos de engenharia espacial no Brasil. Além da UnB e da UFSC, a iniciativa conta com a participação das universidades federais do ABC (Ufabc), de Minas Gerais (UFMG) e o Instituto Federal Fluminense (IFF). A próxima missão, SERPENS 2, é coordenada pela UFSC.

Do exterior, as universidades de Vigo (Espanha),  Sapienza Università di Roma (Itália) e as norte-americanas Morehead State University e California State Polytechnic University (Cal Poly) participaram do desenvolvimento do satélite como observadoras. O nanossatélite será transportado por um foguete da Agência Espacial Japonesa (Jaxa) para a Estação Espacial Internacional (ISS) e a colocação em órbita, a partir da ISS, está prevista para outubro.

O pequeno satélite testará conceitos básicos de missões espaciais, realizando  o recebimento, armazenamento e retransmissão de mensagens por intermédio de um sistema de comunicação na frequência de radioamador. Ao utilizar esse tipo de sistema de radio, o satélite está apto a trocar mensagens com estações espalhadas pelo globo terrestre. Isso possibilita que os dados armazenados no satélite possam ser recuperados em vários locais do planeta, não apenas pelas universidades envolvidas, mas também pela comunidade com acesso a estações de radioamador. A proposta é ilustrar que, no futuro, esse tipo de equipamento pode ser usado para colaborar para o sistema de coleta e distribuição de dados ambientais no país.

“O custo para o lançamento desse tipo de satélite universitário é de aproximadamente 100 mil dólares. Um satélite ‘convencional’, de maior porte fica na casa dos milhões”, explica o professor do Departamento de Engenharia Elétrica, Eduardo Augusto Bezerra. “Já participei de projetos isolados, mas a criação de cursos de Engenharia Aeroespacial chamou a atenção da AEB, que formou o consórcio”. Na UFSC, a equipe responsável pelo projeto é integrada de professores e estudantes dos campi de Florianópolis e Joinville.

O satélite foi desenvolvido fisicamente em Brasília, e a participação dos pesquisadores da UFSC foi remota e presencial. “Os alunos tiveram muito treinamento, fornecido pelo consórcio, de como funciona uma missão espacial, e os professores atuaram mais como consultores de como seriam os módulos do satélite.”

Equipe do Projeto

Equipe do Projeto

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Testes

O modelo de voo do nanossatélite, aprovado nos testes realizados no Laboratório de Integração e Testes (LIT) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos (SP), e na Agência Espacial Japonesa, passou por uma fase de validação de alguns testes adicionais, solicitados em função de que o satélite será lançado de um veículo espacial com tripulação. Há exigência, nesses casos, de quesitos mais rigorosos de segurança.

Com informações das assessorias de imprensa da AEB e da UnB.

Uso de glifosato pode causar riscos à saúde, indica parecer técnico de pesquisadores da UFSC

24/07/2015 13:30

Agrotóxico mais vendido no Brasil, o glifosato pode estar relacionado ao aparecimento de doenças como câncer, depressão, Alzheimer, diabetes, autismo e mal de Parkinson, conforme o parecer técnico N. 01/2015, produzido por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O herbicida e outros cinco ingredientes estão na lista de agrotóxicos que devem passar por reavaliação toxicológica até setembro, conforme determinado pela Justiça Federal no dia 25 de junho deste ano. Atualmente, o princípio ativo é considerado pouco perigoso aos humanos e ao meio ambiente, segundo classificação dos órgãos reguladores nacionais – Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

A análise técnica acerca dos riscos associados ao herbicida foi desenvolvida por Sonia Corina Hess, professora de Engenharia Florestal e Agronomia do campus Curitibanos, e Rubens Onofre Nodari, professor de Agronomia e Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Recursos Genéticos Vegetais da UFSC, em Florianópolis. A revisão bibliográfica ocorreu durante dois meses e levou em consideração pesquisas nacionais e internacionais publicadas nos últimos seis anos. O parecer foi divulgado no dia 23 de maio e enviado ao Ministério Público Federal (MPF) com o objetivo de reafirmar a necessidade de uma reavaliação imediata dos registros de produtos à base de glifosato.

Segundo o documento, dados do Ibama mostram que há sete anos o Brasil lidera o mercado de agrotóxicos do mundo e, em 2012, foi responsável por 19% das vendas mundiais desses produtos. A comercialização dos ingredientes ativos no país atingiu a marca de 495.764,55 toneladas em 2013, conforme o último Boletim Anual sobre Produção, Importação, Exportação e Vendas de Produtos Agrotóxicos do Ibama. O relatório, atualizado em setembro de 2014, apontou ainda que o glifosato e seus sais lideram o ranking de princípios ativos mais vendidos no país, com 185.956,13 toneladas.

O glifosato é utilizado sobretudo na agricultura para matar plantas denominadas de invasoras de culturas de transgênicos [organismos vivos geneticamente modificados, principalmente, para apresentar  resistência às pragas ou resistir a aplicação de herbicidas], além de ser usado como dessecante [produto capaz de agilizar a secagem da planta] para facilitar a colheita de grãos como soja e trigo. Para Sonia Hess, a classificação toxicológica feita pelos órgãos reguladores nacionais considera os efeitos agudos e não os efeitos crônicos do herbicida, podendo prejudicar a identificação de alterações causadas ao meio ambiente e aos humanos.

“Em uma escala que varia de 1 (extremamente tóxico) a 4 (pouco tóxico), ele é ‘classe 4’ pela legislação atual e, até então, não se sabia muito sobre os efeitos do glifosato. As publicações são recentes e a partir de 2009 começaram a aparecer os primeiros estudos mostrando seus efeitos tóxicos e demonstrando que ele é extremamente perigoso à saúde”, explica a pesquisadora.

De acordo com a parecerista, o objetivo do trabalho é alertar as pessoas em relação ao uso incorreto do glifosato e demonstrar com clareza e acuidade científica os riscos do herbicida. “O seu banimento, em função dos efeitos tóxicos, tem sido descrito em vários artigos científicos. Mal de Alzheimer, depressão, câncer, infertilidade, problemas de má formação em crianças, até autismo e neurotoxidade, eram todos aspectos que não se conheciam e que agora estão sendo demonstrados. Muitos dos problemas que o glifosato causa são por que ele interfere na atividade das bactérias que ajudam o nosso corpo, ele mata as bactérias”, completa.

 

Contaminação

O parecer técnico aponta que a quantidade necessária para causar efeitos na saúde é muito baixa. Os pesquisadores demonstram que quando aplicado nas lavouras e utilizado como dessecante, o principio ativo contamina a planta e consequentemente os alimentos, que podem apresentar teores variados de glifosato. “As concentrações que a literatura descreve são muito baixas e têm efeito biológico intenso. Isso é grave já que no momento que se trata trigo, milho, soja, com esse dessecante, o alimento é contaminado e não existe uma forma de limpar e retirar o produto. Até os animais, que servem de alimento para o ser humano, estão sendo contaminados”, explica Sonia.

Ela destaca que o ingrediente ativo também pode causar danos ao solo e à água. “A produtividade agrícola está sendo ameaçada. Ele afeta o ecossistema agrícola de forma muitas vezes até irreversível, pois o solo é um material vivo e o glifosato mata todas essas bactérias, prejudicando sua fertilidade. Muitas cidades também já estão apresentando análise de água contendo resíduos do herbicida”, conclui.

No dia 20 de março, em Lyon, na França, o glifosato foi inserido na lista de prováveis cancerígenos para os seres humanos pela International Agency for Research on Cancer (IARC), ligada à Organização Mundial de Saúde (OMS), na categoria 2A. A classificação feita por 17 especialistas de 11 países é a mesma utilizada para esteróides anabolizantes, por exemplo. A divulgação também reforça o debate em torno da reavaliação da toxidade do glifosato pela Anvisa, o Ibama e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

 

Mortes comprovadas

Uma petição do MPF enviada à Justiça há três meses confirma dezenas de mortes provocadas pelos componentes dos produtos usados na agricultura brasileira, incluindo o glifosato. No documento, o procurador da República Anselmo Henrique Cordeiro Lopes cita relatórios dos Centros de Informações e Assistência Toxicológica do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Os três estados contabilizaram 88 mortes, entre 2009 e 2013, por “exposição aguda aos ingredientes dos agrotóxicos”. O mesmo requerimento indica que seja concluída com urgência a reavaliação toxicológica do glifosato e recomenda o banimento do herbicida no mercado nacional.

O procurador aponta ainda as estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca) e da OMS de que o câncer será a principal causa de óbitos no Brasil nos próximos cinco anos, parte deles em decorrência do aumento no uso de agrotóxicos.

A petição indica também que o MPF apresentou pedido aos 34 Centros de Informações e Assistência Toxicológica do país para que informem registros de eventuais intoxicações ocorridas, em 2014, que possam estar relacionadas à exposição a agrotóxicos que contenham os ingredientes ativos mencionados em ações movidas pelo órgão.

Mais informações:  e .

 

Texto e fotos: Luan Martendal/Estagiário da Diretoria-Geral de Comunicação/UFSC

Grupo de Pesquisa em Enfermagem na Saúde da Mulher e do Recém-Nascido comemora 10 anos

24/07/2015 07:50

Quando o Grupo de Pesquisa em Enfermagem na Saúde da Mulher e do Recém-Nascido (Grupesmur) foi criado, o objetivo era produzir e divulgar conhecimento na área da enfermagem, voltado para esta população específica, em uma perspectiva multidisciplinar. Hoje, dez anos depois, o grupo possui uma produção extensa e é favorável a medidas que incentivem o parto natural, como as novas regras estabelecidas pelo Ministério da Saúde e da Agência de Saúde Suplementar (ANS). Segundo a líder do grupo, Evanguelia Kotzias Atherino dos Santos, estas normas são positivas porque podem diminuir a grande taxa de cesáreas no Brasil, que chega a atingir 84% na rede privada de saúde e 40% na pública.

Para aprofundar estudos na sua área de atuação, integrantes do Grupesmur desenvolveram 29 dissertações e quatro teses, entre 2005 e o primeiro semestre de 2015. Uma destas pesquisas é sobre “Rituais de cuidado realizados pelas famílias na preparação para a vivência do parto domiciliar planejado”,que entrevistou 25 famíliasque realizaram parto em casa de setembro de 2010 a abril de 2011. As pesquisadoras do grupo identificaram que os casais consideravam suas casas um local mais acolhedor e aconchegante para ter um bebê do que o hospital. Esta instituição era descrita, na maioria das vezes, como um lugar frio, com pessoas estranhas e sem envolvimento afetivo, o que levava à escolha do parto domiciliar.

Já o estudo “Parto normal e cesárea: representações sociais de mulheres que os vivenciaram” foi realizado com 20 mulheres que fizeram parto normal ou cesárea entre julho e outubro de 2010. As entrevistadas afirmaram que o parto natural trazia uma dor excessiva, mas que a recuperação era muito rápida, permitindo às mulheres realizarem atividades rotineiras em poucos dias. A cesárea foi vista como uma forma mais rápida e cômoda de parir e, principalmente, sem dor. Mas foi associada a sentimentos ruins, como temor, aversão e trauma e a uma recuperação muito demorada. As mulheres entrevistadas descrevem a cesárea como um procedimento cirúrgico a ser evitado, por causa da gravidade e riscos como infecção, hemorragia e choque anafilático. Também foi percebido que a decisão pelo tipo de parto é feita por indicação médica e que as elevadas taxas de cesárea não estão relacionadas à vontade das mulheres.

A líder do Grupesmur afirma que o alto índice de cesáreas no Brasil não se deve somente à escolha médica. Fatores como a falta de orientação às gestantes também são determinantes. “Algumas mulheres decidem sem ter conhecimento das complicações para elas e para os bebês”, afirma. Com as novas regras, esta situação pode mudar: grávidas que decidirem fazer cesárea sem indicação médica terão que assinar um termo de consentimento mostrando que conhecem os riscos.

Evanguelia explica que a cesárea é um método muito importante para condições específicas. Mas garante que “generalizar e banalizar a cesariana pode trazer malefícios para a mãe e para o bebê”.

O Grupesmur continua desenvolvendo pesquisas na área, envolvendo temas como mulheres com câncer de mama e em situação de abortamento, atenção no pré-natal, mulher trabalhadora e amamentação, método canguru na atenção básica e violência obstétrica.Segundo dados de 2014 do Nascer no Brasil, um levantamento nacional sobre parto e nascimento, 74,8% das mulheres que tiveram parto natural com intervenção médica não puderam se alimentar durante o procedimento e 36,1% sofreram empurrões na barriga para forçar a saída do bebê. Estes dois casos são considerados violência obstétrica, assim como não deixar a gestante escolher o local em que o parto ocorrerá e proibir a entrada de acompanhante.

Mais informações:

Grupesmur (48) 3721-2208

Evanguelia Kotzias Atherino dos Santos (48) 3721-2206

 

Tamy Dassoler/Estagiária de Jornalismo/DGC/UFSC